Instituto Claro

Instituto Claro

By Instituto ClaroEducation
Download on the App Store

Instituto Claro episodes

  • Ventilação e qualidade de máscaras deixam a desejar em volta às aulas na pandemia

    Depois de analisar os desafios das redes públicas com o ensino remoto, a Rede Pesquisa Solidária avalia os planos do Ministério da Educação e das redes públicas estaduais e municipais para o retorno às aulas presenciais ainda durante a pandemia de covid-19.

    Neste podcast, as integrantes do estudo da Universidade de São Paulo sobre a reabertura das escolas e os protocolos sanitários, Dara Pinto e Maíra Meyer avaliam alguns dos itens considerados de maior eficiência no combate à propagação do coronavírus. No áudio, elas citam pontos importantes que ficaram de fora dos planos de estados e municípios.

    “É o caso de certos cuidados com a ventilação; uma testagem que poderia ser muito mais ativa e pra além de aferição de sintomas; uma distribuição de máscaras de maior qualidade, como a PFF2.”, afirma Meyer. “Grande parte do público infantil apresenta a contaminação assintomática. Por isso é muito importante a testagem nas escolas”, avalia Pinto, sobre um dos itens que não está sendo levado em consideração. “Só 8% das capitais e 7% dos Estados tinham realmente previsão de uma testagem mais ativa, ainda que por amostragem”, completa Meyer.

    8 min
  • Desmatamento, crise hídrica e aumento na conta de luz: qual a relação?

    Há relação entre as crises hídrica e energética com o desmatamento na Amazônia? Especialistas ouvidos pelo Instituto Claro explicam que é possível associar a falta de chuva nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, por exemplo, com a derrubada ilegal de árvores na floresta. “Tem a ver com a mudança global do clima e, também, um enfraquecimento, uma atenuação, da transferência de água pela atmosfera da região amazônica, os chamados rios voadores”, afirma o físico e coordenador no Instituto Clima e Sociedade Roberto Kishinami.

    Com a crise hídrica, a energia elétrica também fica comprometida, porque, em vez de investir em energias renováveis, o governo federal indica o uso de termelétricas. “Tem térmicas que estão operando de modo contínuo e que custam R$ 1.520,00 por megawatts/hora. Isso é uma enormidade, comparado com R$ 100,00 por megawatt/hora que uma eólica ou solar fornece”, cita Kishinami. O podcast também ouve o biólogo, ambientalista e vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade, João Paulo Capobianco. No áudio, os entrevistados falam sobre a ameaça de apagões e apontam que o Brasil teria condição de adotar soluções para atenuar o problema com a mudança no sistema de abastecimento e políticas de preservação ambiental.

    9 min
  • Fake news sobre Paulo Freire atacam educação pública e democrática, afirma pesquisador

    “Paulo Freire em tempos de Fake News” é o nome do e-book disponível gratuitamente , que reúne artigos produzidos durante o curso da “EaD Freiriana” do Instituto Paulo Freire. O coordenador dos estudos e, também, um dos organizadores do livro é o diretor pedagógico da instituição. Doutor em educação, Paulo Roberto Padilha reflete, neste podcast, sobre as notícias falsas mais comuns dirigidas ao patrono da educação e descontrói suas narrativas.

    “Dizem que o Paulo Freire é dogmático! Como é que um homem que defende educação como prática de liberdade, um cara que andarilhou pelo mundo em projetos de alfabetização, projetos sociais, [seria dogmático]? Por isso que ele não é só um criador de um método, ele é um filósofo da educação que construiu uma teoria do conhecimento”, afirma.

    Para Padilha, os ataques a Paulo Freire têm a intenção de desconstruir a ideia de uma escola democrática, popular e emancipadora, como ele propunha. “Não é por acaso que essas aulas remotas no contexto da pandemia deixaram de lado toda a população que estuda hoje em escola pública, com raríssimas exceções”, observa. Ele avalia que a falta de acesso à tecnologia diminui a visão crítica e as possibilidades de lutar contra as fake News: “E sem comunicação, é mais fácil manipular. Sem pensar historicamente, sem levar em conta a filosofia”.

    9 min
  • Frei Betto reflete sobre legado de Paulo Freire no Brasil de hoje

    Em 1984, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo promoveu um diálogo entre Paulo Freire e Frei Betto sobre o sonho de ambos em relação à emancipação do povo brasileiro. Desse encontro foi gerado o livro “Essa Escola Chamada Vida”. Em entrevista ao podcast do Instituto Claro, o frade, jornalista e escritor explica o que uniu os pensamentos dele e do patrono da educação brasileira: “Um olhar crítico para o conjunto da vida e saber fazer as perguntas indutoras […]: por que um é tão rico e outro tão pobre? Por que alguns conseguem ascender na escala social e outros milhões e milhões não conseguem?”.

    Ele destaca também a contribuição da educação popular para os movimentos sociais: “O método Paulo Freire é um método conscientizador – até por isso ele foi proibido durante a ditadura e em muitos países de direita – porque é um método que leva à consciência crítica.”

    No áudio, ele ainda traça similaridades entre o método Paulo Freire e a Teologia da Libertação e ressalta a importância dos pilares freirianos nos dias de hoje. “Paulo Freire falava em ‘esperançar’. Esse verbo é ativo, propositivo, ou seja, não é só ficar à espera, mas é aquilo que diz a canção do Vandré: ‘quem sabe faz a hora, não espera acontecer’ e esse é o grande desafio que temos pela frente”, enfatiza.

    9 min
  • Conheça três atividades para formação e educação antirracistas

    Autora do livro “Letramento racial crítico através de narrativas autobiográficas: com atividades reflexivas”, a professora do curso de letras da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Aparecida de Jesus Ferreira é especialista em formação de professores e ressalta a importância de preparar os docentes para uma educação antirracista.

    “De que forma eu vou educar uma criança que eu tenho contato, um adolescente ou um adulto para que não faça as mesmas coisas que aquelas narrativas demonstram, porque elas causam dor e fazem com que as pessoas não se sintam acolhidas”, explica a pesquisadora sobre o propósito de sua obra.

    O livro traz centenas de atividades com o objetivo de promover uma visão crítica sobre o racismo na sociedade. Para este podcast, Ferreira selecionou três delas, que podem ser utilizadas por docentes como conteúdos de educação antirracista. As sugestões envolvem, além do uso de narrativas autobiográficas, uma análise da literatura e do material didático adotado com estudantes.

    “Daí você traz também conceitos como o mito da democracia racial (...);o que é racismo estrutural. E a gente pode ver isso, de forma bem evidente, nas narrativas. Essas reflexões dão várias possibilidades não só de nós nos entendermos, mas de entendermos outras pessoas também e, inclusive, pensar ações”, conclui.

    8 min
  • 9 de julho de 1932: revolução constitucionalista ou guerra civil?

    Em 9 de julho de 1932, teve início o conflito que ficou conhecido como “Revolução Constitucionalista de 32”. Apesar de estar associado a um movimento armado de paulistas contra o governo provisório de Vargas, para o professor da rede municipal de educação da cidade do Rio de Janeiro Felipe Castanho Ribeiro o episódio tem características de uma guerra civil. “O que evidencia esse caráter é a amplitude do conflito (...) a gente vai ter manifestações de estudantes na Bahia, em Mato Grosso. Vamos ter redes de espionagem espalhadas por todo o território nacional”, justifica o mestre em História pela Universidade Salgado de Oliveira.

    Feriado paulista

    Até hoje prevalece a ideia de um Estado que, sozinho, teria lutado pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. “Por incrível que pareça, é um discurso que é interessante às duas partes envolvidas no conflito: do ponto de vista de São Paulo, era interessante demonstrar que foi o único estado que se levantou contra o autoritarismo do governo provisório de Getúlio Vargas, que lutou pela reconstitucionalização do país; ao mesmo tempo, para o governo provisório também interessava essa narrativa, porque era de mostrar, ‘olha, foi um conflito isolado’ “, explica o professor.

    No áudio, Felipe Castanho Ribeiro analisa, ainda, que o conflito é apenas mais um dos episódios da história do Brasil que demonstra a dificuldade que as elites políticas do país têm em conseguir chegar a um consenso, sem precisar recorrer a extremos.

    9 min
  • 100 anos de Edgar Morin: pensador fala de crises que presenciou e traz lições da pandemia

    No livro “É hora de mudarmos de via: As lições do coronavírus”, lançado no final do ano passado na França e já disponível em português, o sociólogo Edgar Morin traz 15 apontamentos em busca de um novo caminho para a humanidade a partir da pandemia de Covid-19. No centenário do sociólogo, este podcast traz alguns trechos do lançamento da obra, que aconteceu durante o evento “Uma Época Formidável”. Realizado na Universidade de Lyon, em novembro de 2020, o evento marca uma das mais recentes aparições de Morin em público.

    Às vésperas de completar 100 anos — no próximo dia 8 de julho — e considerado um dos mais importantes pensadores vivos do mundo, ele vê nas diferentes crises que já testemunhou lições para um futuro incerto. “Esta pandemia revela a fraqueza desta humanidade que se acredita indestrutível, porque lança mísseis. De fato, é uma humanidade poderosa, que tem as mais prodigiosas tecnologias, mas também que fica paralisada perante a dor, a doença e a morte. Portanto, o seu interesse é o progresso material, mas este é acompanhado por uma regressão intelectual e moral”, afirma.

    Ouça também: Depressão, angústia e pânico: entenda consequências da pandemia para a saúde mental

    Retrocessos

    Para Morin, o momento que estamos atravessando já era esperado e aponta para dois caminhos possíveis: ou a humanidade busca uma nova via ou trilhamos para a catástrofe mundial. “Estamos caminhando para um tempo de regressão que começou já 20 anos antes da pandemia, em todos os lugares do mundo: a crise das democracias com o aumento do poder do dinheiro em toda parte e as desigualdades; o descontentamento popular em todo o planeta; a impotência, diante da repressão, em caso do povo manifestar suas necessidades”, observa.

    Sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, quando participou da resistência francesa ao nazismo, Morin vê retrocessos na sociedade, justamente em um momento em que a sobrevivência do planeta depende do resgate do humanismo. Para ele, o vírus veio mostrar a fragilidade humana e pode ser a esperança de que o mundo mude de via.

    “O fato de nos inserirmos nesta luta transforma as forças da união, do convívio, da compreensão, do amor, da fraternidade. Lutamos contra as forças de desintegração, do reino do desprezo, da destruição. O fato de que possamos nos engajar com todos aqueles que estão nessa busca é algo animador que nos faz sentir bem”, acredita.

    Entre as lições destacadas pelo pensador francês para um futuro melhor no pós-pandemia estão a necessidade de admitir que a ciência é muito importante, mas que não é possível deixar tudo por conta dela; de se resgatar a convivência entre as pessoas e revigorar o humanismo para que se viva bem em sociedade.

    Para Morin, o amanhã ainda pode apontar para a regeneração da política, a proteção do planeta e para a humanização da sociedade, mas, para isso, é urgente mudarmos de via. E assim como o pensamento que teve quando resistiu à guerra, conclui: “Acho que esperança consiste em participar daquilo que pensamos ser certo e bom. Temos a vontade de continuar essa luta para viver melhor, e é nisso que deposito as minhas alegrias”.

    11 min
  • Fuvest 2022: Mia Couto fala sobre seu livro ‘Terra Sonâmbula’

    Fantasia, com mistura de realidade, sonhos e imaginação. Esse foi o caminho que Mia Couto usou para tratar de um tema sensível a ele e a toda a sociedade moçambicana: a guerra. Em “Terra Sonâmbula”, seu romance de estreia, ele aborda a devastadora guerra civil que tomou conta do país africano entre 1976 e 1992. A obra agora figura na lista de livros para o exame da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) em 2022.

    “Comecei a escrever esse livro como um chamamento, como uma certa visitação de colegas que foram mortos durante a guerra e compareciam nos meus sonhos, nos meus pesadelos, como se eu os tivesse que transformar em personagens para que se transformassem em alguém que resistia, que se tornava eterno”, diz o escritor.

    O pano de fundo da obra é o conflito que eclodiu após a conquista da independência de Moçambique em relação ao domínio colonial português. Para retratar esse cenário, em que o próprio escritor foi atuante como membro ativo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Mia Couto utiliza a prosa poética, como revela em entrevista exclusiva nesta edição do podcast Livro Aberto, do Instituto Claro.

    “Se a gente pensar que outro mundo é possível, então estamos a fazer poesia, no sentido de que estamos a construir alguma coisa que está para além desta linha do horizonte, que pensamos que é o fim e é simplesmente o princípio de uma outra coisa”, reflete.

    Mia Couto deixou a Frelimo no final da década de 1980 para se dedicar à biologia e tornar-se um dos mais importantes autores de língua portuguesa. Entre as conquistas que acumula, o escritor, poeta e jornalista moçambicano foi contemplado com o Prêmio Camões em 2013.

    Um dos elementos para seu êxito é a inventividade, além do uso de neologismos. Couto revela ter em Guimarães Rosa uma de suas influências mais importantes no estilo de escrita. “Rosa deu resposta a alguma coisa que eu andava procurando, que era uma linguagem que permitisse a entrada da oralidade. E Guimarães Rosa foi sobretudo uma luz verde, uma autorização”, observa.

    Apostas para a Fuvest

    Essa associação entre as narrativas de Mia Couto e Guimarães Rosa é uma das apostas para o vestibular. O professor de literatura do curso Anglo Vestibulares e do Sistema Anglo de Ensino André Koloszuk, também ouvido no podcast, lembra que a lista da Fuvest traz uma obra de Rosa. “Campo Geral também trabalha com elementos do mundo sobrenatural, sonhos, com aquilo que nós chamamos de regionalismo universalizante. Aqui, nessa obra do Mia Couto, nós temos uma grande influência desse escritor”, aponta Koloszuk.

    O livro se vale, ainda, de fábulas que fazem referência à cultura e ao folclore africanos, que convidam quem está se preparando para o vestibular a entrar em contato com histórias que fazem parte da formação da sociedade brasileira. “O Brasil tem tanto da África dentro e desconhece isso (...) Eu acho que é fundamental. O Brasil só se conhecerá bem se reconhecer como é que a África está presente no seu próprio fundamento”, afirma Mia Couto.

    Ainda no áudio, o professor do Anglo traz pontos de atenção que podem ser outras apostas da Fuvest: questões sociais, violência sexual, consequências da guerra e machismo estão entre as temáticas universais presentes no livro.

    No final, uma revelação. Mia Couto conta como foi a reação que teve ao ouvir pela primeira vez a música “Terra”, de Caetano Veloso: “Foi uma epifania. Era como se eu estivesse a ver pela primeira vez a Terra que se abria a meus olhos. Uma espécie de revelação que a canção trouxe”.

    9 min
  • 20 Anos sem Milton Santos: professor expandiu as fronteiras da geografia

    O geógrafo Milton Santos morreu em 24 de junho de 2001, mas permanece vivo nas reflexões que deixou e é considerado um dos principais estudiosos brasileiros. O pensamento do professor se expandiu para muito além de sua área de estudos, a geografia. Em sua obra, destacam-se, entre outros temas, os estudos sobre a urbanização nos países subdesenvolvidos.

    “E defendendo um argumento muito interessante, de que a urbanização no Brasil foi tardia e, em que pese essa situação, nós não conseguimos superar um cenário de desigualdade. Ao contrário, reforçamos no próprio processo de urbanização que tivemos aqui.”, afirma o professor dos programas de pós-graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo Wagner Costa Ribeiro, que conviveu com Santos e é ouvido neste podcast.

    Outra globalização

    Pela geografia, Milton Santos vê no território uma maneira de refletir sobre a vida social e política. Crítico à forma como se construiu a globalização, via, já no final do século XX, o mundo caminhando para o aumento da desigualdade. No entanto, não perdia o otimismo e propunha outros rumos, regidos pelo pensamento de que “o mundo é formado não apenas pelo que existe, mas pelo que pode efetivamente existir”, como destacou em seu livro "Por uma outra Globalização".“O grande destaque que ele trazia é justamente essa ideia de uma globalização solidária, inclusiva. Uma globalização onde talvez nós não tivéssemos as empresas concorrendo umas com as outras, mas atuando de maneira cooperativa”, explica Ribeiro.

    O podcast ouviu também a neta de Milton Santos, a professora e jornalista Nina Santos, responsável pelo site que mantém viva a memória do avô e que demonstra o quanto seu legado vai além da própria geografia. “É uma obra muito inclusiva, que tenta entender a forma como diversas pessoas se relacionam com esse mundo e como esse mundo afeta a vida de diferentes pessoas, diferentes classes sociais, estruturas de renda, de educação, posições geográficas.”, sintetiza Nina.

    Legado

    As propostas de Milton Santos são consideradas bastante atuais e repercutem em várias partes do mundo nos dias de hoje. Ele foi o único brasileiro e o primeiro intelectual de um país que não tinha o inglês como língua pátria a receber o Prêmio Internacional de Geografia Vautrin Lud, em 1994, reconhecimento que equivale a um Prêmio Nobel de Geografia.

    A obra miltoniana reúne mais de 40 publicações literárias, traduzidas em inglês, espanhol, japonês e francês. Entre alguns de seus títulos, destacam-se: “Ensaios sobre a urbanização latino-americana (1982)”, “A urbanização brasileira” (1993) e “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal” (2000).“Eu diria que ele nos deixa uma certa responsabilidade, que é, a partir desse legado, entender o Brasil contemporâneo, entender o mundo contemporâneo, na perspectiva de tornar esse país menos injusto, onde o ódio não domine e não esteja no comando como está hoje”, conclui o professor Wagner.

    Veja mais:

    Plano de aula - Encontro com Milton Santos: por uma outra globalização

    9 min
  • ‘Secretarias tiveram que enfrentar ensino remoto sem plano federal’, avalia pesquisador

    Diante da pandemia, o fechamento das escolas foi uma das medidas adotadas globalmente para reduzir a transmissão da Covid-19. A decisão no meio do ano letivo, no entanto, teve impacto direto na rede pública de educação, que precisou se adaptar ao ensino remoto. É esse impacto que o estudo “Uma avaliação dos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a pandemia do covid-19”, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), busca avaliar.

    “Os alunos que podem dispor da internet para estudar, para pesquisar em casa, vão ter uma vantagem muito grande em relação àqueles que não têm. Então, essa universalização ficaria como um legado, mesmo com a normalização da pandemia e as aulas presenciais como tínhamos antigamente”, analisa o mestrando do Departamento de Ciência Política da USP Luiz Guilherme Cantarelli, autor do estudo ao lado dos pesquisadores Lorena Barberia e Pedro Henrique Shmalz.

    Ouça também: Livro digital gratuito discute perdas da educação diante do ensino remoto

    “Nós desenvolvemos um indicador com o objetivo de compreender os esforços para aumentar o alcance do ensino remoto e a qualidade desse oferecimento em todos os Estados e em todas as capitais. O nosso objetivo era entender que populações acabariam ficando mais ou menos atendidas pelos programas oferecidos”, explica Cantarelli. Para ele, a ausência de um comando centralizado por parte do Ministério da Educação fez com que estados e municípios definissem suas estratégias de maneira bastante heterogênea.

    Para realizar o levantamento dos dados, foram avaliadas quatro dimensões dos planos: o meio de transmissão das aulas, disponibilização de acesso, supervisão das atividades e a cobertura dos planos.“Apesar de as aulas terem sido oferecidas majoritariamente pela internet, a preocupação ou a capacidade que as secretarias tiveram de ampliar o acesso em 2020 foi muito reduzida”, observa.

    Aprendizados para o ensino híbrido

    Os dados continuam a ser acompanhados neste ano. Cantarelli antecipa, no áudio, alguns índices que ainda serão publicados. Face ao agravamento da evasão e à extensão da prevalência do vírus no Brasil, as secretarias de Educação têm procurado diminuir o impacto da falta de acesso às aulas.

    “Agora nós já estamos atualizando as medidas para 2021. Com a capacidade de planejar de maneira antecipada o ano letivo, a preocupação das secretarias em distribuir dispositivos e aumentar o acesso à internet – sabendo que o plano vai ser um ano de ensino híbrido – tem sido muito maior”, pontua.

    O pesquisador aponta, ainda, que o retorno ao ambiente escolar, mesmo que lento e levando em conta protocolos sanitários rígidos, deve beneficiar o acesso dos alunos mais vulneráveis. “Imagino que com os retornos híbridos este ano, esse problema vai se reduzir bastante, porque vai ser muito mais fácil fazer o acompanhamento do ano letivo dos alunos. E isso ainda somado às iniciativas de combate à evasão”, avalia.

    Veja mais:

    Rádio é alternativa como ferramenta de ensino remoto

    9 min

About Instituto Claro

From the publisher's feed

Podcast do Instituto Claro tem como missão aliar as tecnologias da informação e da comunicação à educação e ao desenvolvimento social. A organização é o resultado da união realizada em setembro de…