Jazz Poética

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Jazz Poética episodes

  • “Sem Título” - Possidónio Cachapa
    Escritor português, Possidónio Cachapa nasceu em 1965, em Évora. Após 15 anos de vivência em terras alentejanas, foi para os Açores onde concluiu o ensino liceal. Regressou a Lisboa e licenciou-se em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa.
    Então, colaborou na elaboração de alguns projetos jornalísticos e televisivos de cariz juvenil que razões alheias não permitiram que concretizasse.
    Partiu para a Suíça, onde viveu durante 6 anos, e aí, paralelamente com a docência da disciplina de Literatura Portuguesa, foi trabalhando as sementes que germinariam nas suas duas primeiras obras.
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    2 min
  • Roçado tua Alma - Possidónio Cachapa
    Escritor português, Possidónio Cachapa nasceu em 1965, em Évora. Após 15 anos de vivência em terras alentejanas, foi para os Açores onde concluiu o ensino liceal. Regressou a Lisboa e licenciou-se em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa.
    Então, colaborou na elaboração de alguns projetos jornalísticos e televisivos de cariz juvenil que razões alheias não permitiram que concretizasse.
    Partiu para a Suíça, onde viveu durante 6 anos, e aí, paralelamente com a docência da disciplina de Literatura Portuguesa, foi trabalhando as sementes que germinariam nas suas duas primeiras obras
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    2 min
  • Em todas as ruas te encontro - Mário Cesariny
    Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
    Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
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    2 min
  • Zum-Zum - Jazi Rodrigues
    Poema autoral, inspirado em trecho da canção Acabou Chorare da Banda Novos Baianos.
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    4 min
  • Homem comum - Ferreira Gullar
    Homem comum
    Sou um homem comum
    de carne e de memória
    de osso e esquecimento.
    Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
    e a vida sopra dentro de mim
    pânica feito a chama de um maçarico
    e pode subitamente cessar.
    Sou como você
    feito de coisas lembradas
    e esquecidas
    rostos e
    mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
    em Pastos-Bons,
    defuntas alegrias flores passarinhos
    facho de tarde luminosa
    nomes que já nem sei
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    2 min
  • Confidência - Mia Couto
    Diz o meu nome
    pronuncia-o
    como se as sílabas te queimassem os lábios
    sopra-o com a suavidade
    de uma confidência
    para que o escuro apeteça
    para que se desatem os teus cabelos
    para que aconteça
    Porque eu cresço para ti
    sou eu dentro de ti
    que bebe a última gota
    e te conduzo a um lugar
    sem tempo nem retorno
    Porque apenas para os teus olhos
    sou gesto e cor
    e dentro de ti
    me recolho ferido
    exausto dos combates
    em que a mim próprio me venci
    Porque a minha mão infatigável
    procura o interior e o avesso
    da aparência
    porque o tempo em que vivo
    morre de ser ontem
    e é urgente inventar
    outra maneira de navegar
    outro rumo outro pulsar
    para dar esperança aos portos
    que aguardam pensativos
    No húmido centro da noite
    diz o teu nome
    como se eu te fosse estranho
    como se fosse intruso
    para que eu mesmo me desconheça
    e me sobressalte
    quando suavemente
    pronunciares o meu nome
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    3 min
  • Tudo o que ficou por dizer - Bernardo Pinto de Almeida
    Bernardo [Alberto Frey] Pinto de Almeida (Peso da Régua, 1954) é poeta e ensaísta com obra publicada em Portugal e no estrangeiro. Desde 1974 desenvolveu actividade poética, teórica, historiográfica e crítica. É investigador e professor catedrático de História e Teoria da Arte.
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    3 min
  • Tudo o que ficou por dizer - Bernardo Pinto de Almeida
    Bernardo [Alberto Frey] Pinto de Almeida é poeta e ensaísta com obra publicada em Portugal e no estrangeiro. Desde 1974 desenvolveu actividade poética, teórica, historiográfica e crítica. É investigador e professor catedrático de História e Teoria da Arte.
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    3 min
  • Da perdição pela poesia - Eduardo Chirinos
    Tantas vez tomei você em minhas mãos, e tu
          foste como sonhos povoando-se, fantasmas
          dançando frenéticos e ébrios na página
          até provocar-me riso,
          até provocar-me riso,
          porque nunca pude chorar em tua alegria
          Porque além de um sonho
          foste também uma figura: teus olhos
          para sempre apagando-me, tua língua
          fugaz como surto do eterno, tua voz
          tão débil tão débil golpeando esta página
          até rasgá-la .
     
              Ah, se apenas escutasse tua voz.
    
          Mas nunca me dirigiste a palavra
          e o que teria sido um grande amor
          foi apenas um beijo furtivo, um abraço na penumbra,
          uma dor silenciosa da qual nunca fui culpado. 
          E eu Não te perdi porque nunca te tive.
          Detrás de cada palavra te ouço a soluçar.
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    2 min
  • Tudo, por não estarem mais distraídos - Clarice Lispector
    Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
    Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram a mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não a via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. Contudo ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam mais bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, por não estarem mais distraídos.
    Clarice Lispector
    A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
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    4 min

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