Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Ars Poetica - DIMITROVA, Blaga.
    DIMITROVA, Blaga.
    A poetisa búlgara nos propõe uma “Ars Poetica” pejada de urgência, de premência perante um dedutível regime político não exatamente democrático, estando a falar pois, seguramente, de seu país natal em meados do século passado. Tal é a razão de dirigir-se aos poetas, para que escrevam os seus versos como se fossem os derradeiros, haja vista a dúvida sobre a continuidade da existência, diante de um inseguro amanhã.
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    2 min
  • Amor que serena, termina? - Juan Gelman
    Amor que serena, termina?
    começa? que nova
    velhice o espera para viver?
    qual fulgor? amor surgindo
    de si mesmo a si mesmo sendo
    também memória de si
    comendo
    de si, que velha
    sombra chupará sua nuca?
    Oh pestes
    que visitaram meu país
    atacaram se foram
    alheias como o vento.
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    2 min
  • Doenças - Viviane Mosé
    Viviane Mosé é uma poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. Mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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    3 min
  • Olhos Parados - Manoel de Barros
    Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.
    Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.
    Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.
    Lembrar que estão longe e ter saudades deles…
    Lembrar da cidade onde se nasceu, com a inocência, e rir sozinho.
    Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.
    Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.
    Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.
    Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.
    Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.
    Saber que a gente tem amigos de fato!
    Tirar uma folha da árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…
    Sentir o sol. Gostar de ver coisas…coisas todas.
    Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.
    Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.
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    3 min
  • Poesía - Hanni Ossott
    Quien vive la poesía, vive la tensión.
    El cielo, la tierra, los hombres les resultan extraños.
    Calla: aquí vive un Angel…! un pájaro!
    La serenidad y la tormenta conciernen al poeta.
    El cielo naranja sobre una colina azul
    La sagrada voz del Réquiem de Brahms
    El plenilunio. La melancolía.
    Al poeta le gusta el abrazo
    el roce, los besos llenos de licor
    y la caricia, la última caricia
    la caricia final
    susurrada
    infinita
    ¿Qué es ser poeta?
    Llorar.
    Llorar. Infinitamente.
    Y escuchar una voz de hombre
    silente y viril
    por su feminidad perdida
    porque la poesía es feminidad.
    Y los hombres poetas deben ser femeninos.
    Y las mujeres poetas deben ser masculinas
    Y esta es ley de Dios
    Ley sagrada.
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    4 min
  • Soneto - Manuel Alegre
    É preciso saber porque se é triste
    É preciso dizer esta tristeza
    Que nós calamos tantas vezes mas existe
    Tão inútil em nós tão portuguesa.
    É preciso dizê-la é preciso despi-la
    É preciso matá-la perguntando
    Porquê esta tristeza como e quando
    E porquê tão submissa tão tranquila.
    Esta tristeza que nos prende em sua teia
    Esta tristeza aranha esta negra tristeza
    Que não nos mata nem nos incendeia
    Antes em nós semeia esta vileza
    E envenena o nascer de qualquer ideia.
    É preciso matar esta tristeza.
    Manuel Alegre, Praça da Canção, 1965
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    2 min
  • Nascer de Novo - Carlos Drummond de Andrade
    Nascer: findou o sono das entranhas.
    Surge o concreto,
    a dor das formas repartidas.
    Tão doce era viver
    sem alma, no regaço
    do cofre maternal, sombrio e cálido.
    Agora,
    na revelação frontal do dia,
    a consciência do limite,
    o nervo exposto dos problemas.
    Sondamos, inquirimos
    sem resposta:
    Nada se ajusta, deste lado,
    à placidez do outro?
    É tudo guerra, dúvida
    no exílio?
    O incerto e suas lajes
    criptográficas?
    Viver é torturar-se, consumir-se
    à míngua de qualquer razão de vida?
    Eis que um segundo nascimento,
    não adivinhado, sem anúncio,
    resgata o sofrimento do primeiro,
    e o tempo se redoura.
    Amor, este é o seu nome.
    Amor, a descoberta
    de sentido no absurdo de existir.
    O real veste nova realidade,
    a linguagem encontra seu motivo
    até mesmo nos lances de silêncio.
    A explicação rompe das nuvens, das águas, das mais vagas circunstâncias:
    Não sou eu, sou o Outro
    que em mim procurava seu destino.
    Em outro alguém estou nascendo.
    A minha festa,
    o meu nascer poreja a cada instante
    em cada gesto meu que se reduz
    a ser retrato,
    espelho,
    semelhança
    de gesto alheio aberto em rosa.
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    3 min
  • Os Vínculos Timorenses - Ruy Cinatti
    Senhor da terra, das águas,

    do ar e dos milharais.

    Senhor Mãe e Senhor Pai,

    dai-me um desejo profundo.


    Que eu seja senhor de mim!
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    1 min

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