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Olavo Bilac chegou ao fim de seus dias antes de terminar de revisar o livro “Tarde” , que aparece na lista de livros do vestibular da Universidade Estadual de Campinas em 2022. Pertencente ao parnasianismo – escola literária pautada pela criação de poesias que valorizavam o rigor da métrica e a linguagem culta – o poeta sofreu forte oposição dos modernistas.
“Era um movimento ‘alienado’. Nesse sentido, de não se envolver com as grandes questões sociais. Se você soma isso à questão da preocupação formal, dos poemas muito bem rimados e metrificados, pronto, a gente tinha exatamente tudo aquilo que o modernismo queria combater”, resume o professor e autor do material de literatura do Sistema Anglo de Ensino Eduardo Calbucci.
O título do livro faz menção à luz crepuscular e diversos poemas se referem ao entardecer como metáfora para morte e crepúsculo. “Não é mais a manhã, é a tarde, quer dizer, é perto do anoitecer. Como se fosse realmente uma sugestão do final da própria vida”, explica Calbucci, ouvido pelo Instituto Claro nesta edição do podcast Livro Aberto.
Parentalidade suficientemente boa é um conceito que surge a partir do trabalho do pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott , como resultado da tese “A mãe dedicada comum”, de 1987. “Seria um jeito de ser pai ou um jeito de ser mãe que atende às necessidades do outro indivíduo, ou seja, consegue colocar as necessidades do outro à frente das suas próprias. Não vai ser possível o tempo todo, porque vai ter momentos em que você vai estar irritado, vai estar cansado, vai estar frustrado, e nesses momentos vai se colocar à frente das necessidades do seu filho”, explica o psicólogo Walter Mattos.
Entrevistado neste podcast, o especialista prefere o termo à chamada parentalidade positiva. Ele defende que mães e pais “suficientemente bons” são aqueles que estabelecem diálogos e buscam a convivência mais solidária e compreensiva. Nisso, aproximam-se também das bases da comunicação não-violenta .
“Esse encontro, fundamental nas relações maduras, nas relações de trabalho, só vai acontecer se houver essa parentalidade ‘suficientemente boa’, essa percepção de que o filho foi amado e reconhecido na sua potência pelas pessoas que fizeram o papel de mãe e de pai”, conclui.
Na obra ‘Bons Dias’ , o lado cronista de Machado de Assis aparece por meio de uma linguagem coloquial, marcada pelo bom humor e ironia característicos do escritor. No entanto, para entender o que foi escrito entre abril de 1888 e agosto de 1889 no jornal Gazeta de Notícias, é preciso estudar o contexto.
“Machado flagra um período da história brasileira de muita efervescência. Nós estamos na passagem do império para a república; de uma sociedade da escravidão para a abolição. E ele mostra uma visão muito interessante desse período da nossa história”, resume o professor de literatura do Anglo Vestibulares Fernando Marcílio, ouvido nesta edição do podcast Livro Aberto.
Na época em que escreveu as crônicas de 'Bons Dias', Machado não as assinou. Em vez disso, criou um personagem, o relojoeiro chamado Policarpo. “Nós estamos diante de um personagem que tem no seu círculo de amigos gente da elite carioca. A perspectiva a partir da qual ele fala é uma perspectiva da elite. Não pra assinar embaixo dessa perspectiva, mas para denunciar os vícios dela”, conclui o professor.
Sob alegação de reverter o quadro em que mais da metade dos alunos não conclui o ensino médio, o Ministério da Educação anunciou para janeiro de 2022 a implantação do chamado Novo Ensino Médio. Neste podcast, o Instituto Claro ouve a professora da Universidade Federal do Paraná, coordenadora do grupo Observatório do ensino médio e integrante do Movimento nacional em defesa do ensino médio, Monica Ribeiro da Silva. Para a pesquisadora, um dos problemas é a proposta ter sido originada por medida provisória (nº 748/2016), sem a participação da sociedade civil na elaboração da reforma.
“Ela inicia sem qualquer participação, sem qualquer debate mais efetivo, sem qualquer diálogo. Cinco anos depois permanece sem participação (...). Especialmente no cenário da pandemia e com escolas fechadas, as Secretarias de Estados e os Conselhos Estaduais foram homologando currículos que são estranhos às escolas, professores, alunos e suas famílias”.
No áudio, a professora critica também a influência de redes de governança, em que os interesses do setor privado se sobressaem no campo da educação. “É um conjunto grande de entidades ligadas ao empresariado nacional e ligadas, portanto, ao setor privado, que passam a agir não mais apenas na execução de programas, assessorando redes de ensino, mas, agora, na formulação da política educacional”, afirma.
Em 1º de outubro de 2020, o governo federal publicou, no Diário Oficial, o decreto nº 10.502, que propõe uma “nova” política nacional de educação especial. Na prática, o texto estimula crianças com deficiência a serem matriculadas em escolas especiais. No final de agosto deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o decreto e realizou audiência pública para debater o assunto. O Ministério da Educação, no entanto, tem defendido o modelo que especialistas ouvidos pelo Instituto Claro consideram um retrocesso.
“Esse decreto prevê destinação de recurso público para o financiamento de instituições especializadas para onde essas crianças poderiam ser encaminhadas e teriam ali sua escolarização feita de forma apartada das outras crianças e adolescentes”, explica o fundador do Instituto Rodrigo Mendes, professor e pesquisador em educação inclusiva Rodrigo Hübner Mendes.
A psicóloga especializada em educação infantil e coordenadora adjunta do Instituto Avisa Lá, Cisele Ortiz avalia que a segregação é extremamente negativa: “Juntos, os alunos aprendem a conviver com a diversidade. E isso é um exercício de cidadania, porque todos nós, na verdade, temos as nossas idiossincrasias". No áudio, Mendes e Ortiz apontam os benefícios trazidos pela convivência de crianças e jovens com e sem deficiência no mesmo ambiente escolar e apontam o que é necessário para que isso seja fortalecido ainda mais.
Integrante da frota de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha foi o escrivão que transformou em carta de achamento as impressões dos portugueses, diante da natureza e dos nativos que encontraram no que viria a ser o Brasil.
“A carta é intermediada pela visão cristã do século XVI e mercantilista, o registro que se faz das terras e das gentes. E a gente percebe isso tanto nas constantes referências à necessidade de catequização dos indígenas como, também, o explícito interesse em se encontrar metais preciosos”, resume o professor do Anglo Vestibulares Paulo Oliveira, ouvido pelo Instituto Claro neste podcast.
A carta de achamento trata do encontro entre dois mundos e é tida como uma espécie de certidão de nascimento do Brasil, em que se percebe o deslumbramento do autor em relação ao clima, paisagem, fauna, flora e também com os nativos.
“Os Sabores do Saber” é uma peça teatral escrita pelo ator e dramaturgo Fernando Silveira, da Cia. Literarte, e com trilha original de Reynaldo Bessa. Na adaptação para o formato de audiodrama (radioteatro), criada especialmente para o especial multimídia 'Paulo Freire 100 anos' do Instituto Claro, o texto destaca a pedagogia de Paulo Freire, que traz o contexto dos alunos para a aprendizagem, e seu método de alfabetização de adultos. Também é abordada a perseguição que Freire sofreu durante a ditadura, que resultou em sua prisão e exílio.
Confira o especial completo no portal do Instituto Claro
O Slam é uma disputa de poesia falada, na qual os participantes apresentam seus textos e são avaliados por jurados da plateia. No Brasil, há mais de duzentas batalhas, que aconteciam nas ruas antes da pandemia. Algumas delas migraram para o ambiente virtual e acabaram atingindo mais pessoas.
É o caso do Slam da Guilhermina, organizado pelo escritor Emerson Alcalde.“Começaram a vir poetas de outros estados brasileiros: Acre, Pernambuco, Rio Grande do Sul e até de outros países que falam português, como Angola e Moçambique”, aponta o slammaster. Neste podcast, Alcalde destaca que os coletivos usam a poesia falada como instrumento de denúncia e resistência.
O áudio traz também alguns participantes, como um jovem poeta de Moçambique e Lucas Koka Penteado, que é um dos responsáveis pela popularização do Slam Resistência, outro que está promovendo disputas pela internet.
O livro “Mensagem” foi o único de poemas publicado durante a vida de Fernando Pessoa. Lançado menos de um ano antes da morte do poeta português, em dezembro de 1934, a obra é uma homenagem ao país em que nasceu. Os textos estão na lista do próximo exame da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).
“Portugal, de Fernando Pessoa, é mais um destino da humanidade. Se o homem não ousa, se ele não busca essa coisa que transcende de algum modo a própria vida dele, ele não vai além de um cadáver adiado”, define o escritor e professor de literatura do Anglo Vestibulares Henrique Balbi. Ouvido nesta edição do Livro Aberto, o pesquisador destaca a influência de “Os Lusíadas”, de Camões, na obra de Pessoa. No entanto, aponta também as peculiaridades do estilo do poeta que foi responsável pela introdução do modernismo em Portugal.
No ano em que completa uma década de atuação como quadrinista, Lino Arruda lança seu primeiro livro. O projeto “Monstrans: experimentando horrormônios” foi viabilizado após ter sido contemplado no “Itaú - Rumos Culturais”. A obra reúne três narrativas autobiográficas escritas e ilustradas pelo artista trans. “Eu quero que as pessoas permitam que mais histórias diferentes existam, que elas consigam se relacionar com isso, dialogar com isso também. Que aquilo consiga tocar e gerar reflexões.”, revela.
As três narrativas que integram o livro têm como fio condutor a figura monstruosa. Na primeira HQ o autor reconta a “história de origem” de sua deficiência congênita nas pernas. A segunda imagina pontes entre as experiências lésbicas e as transmasculinas, muitas vezes narradas como antagônicas. Na terceira, intitulada “Eu ainda fui”, o autor ilustra a ocasião em que viu seu avô pela última vez, em seu leito de morte.
“Ele estava no hospital e eu já estava me hormonizando e ele não me reconheceu. Então eu uso uma figura de um monstro que vai se derretendo, que vai perdendo a face, vai perdendo a boca, que já não pode mais ser quem era, porque não está sendo reconhecido.”, conta.
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