Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • #Ep33 - Não se Mate - Carlos Drummond de Andrade
    Carlos, sossegue, o amor
    é isso que você está vendo:
    hoje beija, amanha não beija,
    depois de amanha é domingo
    e segunda-feira ninguém sabe
    o que será.
    Inútil você resistir
    ou mesmo suicidar-se
    Não se mate, oh não se mate,
    reserve-se todo para
    as bodas que ninguém sabe
    quando virão,
    se virão.
    O amor, Carlos, você telúrico,
    a noite passou em você
    e os recalques se sublimando,
    lá dentro um barulho inefável,
    rezas,
    vitrolas,
    santos que se persignam,
    anúncios do melhor sabão,
    barulho que ninguém sabe
    de quê, praquê.
    Entretanto você caminha
    melancólico e vertical.
    Você é a palmeira, você é o grito
    que ninguém ouviu no teatro
    e as luzes todas se apagam.
    Amor no escuro, não, no claro,
    é sempre triste, meu filho, Carlos,
    mas não diga nada a ninguém,
    ninguém sabe nem saberá.
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    2 min
  • #Ep31 - Invictus - William Ernest Henley
    "Invictus" é um pequeno poema vitoriano de autoria do poeta inglês William Ernest Henley (1849–1903) Foi escrito em 1875 e publicado em 1888 em seu primeiro volume de poemas, Livro dos Versos, na seção Vida e Morte (Ecos).
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    2 min
  • # Ep 27 - Fernando Pessoa - É Fácil Trocar as Palavras.
    "É fácil trocar as palavras, Difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado, Difícil é saber como se encontrar! É fácil beijar o rosto, Difícil é chegar ao coração! É fácil apertar as mãos, Difícil é reter o calor! É fácil sentir o amor, Difícil é conter sua torrente! Como é por dentro outra pessoa? Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Com que não há comunicação possível, Com que não há verdadeiro entendimento. Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição De qualquer semelhança no fundo."
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    2 min
  • # Ep 24 - Alma Cisterna - Jazi Rodrigues
    A primeira vez que me reconheci Agraciado foi quando na minha comunidade a seca chegou, e surpreendeu a todos com muita angústia e temor.
    Cercados de fome, violência e miséria; morrer de sede era o que nos restava, já que lágrimas salgadas a ninguém naqueles termos saciava.
    Nesse caos apocalíptico, minha casa era previdente, em tempo de chuva, nas cisternas guardavamos água como se tivessemos uma nascente.
    Embora pobre e desprovida nesse tempos de horror meu lar virava oases compartilhando seu único bem de valor.
    Realmente não tínhamos carro, dinheiro, muito menos televisão, mas tínhamos três cisternas cheias de água pra aliviar a vida no escaldante calor do verão.
    Emocionado da Janela via aquela multidão que de sedenta agora sai com sua lata de água pra tomar seu banho e fazer a refeição.
    Hoje, recordo entre lágrimas de alegria quero aqui meu cordel encerrar e dizer pra você meu amigo, seja pobre ou rico, mas seja cisterna cheia distribuindo amor e esperança nesse mundo tão cansado de chorar.
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    2 min
  • # Ep 23 - Adormecida - Jazi Rodrigues
    Tu que me admiras
    Altaneira impondo-me
    Em alturas celestiais
    Não sabes que minha gênese
    É formada de acidentes naturais.
    Do encontro de placas tectônicas
    E blocos em colisão
    Sou filha desse atrito gigante
    Nas entranhas da vegetação.
    Formada na ação do tempo
    Hoje sou o que sou
    Seria Simbiose geológica ou
    Obra do Criador?
    Nos degraus de minha história
    Sobrevivi a muitos Conflitos
    internamente rupturas
    Elevaram meu espírito.
    Essa Áurea metafísica
    Fez de mim confessionário
    No fundo o meu silêncio
    É Lugar inviolável
    Meu encanto é mistério
    Universo particular
    Mas Cuidado, não se aventure
    Muitos, não souberam voltar.
    O segredo de minha longevidade
    Queres tu compreender?
    Fiz dos leitos minha rede
    E das nuvens cobertor de prazer.
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    2 min
  • # Ep 21 - Kodak - Jazi Rodrigues
    Foi como acordar
    Tinha luz
    De um olhar
    Solar
    Eu que andava noturno
    Encontrei o riso feminino que estremeceu
    Um coração adulto que queria brincar
    Se machucar
    Arranhar o prensente
    Mergulhar arriscadamente em beijos
    E Com riscos desenhar o perigo de ser feliz...
    Foi vital
    Um sim necessário
    Explosivo como tudo que é simples
    Marcante como encontros-tatuagem
    Fotográfico
    Ficou...
    Momentos
    Instantes
    Histórias explodiram
    Ficamos sem chão
    Tudo tão lindo e complexo
    Como um folha que foge de um galho
    Para virar papel
    Hoje escrevo e folheio folhetos
    folhetins que são flores em fuga
    Pisando na memória
    Querendo mais presentes
    Presenciando o que passou
    Renasço e reacendo
    Invento a hora de um encontro
    De um olhar
    Quero novamente aquele beijo
    Que acordou um mundo
    Um coração
    Um vida...
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    4 min
  • # Ep 20 - Poesia Errante - Lota Moncada
    Às vezes a poesia vai embora.
    Simplesmente some, foge,
    cai fora, se afasta para um salto
    - talvez mortal - sem rede, sem escolha,
    nem mesmo asfalto que a receba
    em seu abraço intransigente e duro.
    Vez por outra se esquiva, matreira,
    da infecciosa covardia que nos assola,
    pandemia corrompida e sórdida,
    descontrolado incêndio abocanhando
    tudo com seus dentes de fogo.
    Pra você ver, até a poesia se cansa.
    Precisa tomar distância, ficar sozinha
    calada, mãos inertes, mente vaga,
    molhar os pés em águas rasas, até
    que de repente, não mais que de repente
    (como diria o poeta), se faça, novamente,
    da vida uma aventura errante e ela possa
    voltar a ser, aquela imprescindível chama.
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    2 min

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