Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Teresa - Manuel Bandeira
    Teresa
    A primeira vez que vi Teresa
    Achei que ela tinha pernas estúpidas
    Achei também que a cara parecia uma perna
    Quando vi Teresa de novo
    Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
    (Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
    Da terceira vez não vi mais nada
    Os céus se misturaram com a terra
    E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
    ---
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    2 min
  • El Encuentro - Katherine Mansfield
    Empezamos a hablar 
Nos miramos;
    dejamos de mirarnos 
Las lágrimas subían a mis ojos
    Pero no podía llorar 
Deseaba tomar tu mano 
Pero mi mano temblaba. 
No dejabas de contar los días que faltaban para nuestro 
próximo encuentro 
Pero las dos sentíamos en el corazón 
Que nos separábamos para siempre. 
El tictac del relojito llenaba la habitación en calma 
Escucha, dije, es tan fuerte 
Como el galope de un caballo en un camino solitario 
Así de fuerte - un caballo galopando en la noche. 
Me hiciste callar en tus brazos 
Pero el sonido del reloj ahogó el latido de nuestros corazones. 
Dijiste `No puedo irme:
    todo lo que vive de mí 
Está aquí para siempre'. 
Después te fuiste.
    El mundo cambió. 
El ruido del reloj se hizo más débil 
Se fue perdiendo se tornó minúsculo- 
Susurré en la oscuridad: Moriré si se detiene.
    ---
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    3 min
  • Poema Enjoadinho - Vinicius de Moraes
    Filhos… Filhos?
    Melhor não tê-los!
    Mas se não os temos
    Como sabê-lo?
    Se não os temos
    Que de consulta
    Quanto silêncio
    Como os queremos!
    Banho de mar
    Diz que é um porrete…
    Cônjuge voa
    Transpõe o espaço
    Engole água
    Fica salgada
    Se iodifica
    Depois, que boa
    Que morenaço
    Que a esposa fica!
    Resultado: filho.
    E então começa
    A aporrinhação:
    Cocô está branco
    Cocô está preto
    Bebe amoníaco
    Comeu botão.
    Filhos? Filhos…
    Melhor não tê-los
    Noites de insônia
    Cãs prematuras
    Prantos convulsos
    Meu Deus, salvai-o!
    Filhos são o demo!
    Melhor não tê-los…
    Mas se não os temos
    Como sabê-los?
    Como saber
    Que macieza
    Nos seus cabelos
    Que cheiro morno
    Na sua carne
    Que gosto doce
    Na sua boca!
    Chupam gilete
    Bebem shampoo
    Ateiam fogo
    No quarteirão
    Porém, que coisa
    Que coisa louca
    Que coisa linda
    Que os filhos são
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    3 min
  • O apanhador de desperdícios - Manuel de Barros
    Uso as palavras para compor meus silêncios.
    Não gosto das palavras
    fatigadas de informar.
    Dou mais respeito
    às que vivem de barriga no chão
    tipo água pedra sapo.
    Entendo bem o sotaque das águas.
    Dou respeito às coisas desimportantes
    e aos seres desimportantes.
    Prezo insetos mais que aviões.
    Prezo a velocidade
    das tartarugas mais que a dos mísseis.
    Tenho em mim esse atraso de nascença.
    Eu fui aparelhado
    para gostar de passarinhos.
    Tenho abundância de ser feliz por isso.
    Meu quintal é maior do que o mundo.
    Sou um apanhador de desperdícios:
    Amo os restos
    como as boas moscas.
    Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
    Porque eu não sou da informática:
    eu sou da invencionática.
    Só uso a palavra para compor meus silêncios.
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    3 min
  • O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro
    Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
    E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
    Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
    Quem sabe os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
    Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvores, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
    Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre o que foi sua.
    Passo e fico, como o Universo.
    ( Alberto Caeiro ) heterônimo de Fernando Pessoa
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    3 min
  • Este é o Prólogo - Federico García Lorca
    Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 18 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
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    4 min
  • Pecador - Olavo Bilac
    Este é o altivo pecador sereno,
    Que os soluços afoga na garganta,
    E, calmamente, o copo de veneno
    Os lábios frios sem tremer levanta.
    Tonto, no escuro pantanal terreno
    Rolou. E, ao cabo de torpeza tanta,
    Nem assim, miserável e pequeno,
    Com tão grandes remorsos se quebranta.
    Fecha a vergonha e as lágrimas consigo...
    E, o coração mordendo impenitente,
    E, o coração rasgando castigado,
    Aceita a enormidade do castigo,
    Com a mesma face com que antigamente
    Aceitava a delícia do pecado.
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    2 min
  • Reflexão/Lembranças - Gilka Machado
    REFLEXÃO
    Há certas almas
    como as borboletas,
    cuja fragilidade de asas
    não resiste ao mais leve contato,
    que deixam ficar pedaços
    pelos dedos que as tocam..
    Em seu vôo de ideal,
    deslumbram olhos,
    atraem as vistas:
    perseguem-nas,
    alcançam-nas,
    detem-nas,
    mas, quase sempre,
    por saciedade
    ou piedade,
    libertam-nas outra vez.
    Elas, porém, não voam como dantes,
    ficam vazias de si mesmas,
    cheias de desalento...
    Almas e borboletas,
    não fosse a tentação das cousas rasas;
    - o amor de néctar,
    - o néctar do amor,
    e pairaríamos nos cimos
    seduzindo do alto,
    admirado de longe!...
    Lembranças
    Teus retratos — figuras esmaecidas;
    mostram pouco, muito pouco do que foste.
    Tuas cartas — palavras em desgaste,
    dizem menos, muito menos
    do que outrora me diziam
    teus silêncios afagantes...
    Só o espelho da minha memória
    conserva nítida, imutável
    a projeção de tua formosura,
    só nas folhas dos meus sentidos
    pairam vívidas
    em relevo
    as frases que teu carinho
    soube nelas imprimir.
    Sou uma urna funerária de tua beleza
    que a saudade
    embalsamou.
    Quando chegar o meu instante em derradeiro
    só então, mais do que eu,
    tu morrerás
    em mim.⁠
    Gilka Machado
    ---
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    4 min

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