Sob alegação de reverter o quadro em que mais da metade dos alunos não conclui o ensino médio, o Ministério da Educação anunciou para janeiro de 2022 a implantação do chamado Novo Ensino Médio. Neste podcast, o Instituto Claro ouve a professora da Universidade Federal do Paraná, coordenadora do grupo Observatório do ensino médio e integrante do Movimento nacional em defesa do ensino médio, Monica Ribeiro da Silva. Para a pesquisadora, um dos problemas é a proposta ter sido originada por medida provisória (nº 748/2016), sem a participação da sociedade civil na elaboração da reforma.
“Ela inicia sem qualquer participação, sem qualquer debate mais efetivo, sem qualquer diálogo. Cinco anos depois permanece sem participação (...). Especialmente no cenário da pandemia e com escolas fechadas, as Secretarias de Estados e os Conselhos Estaduais foram homologando currículos que são estranhos às escolas, professores, alunos e suas famílias”.
No áudio, a professora critica também a influência de redes de governança, em que os interesses do setor privado se sobressaem no campo da educação. “É um conjunto grande de entidades ligadas ao empresariado nacional e ligadas, portanto, ao setor privado, que passam a agir não mais apenas na execução de programas, assessorando redes de ensino, mas, agora, na formulação da política educacional”, afirma.