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Instituto Claro episodes

  • Pandemia provocou aumento da síndrome de burnout em profissionais de saúde, aponta pesquisadora

    Os profissionais de saúde já eram acometidos pela síndrome de burnout, mas o aumento exponencial de demanda nos hospitais com a pandemia de covid-19 provocou uma elevação dos casos. É isso que aponta a professora do departamento de psicologia da Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto) Marina Greghi, que pesquisa o assunto. “Verificamos um aumento da incidência nesses profissionais da síndrome de burnout, mas também de outros problemas de saúde mental — como ansiedade, depressão, estresse — em um nível mais alto que na população de forma geral”, observa. 

     “Como a gente tem um ambiente agora de muita sobrecarga, muitas pessoas para serem atendidas, esses fatores de riscos aumentam. Alguns apareceram com a pandemia: maior insegurança de se contaminar, de contaminar a família. E outros se acentuaram: a falta de condições de trabalho, falta de equipamentos de segurança, equipes reduzidas.”, lista a professora.

    Este ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que a síndrome de Burnout seria classificada como doença crônica ligada ao trabalho. “Antes era colocado como uma responsabilidade do indivíduo, agora é compartilhada com a responsabilidade da empresa. Então essa nova classificação mostrou que as empresas também têm uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento da síndrome”, conclui a administradora e fundadora da página “Vencendo o Burnout”, Helloá Regina, também entrevistada neste podcast. 


    9 min
  • Tarsilinha: animação traz obras de Tarsila do Amaral e movimento antropofágico

    Para celebrar os 100 anos da Semana de Arte Moderna, a animação Tarsilinha vai levar às telas de cinema o fantástico universo das obras de um dos mais importantes nomes da primeira fase do movimento: Tarsila do Amaral. A animação, que estreia em 17 de março, pode ser usada pelos professores para despertar interesse pelo tema e apresentar a arte da pintora.

    “O conceito do filme foi criar um mundo mais complexo como se você tivesse entrado naquele universo que estava na cabeça da Tarsila no momento que ela criou aquelas obras. Então você pode ver que todas as obras dialogam muito. Tem, por exemplo, pedras, árvores, plantas, folhas, cores. Toda obra é um universo”, explica a codiretora do filme Celia Catunda. 

    Na animação, Tarsilinha e seus amigos mergulham nas profundezas do Abaporu para recuperar as memórias de sua mãe e de muitas outras pessoas. A obra, que se tornou um símbolo do Movimento Antropofágico, representa a ideia de devorar as diferentes culturas para produzir algo genuinamente brasileiro.

    “Quando ela entra dentro do Abaporu aparentemente ameaçador, é como entrar na memória, é um caos. É um museu desorganizado. Ele engoliu tudo e ali está tudo! E a memória da mãe, provavelmente, está lá também. E aí eu acho que nós temos um personagem bem brasileiro, que não é bem do folclore, é dela, mas é quase folclore já, né? O Abaporu está em capa de caderno escolar”, analisa um dos roteiristas do filme, Fernando Salem.

    O áudio ainda traz Zeca Baleiro revelando detalhes da música-tema do filme, criada juntamente com Zezinho Mutarelli e interpretada pelo próprio Zeca juntamente com Ná Ozzetti.          


    10 min
  • Há 200 anos, Dia do Fico impulsionou processo de independência do Brasil

    Em janeiro de 1822, dom Pedro I anunciou que permaneceria no Brasil. Conhecido como Dia do Fico, esse momento da história é considerado de extrema importância para o processo que culminou na independência do país, em 7 de setembro daquele mesmo ano. “O Dia do Fico começa a ser desenhado quando dom João já está em Portugal e as cortes começam a enviar cartas, decretos restringindo a autonomia de dom Pedro enquanto príncipe regente”, afirma o doutorando em História pela FGV, mestre em História pela Universidade Salgado de Oliveira e professor da rede municipal do Rio de Janeiro Felipe Castanho Ribeiro.

    A vinda da família real para o Brasil em 1808 havia proporcionado diversas liberdades comerciais. A elite agrária, ao sentir que perderia os direitos adquiridos, articulou, assim, um movimento pela permanência de D. Pedro I.

    “É criado um manifesto com 8 mil assinaturas. É muita gente se pensamos que no Rio de Janeiro, na época, havia cerca de 100 mil habitantes e quase 90% deles eram analfabetos”, aponta o doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo, professor do ensino médio e youtuber Túlio Augustus Silva e Souza.

    O áudio ainda traz a participação do escritor e jornalista Laurentino Gomes, que demonstra que este período histórico é um dos que desmente o mito de que o povo brasileiro é pacífico e cordial. “Quando você olha para o passado, vê que houve muito sangue, muita confusão, muita rebelião, muita revolução e muitas mortes. Então, por exemplo, houve uma longa Guerra da Independência no Norte/Nordeste. A minha estimativa é que cerca de três mil pessoas morreram, lutando pela independência do Brasil”, observa.

    9 min
  • Representatividade LGBTI+ em HQs contribui para respeito à diversidade

    No final de 2021, a diversidade ganhou novos traços no universo das histórias em quadrinhos (HQ). A DC Comics anunciou uma segunda tiragem de “Superman: Son Of Kal-El #5”, em que o filho do Super-Homem, que durante algum tempo vai substituir o herói, se declara bissexual. No entanto, a presença de personagens LGBTI+ não é novidade nos quadrinhos. 

    “O aparecimento de personagens LGBT se dá, principalmente, nas bordas, nos quadrinhos independentes, nos quadrinhos underground, desde a década de 1970. Para eles entrarem na grande indústria — a DC Comics, Marvel Comics, Disney – levou um pouco mais de tempo”. A afirmação é do professor Waldomiro Vergueiro, responsável pelo grupo de pesquisa Observatório dos Quadrinhos, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), ouvido neste podcast. Ele ressalta que a chamada “grande indústria” é normalmente conservadora, mas reflete a sociedade de seu tempo.

    “Grandes editoras não são boazinhas. Elas não estão preocupadas em respeitar as diversidades. Elas estão preocupadas em lucrar”, defende. E segue: “No início, você vai ter, inclusive, a grande indústria acompanhando a sociedade naquela postura de ostracismo desses personagens, de hostilização”. O professor aponta, no entanto, que as obras acabaram acompanhando um movimento mais recente da sociedade no sentido da inclusão e da diversidade. 

    Assim, Vergueiro só vê benefícios na presença de personagens LGBTI+ nos quadrinhos. “Na medida em que a sociedade compreende que essas pessoas fazem parte da dela como um todo, vamos incorporá-las muito melhor. Nas últimas décadas, a gente viu essa compreensão se ampliar no país, felizmente. Não que a gente viva num mundo perfeito, mas melhorou muito em relação há trinta anos atrás”, conclui. 


    9 min
  • Cyberchase estimula ensino lúdico da matemática

    O desenho animado Cyberchase foi criado nos Estados Unidos com finalidade educativa. Desde os primeiros episódios, lançados em 2002, o seriado inspira crianças a entenderem conceitos matemáticos. No Brasil, ele é exibido pela TV Cultura e no canal infantil do mesmo grupo, Rá-Tim-Bum.

    Por meio do departamento de matemática da Universidade Estadual Paulista, no Campus São José do Rio Preto, a professora Amanda Ruvina Procópio trabalhou o desenho com alunos do 6º ano de uma escola pública da região. As práticas educativas abordaram os conceitos trazidos no episódio “Pelos poderes de Zeus” e se basearam nos desafios propostos pela animação.

    No episódio, Zeus dá um enigma às crianças. A primeira missão é dividir uma coroa de louros para as três bruxas da mitologia. E eles têm que dividir em partes iguais. “A coroa de louros é um arco e cortar coisas redondas não é muito fácil. Então, qual a estratégia que as crianças usam? Elas pegam uma linha, colocam em cima da coroa e tem o formato da coroa. Aí eles esticam a linha. É muito mais fácil cortar uma reta em partes iguais do que uma curva”, exemplifica a professora. No mesmo episódio, há uma missão em que as crianças tem que dividir barras de ouro, atividade que ajuda a entender melhor as frações.

    “E depois de fração vem os números decimais. Se os alunos entendem muito bem fração, eles conseguem entender melhor os decimais”, observa a professora. Este é um dos resultados citados por ela a partir das gincanas realizadas a partir do episódio. No áudio, ela cita outros episódios do desenho que podem ser usados para inspirar atividades lúdicas de matemática

    9 min
  • Vencedora do Jabuti, HQ ‘META’ pode ser usada na escola para trabalhar metalinguagem

    O Prêmio Jabuti de 2021 deu à obra “META: Depto. de Crimes Metalinguísticos” o primeiro lugar na categoria histórias em quadrinhos (HQ). De autoria de Marcelo Saravá, a HQ parte do assassinato de um desenhista, cujos principais suspeitos são os personagens criados por ele. Além de incentivar a leitura, o material pode ser usado por professores para trabalhar metalinguagem na escola. 

    “São as crônicas de uma equipe secreta de polícia que investiga crimes da ‘quebra da quarta parede’(...) pode ser uma história infantil e, de repente, a princesa fala com o leitor, o espectador. Isso é quebrar a quarta parede”, explica Saravá. Na obra, há detetives que atuam nos quadrinhos, teatro, literatura, cinema e outras mídias narrativas, que quebram essa quarta parede e convidam o público a participar da solução dos mais estranhos casos.

    Em um exercício estilístico de narrar histórias sobre o ato de contar histórias, o entrevistado revela que se tornou quadrinista, motivado pela Turma da Mônica. “Uma das minhas primeiras inspirações como quadrinista foi Maurício de Sousa, especialmente em histórias do Louco com o Cebolinha, ou do Bidu com a Dona Pedra e o Bugu – trabalham muito metalinguagem, quebram muito a quarta parede, falam diretamente com o leitor”, observa. Ele, inclusive, também indica essas histórias para professores que querem mostrar exemplos de metalinguagem em sala de aula. 

    No áudio, Saravá ainda dá dicas para jovens que tem o sonho de serem quadrinistas. “Publiquei pela internet pela primeira vez, em 2008 e, na época, eu não conhecia nenhum desenhista pra fazer projetos comigo. Então eu entrei no mundo dos quadrinhos pela porta dos fundos, fazendo tirinhas, sem desenho, que eu postava num fotolog”, lembra. 


    9 min
  • 40 anos sem Elis Regina: confira análise da música ‘Querelas do Brasil’

    Em 19 de janeiro, completam-se 40 anos da morte de uma das maiores cantoras do Brasil: Elis Regina. Intérprete de clássicos, ela emprestou a voz a várias canções que retratavam o Brasil de seu tempo e que permanecem atuais. É o caso de ‘Querelas do Brasil’, composta em 1978 por Aldir Blanc e Mauricio Tapajos Gomes, e lançada por Elis no álbum “Transversal do Tempo”. A música aponta as contradições culturais e sociais de um país diante da aproximação da reabertura política.

    “Uma querela é uma desavença em consequência de ideias contrárias, de conflitos, de discussões. Continua tendo esse contraste no Brasil, a gente é esse caldeirão de possibilidades e de combinações incríveis e únicas no mundo e, ao mesmo tempo, está encalacrado”, avalia o produtor musical e filho mais velho de Elis com o músico Ronaldo Bôscoli, João Marcello Bôscoli .

    Na composição, Elis dá voz a mazelas vividas em um país que convivia com a propaganda ufanista do período da ditadura militar. “É uma das músicas de uma fase da carreira em que ela estava bastante engajada em questões político-sociais e também em passar uma mensagem sobre as lutas por democracia, por justiça social, por afirmação de uma identidade brasileira”, ressalta o doutor em história social pela Universidade de São Paulo (USP) Marcos Napolitano.

    Bôscoli destaca, ainda, que “Querelas do Brasil” faz alusão a “Aquarela do Brasil”, canção de Ary Barroso composta em 1939, durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. “ ‘Aquarela do Brasil’ está mostrando um quadro de um Brasil perfeito, de valorização do nosso samba, da nossa gente. ‘Querelas do Brasil’ é um outro mapa, que não aborda somente esse aspecto ufanista, mas também traz esse tom de crítica social”, atesta a doutora em história social pela USP Rafaela Lunardi, que defendeu tese sobre a história da Música Popular Brasileira no período da abertura política e é autora do livro “Em busca do Falso Brilhante”, sobre Elis Regina.

    9 min
  • O Pequeno Príncipe em cordel: uma mensagem de fim de ano com sabedoria e brasilidade

    Mais uma vez, o Instituto Claro lança sua mensagem de fim de ano em áudio. Em uma adaptação do livro “O Pequeno Príncipe em Cordel”, de Josué Limeira, o próprio autor faz a leitura de uma adaptação da obra, produzida com Judson Sales. Baseado no clássico de Antoine de Saint-Exupéry, o cordel traz a história em versos e acrescenta uma visão brasileira às reflexões.

    Com arranjos musicais e interpretação de Reynaldo Bessa, o áudio traz a sabedoria no olhar de uma criança e o que podemos aprender com ela: dar valor ao que realmente importa. Abaixo, confira a dedicatória do autor:

    Dedico estes versos,

    Que dançam aqui neste áudio,
    A toda rosa plantada,
    A toda rosa colhida,
    A toda rosa ofertada.
    Dedico estes versos
    A quem olha as estrelas
    E consegue escutar risos
    À toda fonte nos desertos,
    A todos os desenhistas,
    Aos pequenos príncipes
    Que conheci nesta vida
    E mostraram-me no invisível
    O essencial.
    (Josué Limeira)

    7 min
  • Padre Julio Lancellotti e Pastor Henrique Vieira falam sobre religião e humanização

    Mais importante do que a religião é a humanização. É dessa forma que o padre Júlio Lancellotti explica que compaixão, misericórdia e solidariedade são dimensões humanas, não religiosas. “A religião é um instrumento. Ela não é garantia de humanização, porque os ateus também podem ser bastante humanizados sem ter nenhuma religião. Ou os agnósticos”, afirma. O pasto Henrique Vieira concorda. Para ele, toda a experiência religiosa deve ter como fim a humanização e a sensibilização.

    Com 40 anos de sacerdócio e luta pelos direitos humanos, Lancellotti é pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo, na Zona Leste de São Paulo. Desde o início da pandemia, destaca-se pelo amparo e proximidade com as pessoas em situação de rua, mesmo fazendo parte do grupo de risco da covid-19. Lancellotti considera importante oferecer ajuda humanitária, mas, para ele, conviver com pessoas em situação de rua e outras que estejam precisando de algum tipo de auxílio é ir além da simples caridade. “O trabalhar pode ser dar comida. O conviver é comer junto. E você só ama com quem você convive”, conclui.

    Essa visão é compartilhada pelo pastor Henrique Vieira, que tem no padre uma inspiração. No livro “O amor como revolução?”, de 2019, ele defende que o amor é mais que um sentimento, é uma atitude. “Amor é a base de tudo. É muito mais do que sentimento. É decisão, é atitude, é modo de viver e de se relacionar. O amor tem como fruto a justiça, a solidariedade, a construção de uma sociedade do bem viver para todas as pessoas”, acredita. No áudio, os dois trazem mensagens que vão além das religiões e defendem o respeito às diferentes, a escuta e a humildade.

    9 min
  • 'Devastar a Amazônia é como queimar uma biblioteca sem conhecer seus livros' diz pesquisador

    A perda de biodiversidade na Amazônia afeta diretamente a população que vive junto das áreas preservadas, mas também os benefícios ambientais e conhecimento que a região oferece ao país e ao mundo. “Estamos, na verdade, queimando uma biblioteca sem conhecer o acervo que está lá posto. Então, não perde apenas o Brasil, mas perde a humanidade, porque é um legado que a natureza nos deixou”, avalia o doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de pós-graduação em Ciências Ambientais pela mesma universidade Wagner Costa Ribeiro.

    Em uma reflexão crítica sobre essa situação, ele é um dos organizadores do livro “Amazônia: alternativas à devastação” . Pesquisadores amazônicos e de outras partes do país discutem, na obra, formas de combater o desmatamento, mas também de demonstrar experiências em curso que permitam conciliar atividade econômica com a conservação da biodiversidade e das comunidades que vivem na região.

    “São experiências já em uso que permitem a manutenção da floresta em pé, manutenção dos serviços ambientais e ecossistêmicos e, ao mesmo tempo, ter atividade econômica. Ninguém mais defende a intocabilidade da Amazônia. É claro que algumas áreas devem ser preservadas pela sua singularidade”, conclui o entrevistado, que, no áudio traz algumas das alternativas contempladas no livro, como o uso de transporte por rios e exemplo das produções de açaí, cupuaçu e látex

    9 min

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