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Instituto Claro episodes

  • Estudo da obra de Cornélio Pires na escola valoriza cultura caipira

    Cornélio Pires (1884/1958) nasceu na cidade de Tietê, interior de São Paulo. Antes de ser reconhecido como um dos principais escritores e pesquisadores na valorização da cultura caipira, chegou a travar importante disputa com Monteiro Lobato para desmistificar a imagem atribuída à cultura caipira. Sua obra pode ser apresentada aos alunos para quebrar preconceitos.

    “Essa resistência do homem livre, do caboclo, em ser um escravo ou um mero funcionário sem direitos, foi interpretada como uma indolência, como uma preguiça – deformação cultural. Então, o Monteiro Lobato (em artigo de 1918) vai acusar o caboclo, que é esse homem livre, e o condena – diz que ele não é civilizado”, revela a doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Arlete Fonseca.

    A cultura caipira coletada, criada e difundida por Cornélio Pires desconstruía esta imagem. Ele defendia que mesmo ao deixar o campo, o caipira não devia perder seus atributos característicos: camaradagem, alegria e simpatia.

    O contato com a visão de Pires fez Lobato rever sua posição e, inclusive, escrever uma carta elogiosa ao folclorista. “Você, Cornélio, é um dos pouquíssimos que vão ficar. Há tanta verdade nos seus tipos, tanta vida; há tanto humanismo na tua obra. Há tanta beleza e tanta originalidade em teu estilo, que estás garantido (...) Um sincero abraço, Monteiro Lobato”.

    No áudio, além da análise da importância da obra de Cornélio Pires para a valorização da cultura caipira, o contador de histórias e educador Giba Pedroza traz sugestões de atividades envolvendo causos e superstições para o ensino fundamental.

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    9 min
  • ‘Pena que governos e indústrias não escutaram a mensagem’, reflete especialista 30 anos após Rio-92

    Entre 5 e 16 de junho de 1972 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia). Foi o primeiro importante alerta sobre a necessidade de a humanidade tomar medidas emergenciais de proteção ao meio ambiente. Duas décadas depois, na Rio-92, os avisos se intensificaram. Esses dois momentos são lembrados pela Mostra Ecofalante deste ano.

    “Essas duas conferências foram extremamente importantes pra trazer esta mensagem de que a sustentabilidade é absolutamente estratégica para a nossa sociedade. É uma pena que os governos e as indústrias não escutaram essa mensagem e continuam as suas atividades como se nada estivesse acontecendo num planeta em colapso ambiental”, analisa o professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante, há mais de 30 anos, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC) Paulo Artaxo.

    Para o pesquisador, os desastres ambientais que têm sido constantes no Brasil e no mundo vão continuar e se intensificar se não houver um esforço coletivo em torno das emergências climáticas. “O IPCC, no último relatório do Grupo de Trabalho III, coloca que nós já temos a tecnologia pra construir uma sociedade sustentável. Mas visões de curto prazo das empresas, que querem o maior lucro possível no menor espaço de tempo possível, e a visão de curto prazo da enorme maioria dos governos está impedindo que a sociedade evolua para uma economia global sustentável. E isto é um problema, obviamente, muito sério para a nossa sociedade como um todo”, conclui.

    Ainda no áudio, o diretor da Mostra Ecofalante, Chico Guariba, indica três filmes que estão disponíveis online e gratuitamente, em comemoração aos 10 anos de dedicação ao cinema ambiental.

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    10 min
  • O que é Estado democrático de direito?

    No chamado Estado democrático de direito, as leis são criadas pelo povo e para o povo, levando-se em conta a dignidade humana. “É um Estado que vive sob regras produzidas pela população, em nome da população, e a serviço da população. E que instaura uma igualdade e uma liberdade para todos os atores, debaixo da Constituição”. A definição é da cientista política e professora da Universidade Federal de São Carlos Vera Cepêda.

    “A obrigação do Estado é manter a qualidade de vida do conjunto da sua população e impedir conflitos sociais”, pontua a professora. Ela faz uma analogia do Estado com a ideia de família: “Temos uma família quando você protege os mais fracos, estabelece relações de igualdade entre os filhos, em que se trabalha pelo bem comum e não pelo bem individual.”

    Nessa perspectiva, a especialista pontua que mesmo regimes autoritários podem ter regras para o corpo social, mas isso não os enquadra no Estado democrático de direito. “Eles até podem ter uma aparência de um governo constitucional. Mas não garantem a soberania da sociedade com relação ao Estado”, afirma.

    Assim, o autoritarismo se caracteriza quando “indivíduos e grupos se apropriam da força coletiva, que é a força da política, para benefício próprio. Esse é o risco que a gente tem que combater no mundo moderno”, enfatiza, como pesquisadora há 30 anos de questões que envolvem a democracia.

    8 min
  • Educação política: participação de estudantes fortalece democracia dentro e fora da escola

    Liberdade de expressão, democracia e cidadania não são conceitos fáceis de ensinar. No entanto, a educação é uma das formas de estimular a participação de estudantes nas decisões da escola e de demonstrar a importância da política.

    “Eu sempre brinco com os alunos: falo pra eles que a gente acorda e escolhe uma roupa para ir para escola ou para trabalhar. E o fato de a gente escolher uma roupa é uma liberdade que a democracia nos garante, e é uma liberdade de expressão. E nisso está a política, né?”, explica a doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e diretora do movimento Voto Consciente, Joyce Luz.

    Entrevistada neste podcast, a professora de educação política em escolas periféricas de São Paulo reforça que não é preciso falar em candidato, nem partido, mas sim ensinar como funciona a estrutura política na prática. Um dos exemplos nesse sentido é o estímulo que a comunidade escolar pode dar ao grêmio estudantil.

    “Nós temos direitos, mas nós também temos deveres. E dentro do grêmio estudantil, os alunos aprendem a desenvolver esses dois eixos: o eixo da garantia dos direitos; mas também o eixo de você praticar os seus deveres, que, hoje, é a responsabilidade social. É você se enxergar no outro e ajudar a suprir a necessidade do outro. Se eu pudesse dar um recado pra todos os diretores de escolas eu incentivaria muito os grêmios nas escolas”, conclui Luz.

    9 min
  • ‘Geração do quarto’: pesquisa aponta jovens mais isolados e angustiados

    O livro “A geração do quarto: Quando crianças e adolescentes nos ensinam a amar”, de Hugo Monteiro Ferreira, é resultado de pesquisa com mais de 3 mil alunos entre 11 e 18 anos, de cinco capitais brasileiras. Os dados foram coletados em 2017 e 2018, em um período pré-pandemia. Já naquela época, no entanto, o autor buscava entender como estava a condição socioemocional dos jovens e se deparou com uma geração com sofrimentos e angústias, saindo pouco de casa e interagindo pelas redes sociais.

    “É uma geração que se comunica pouco na face a face, mas se comunica muito através da internet e é ao mesmo tempo também uma geração que marca o seu sofrimento no corpo”, sintetiza o autor, que é professor e coordenador do Núcleo do Cuidado Humano e do Grupo de Estudos de Transdisciplinaridade da Infância e da Juventude da Universidade Federal Rural de Pernambuco (GETIJ/UFRPE). “A pandemia não criou o adoecimento socioemocional e mental dos adolescentes. Ela intensificou aquilo que nós já sabíamos e que de algum modo negligenciávamos”, pondera.

    Na entrevista para o Instituto Claro, Ferreira aponta que a escola deve dar atenção a habilidades socioemocionais e discorre sobre cinco pilares que estão na obra e podem diminuir o sofrimento e, ao mesmo tempo, valorizar a potência dessa geração: autocuidado/cuidado, autoconhecimento, convivência, diálogo e amorosidade.

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    10 min
  • 10 anos da lei de cotas: pesquisador defende manutenção da política

    No Brasil, a Lei de Cotas (nº 12.711) foi aprovada em agosto de 2012, como política pública de ação afirmativa na educação superior. Ela foi resultado de uma década de debates, que tiveram início com a participação do país na III Conferência contra Xenofobia e Discriminação, em Durban, na África do Sul, em 2001.

    “A delegação brasileira, nessa Conferência, liderada pela Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, com uma grande representação dos movimentos sociais, principalmente negros e negras, quando volta para o Brasil, assume oficialmente o racismo e, como assinou a declaração de Durban, começou a trabalhar sobre as questões de cota”, explica o professor titular aposentado do departamento de antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), Kabengele Munanga.

    Referência sobre a questão racial e a importância das políticas de ações afirmativas, o pesquisador foi ouvido neste podcast para avaliar os avanços trazidos pela regulamentação, que determina que as universidades, institutos e centros federais reservem 50% das suas vagas para estudantes oriundos de escola pública, sendo parte delas destinadas a estudantes negros e indígenas.

    “Tem universidades brasileiras que, a partir das cotas, tiveram mais negros do que em todo tempo de sua existência. Então, as cotas são importantes em termos de inclusão de jovens negros e indígenas na universidade. É um processo que vai exigir mais tempo, por isso que se luta hoje para manutenção em termos de reserva de vagas nas universidades públicas brasileiras”, defende Munanga, diante da revisão prevista para acontecer até agosto e das ameaças de mudanças na legislação, que são comentadas no áudio pelo professor.

    9 min
  • Como trabalhar projeto de vida na escola: 5 formas de engajar alunos

    O Projeto de Vida foi inserido como componente curricular do “novo ensino médio” pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2018. O objetivo era aumentar o engajamento de alunas e alunos, ao incentivar adolescentes a estudarem com um planejamento voltado ao futuro pessoal e profissional.“As escolas têm que ter práticas pedagógicas que permitam a reflexão sobre quem eles são: sobre o próprio aprendizado, sobre a relação com o outro… porque a gente não constrói um projeto de vida sem pensar nas nossas relações interpessoais”, afirma a psicóloga e pedagoga Ana Carolina D’Agostini.

    No áudio, a coautora do livro “Se Liga na Vida – Projeto de Vida” traz cinco sugestões de como aproveitar a inserção da temática para aumentar a motivação de estudantes do ensino médio:

    – Estímulo ao protagonismo e autonomia no aprendizado;

    – Compartilhamento das experiências pessoais e profissionais dos professores; – Demonstração de que o projeto de vida não se encerra no ensino médio;

    – Promoção da participação de pais e responsáveis no processo;

    – Abertura da escola para um eficiente processo de escuta.

    9 min
  • Ponto de não retorno na Amazônia: o que fazer para que a floresta permaneça viva?

    A Amazônia está cada vez mais próxima do que cientistas chamam de “ponto de não retorno”. Em outras palavras, a floresta pode perder a capacidade de retirar da atmosfera grandes quantidades de gás carbônico e, ainda, passar a emitir o gás em grande quantidade.

    “Se nós continuarmos o desmatamento, entre 20, 40 anos, nós passamos do ponto de não retorno e aí, mesmo que nós consigamos parar o desmatamento depois disso, a floresta vai se degradar. Ela vai desaparecer. E nós vamos, então, perder a região com a maior biodiversidade do planeta”, analisa o climatologista e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Carlos Nobre.

    O alerta está também em artigo publicado em março deste ano na revista científica Nature Climate Change. O estudo aponta que a floresta está menos resiliente diante de emergências climáticas. “Isso tem a ver com o aumento da temperatura, com o aumento da severidade das secas e alguns estudos já mostraram que o sudeste da Amazônia – no norte de Mato Grosso e sul do Pará —, durante a estação chuvosa, a floresta já virou uma fonte de carbono. Ela não remove mais carbono da atmosfera, porque ali aumentou muito a mortalidade das árvores”, explica Nobre.

    No áudio, o pesquisador aponta em detalhes o que ainda pode ser feito para evitar o pior cenário para a floresta. “É preciso zerar o desmatamento, zerar a degradação florestal, zerar o uso do fogo imediatamente no sul da Amazônia e em toda a Amazônia até 2030. Restaurar uma grande área no sul da Amazônia, para tentar conseguir que essa floresta volte a reciclar água, aumentar a chuva, diminuir a temperatura e — quem sabe — possa fazer parar de crescer o tamanho da estação seca, a duração da estação seca e, eventualmente, até diminuir”, resume.

    9 min
  • ‘Crime e castigo’ em HQ pode ser trabalhado nas aulas de literatura

    Um dos clássicos da literatura universal, a obra “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski, ganha uma adaptação em formato de graphic novel, feita por Bastien Loukia. A obra foi traduzida para o português pela mestre em Letras e tradutora Carolina Selvatici. Ela discorre sobre a HQ e suas interpretações neste podcast.

    “As discussões se mantêm. A emoção que você sente se mantém. Esse tipo de adaptação é extremamente importante para aproximar o público da literatura. Um adolescente não leria um livro de Dostoiévski de outras forma, porque você tem que ter uma dedicação que não é todo mundo que tem”, acredita Selvatici.

    Já a atualidade dos temas abordados pelo escritor russo em "Crime e castigo" é ressaltada pela outra entrevista deste podcast, a professora do curso das Letras Russas da Universidade de São Paulo (USP) Elena Vássina. “Lendo Dostoiévski, a gente está dentro de problemas que nos tocam como seres humanos. Ele toca muitas questões que a humanidade – com tantos milênios de existência – não conseguiu resolver até hoje”, reflete.

    9 min
  • Descobrimento, achamento ou invasão: o que define o dia 22 de abril de 1500?

    Abril é marcado por duas datas que, aparentemente, não possuem ligação: 19 (Dia do ‘Índio’) e 22 (‘Descobrimento’ do Brasil). Mas por que chamamos de descobrimento o momento em que Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil, se o próprio integrante da frota portuguesa, o escrivão Pero Vaz de Caminha, registra este momento da história como “achamento”?

    “Os índios estavam presentes dentro do continente e a Carta de Caminha é maravilhosa no sentido de reconhecer a importância dos índios, a beleza dos índios, a fidalguia dos índios, que recebem bem os portugueses; as boas condições de saúde; a fartura de alimentos. Enfim, os índios viviam absolutamente bem, com sociedades estruturadas, muito diversas das europeias, mas sem qualquer necessidade de uma relação colonial”, resume o integrante do grupo de Antropologia Histórica do Museu Nacional do Rio de Janeiro João Pacheco de Oliveira.

    Entrevistado neste podcast, Oliveira é o responsável pela produção do material didático da exposição “Os Primeiros Brasileiros”, que, desde 2021, está disponível também em versão online. Por meio dos documentos, é possível entender por que intelectuais indígenas têm revisado a chegada dos portugueses ao Brasil e a chamado de invasão.

    “A expressão é bem forte, mas, do outro lado, ela corresponde muito mais à verdade dos fatos. A chegada dos europeus no Brasil e na América foi fundamental para o desenvolvimento das monarquias europeias e da economia europeia. O ouro do México, a prata do Peru, a madeira do Brasil e de outros lugares, elas foram importantes pra ativar a economia europeia. A Revolução Industrial não teria acontecido sem o ouro da América e sem os recursos que saíram daqui”, explica.

    9 min

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