Lado M

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  • Esperando Jackson Hole

    Os investidores no mundo vão esperar o noticiário proveniente da reunião de bancos centrais dos EUA, em Jackson Hole, e principalmente o discurso de Jerome Powell, que ocorre às 11h de Brasília, para adotarem postura mais firme para seus investimentos.

    Ontem, a Bovespa encerrou com queda forte de 1,73%, índice em 118.724 pontos e o dólar com alta de 0,96%, cotado em R$ 5,26. Além do estresse externo com a reunião de Jackson Hole, pesaram a preocupação com as manifestações marcadas para 7 de setembro, as complicadas reformas que não andam e as pressões exercidas contra o governo. Nem mesmo o petróleo engolindo parte das perdas no mercado internacional e o minério em alta pelo terceiro dia conseguiram apagar quedas.

    Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia com viés negativo, as Bolsas europeias sem definição esperando discursos e futuros do mercado americano antecipando momento melhor, com leve alta. Aqui, mantemos a posição de que enquanto não passarmos com consistência a faixa de 121.000/122.000 pontos do Ibovespa não teremos maiores definições. Como dito, os investidores vão aguardar discurso de Jerome Powell, buscar direção nas entrelinhas, para somente então adotar posição mais forte. O tapering assusta.

    6 min
  • Incertezas derrubam bolsas e puxam o dólar

    O dia pode ser caracterizado como de grande incerteza no cenário externo e também interno, afetando o comportamento dos mercados de risco. Com isso, o dólar se apresenta como a melhor proteção, o porto seguro; e os mercados acionários sofrem.

    Foi dia de queda em praticamente todos os mercados acionários importantes do mundo, começando pela Ásia, durante a madrugada, passando pela Europa (melhorou levemente em relação ao início) e chegando ao mercado americano, Bovespa e alta do dólar no segmento local.

    O pano de fundo segue sendo a ampliação da infecção pela covid-19 e variante Delta, mas os investidores ficaram arredios com a reunião e declaração amanhã do presidente do FED, em Jackson Hole, sobre a retirada de estímulos monetários. Sobre isso, tivemos posicionamentos hoje de Esther George (Kansas) e de Bullard (St. Louis), acreditando em tapering ainda neste ano, e Bullard adicionalmente falando de bolha no mercado imobiliário. De qualquer forma, nada deve ser resolvido na reunião, mas investidores vão buscar nas entrelinhas. Também no BCE, existe a leitura possível de tapering, mas um pouco mais distante ou até que a inflação esteja no patamar de 2%, e de forma duradoura.  Por enquanto, os estímulos permanecem.

    6 min
  • Mercados seguem sem firmar tendência

    Ontem, os mercados domésticos tiveram desempenho comparativamente melhor que outros no exterior, mas hoje voltamos à situação normal de pior comportamento, sem fixar tendência mais definitiva. Ontem, nossa interpretação era somente um ajuste técnico, o que parece ter sido confirmado.

    Bem verdade que o exterior também não ajudou muito na sessão de hoje, exceto talvez pelo petróleo, que voltou a mostrar alta e estava cotado acima de US$ 68, por conta de queda dos estoques nos EUA na semana passada acima do previsto.

    No exterior, o PBOC aumentou a injeção de recursos no sistema financeiro para aliviar preocupação com aperto. A China também reabriu terminal portuário (o segundo mais importante do país), que tinha sido fechado devido à pandemia de covid-19. Falando nisso, a OMS registrou estabilidade dos casos de infecção e óbitos na semana passada, enquanto, no Japão, houve expansão do estado de emergência para mais 8 prefeituras, o que deve continuar pressionando a economia.

    Nos EUA, as encomendas de bens duráveis encolheram 0,1% em julho, de previsão de redução de 0,5%. Os estoques de petróleo também caíram 3 milhões de barris, de previsão de -2,4 milhões. Isso mexeu com preços em alta do barril de óleo no mercado internacional. Mas os investidores seguem aguardando a abertura do simpósio de Jackson Hole e a fala de Jerome Powell na sexta-feira para adotar postura mais definitiva em relação ao posicionamento de carteiras.

    6 min
  • Dia começando sem muita tração

    O dia está começando meio sem tração nos principais mercados acionários do mundo, mais tentando manter o viés positivo dos últimos dias. Investidores aguardando início do simpósio de Jackson Hole e dos bancos centrais amanhã.

    Ontem, tivemos dia de recuperação na Bovespa, dólar em queda e juros também, apagando um pouco as perdas recentes de sessões anteriores. A Bovespa encerrou com alta de 2,33% e índice em 120.210 pontos, dólar em queda de 2,23% e cotado a R$ 5,26 e juros longos voltando em alguns vencimentos para casa de um dígito. Um processo típico de ajuste técnico sem mudar muito tendência.

    Hoje, os mercados da Ásia terminaram o dia novamente com viés mais para positivo, Europa operando mista neste início de manhã, querendo melhorar, e futuros do mercado americano marginalmente positivo. Aqui, temos que avançar para o patamar de 121.000/122.000 pontos do índice, para consolidar um pouco mais a recuperação, mas a situação segue tensa, notadamente do lado político e na expectativa de manifestações do 7 de setembro.

    No exterior, como dito, investidores aguardam a abertura da reunião de Jackson Hole e discurso de Jerome Powell, presidente do FED, mas pode ser um anticlímax sem anúncio sobre a retirada de estímulos. A discussão maior agora parece estar na elevação do teto da dívida americana, e com o presidente Biden conversando com congressistas sobre o orçamento de US$ 3,5 trilhão e o pacote de infraestrutura. Aliás, segundo o noticiário, a Câmara americana avança nas discussões sobre orçamento, para depois determinar sobre a infraestrutura.

    Biden também comunicou ao G-7 que o cronograma de saída do Afeganistão está mantido em 31/08. Na Alemanha, o índice IFO de sentimento das empresas encolheu para 99,4 pontos em agosto, vindo de 100,7 pontos, enquanto o de expectativas econômicas caiu para 97,5 pontos, de anterior em 101. O índice de condições atuais é que evoluiu para 101,4 pontos, de anterior em 100,4. O BCE (BC europeu) anunciou que deve revisar para melhor suas projeções de indicadores de conjuntura.

    No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, tenta se manter novamente em alta revertendo tendência de queda da manhã e subindo 0,04% e cotado a US$ 67,57. O euro era transacionado em queda para US$ 1,175 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata mostravam quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda, depois das fortes altas de ontem.

    Aqui, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, quer compromisso com reforma tributária verdadeira, que simplifique a ajuste a carga tributária. Já Arthur Lira, da Câmara, diz buscar alternativas para os precatórios sem ferir o teto de gastos. O Governo estuda revisar subsídios e abrir brecha para o programa Auxílio Brasil.

    O ministro Paulo Guedes diz que topa reforma tributária ampla, se tiver o apoio dos municípios. Campos Neto, do Bacen, disse preocupado com a trajetória da dívida pública, mas depois minimizou isso. A Fipe anunciou o IPC da terceira quadrissemana de agosto em alta de 1,40%, após anterior em +1,35%. A difusão também ampliou para 74,73%. Já a FGV divulgou a confiança do consumidor de agosto em queda de 0,4 ponto, para 81,8 pontos.

    A agenda do dia está cheia de eventos com capacidade de mexer com os mercados domésticos. Teremos a nota do setor externo, a de mercado aberto, o relatório da dívida pública e a arrecadação, tudo referente ao mês de julho. Nos EUA, sairá as encomendas de bens duráveis de julho, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior e discursos de dirigentes do FED.

    Expectativa para o dia de Bovespa podendo tentar nova alta, dólar ainda forte no exterior e juros mais calmos.

    Bom dia e bons negócios!

    Alvaro Bandeira

    Economista-Chefe do banco digital modalmais

    6 min
  • Apagando parte das perdas anteriores

    O dia foi de boa recuperação no segmento local, com Bovespa em alta, dólar em queda e juros também, apagando movimento contrário da semana passada. Em boa parte, as recuperações do petróleo, no mercado internacional, e do minério de ferro, na China, foram os grandes responsáveis, juntamente com a fala do presidente da Câmara, Arthur Lira, sobre reformas. Podemos considerar como sendo um ajuste técnico, mas que ainda não muda o quadro geral. Certamente, a melhora dos mercados de risco no exterior também ajudou.

    No exterior, o BCE (BC europeu) declarou que o setor financeiro não bancário elevou riscos e é necessária maior regulação. Já a União Europeia prometeu ajuda ao Afeganistão com foco humanitário, mas exige compromisso contra o terror. A OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou pedido para atrasar a aplicação de reforço ou terceira dose para depois que toda a população esteja vacinada. Porém, alguns países já estão anunciando reforço para setembro.

    Nos EUA, as vendas de imóveis novos mostraram alta de 1% em julho, e a presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, indicou que estão próximos de um acordo com os Democratas para viabilizar a agenda de crescimento do presidente Biden. O leilão de notes de dois anos foi feito com yield de 0,242, com demanda acima da média. Mas o maior problema americano será a elevação do teto da dívida, que pode voltar a estressar os mercados.

    Já na China, a pandemia provocou gargalos na cadeia produtiva e pode vir a exportar inflação para outros países. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 3,02%, com o barril cotado a US$ 67,62. O euro era transacionado em leve alta para US$ 1,175, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,29%. O ouro e a prata encerrando com altas na Comex, e commodities agrícolas em alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro, negociado em Qingdao, na China, mostrou alta de 6,89% durante a madrugada, com a tonelada fechando cotada em US$ 146,13.

    No segmento doméstico, calaram fundo declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, tirando da pauta de hoje a votação marcada da reforma do Imposto de Renda e alertando sobre mudança de estratégia. Também defendeu que os precatórios devam ficar dentro do teto de gastos, o que acalmou investidores, mas nem tanto, já que podem mexer no teto de gastos. Ainda na economia, além da dominância fiscal que economistas começam a discutir, hoje foi dia de se falar sobre estagflação rondando o ano de 2022.

    No âmbito político, Bolsonaro disse que pretende estar presente em Brasília e também na Avenida Paulista, em São Paulo, no próximo dia 07 de setembro, mas não conseguiu colocar muito fogo com isso. No mercado, dia de dólar em queda de 2,23% e fechando cotado a R$ 5,26. No segmento Bovespa da B3, na sessão de 20/08, os investidores estrangeiros alocaram recursos no valor de R$ 901,3 milhões, deixando o saldo positivo do mês de agosto em R$ 7,55 bilhões e o ano acumulando ingressos de R$ 47,3 bilhões.

    No mercado acionário, dia de alta de 0,24% na Bolsa de Londres, Paris com -0,28% e Frankfurt com +0,33%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 0,22% e 0,07%. No mercado americano, o Dow Jones em alta de 0,09% e Nasdaq com 0,52%. Na Bovespa, dia de alta de 2,33% e índice em 120.210 pontos, muito em função do desempenho de ações ligadas às commodities e ao setor bancário.

    Na agenda de amanhã, teremos a prévia da inflação oficial de julho, que pode ter ficado em +0,71%, a nota do setor externo e de mercado aberto de julho, o relatório da dívida de julho e a arrecadação pela Receita Federal. Nos EUA, as encomendas de bens duráveis de julho e os estoques de petróleo e derivados da semana anterior.

    Boa noite!

    Alvaro Bandeira

    Economista-chefe do banco digital modalmais

    5 min
  • E segue a novela

    Segue a novela interna de disputas entre os três poderes e dissenções, fazendo com que os mercados aqui não evoluam. A Bovespa mostra queda acumulada no ano de 1,30%. Ontem foi mais um dia de mercado no Brasil atuando na contramão dos principais mercados do mundo. A Bovespa encerrou com queda de 0,49% e índice em 117.471 pontos, dólar oscilando muito para fechar estável em R$ 5,38 e com juros pressionados. Nos EUA, o Dow Jones terminou o dia com alta de 0,61% e Nasdaq com +1,55% (recorde de pontuação).

    Motivo aqui pode ser atribuído ao risco institucional alto das últimas semanas, expectativa de fura-teto por parte do governo e por medidas populistas que começam a ser esboçadas.

    Hoje, os mercados da Ásia voltaram a encerrar com boas altas e apetite ao risco (destaque para Hong Kong com +2,46%), Europa começou em alta também, mas perde tração na sequência e futuros do mercado americano com comportamento positivo. O petróleo também em nova alta (ontem registrou recuperação de mais de 5,0%) ajuda no quadro positivo. Aqui, mercado só ganha tração quando se aproximar de 121.000 pontos do Ibovespa, mas mostra fraqueza se perder 116.000 pontos.

    Na Alemanha, a segunda leitura do PIB do segundo trimestre mostrou expansão de 1,6% (previsão era +1,5%) e na comparação anual com alta de 9,8%. No Peru, o PIB do segundo trimestre na comparação anual cresceu 41,9%. A (OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) indicou que o comércio dos países do G-20 registrou novo recorde no segundo trimestre, mas mostra sinais recentes de desaceleração.

    Nos EUA, os democratas moderados entraram em choque com Biden e Nancy Pelosi (presidente da Câmara) por conta dos trilhões no orçamento de 2022 dos programas propostos. Já a Vice-Presidente Kamala Harris, em discurso em Cingapura, acusou a China de coerção e intimidação. A SEC (correspondente da nossa CVM) emitiu novas exigências para que empresas chinesas façam IPOs no mercado americano.

    No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 1,52%, com o barril cotado a US$ 66,64. O euro era transacionado em US$ 1,17 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,27%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento de alta nas negociações da Bolsa de Chicago.

    No cenário local, o governo discute plano B para a PEC dos precatórios com o todo ou parte fora do teto de gastos, situação que ninguém gostaria que acontecesse. Mas Paulo Guedes diz que tem forte programa de manutenção do teto de gastos e manteve as perspectivas equilibradas. O presidente da Câmara, Arthur Lira, quer votar hoje a reforma do imposto de renda, que não tem consenso e agrega distorções maiores para os assalariados, com a possibilidade de maior “pejotização”.

    Governadores também estão preocupados com a adesão de oficiais da Polícia Militar às manifestações que estão sendo programadas para o 7 de setembro. Manifestações que até aqui contarão com a participação de Bolsonaro.

    Na agenda do dia local, somente entrevistas de Paulo Guedes e Campos Neto, ficando o mercado ao sabor do noticiário. No exterior, teremos o índice de atividade industrial de Richmond de agosto e as vendas de casas novas de julho. Expectativa para o dia de Bovespa podendo tentar recuperação (depende do clima político), dólar ainda pressionado e o mesmo para os juros.

    Bom dia e bons negócios!

    Alvaro Bandeira

    Economista-Chefe do banco digital modalmais

    6 min
  • Distante do exterior

    Mais uma vez, a Bovespa destoou do mercado internacional em dia de alta quase plena. O dólar também trilhou volatilidade e viés de alta, apesar da fraqueza externa. Nem mesmo a forte alta do petróleo no mercado internacional fez as ações da Petrobras acompanharem com intensidade parecida. O motivo disso é recorrente e esbarra no risco institucional. Hoje, Bolsonaro voltou a dar declarações polêmicas, com o objetivo de manter apoiadores unidos e levar adiante manifestações até o 7 de Setembro.

    No exterior, os mercados reverberaram indicadores PMI da atividade composta (indústria e serviços) para diferentes países em agosto. Com exceção do Japão, que ficou abaixo dos 50 pontos, todos mostraram expansão da atividade, apesar da desaceleração. Nos EUA, tivemos o mesmo efeito. Desaceleração do índice composto para 55,4 pontos, vindo de 59,9 pontos, chegando ao menor nível em oito meses. Lembrando que valores acima de 50 pontos mostram expansão da atividade.

    Ainda nos EUA, as vendas de imóveis usados cresceram 2,8% em julho, quando o esperado era queda de 0,5%. O índice de atividade nacional de Chicago subiu para 0,53 ponto em julho, vindo de -0,01 ponto. O FMI anunciou a alocação de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque (SDR), o que é uma oportunidade única para países combaterem a pandemia.

    Na zona do euro, a confiança do consumidor de agosto caiu para -5,3 pontos, vindo de -4,4 pontos. Já Israel divulgou que a terceira dose da vacina da Pfizer aumenta a proteção contra a covid-19 em seis vezes. Na China, o PBOC (BC chinês) se comprometeu com crescimento estável do crédito em meio à desigualdade na recuperação.

    No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 5,92%, com o barril cotado a US$ 65,82. O euro era transacionado em alta para US$ 1,174, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,25%. O ouro e a prata também com fortes altas na Comex, e commodities agrícolas majoritariamente com altas na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve nova madrugada de queda em Qingdao, na China, com -2,66% e a tonelada cotada em US$ 136,71.

    No segmento doméstico, a nova pesquisa semanal Focus, do Bacen, trouxe a inflação oficial novamente em alta para o fim de 2021 (20ª seguida) em 7,11%, de anterior em 7,05%, acima do teto da meta, e com 2022 também em alta para 3,93%. A Selic ficou estável em 2021 e 2022 no patamar de 7,50%, e o PIB encolhendo na margem para 5,27% em 2021. A produção industrial também caiu para 6,40% (anterior em 6,43%) e dólar estável em R$ 5,10 para o fim deste ano. Em compensação, o saldo da balança comercial evoluiu para US$ 70 bilhões em 2021 e, em 2022, também em alta para US$ 63,5 bilhões. A CNC (Confederação Nacional do Comércio) mostrou que a intenção de consumo das famílias cresceu 2,1% em agosto, mas ainda está 0,4% aquém do período pré-pandemia.

    No ambiente político, a situação continuou tensa e mexeu novamente com os mercados, depois de um fim de semana também estressante. Bolsonaro recuou do veto e resolveu sancionar pagamentos de emendas do relator geral na LDO de 2022, e parlamentares poderão indicar gastos no orçamento, posição diferente da última sexta-feira. Bolsonaro também voltou a desafiar governadores para zerarem ICMS do botijão de gás e ainda não descartou o Vale Gás. Voltou a dizer que vacinas são experimentais e quer o fim da obrigatoriedade de máscaras. Também reiterou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, ainda que não tenha provas. Com isso, o risco institucional ficou alto e os mercados sentiram os impactos.

    5 min
  • Mercados em recuperação

    Na semana passada os investidores no mundo (e aqui também) buscaram proteção de seus investimentos em função da expansão do covid-19, da variante delta e da possibilidade de antecipação do tapering, pelo FED americano, que poderia ser anunciada na reunião de Jackson Hole. Mas isso mudou um pouco, aparentemente ficando para a reunião de final de setembro.

    Aqui o estresse institucional foi cada vez mais forte e levou a Bovespa a acumular queda na semana passada de 2,59%, com índice em 118.052 pontos e o dólar fechando em R$ 5,38 (+2,67%), depois de quase esbarrar em R$ 5,50.

    Hoje, tudo parece ter perdido o sentido, diante das altas dos mercados de risco. As Bolsas da Ásia encerraram o dia com boas altas (Tóquio +1,75% e Xangai com =1,45%), Europa começando o dia com boas altas e o mesmo acontecendo com os futuros do mercado americano. Aqui, muito ruído político pode limitar a recuperação e a Bovespa não deveria perder patamar de 117/116.000 pontos, sob pena de acelerar vendas e giro de ativos.

    Investidores observam a divulgação de indicadores PMI da atividade composta (indústria e serviços) em diferentes países no mês de agosto, todos desacelerando, mas dentro das expectativas. No Japão, o índice composto cedeu para 45,9 pontos, vindo de 48,8, e o único abaixo dos 50 pontos, o que indica contração das atividades.

    Na Alemanha, o índice cedeu para 60,6 pontos, vindo de 62,4. Na zona do euro, queda para 59,5 pontos, de 60,2 e no Reino Unido em contração para 55,3 pontos, vindo de 59,2, e no menor nível em seis meses.

    No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava alta de 2,96%, com o barril cotado a US$ 63,98. O euro era transacionado em alta para US$ 1,172 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,28%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.

    Aqui, muito ruído desde o final da última sexta-feira quando o governo de Bolsonaro entrou no Senado com pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e promete entrar também contra Luiz Roberto Barroso. Partidos, parlamentares, ex-ministros da Justiça e o próprio presidente do Senado dizem não haver fundamento para tal.

    Isso já produziu a inviabilidade da indicação de André Mendonça para vaga no STF e deixou o presidente do Senado e o chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira constrangidos. Além disso, Bolsonaro disse que vai participar e discursar nas manifestações do 7 de setembro e já existem convocações sendo feitas por apoiadores, incluindo forças policiais.

    Na agenda do dia, a nova pesquisa semanal Focus do Bacen, o saldo da balança comercial na semana anterior e o IPC-S da terceira quadrissemana de agosto. Nos EUA, as vendas de imóveis usados de julho. Expectativa para o dia de Bovespa seguindo comportamento externo de alta, dólar e juros ainda pressionados, apesar de mais fraco no exterior.

    Bom dia e bons negócios!

    Alvaro Bandeira

    Economista-Chefe do banco digital modalmais

    6 min
  • Leve reação dos mercados

    A última sessão da semana começou mostrando que o dia poderia ser de renovadas tensões, seja no ambiente externo ou no interno. Bolsas da Ásia com quedas fortes, Europa e futuros dos EUA operando no negativo, petróleo acumulando mais perdas e juros no mundo sem muita direção. Apenas algumas commodities e o minério de ferro mostravam reações de alta, mas, ainda assim, depois de enormes perdas, como o minério na China, que ontem caiu 13,5% e hoje subiu 5,86%.

    Mas o dia acabou sendo de reações, Bolsas da Europa fechando em alta (exceto Milão quase estável), mercados americanos firmando altas e a Bovespa revertendo queda na parte da tarde. Aqui, mais um problema com o encerramento do prazo agosto do mercado de opções, com os vendidos tentando manter a pressão. Passado o vencimento e com algumas notícias, o Ibovespa assumiu alta branda e progressiva.

    A agenda fraca do dia deixou o mercado local ao sabor do noticiário político. Bem verdade que o presidente tem moderado seu discurso nesses últimos dias, mas o quadro segue tenso e as novas pesquisas divulgadas mostram que mais da metade (52%) rejeita a forma de governar do presidente.

    No início do dia, o mercado americano foi pressionado pela notícia de corte de produção nas montadoras de automóveis, forçando as cotações do setor e correlatos em baixa. Já a Bolsa de Hong Kong virou para baixista, depois de queda superior a 20% do último pico (aqui, íamos na mesma direção).

    5 min
  • Tensão nos mercados continua

    Vamos encerrando uma das piores semanas de 2021 para os mercados de risco no mundo, notadamente no Brasil. Variante delta do covid-19 ampliando espectro de contaminação, China endurecendo regulação em diferentes setores da atividade, bancos centrais de países desenvolvidos discutindo e preparando a retirada de estímulos, além de alguma desaceleração na recuperação econômica.

    Aqui, além do impacto que isso acarreta, temos a crise institucional, política e econômica levando à redução das expectativas para o resto do ano, em 2022, e a percepção de tendência para furar teto de gasto e políticas populistas pré-eleitorais. Governo, por exemplo, estuda como conter tarifas de energia em 2022 para facilitar eleição. Bolsonaro acrescenta que fará denúncia sobre gestão da Caixa em governos anteriores e decide hoje sobre sanção ou veto do fundo partidário.

    No exterior, o PBOC (BC chinês) manteve a taxa referencial de juros estabilizada pelo 16º mês seguido em 3,85% e anunciou a lei de proteção de dados mais restritiva do mundo, pior que a europeia. No Reino Unido, as vendas no varejo de julho encolheram 2,5% e na comparação com julho de 2020 em alta de 2,4%, mas frustrou expectativas.

    Na Alemanha, a inflação medida pelo PPI (atacado) de julho registrou elevação de 1,9% e na comparação anual, 10,4%, maior taxa desde 1975. Nos mercados, prevalece cautela generalizada por mais um dia e na Ásia o encerramento de hoje mostrou queda, Europa também operando no campo negativo neste início de manhã e futuros do mercado americano com igual tendência. Aqui há espaço para recuperação, mas a situação continua complicada.

    No mercado internacional, o petróleo WTI tem mais um dia de queda de 0,47%, com o barril cotado a US$ 63,39. O euro mostrava queda para US$ 1,167 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,23%. O ouro em alta e a prata com queda na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.

    O presidente Bolsonaro entrou com ação para impedir que o STF abra investigação por conta própria, o que mantém o clima de tensão. Já o Bacen, aprovou resolução regulamentando depósitos voluntários remunerados de instituições financeiras.

    A agenda do dia é fraca contemplando declarações de Paulo Guedes (as de ontem foram criticadas na Câmara) e de Bruno Funchal, do Tesouro, e nos EUA, fala o presidente do FED, de Dallas, Kaplan.

    Expectativa para o dia de Bovespa podendo recuperar, mas a tendência é de investidores procurando proteção, dólar e juros pressionados.

    Bom dia e bons negócios!

    Alvaro Bandeira

    Economista-Chefe do banco digital modalmais

    5 min

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