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O dia foi de agenda vazia tanto aqui como no exterior, em uma semana cheia de eventos e situações que afetaram bastante os mercados em todo o mundo. Mas a sexta-feira incorporou um dos dados mais importantes para os mercados: a divulgação do payroll de outubro nos EUA, com a criação de vagas no conjunto da economia americana, a taxa de desemprego e dados correlacionados. Os mercados assumiram postura melhor depois da divulgação.
O payroll de outubro trouxe aumento de vagas de 531.000, bem superior ao projetado de 400.000 vagas, e a taxa de desemprego encolhendo 4,6% (melhor que o previsto, e vindo de 4,8% no mês anterior). O salário médio por hora trabalhada subiu em outubro 0,4%, como previsto, e na comparação anual ficou com alta de 4,9%. O presidente Biden comemorou que o país segue criando empregos em ritmo recorde. Além disso, falou que o pacote está bem encaminhado no Congresso americano e pode impulsionar ainda mais a economia.
Ontem, depois do pregão encerrado, o presidente da Câmara falou a verdade, dizendo que não há alternativa que não seja furar o teto de gastos para implantar o programa Auxílio Brasil. Foi além, entendendo que os mercados se movimentam com previsibilidade e querem certeza para ajustar expectativas. Isso que está faltando no momento e provocando quedas acentuadas.
Ontem, tivemos mais um dia desastroso para os mercados locais, com a Bovespa encerrando em queda de 2,09% e índice em 103.412 pontos (depois de chegar ao patamar de 102.000 pontos na mínima do dia), dólar fechando com mais uma alta de 0,29%, cotado a R$ 5,61, e juros ainda pressionados. O Bradesco também anunciou lucro recorrente de R$ 6,77 bilhões no 3º trimestre e podemos inferir que os três maiores bancos privados tiveram bom desempenho, lembrando que Itaú caiu forte ontem.
Já está ficando chato repetir que tivemos mais um dia ruim para os diferentes segmentos do mercado local, enquanto no exterior Bolsas majoritariamente em alta e novos recordes no mercado americano. Existe uma percepção ruim sobre as dificuldades de países emergentes em relação à retirada de estímulos em países desenvolvidos, especialmente no Brasil desequilibrado e cheio de vícios.
Falando especificamente sobre nós, a possível aprovação da PEC dos precatórios é somente o detonador das preocupações. Fica evidente a perda da âncora fiscal, por conta de “descumprimento” (por mais que se encontrem meios legais) da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), regra de ouro e teto de gastos. Basta a querência do Legislativo e Executivo para que tudo isso seja suprimido. Com isso, vai embora também a segurança jurídica necessária para que investimentos de longo prazo sejam feitos. Além disso, da forma que está posto, os precatórios trazem mais insegurança e a possibilidade de estarem criando uma “bola de neve” de pagamentos para frente.
No início da madrugada, o texto acordado da PEC dos precatórios foi aprovado em 1º turno, com placar de 312 a 144. Isso não serve muito como catalizador positivo para os mercados, mas começa a resolver a situação do pagamento para as populações de baixa renda. Ainda resta o 2º turno de votação e a ida para o Senado.
Ontem, os mercados de risco trabalharam sob grande tensão, mas algum alívio surgiu no fim da tarde com a decisão do FED de manter a taxa de juros estabilizada e o anúncio do tapering, com a retirada de estímulos começando já em novembro, como informamos nos comentários de ontem. A coletiva de imprensa do presidente do FED, Jerome Powell, foi novamente suave e possibilitou a recuperação dos mercados.
Repetimos o título do comentário de abertura para reforçar a indecisão dos investidores na sessão de hoje, tendo que ajustar para o desempenho dos mercados na sessão de ontem com feriado local, a divulgação da ata do Copom da última reunião e as expectativas sobre a votação da PEC dos precatórios, prevista ainda para hoje. Nos EUA, também afetando por aqui, a decisão do FOMC do FED sobre política monetária, seguida de coletiva do presidente Jerome Powell, ainda não confirmado por Biden para novo mandato.
No exterior, tivemos muitos posicionamentos sobre a COP-26, a necessidade de transição para energia limpa e fortes investimentos, a criação de fundo para coibir desmatamento, as metas estabelecidas para 2030 e busca de emissão zero em 2050. O Brasil seguiu signatário dessas metas estabelecidas, mas vai precisar de recursos canalizados para supervisionar a Amazônia e fazer a transição. Janet Yellen, secretária do Tesouro, quer maior engajamento do segmento privado na contribuição para as metas climáticas, e várias corporações estão trabalhando com isso.
Um dia de tensão para os mercados de risco no mundo, especialmente aqui, com o feriado de ontem e necessidade de alguns ajustes de preços dos ativos.
Ontem, as Bolsas europeias encerraram com comportamento misto, os três índices principais do mercado americano bateram novos recordes de pontuação (terceiro dia seguido), o petróleo se manteve em queda por estoques elevados nos EUA e ADRs brasileiros tiveram dia de baixa por conta principalmente da queda de 7,4% no minério de ferro em Qingdao, na China, com a tonelada em US$ 95,77. Além disso, as preocupações com precatórios e auxílio.
A Bovespa conseguiu reagir às quedas recentes, especialmente a da última sexta-feira (2,09%), com mercados no exterior incorporando novos recordes. Hoje foi dia mais positivo nos mercados da Europa, índices dos EUA batendo novos recordes e Bovespa voltando ao patamar de 106.000 pontos. Mas as tensões continuam em véspera de feriado e por conta da PEC dos precatórios, prevista para ser votada na quarta-feira.
O noticiário internacional ficou por conta dos relatos da reunião do G20 e dos pronunciamentos de dirigentes dos países desenvolvidos na COP-26. Sobre isso, todos se manifestaram favoráveis sobre a redução da emissão de carbono em 50% até 2030 (Brasil também está mudando sua meta de 30% para 50%) e de zerar a emissão em 2050, com investimentos gigantescos. O Brasil, pelo ministro Joaquim Leite (Bolsonaro não compareceu e gravou vídeo), disse que seremos a maior economia verde do mundo, mas que precisaremos de robustos volumes de investimentos.
Novembro começando entrecortado pelo feriado de Finados amanhã, com muitos boatos e fatos circulando sobre a reunião do G20, em Roma, e COP-26, na Escócia. Além disso, expectativa de greve dos caminhoneiros marcada para começar hoje, em uma semana de muitos eventos importantes que mexem com os mercados de risco aqui e no mundo.
Antes disso, na semana passada, a Bovespa encerrou acumulando perda de 2,63%, com índice em 103.500 pontos, e dólar com alta de 0,33%, cotado a R$ 5,646. Em 2021, a Bovespa registra perda de 13,04%, enquanto os três principais indicadores do mercado americano voltam a bater sucessivos recordes de pontuação e acumulam valorizações ao redor de 20%.
O mês de outubro fecha um ciclo de quatro meses seguidos de queda da Bovespa, saindo de 130.776 pontos do fechamento de 07/06, para os 104.204 da mínima de hoje. Durante esse terço de ano, os brasileiros sofreram com as disputas políticas e brigas entre os três poderes, com números de conjuntura ruins, especialmente a inflação e desgovernos, causando maior preocupação no momento.
Ao longo de todo esse período, as projeções de conjuntura só fizeram piorar, e hoje os investidores temem inflação novamente fora do centro da meta do Bacen em 2022 e a economia estagnada ou crescendo muito pouco. Diante disso, a reação de queda dos mercados parece absolutamente normal. Só mais recentemente, e por influência do real desvalorizado, (PTAX no ano mostra dólar com +8,59%), os investidores estrangeiros voltaram a aplicar recursos liquidamente na Bovespa, girando o ingresso de 2021 próximo de R$ 54 bilhões.
Outubro vai indo embora sem deixar saudades, mas o dia deve incorporar muitos ajustes. Não só os naturais de virada de mês e proteção de posições, assim como os resultados importantes do terceiro trimestre sendo anunciados, que estão mexendo desde o after hours americano de ontem e o dia de hoje. Além disso, por aqui, todos os ruídos e as dificuldades para aprovação da PEC dos precatórios na próxima semana de forma presencial com o feriado de Finados no meio do caminho.
Ontem, a Bovespa lutou para tentar ficar no campo positivo, mas acabou perdendo e fechando com queda de 0,62% e índice em 105.705 pontos, enquanto o dólar registrou nova alta de 1,26%, encerrando cotado em R$ 5,62. O Dow Jones com alta de 0,67% e Nasdaq fazendo novo recorde de pontuação, com +1,39%.
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