Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Soneto LXXVI - William Shakespeare
    Por que está o meu verso tão vazio de rompantes novos?
    Tão longe de variações ou de tempos diferentes?
    Por que, com o tempo, não vislumbro eu
    Novos métodos e variantes inéditas?
    Por que escrevo eu ainda uno, sempre o mesmo
    E mantenho a invenção em uma região conhecida,
    Que cada palavra quase me conhece por nome,
    Mostrando o seu nascimento e de onde proveio?
    Ah, saiba, querido amor, eu escrevo sempre de ti,
    E tu e o amor são ainda meu argumento;
    Então todo o meu melhor é vestir de roupagem nova palavras velhas,
    Gastando novamente o que gasto já foi;
    Assim como o sol diariamente é novo e velho,
    Assim também está o meu amor a dizer o que sempre foi dito.
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    6 min
  • Cantiga de Malazarte - Murilo Mendes
    Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
    ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
    Não desprezo nada que tenha visto,
    todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
    Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
    destelho as casas penduradas na terra,
    tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
    Desloco as consciências,
    a rua estala com os meus passos,
    e ando nos quatro cantos da vida.
    Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,
    não posso amar ninguém porque sou o amor,
    tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
    e a pedir desculpas ao mendigo.
    Sou o espírito que assiste à Criação
    e que bole em todas as almas que encontra.
    Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.
    Nada me fixa nos caminhos do mundo.
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    6 min
  • Pere Rovira – Oração para J. M. R.
    Música do amor, (não) te escondes
em lugares escuros, doces, como rosas do jazz,
ilumina o dia azul, espalha-te sob os pinheiros
e faz brilhar as flores, as paredes e a terra.
Sê aquela água secreta que esperávamos,
e, por um momento, devolve-nos
a eterna criança que hoje abandonamos
em poços invisíveis.
Um pouco de um instante, para que nos ajude
a não chorar de medo e de vergonha
sentindo seu mistério de bondade.
Dá-nos, música de ouro, lágrimas tão puras
quanto a vida que enterraremos hoje.
Música sagrada,
tu que vens do outro mundo para o nosso,
tu que já sabes como é o seu silêncio.
    Pere Rovira (5 de junio de 2001)
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    9 min
  • A Noite na Ilha (Trecho) - Pablo Neruda
    Dormi junto contigo a noite inteira,
    enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos, de repente desperto e no meio da sombra meu braço rodeava tua cintura. Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos. ( trilha sonora: Noite Severina - Lula Queiroga)
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    4 min
  • Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade
    Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
    Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
    Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
    REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 09/11/2016
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    3 min
  • Eclesiastes 1 - Rei Salomão
    Eclesiastes 1
    2 Que grande inutilidade! Nada faz sentido! "
    3 O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol?
    4 Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre.
    5 O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.
    6 O vento sopra para o sul e vira para o norte; dá volta e mais voltas, seguindo sempre o seu curso.
    7 Todos os rios vão para o mar, contudo o mar nunca se enche; ainda que sempre corram para lá, para lá voltam a correr.
    8 Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir.
    9 O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.
    10 Haverá algo de que se possa dizer: "Veja! Isto é novo! "? Não! Já existiu há muito tempo; bem antes da nossa época.
    11 Ninguém se lembra dos que viveram na antigüidade, e aqueles que ainda virão tampouco serão lembrados pelos que vierem depois deles.
    12 Eu, o mestre, fui rei de Israel em Jerusalém.
    13 Dediquei-me a investigar e a usar a sabedoria para explorar tudo que é feito debaixo do céu. Que fardo pesado Deus pôs sobre os homens!
    14 Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento!
    15 O que é torto não pode ser endireitado; o que está faltando não pode ser contado.
    16 Pensei comigo mesmo: Eu me tornei famoso e ultrapassei em sabedoria todos os que governaram Jerusalém antes de mim; de fato adquiri muita sabedoria e conhecimento.
    17 Assim eu me esforcei para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez, mas aprendi que isso também é correr atrás do vento.
    18 Pois quanto maior a sabedoria maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto
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    5 min
  • O Último Poema - Manuel Bandeira
    Assim eu quereria meu último poema
    Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
    Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
    Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
    A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
    A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
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    1 min
  • Entre Árvores e Esquecimento - Fernando Pessoa
    Não sei sentir, não sei ser humano,
    não sei conviver de dentro da alma triste,
    com os homens,meus irmãos na terra.
    Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático,
    cotidiano, nítido.
    Eu vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
    Mas tudo sobrou e foi pouco, não sei qual,
    e eu sofri.
    Eu vi todas as emoções, todos os pensamentos,
    todos os gestos.
    E fiquei tão triste como se tivesse querido
    vivê-los e não conseguisse.
    Amei e odiei como toda a gente.
    Mas para toda gente isso foi normal
    e instintivo.
    Para mim sempre foi a exceção, o choque,
    a válvula, o espasmo.
    Eu não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
    Eu não sei se sinto demais ou de menos.
    Seja como for a vida, de tão interessante
    que é a todos os momentos, a vida chega a doer,
    a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
    a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
    de sair para fora de todas as casas,
    de todas as lógicas, de todas as sacadas,
    e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos
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    4 min
  • Um Nada Luminoso - Rubens Alves
    "Tudo aconteceu pelo olhar. Foi nos meus olhos que o amor começou. Como eu nada sabia sobre ela, era destituída de substância. Eu só tinha aquilo que meus olhos me ofereciam: uma imagem. Imagens são criaturas de luz. Foi isto que meus olhos viram, foi isto que amei: um nada luminoso."
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    1 min

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