Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • # Ep 18 - Fausto - Tragédia Subjectiva. Fernando Pessoa.
    Beber a vida num trago, e nesse trago
    Todas as sensações que a vida dá
    Em todas as suas formas, boas, más,
    Trabalhos e prazeres, e ofícios,
    Todos lugares, viagens, explorações
    Crimes, lascívias, decadências todas.
    D'antes eu queria
    Embeber-me nas árvores, nas flores,
    Sonhar nas rochas, mares, solidões.
    Hoje não, fujo dessa ideia louca:
    Tudo o que me aproxima do mistério
    Confrange-me de horror. Quero hoje apenas
    Sensações, muitas, muitas sensações,
    De tudo, de todos neste mundo — humanas
    Não outras de delírios panteístas
    Mas sim perpétuos choques de prazer,
    Mudando sempre
    Guardando forte a personalidade
    Para sintetizá-las num sentir.
    Quero
    Afogar em bulício, em Luz, em vozes,
    — Tumultuárias coisas usuais (
    O sentimento da desolação
    Que me enche e me avassala.
    Folgaria
    De encher num dia, numa hora, num trago
    A medida dos vícios ainda mesmo
    Que fosse condenado eternamente (
    Loucura — ao tal inferno.
    A um inferno real.
    ---
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    2 min
  • # Ep 17 - Pablo Neruda - Te Amo
    Te amo
    te amo de uma maneira inexplicável
    de uma forma inconfessável
    de um modo contraditório
    Te amo
    Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
    e mudar de humor continuadamente
    pelo que você já sabe
    o tempo
    a vida
    a morte
    Te amo
    Te amo, com o mundo que não entendo
    com as pessoas que não compreendem
    com a ambivalência de minha alma
    com a incoerência dos meus atos
    com a fatalidade do destino
    com a conspiração do desejo
    com a ambiguidade dos fatos
    ainda quando digo que não te amo, te amo
    até quando te engano, não te engano
    no fundo levo a cabo um plano
    para amar-te melhor.
    Te amo
    Te amo, sem refletir, inconscientemente
    irresponsavelmente, espontaneamente
    involuntariamente, por instinto
    por impulso, irracionalmente
    de fato não tenho argumentos lógicos
    nem sequer improvisados
    para fundamentar este amor que sinto por ti
    que surgiu misteriosamente do nada
    que não resolveu magicamente nada
    e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
    melhorou o pior de mim
    Te amo
    Te amo com um corpo que não pensa
    com um coração que não raciocina
    com uma cabeça que não coordena
    Te amo
    Te amo incompreensivelmente
    sem perguntar-me porque te amo
    sem importar-me porque te amo
    sem questionar-me porque te amo
    Te amo
    simplesmente porque te amo
    eu mesmo não sei por que te amo
    Pablo Neruda
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    3 min
  • # Ep 16 - Juan Ramon Jimenez - Soledad
    En tí estás todo, mar, y sin embargo,
    ¡qué sinti estás, qué solo,
    qué lejos, siempre, de ti mismo!
    Abierto en mil heridas, cada instante,
    cual mi frente,
    tus olas van, como mis pensamientos,
    y vienen, van y vienen,
    besándose, apartándose,
    con un eterno conocerse,
    mar, y desconocerse.
    Eres tú, y no lo sabes,
    tu corazón te late y no lo sientes...
    ¡Qué plenitud de soledad, mar solo!.
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    3 min
  • # Ep 15 - Da Calma e do Silêncio - Conceição Evaristo
    Quando eu morder
    a palavra,
    por favor,
    não me apressem,
    quero mascar,
    rasgar entre os dentes,
    a pele, os ossos, o tutano
    do verbo,
    para assim versejar
    o âmago das coisas.
    Quando meu olhar
    se perder no nada,
    por favor,
    não me despertem,
    quero reter,
    no adentro da íris,
    a menor sombra,
    do ínfimo movimento.
    Quando meus pés
    abrandarem na marcha,
    por favor,
    não me forcem.
    Caminhar para quê?
    Deixem-me quedar,
    deixem-me quieta,
    na aparente inércia.
    Nem todo viandante
    anda estradas,
    há mundos submersos,
    que só o silêncio
    da poesia penetra.
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    2 min
  • #Ep 14 - Múcio Leão - Elegia
    Um dia, amor, tudo o que existe agora,
    Tudo o que forma o nosso grande orgulho,
    A pureza e o esplendor de nossas almas,
    Terá morrido, sem deixar lembrança,
    Na velha terra indiferente aos homens.
     
    Nada do que hoje nos parece eterno
    Terá ficado do naufrágio imenso.
     
    Esquecidas de nós, as novas almas
    Levantarão para as estrelas mudas
    O milagre feliz dos novos sonhos,
    Sem talvez meditar que a terra outrora
    Vira prodígios e deslumbramentos
    Semelhantes aos seus, sob um céu puro.
     
    Uma névoa de pó terá coberto
    As cidades vaidosas, onde os homens
    Hoje, lutando, desvairados, sofrem.
    E apenas raros monumentos tristes
    Lembrarão, no candor da branca pedra,
    A fronte sacratíssima de um sábio,
    De um herói, de um guerreiro, de um poeta,
    Que a glória cinja com a divina palma.
     
    Novos deuses, em templos majestosos,
    Receberão, no plácido silêncio,
    O murmúrio das preces comovidas,
    O perfumado fumo das oblatas
    E o amor das multidões...
    Ah! nesse tempo
    Eu terei recebido dos destinos
    O bem do esquecimento imperturbável...
    Deste homem que hoje sou - das minhas crenças,
    Dos meus sonhos de amor, dos meus desejos,
    Das minhas ambições mais rutilantes -
    Nada mais restará, nada, na terra!
     
    Mas, quem sabe? Talvez, um dia, um homem,
    Amigo das pesquisas minuciosas,
    Visite longamente as bibliotecas,
    Onde durmam os livros seculares,
    Que as traças lentas vão destruindo a custo.
    E esse homem, cheio de um amor antigo,
    Curioso do viver das eras mortas,
    Talvez encontre, entre outros livros velhos,
    Estes versos que escrevo, e em que minha alma
    Fala à tua alma em longas confidências.
     
    E então, meu lindo amor, como evadidos
    De um sepulcro, nós dois ressurgiremos
    Aos olhos caridosos desse amigo,
    Vindos das densas sombras do passado.
     
    Talvez...
    Seremos belos!
    Nossa fronte,
    Há de doirá-la a mesma juventude,
    Que hoje nos cerca de um clarão sagrado!
    Haverá nos teus lábios esse mesmo
    Beijo vibrante que me trazes hoje!
    E nos olhos terás o mesmo encanto
    Que neles me seduz e prende agora!
     
    Sim: no milagre desse instante ardente,
    Nessa ressurreição maravilhosa,
    Nós brilharemos juntos, aureolados
    De um novo amor e de um carinho novo!
     
    E então esse paciente amigo nosso
    Volverá para nós, nos dias de hoje,
    Toda a sua saudade religiosa,
    E invejará, talvez, piedosamente,
    Essa breve, ligeira hora de sonho,
    Que hoje os destinos deixam que vivamos...
                                                                                        (Poesias, 1949.)
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    4 min
  • #Ep 13 - Carlos Drumond de Andrade - Consolo na Praia
    Vamos, não chores.
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não se perdeu.
    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.
    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis carro, navio, terra.
    Mas tens um cão.
    Algumas palavras duras,
    em voz mansa, te golpearam.
    Nunca, nunca cicatrizam.
    Mas, e o humour?
    A injustiça não se resolve.
    À sombra do mundo errado
    murmuraste um protesto tímido.
    Mas virão outros.
    Tudo somado, devias
    precipitar-te, de vez, nas águas.
    Estás nu na areia, no vento…
    Dorme, meu filho.
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    2 min
  • # Ep 12 - Adélia Prado - Amor Feinho
    AMOR FEINHO
    Eu quero amor feinho.
    Amor feinho não olha um pro outro.
    Uma vez encontrado, é igual fé,
    não teologa mais.
    Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
    e filhos tem os quantos haja.
    Tudo que não fala, faz.
    Planta beijo de três cores ao redor da casa
    e saudade roxa e branca,
    da comum e da dobrada.
    Amor feinho é bom porque não fica velho.
    Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
    eu sou homem você é mulher.
    Amor feinho não tem ilusão,
    o que ele tem é esperança:
    eu quero amor feinho.
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    2 min
  • Arandela - Fernanda Laurindo
    O que seria do mundo sem os poetas?
    Com leveza desliza sua pena,
    Em inocentes inertes vegetais;
    Com a folha e a caneta, faz amor!
    Querendo tocar o pescoço dela,
    Através da folha refletida
    na arandela;
    É o lugar do pouso sereno dela;
    Pela janela admira o luar,
    Que vai ensinando os amantes, da
    calada solitude estar.
    A lua intensa a desejar...a despertar...
    Eles não querem só papel e caneta;
    O que seria do mundo sem os poetas?
    Querem transar na junção dos planetas!
    2 min

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