Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Sedução - Bruna Lombarde
    Dentro de mim mora o animal
    indômito e selvagem
    que talvez te faça mal
    talvez uma faísca
    relâmpago no olhar
    depressa como um susto
    me desmascare o rosto
    e de repente deixe exposto
    o meu pior
    em mim germina
    uma força perigosa
    que contamina
    uma paixão vulgar
    que corta o ar e que
    nenhum poder domina
    explode em mim
    uma liberdade que te fascina
    sopro de vida
    brilho que se descortina
    luz que cintila, lantejoula
    purpurina
    fugaz como um desejo
    talvez te mate
    talvez te salve
    o veneno do meu beijo.
    Bruna Lombardi
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    2 min
  • Desejo - Victor Hugo
    Victor-Marie Hugo foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
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    5 min
  • Lama sangrenta - Ana Coelho
    Oh, lama sangrenta, que gruda, que suja, que arrebenta.
    Eles estão expelindo aos montes
    Eles são podres, eles estão lá, aqui, e estão por aí.
    Eles caçam o teu juramento
    Eles caçam todos os contos, ate seu pão
    Desviam todo o tesouro
    Eles roubam teu último tostão
    Eles vivem nababescamente como se fossem merecedores
    Fingem não ver a dor, a fome, a escuridão
    E nessa vida nojenta produzem lama sangrenta
    Eles fazem o mal que há no mundo
    Roubam, matam, nos agridem, destroem o que há de bom
    Enquanto estivermos renunciando a ética
    Eles vão vencendo!
    Ana Coelho
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    2 min
  • Liberdade - Fernando Pessoa
    Ai que prazer
    não cumprir um dever.
    Ter um livro para ler
    e não o fazer!
    Ler é maçada,
    estudar é nada.
    O sol doira sem literatura.
    O rio corre bem ou mal,
    sem edição original.
    E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
    como tem tempo, não tem pressa...
    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.
    Quanto é melhor quando há bruma.
    Esperar por D. Sebastião,
    Quer venha ou não!
    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor mesmo do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.
    O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças, Nem consta que tivesse biblioteca...
    Fernando Pessoa
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    2 min
  • A borra - Manuel de Barros
    Prefiro as palavras obscuras que moram nos
fundos de uma cozinha — tipo barro, latas, cisco
Do que as palavras que moram nos sodalícios —
tipo excelência, conspícuo, majestade.
Também os meus alter egos são todos borra,
ciscos, pobres-diabos
Que poderiam morar nos fundos de uma cozinha
— tipo Bola Sete, Mário Pega Sapo, Maria Pelego
Preto etc.
Todos bêbedos ou bocós.
E todos condizentes com andrajos.
Um dia alguém me sugeriu que adotasse um
alter ego respeitável — tipo um príncipe, um
almirante, um senador.
Eu perguntei:
Mas quem ficará com os meus abismos se os
pobres-diabos não ficarem?
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    2 min
  • Destruição - Carlos Drummond de Andrade
    Os amantes se amam cruelmente
    e como se amarem tanto não se veem. Um se beija no outro, refletido. Dois amantes que são? Dois inimigos.
    Amantes são meninos estragados
    pelo mimo de amar: e não percebem quanto se pulverizam no enlaçar-se, e como o que era mundo volve a nada.
    Nada, ninguém. Amor, puro fantasma que os passeia de leve, assim a cobra se imprime na lembrança de seu trilho.
    E eles quedam mordidos para sempre. Deixaram de existir, mas o existido continua a doer eternamente.
    – Carlos Drummond de Andrade, em “O amor natural”. Rio de Janeiro: Record, 1992.
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    2 min
  • Poesia e os Poetas - Cruzeiro Seixas
    Decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do Surrealismo português e europeu, Cruzeiro Seixas nasceu a 3 de Dezembro de 1920 na Amadora. No seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Pedro Oom ou Mário Henrique Leiria. Foi um dos seus precursores e atualmente é considerado um dos seus máximos expoentes, considerando-se que o surrealismo fantástico visível na sua obra, tenha tido como principal inspiração o trabalho do artista De Chirico. É autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objectos/escultura.
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    2 min
  • O Amor, Meu Amor - Mia Couto
    O Amor, Meu Amor
    Nosso amor é impuro
    como impura é a luz e a água
    e tudo quanto nasce
    e vive além do tempo.
    Minhas pernas são água,
    as tuas são luz
    e dão a volta ao universo
    quando se enlaçam
    até se tornarem deserto e escuro.
    E eu sofro de te abraçar
    depois de te abraçar para não sofrer.
    E toco-te
    para deixares de ter corpo
    e o meu corpo nasce
    quando se extingue no teu.
    E respiro em ti
    para me sufocar
    e espreito em tua claridade
    para me cegar,
    meu Sol vertido em Lua,
    minha noite alvorecida.
    Tu me bebes
    e eu me converto na tua sede.
    Meus lábios mordem,
    meus dentes beijam,
    minha pele te veste
    e ficas ainda mais despida.
    Pudesse eu ser tu
    E em tua saudade ser a minha própria espera.
    Mas eu deito-me em teu leito
    Quando apenas queria dormir em ti.
    E sonho-te
    Quando ansiava ser um sonho teu.
    E levito, voo de semente,
    para em mim mesmo te plantar
    menos que flor: simples perfume,
    lembrança de pétala sem chão onde tombar.
    Teus olhos inundando os meus
    e a minha vida, já sem leito,
    vai galgando margens
    até tudo ser mar.
    Esse mar que só há depois do mar.
    Mia Couto, in "idades cidades divindades
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    5 min
  • Versos nunca Impressos - Alberto Caeiro
    “Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).  - 85.
    1ª publ. in “Poemas Inconjuntos”. In Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.
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    3 min
  • Subversiva - Ferreira Gullar
    Ferreira Gullar, imortal da Academia Brasileira de Letras, é considerado um dos poetas mais importantes do Brasil. Sua poesia, muito dinâmica, apresenta desde aspectos intimistas a aspectos críticos da realidade política e social nacional. Além disso, ousou quanto à forma, sendo um dos fundadores do concretismo e do neoconcretismo. Também se destacou no teatro, tendo escrito peças premiadas.
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    2 min

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