Miragem
Estava lá o mar
Espuma, vento som me consolavam
As ondas partiam e regressavasm sem ela...
Olhando assim saudoso, melancólico
Para o infinito das águas
Apareceu toda azul, dançante, cabelos ao vento
Então me afoguei de imagens e lembranças quentes
Embriagado de memórias
Mergulhei, nadei, cansei
Deitei na areia do seu corpo
Olhei para a saudade nas nuvens
O céu desenhando seu sorriso
Mais ondas de seus gestos
Meu consolo foi ser espectador e cenário da falta que me féria
Assim ensolarado, transpirei lágrimas
Palavras
Cartas
Conversa comigo sem ela...
Poemas
Versos e metáforas
Me diziam
Da certeza que para sempre estarei só...
Vinil
Seleciono na estante
dos sonhos impossíveis
Sons e silêncios
E na circunferência
interminável dos dias
Sinto lentamente a ponta afiada de nostálgicas memórias deslisar sobre as ranhuras da negra superfície onde o passado insiste em se vestir de presente no monótono girar das horas.
Nessa trilha
Onde beijos não dados
ainda molham meus lábios
Abraços distantes ainda aquecem instantes
E o vibrato som de tua voz ainda ecoa
nos lados A e B do triste Vinil
que se tornou o meu existir.
Onírico
Não sei mesmo
Está acontecendo como o amor acontece
Real ou irreal?
Sei de nada
É isso aí o que sinto
Não confio e quero
Desconfio e aceito
Não tem nome
Por isso invento, crio epítetos.
É ilógico como a vida
Se parar de doer, se sarar ou cicatrizar:
a Cura vir de um processo secreto
Rasco novamente a ferida e, sigo nutrindo
essa dor.
Sincretismo de Metabolismo
e metalinguagem
Sei lá
Sabe lá
Se é mais corporeidade
que intelectualidade
Não sei
O que talvez nem sei, é.
Mas não deve ser
Tem complexidade, ambiguidade,
é plurissignificante
Surreal
assim Sem explicação
e pedindo sentido
interpretação existencial
Ainda não me matou
Possivelmente só estou vivo
porque é vital
Talvez seja isso,
Chamemos de vida essa coisa que exige sentidos múltiplos e escapa de nomes
É telúrico
Fortemente lúdico, fantástico
Espiritual e orgiáco
causa prazer, espanto, alegria
dói como viver
Impossível que seja real
Seria fantasia
contigo, minha poesia?
Ou é tu, menina?
É você, amor?
Diz, vai, amor é isso?
É esse teu nome, Perdição?
Jazi Rodrigues
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