Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Exilado - Murilo Mendes
    Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.
    Os sentidos em alarme gritam:
    O demônio tem mais poder que Deus.
    Preciso vomitar a vida em sangue
    Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
    Passam ao largo os navios celestes
    E os lírios do campo têm veneno.
    Nem Job na sua desgraça
    Estava despido como eu.
    Eu vi a criança negar a graça divina
    Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
    E a multidão me apontando como o falso profeta.
    Espero a tempestade de fogo
    Mais do que um sinal de vida.
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    6 min
  • Não te Rendas - Mario Benedetti
    Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 – Montevidéu, 17 de maio de 2009) foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros, é considerado um dos principais escritores uruguaios, tendo começado a carreira literária em 1949 e ganhando projeção em 1956, ao publicar Poemas de Oficina, uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.
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    4 min
  • Reflexão N°.1 - Murilo Mendes
    Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
    Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
    Nem ama duas vezes a mesma mulher.
    Deus de onde tudo deriva
    E a circulação e o movimento infinito.
    Ainda não estamos habituados com o mundo
    Nascer é muito comprido.
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    6 min
  • A Rosa - Carolina Maria de Jesus
    Carolina Maria de Jesus, em “Antologia pessoal”. (Organização José Carlos Sebe Bom Meihy). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.
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    2 min
  • Mulher da Vida - Cora Coralina
    Através de sua poesia, Cora Coralina abre espaço para os marginalizados da sociedade; aqueles/as que são alvos de crítica e preconceito tornam-se tema da escrita da poetisa. No poema analisado poderá se perceber que Cora promove a mulher prostituta, trazendo quem está à margem da sociedade para o centro da cena.
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    4 min
  • Canção do africano (trecho) - Castro Alves
    Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão ...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!
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    3 min
  • Somos todos Poetas - Murilo Mendes
    Murilo Monteiro Mendes foi um poeta, prosador e crítico de artes plásticas brasileiro, expoente do surrealismo no movimento brasileiro.
    Pertencente à segunda fase do modernismo no Brasil. Ele é considerado um dos mais relevantes poetas brasileiros do século XX.
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    5 min
  • O Rio e a Serpente - Jorge de Lima
    Jorge de Lima foi um poeta, romancista, pintor, político, médico, biógrafo, ensaísta e tradutor brasileiro. Nascido em Alagoas, mudou-se ao Rio de Janeiro em 1930, fazendo de seu consultório ponto de encontro entre artistas e intelectuais da época.
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    6 min
  • Navegue - Fernando Pessoa
    Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Fernando Pessoa é o mais universal poeta português.
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    5 min
  • “(sem título)” - Caio Fernando Abreu
    Eu quero a vida.
    Com todo o riscos
    eu quero a vida.
    Com os dentes em mau estado
    eu quero a vida
    insone, no terceiro comprimido para dormir
    no terceiro maço de cigarro
    depois do quarto suicídio
    depois de todas as perdas
    durante a calvície incipiente
    dentro da grande gaiola do país
    de pequena gaiola do meu corpo
    eu quero a vida
    eu quero porque quero a vida.
    É uma escolha. Sozinho ou acompanhado, eu quero, meu
    deus, como eu quero, com uma tal ferocidade, com uma tal
    certeza. É agora. É pra já. Não importa depois. É como a quero.
    Viajar, subir, ver. Depois, talvez Tramandaí. Escrever. Traduzir. Em solidão. Mas é o que quero. Meu deus, a vida, a vida, a vida.
    A VIDA
    À VIDA.
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    6 min

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