Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Vinicius de Moraes - A ausente
    Amiga, infinitamente amiga
    Em algum lugar teu coração bate por mim
    Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
    Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
    Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
    Como que cega ao meu encontro...
    Amiga, última doçura
    A tranquilidade suavizou a minha pele
    E os meus cabelos. Só meu ventre
    Te espera, cheio de raízes e de sombras.
    Vem, amiga
    Minha nudez é absoluta
    Meus olhos são espelhos para o teu desejo
    E meu peito é tábua de suplícios
    Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
    E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
    Como no mar,
    Vem te afogar em mim,
    amiga minha como no mar…
    Em mim como no mar...
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    3 min
  • Cantiga para não morrer - Ferreira Gullar
    Quando você for embora,
    moça branca como a neve,
    me leve.
    Se acaso você não possa
    me carregar pela mão,
    menina branca de neve,
    me leve no coração.
    Se no coração não possa
    por acaso me levar,
    moça de sonho e de neve,
    me leve no seu lembrar.
    E se aí também não possa
    por tanta coisa que leve
    já viva em seu pensamento,
    menina branca de neve,
    me leve no esquecimento.
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    1 min
  • Porquinho-da-Índia - Manuel Bandeira
    Quando eu tinha seis anos
    Ganhei um porquinho-da-índia.
    Que dor de coração me dava
    Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
    Levava ele prá sala
    Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
    Ele não gostava:
    Queria era estar debaixo do fogão.
    Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…
    — O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.
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    1 min
  • Um Beijo - Olavo Bilac
    Foste o beijo melhor da minha vida,
    Ou talvez o pior... Glória e tormento,
    Contigo à luz subi do firmamento,
    Contigo fui pela infernal descida!
    Morreste, e o meu desejo não te olvida:
    Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
    E do teu gosto amargo me alimento,
    E rolo-te na boca malferida.
    Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
    Batismo e extrema-unção, naquele instante
    Por que, feliz, eu não morri contigo?
    Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
    Beijo divino! e anseio, delirante,
    Na perpétua saudade de um minuto.….
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    4 min
  • Vladimir Maiakóvski - E então, que quereis?
    Vladimir Vladimirovitch Maiakovski (em russo: Владимир Владимирович Маяковский; Baghdati, Império Russo, 19 de julho de 1893 — Moscou, Rússia, 14 de abril de 1930), também chamado de "o poeta da Revolução", foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX.
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    2 min
  • Lisboa Revisitada - Álvaro de Campos
    Não: não quero nada
    Já disse que não quero nada.
    Não me venham com conclusões!
    A única conclusão é morrer.
    Não me tragam estéticas!
    Não me falem em moral!
    Tirem-me daqui a metafísica!
    Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
    Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
    Das ciências, das artes, da civilização moderna!
    Que mal fiz eu aos deuses todos?
    Se têm a verdade, guardem-na!
    Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
    Fora disso sou doido, com todo direito a sê-lo.
    Com todo direito a sê-lo, ouviram?
    Não me macem, por amor de Deus!
    Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
    Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
    Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
    Assim, como sou, tenham paciência!
    Vão para o diabo sem mim,
    Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
    Para que havemos de ir juntos?
    Não me peguem no braço!
    Não gosto que me peguem no braço.
    Quero ser sozinho.
    Já disse que sou sozinho!..
    Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
    Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
    Eterna verdade vazia e perfeita!
    Ó macio Tejo ancestral e mudo,
    Pequena verdade onde o céu se reflecte!
    Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
    Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
    Deixem-me em paz!
    Não tardo, que eu nunca tardo...
    E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio
    quero estar sozinho!
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    4 min
  • Quem Morre? - Martha Medeiros
    Martha Mattos Medeiros é uma escritora, aforista e poetisa brasileira. É conhecida como uma das melhores cronistas brasileiras. Entre suas obras mais conhecidas estão Divã, Doidas e Santas e Feliz Por Nada. Seus livros já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. Nascimento: 20 de agosto de 1961 Porto Alegre, Rio Grande do Sul
    Gênero literário: Crônica, Romance, Poesia, Relatos de Viagem
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    3 min
  • Parodiando - Bruna Lombardi
    Bruna Lombardi - Parodiando
    É uma paródia do poema de Manuel Bandeira - Madrigal Melancólico
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    4 min
  • Sentimental - Carlos Drummond de Andrade
    Ponho-me a escrever teu nome
    com letras de macarrão.
    No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
    e debruçados na mesa todos contemplam
    esse romântico trabalho.
    Desgraçadamente falta uma letra,
    uma letra somente
    para acabar teu nome!
    - Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria!
    Eu estava sonhando...
    E há em todas as consciências, um cartaz amarelo:
    "Nesse país é proibido sonhar."
    ---
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    1 min
  • Contra la Polícia - Miguel James
    Todo mi obra es contra la policía.
Si escribo un poema de Amor es contra la policía
Y si canto a la desnudez de los cuerpos canto contra la policía
También si metaforizo esta Tierra metaforizo contra la policía
Si digo locuras en mis poemas las digo contra la policía
Y si logro crear un poema es contra la policía
Yo no he escrito una palabra, un verso, una estrofa que no sea contra la policía
Mi prosa toda es contra la policía
Toda mi obra incluyendo este poema
Es contra la policía.
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    2 min

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