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Em 2020, com a adaptação das aulas para o ambiente online, o Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Voz, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), passou a acompanhar as adaptações que professoras e professores tiveram de fazer para lidar com essa mudança. Para a coordenadora do laboratório, Katia Nemr, a volta à sala de aula exige um novo preparo vocal.
“Nós estamos agora nos readaptando a esse convívio social. Se esse professor está andando na sala e a sala é muito grande ou muito cheia, ele pode ter de elevar muito o tom da voz para que possa ser ouvido. E isso gera um esforço muito maior”, exemplifica.
No podcast, a fonoaudióloga traz dicas para manter a voz saudável, mesmo diante de fatores de risco, como trânsito, poeira do giz, jornadas exaustivas e, inclusive, sequelas em quem teve covid-19.
Confira abaixo um resumo dos apontamentos que Nemr detalha no podcast:
1. Usar microfone, sempre que possível, ajuda a projetar a voz com menos esforço;
2. Adaptar a aula para utilização de recursos audiovisuais, mapas mentais e slides faz com que a voz seja poupada em alguns períodos;
3. Diante de jornadas muito longas, faça alongamentos nos intervalos e mantenha o corpo hidratado. Tome água pelo menos meia hora antes do início das aulas;
4. Em salas de aula que usam giz, limpar a lousa com pano umedecido e tomar cuidado para que o pó não se espalhe, ajuda muito;
5. Bebidas e cigarro, inclusive o eletrônico, são prejudiciais também à garganta.
Desde meados dos anos 1950, tendo como ponto alto a composição “Navio Negreiro”, defendida pela Salgueiro, os desfiles no sambódromo do Rio de Janeiro são marcados por alguns sambas-enredo que contam a História do Brasil por um ponto de vista diferente daquele que é apresentado ainda hoje como oficial.
“Eles colocam uma perspectiva de que outros grupos também fazem parte da construção do país, porque, na narrativa hegemônica, muitas vezes, grupos indígenas, negros e populares não são enxergados com a sua devida contribuição para a história”, explica a doutoranda em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas Anna Cristina Almeida.
Em seu trabalho, ela se debruçou sobre quase 1,6 mil sambas-enredo dos carnavais cariocas (entre 1939 e 2019). A visão da pesquisadora é corroborada pelo historiador, escritor e compositor Luiz Antonio Simas, autor de diversos livros sobre o tema.
“Há essa perspectiva do samba de enredo também ser um instrumento pedagógico de revisão de uma certa história oficial. É contar a história, por exemplo, da independência a partir da luta dos ‘Baianos do 2 de julho’; é você contar a história da abolição tirando a centralidade da figura da Princesa Isabel e colocando a centralidade numa luta que começa em Palmares, que passa por personagens fundamentais, como Tereza de Benguela, Luiza Mahin”, defende. No áudio, ambos citam sambas que têm essa proposta e porque devem ser vistos como instrumentos importantes de educação popular.
No mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o canal no youtube do projeto “Sobejo: processo indeferido” disponibiliza cinco episódios de uma websérie que apresenta as diversas formas de violência doméstica tipificadas na Lei Maria da Penha (11340/2006).
“Um dia a gente estava numa reunião, lá na produção: ‘por que não colocar sobejo?’. Porque sobejo tem o significado de resto, de migalhas. É o significado dessa violência que é tão perversa, porque ela não machuca somente o físico, ela destrói a sua alma também. Se dependesse dessa migalha, ela não mais viveria. É esse resto que este machista, que este agressor quer que a gente aceite e a gente não vai aceitar”, defende uma das idealizadoras do projeto Eddy Veríssimo. Ela concebeu a websérie com a atriz Juliana Monique.
Nos capítulos de ‘Sobejo’, atrizes diferentes interpretam a personagem Georgina Serrat, mulher que vê sua dignidade, felicidade e sonhos frustrados quando descobre no casamento a face violenta do marido. A narrativa é ficcional, mas a escrita tem como base fatos reais que envolvem diversas formas de violência doméstica: patrimonial, sexual, psicológica, moral e física.
Além de parte da equipe envolvida, o áudio conta também com o depoimento de Andreia Almeida, conselheira Estadual de Defesa dos Direitos das Mulheres do Estado da Bahia, idealizadora e diretora do Coletivo Mulheres de Atitude. Ela explica o que caracteriza cada uma dessas violências e porque as agressões psicológicas, patrimoniais e sexuais nem sempre são percebidas pelas mulheres que as sofrem.
Jovens da periferia descobrem na arte uma forma de batalhar contra o racismo, a opressão policial, a desigualdade social e toda sorte de preconceitos. Este é o mote do livro “Batalha!”, de Valdir Bernardes Jr. e Tânia Alexandre Martinelli, que é uma das entrevistadas deste podcast.
“A literatura é o melhor caminho de se colocar na vida do outro: trazendo realidades diferentes, fazendo os jovens pensarem, pra gente tentar ser uma sociedade menos preconceituosa”, acredita a coautora, que tem dezenas de títulos voltados para o público juvenil.
Na história, Tati é moradora do bairro de Pirituba, em São Paulo, e está em sua jornada para se tornar poeta, e Henrique e sua turma, no Morro do Horácio, em Florianópolis, promovem batalhas de rap, de dança e, sobretudo, pela vida. O engajamento com a cultura hip-hop e a poesia podem gerar atividades interessantes para a sala de aula, conforme aponta Thiago Braga, professor de língua portuguesa do Sistema de Ensino PH.
“É possível pedir para que os alunos façam uma comparação entre ‘O Bicho’, Manuel Bandeira, e o ‘Tem gente com fome’, de Solano Trindade, e busquem identificar na obra momentos em que trechos desses poemas possam ser enquadrados, encaixados. Em que momento determinado personagem passou por uma situação que pode ter relação com um desses dois poemas?”, sugere.
O game “Árida – Despertar do Sertão” foi idealizado pelo historiador Filipe Pereira, quando ainda fazia parte do grupo de pesquisa “Comunidades Virtuais”, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com força no foco narrativo, a jornada da personagem Cícera – uma garota de 13 anos que vive com o avô - tem sido utilizada em algumas escolas para aproximar estudantes da cultura e da história do sertão brasileiro.
“Quando ela (Cícera) precisa sair da vila para ir rumo a Canudos, a gente traz os elementos da escassez, mas, ao mesmo tempo, traz um sertão muito rico visualmente, de uma forma que seja alheia aos estereótipos”, afirma o criador da Aoca Game Lab.
No enfrentamento das peculiaridades de uma grande seca no século XIX, ambientada no arraial de Canudos, em 1896, o game "Árida" traz múltiplas manifestações culturais regionais, com destaque para a oralidade, com a utilização, por exemplo, do cordel, que você pode ser conferido no áudio.
“É um elemento regional cultural extremamente potente, que diz muito sobre a cultura que a gente está trabalhando, mas a gente sabia que a gente coloca isso aqui dá uma vazão pra língua portuguesa, pra literatura, enfim”.
O Dia Nacional do Grafite, celebrado em 27 de março, é em homenagem ao pioneiro desta arte no Brasil, Alex Vallauri, que morreu nesta data, em 1987, vítima de AIDS. Para reproduzir símbolos da cultura pop pelos muros de São Paulo, o grafiteiro utilizava máscaras vazadas. Essa técnica pode ser um caminho que permite percorrer o processo artístico de Vallauri ao longo das etapas do ensino básico. A proposta é defendida pela artista e educadora Christiana Moraes, que coordenou a produção de material destinado ao uso da obra do grafiteiro nas escolas, quando esteve à frente do setor Educativo do Museu de Arte Contemporânea da USP.
“Quanto ao grafite em si, dá para ensinar estêncil ou máscara, desde o primeiro ano do ensino fundamental I ao terceiro ano do ensino médio. Você pode ir ensinando a fazer estêncil e máscaras cada vez mais complexas; começar com uma forma mais simples e tornando mais difícil”.
No áudio, a bacharel em Gravura pela ECA/ USP traz diferentes abordagens para estudar a obra de Alex Vallauri, envolvendo disciplinas como artes, história, geografia e inglês. Christiana Moraes ressalta ainda que a falta de materiais específicos não deve ser um limitador para o estudo do grafite na escola. “Eu acho que a gente não pode se limitar nos materiais para não abordar o grafite, por exemplo. Não tenho o spray? Mas a gente pode fazer a máscara de papelão, usando um rolinho (esses rolinhos de espuma, de pintar parede), por exemplo”, explica.
Foto: A Rainha do Frango Assado em Pic-nic no Glicério, de Alex Vallauri (crédito: Kenji Ota/Fundação Bienal de São Paulo/Arquivo Histórico Wanda Svevo).
A lei que dá direito às mulheres de votar e se eleger no Brasil é de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo depois de mais de nove décadas, no entanto, o Brasil ainda está muito distante de alcançar a paridade política.
“O primeiro argumento que eu colocaria para a importância de ter mais mulheres na política seria a justiça da representação, quer dizer, a gente ter no congresso, no parlamento, um espelho do que é a nossa sociedade, para considerar que a gente tem uma democracia completa”, afirma a doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) Hannah Maruci Aflalo.
Apesar de representarem pouco mais de 52% do eleitorado, as mulheres ocupam apenas 15,80% dos cargos eletivos, como os de deputadas, senadoras e prefeitas, tomando por base a eleição de 2020, de acordo com o site da Justiça Eleitoral. Nem leis que surgiram mais recentemente tiveram força para mudar este quadro. Desde 1997, por exemplo, 30% das pessoas que se candidatam por um partido devem ser mulheres.
“O proporcional seria a gente ter, no mínimo, 50% de cadeiras para mulheres e, no mínimo, 25% para mulheres negras, o que levaria a uma equidade, uma paridade de gênero e de raça, mas a gente está muito longe de conseguir isso no Brasil. A gente está neste momento lutando para não fazer com que as cotas de candidaturas se tornem inócuas”, alerta a entrevistada.
O humor é uma válvula de escape que permite tornar mais leves algumas situações, como as declarações de que quem tomasse vacina viraria jacaré. A constatação é de Luiza Mello, especializada em memes e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“A questão do humor para lidar com situações dramáticas, principalmente no contexto brasileiro, funciona mesmo como uma válvula de escape. A gente tem até o conceito de ‘zoeira’. É uma forma de você debochar de tragédias sob um olhar mais irônico. Tentar ouvir o lado positivo das situações”, afirma.
Já o professor do Departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Hélio Roberto Deliberador, afirma que o humor, além disso, tem um poder terapêutico.
“É um aliviador de situações de medo, de ansiedade, às vezes, de depressão. A brincadeira, o meme, isso pode aliviar um pouco situações que são de sofrimento e dificuldade para as pessoas. É a transformação do instinto que, às vezes, é de dificuldade, de morte, para um instinto de vida e de prazer”, avalia.
Você sabia que os primeiros registros de calopsitas em território brasileiro se dão por volta dos anos 1970, sobretudo devido ao fato de a espécie ser considerada muito dócil e fácil de ser domesticada? E que, consequentemente, a fauna brasileira não é composta unicamente de animais naturais de nosso território? É com curiosidades assim que João Luiz Pedrosa propõe que se perceba como a geografia tem tudo a ver com nosso dia a dia, algo que aprendeu nos tempos em que atuou como professor da disciplina e compartilha em seu primeiro livro, “Como essa calopsita veio parar no Brasil?”.
“Grande parte do que me motivou a escrever este livro foi tentar fazer com que as coisas que a gente acha que cotidianamente são muito distantes da nossa realidade, são muito próximas”, afirma o ex-BBB e apresentador de programas educativos.
Temas que estão na pauta do dia tornam a obra útil para valorizar a ciência e a educação. Um exemplo é que, apesar do consensual fato da Terra ser redonda, é preciso trazer argumentos que derrubem as teses de negacionistas. “É muito de colocar esse dedo na ferida, mesmo, de combater informações que não são verdadeiras, de negacionismo, movimentos anti-vacina”, conclui João Luiz.
A quarta edição da série de livros “Diálogos Críticos” reúne dezenas de pesquisadores de universidades públicas para debater a perda de diversidade e autonomia nas escolas.“Se eu defendo a diversidade, a autonomia é fundamental! É preciso que se respeite os diferentes modos de existir das pessoas”, afirma a professora da Universidade Federal do Paraná/Setor Litoral Ângela Massumi Katuta, autora de um dos capítulos do livro.
“[Trata-se da] autonomia de pensar dos professores e professoras de cada um dos vilarejos, de cada um dos munícipios, da liberdade de pensar os processos educativos, porque os sujeitos não são iguais. (...) Então é nesse sentido que diversidade/ autonomia não dialoga com padronização/controle. E é o que a Base Nacional Comum Curricular, os currículos, têm feito”, explica Katuta.
A obra enumera as ameaças que a educação pública tem enfrentado. Ela apresenta projetos em disputa: de um lado, uma educação mais diversa e que leva em conta as diferentes realidades da comunidade escolar, de outro, uma educação mais padronizada e com maior controle de alguns grupos. Alguns capítulos destacam, ainda, a dificuldade de manter uma educação que respeite os diferentes modos de vida de um país de dimensões continentais como o Brasil.
“Há uma luta pelos povos do campo, quilombolas, indígenas, de buscar uma educação que tenha essa especificidade do seu território, que garanta a sua autonomia, sua diversidade”, afirma a professora da Universidade Federal da Bahia e também autora de um dos capítulos do livro Marize Souza Carvalho.
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