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Os mercados parecem um barco sem rumo no meio da tempestade perfeita. Muita rotação de ativos, busca por proteção e comportamento completamente indefinido nos segmentos de maior risco. Logo cedo, o dia parecia que seria terrível, mas, aos poucos, foi ganhando forma alguma recuperação das mínimas atingidas, e esse quadro não se configurou na totalidade, ainda que com algumas quedas fortes, como o segmento de mineração e siderurgia, ou mesmo nova alta forte do câmbio.
No âmbito externo, todos já sabem que a covid-19 e variante Delta voltaram a assustar os países, apesar de internações e óbitos em menor escala. Mas ficou restando a desaceleração da atividade na China, mexendo com commodities, a suposição de maior regulação por lá e ainda o ambiente diplomático tenso originado pela tomada do Afeganistão pelo Talibã. Sem contar a possibilidade de tapering mais cedo que o previsto pelo FED. Aqui, o esgarçamento institucional, a crise política e econômica e as mudanças para pior nas projeções de 2022. Tudo isso permeia a percepção dos investidores.
No exterior, a OTAN convocou teleconferência extraordinária para a próxima sexta-feira para discutir Afeganistão, e Biden disse que as avaliações indicavam que o Talibã só dominaria Cabul no fim do ano. Nos EUA, os pedidos de auxílio desemprego da semana anterior encolheram 29.000 posições para 348.000, quando o previsto era que ficassem em 365.000. Os pedidos continuados caíram 79.000 posições para 2,82 milhões. Biden comemorou a queda dos pedidos de auxílio, mas citou a recuperação incompleta e que algumas regiões ainda vão precisar de estímulos.
Os mercados iniciaram o dia na banguela, como diriam os caminhoneiros, sobre solto para descer ladeira.
Ontem, a Bovespa emplacou o terceiro pregão consecutivo de queda, fechando com perda de 1,07% e aos 116.642 pontos, dólar com alta de 1,95%, cotado a R$ 5,377 e juros fazendo novas máximas. Da máxima do Ibovespa em 16/08 até a mínima de ontem, a queda representa 3,75%, sem muitas possibilidades de reação.
No exterior, a possibilidade do FED iniciar o tapering (retirada de estímulos) ainda em 2021 acelerou queda dos mercados, considerando a leitura da ata da última reunião. Isso com o temor da expansão do covid-19 e variante delta assolando o mundo. Aqui, os riscos político e fiscal forçam os mercados, com a percepção de busca de espaço no orçamento para políticas eleitorais, piorando ainda mais o quadro fiscal.
Hoje, mercados na Ásia estão tendo dia novamente ruim, sofrendo ainda com a diplomacia internacional e temor regulatório na China. Mercados da Ásia encerraram com quedas fortes e destaque para Tóquio com -1,10% e Hong Kong com -2,13%. Europa começando o dia com perdas próximas de 2,0%, mas tentando alguma recuperação e mercados futuros americanos em queda nesse início de manhã. Aqui, olho na perda do suporte em 115.000 pontos que pode acelerar vendas e levar para outra zona de suporte na faixa de 112.000 pontos.
No exterior, Biden já admite a permanência de tropas no Afeganistão além da data limite imposta de 31/08 e a Rússia vê potencial em ajudar e cooperar com o Talibã. Rotação forte nos mercados empurram o petróleo WTI em queda. O óleo estava sendo cotado, em NY, em queda de 3,27%, com o barril em US$ 63,32. O euro era transacionado em queda para US$ 1,169 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em queda para 1,22%, com busca por proteção. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com desempenho negativo na Bolsa de Chicago.
Aqui, o PSDB lançou proposta de tributação progressiva de dividendos e tem obtido adesões de parlamentares. A ideia é começar com alíquota de 10% e passar para 15% no ano seguinte, sem considerar para tal, os lucros gerados em 2021. A equipe econômica parece não querer arredar de 20% e já em 2022. Já o presidente, citou fé e crença para sair da crise, mas será preciso ir, além disso e aprovar reformas.
Hoje foi dia de os mercados manterem forte volatilidade, aqui e no exterior, mas conseguindo sair da nítida tendência de queda dos últimos dias e até invertendo sinais. No mercado internacional, o petróleo invertendo para queda e, na Bovespa, dia de vencimento de derivativos, para alta, chegando a recuperar o patamar de 118.000 pontos. Mas o curto prazo segue bastante indefinido por conta do exterior e, aqui, por nossas idiossincrasias.
O dia foi de agenda fraca, mas com os investidores aguardando a divulgação da ata da última reunião do FED para descobrir alguma situação que indique os próximos passos em direção à retirada de estímulos monetários. Jim Bullard, presidente do FED regional de St. Louis, disse ver progressos que justificariam a retirada de estímulos (tapering) até o primeiro trimestre de 2020 e que a inflação poderia ficar acima de 2,5% em 2022.
Já a ata do FED reportou fortalecimento da atividade e emprego com progresso na vacinação. Os membros tiveram acesso a dados para debate interno sobre tapering e seguem acreditando que as pressões inflacionárias são transitórias, mas também mais fortes que o previsto. Sobre tapering, ficou a leitura que a reunião de setembro pode ser oportuna para formar consenso e a redução de estímulos deve ocorrer ainda neste ano, mas alta dos juros ainda demora. Os mercados reagiram com melhora, mas, em seguida, voltaram para tendência mais fraca do dia.
Ainda nos EUA, a construção de novas residências de julho registrou queda de 7,0%, mas novas permissões cresceram 2,6%. O Departamento de Energia dos EUA computou queda dos estoques de petróleo na semana anterior de 3,2 milhões de barris, com a utilização da capacidade industrial subindo para 92,2%, vindo de 91,8%.
A OMC também divulgou dados otimistas sobre a recuperação econômica de seus membros capturados pelo barômetro de comércio, com o índice atingindo recorde de 110,4 pontos, cerca de 20 pontos maior do que na comparação anual. Já as autoridades de saúde dos EUA estão disponibilizando a dose de reforço de vacinas contra a covid-19 e a variante Delta depois de sucesso nos testes com idosos.
No mercado internacional, o petróleo, que tinha começado o dia com boa recuperação, foi perdendo tração e inverteu o sinal, mostrando queda de 2,57% para o WTI, negociado em NY, com o barril cotado a US$ 64,88. O euro era transacionado em leve queda para US$1,17, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,29%, sem muita reação depois do leilão de títulos de 20 anos. O ouro e a prata também tiveram inversão de tendência para quedas na Comex, e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado, em Qingdao, na China, tombou 4,58%, com a tonelada em US$ 153,39, no menor nível desde de fevereiro, depois de ter atingido máxima de US$ 222,39 em julho. Restrições fortes na China justificam o comportamento.
Após absorver quedas pesadas a Bovespa pode tentar alguma recuperação em dia de agenda fraca, mas o viés segue sendo de baixa e busca por proteção dos investidores.
O dia de ontem foi marcado por renovada tensão dos investidores e a Bovespa virou negativa no acumulado do ano em 0,94%, após queda de 1,07% na sessão de ontem e índice encerrando em 117.903 pontos, depois de vazar patamar de 117.000. O dólar registrou leve queda de 0,18% e fechou cotado a R$ 5,27, depois de muita oscilação.
No exterior, os investidores preocupados com a expansão do covid-19, variante delta, desaceleração de indicadores de conjuntura nos EUA e retirada precoce de estímulos por bancos centrais e/ou governos, geraram prudência por parte dos agentes do mercado, situação que já vinha ocorrendo nas últimas sessões. Aqui, crise política e institucional, além da economia, com preocupação de votação da reforma do imposto de renda, que acabou sendo mais uma vez adiada.
Hoje, Bolsas da Ásia terminaram o dia com boas altas e destaque para Xangai com +1,11%, Europa começou o dia em alta, mas já passando para o negativo e mercado futuros dos EUA com quedas. Aqui, a Bovespa conseguiu retomar o patamar de 117.000 pontos do índice no final da sessão e manter zona de suporte em 117.000, mas o próximo suporte está na faixa de 115.000 pontos.
Investidores e gestores aguardam a divulgação da ata da última reunião do FED as 15h de Brasília, em dia de agenda fraca e enquanto o petróleo consegue mostrar alta, depois de quatro pregões de queda.
No Reino Unido, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de julho desacelerou para 2,0% na comparação anual e na zona do euro o mesmo indicador acelerou para 2,2%, mas com o mês de julho em -0,10%. Já o presidente Biden conversou com Boris Johnson, do Reino Unido, (que já tinha conversado com Merkel, da Alemanha) sobre o Afeganistão e concluíram por uma reunião do G-7. Já o Talibã, prometeu moderação, mas a fuga em massa do país prossegue.
No mercado internacional, dia de petróleo WTI em recuperação em NY, com alta de 0,65% e barril cotado a US$ 67,02. O euro era transacionado em alta para US$ 1,172 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,27%. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.
Aqui, a reforma do imposto de renda teve votação novamente adiada com a concordância do governo e, segundo fiscalistas, “já não se paga”, pelas concessões até aqui feitas. Já o Senado indica que pode derrubar a reforma ou mudar vários itens.
A agenda do dia, fraca, terá o fluxo cambial da semana anterior pelo Bacen, e nos EUA, a construção de novas residências e permissões de julho, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior (pela API encolheram) e a ata do FED, que pode trazer luzes dos próximos passos.
Expectativa para o dia de Bovespa podendo recuperar, mas depende do noticiário, dólar ainda pressionado e juros também.
Bom dia e bons negócios!
Alvaro Bandeira
Hoje foi mais um dia daqueles que gostaríamos de esquecer, mas é sempre bom aprender com as lições. Faz algumas semanas que vínhamos alertando que a deterioração nos ambientes político e econômico poderia forçar os mercados em queda, e citamos zonas de suporte para o Ibovespa em 120.000/117.000 pontos como a serem observadas e, para o dólar, o rompimento na casa de R$ 5,30. A Bovespa passou por esses suportes (depois retornou um pouco), e o dólar quase voltou hoje aos R$ 5,30.
Não podemos creditar tudo às crises na política e no quadro fiscal, apesar de boa parte derivar disso, já que o ambiente externo também influencia, por conta da propagação da covid-19 e da variante Delta, tapering (retirada de estímulos) e a diplomacia mundial olhando para a tomada do Afeganistão pelo Talibã.
Além disso, a sessão de hoje foi marcada por novos indicadores da economia americana com viés mais para negativo, o que determinou forte volatilidade nos mercados (petróleo, commodities, dólar e juros), fazendo com que os investidores buscassem maior proteção para suas aplicações. Esse foi o panorama do dia.
No exterior, durante a madrugada, a China realizou exercícios militares no sudoeste e sudeste de Taiwan e falou em provocações. A China também reforçou medidas de controle no segmento de tecnologia para combater a concorrência desleal e lidar com dados críticos, controlando a plataforma de internet. Ainda é desconhecida a sua postura em relação ao Talibã.
O dia está começando novamente tenso nos mercados de risco espalhados pelo mundo, e aqui não deve ser diferente.
Ontem, apesar de ser segunda-feira e, por conseguinte, mais tranquilo em Brasília pesa ausência de parlamentares, a Bovespa encerrou com queda de 1,66% e índice em 119180 pontos, dólar subindo para R$ 5,28 (fraco no exterior) e juros mais longos operando nas máximas. Motivo para tal, os investidores preocupados com o covid-19 e variante delta em expansão, possibilidade de bancos centrais de países desenvolvidos anteciparem o tapering (retirada de estímulos, e por aqui crise política e fiscal.
No acumulado do ano a Bovespa chegou a operar ontem no negativo, vindo abaixo dos 119000 pontos do Ibovespa, mas fechou um pouco melhor, e acumula valorização no ano de somente 0,14%, ou seja, fechamos na estaca zero.
Hoje bolsas da Ásia fecharam negativas, mesmo quadro para as aberturas dos mercados na Europa e futuros do mercado americano também começando o dia com comportamento de queda. Aqui dia promete ser igualmente tenso e zona de suporte está próxima dos 117000 pontos do Ibovespa.
No exterior a tomada do Afeganistão pelo Talibã assustou a todos e pego de surpresa os EUA pela rapidez de tomada de Cabul. Dirigentes de países e a ONU discutem o tema (Merkel fala com Boris Johnson do Reino Unido), sem saber ainda qual a postura da China e da Rússia.
Na zona do euro foi anunciado o PIB do segundo trimestre em expansão de 2,0% e na comparação anual com alta de 13,6%, mas a expectativa era de +13,7%. O emprego por lá melhorou 0,5% no trimestre. Nos EUA, o presidente regional do FED de Boston disse que houve progresso com a inflação e prevê que o tapering pode ser anunciado ainda em setembro depois da reunião de bancos centrais de Jackson Hole.
No mercado internacional o petróleo tem mais um dia de queda de 0,33% para o WTI em NY, com o barril cotado a US$ 67,07. O euro era transacionado em queda para US$ 1,117 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,23%, em queda. O ouro e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na bolsa de Chicago.
Aqui o procurador da República Aras comunicou que abriu investigação para apurar fala do presidente em sua live contra eleições com urnas eletrônicas. Já a CNI-Confederação da Indústria, disse ser inaceitável o novo substitutivo da reforma do imposto de renda com alíquotas majoradas para o IRPJ, CSLL e imposto retido na fonte. A Fipe anunciou o IPC da segunda quadrissemana de agosto em 1,35%, vindo de anterior em 1,18%.
Na agenda do dia dados que podem mudar o comportamento dos mercados. Nos EUA vendas no varejo e produção industrial de julho e falas prevista de Jerome Powell do FED e Kashikari do FED de Minneapolis. Aqui o monitor do PIB de junho e o IGP-10 de agosto.
Expectativa de Bovespa em queda no início do dia e seguindo exterior, dólar forte e juros novamente em alta.
Bom dia e bons negócios
Alvaro Bandeira
A cautela dominou os investidores nos dias que correm, e hoje até com maior razão. Dados divulgados na China durante a madrugada deixaram clara a desaceleração da economia em julho, com boa dose de responsabilidade para o covid-19 e variante, mas também pelas inundações ocorridas. Mas o covid-19 assusta outros países, investidores e pode provocar novas quarentenas e lockdown brando. Aqui, esse medo também existe, mas o que tem importunado mais é o risco político e o fiscal.
Hoje, o jornal Valor Econômico publicou entrevista com o ministro Paulo Guedes versando sobre precatórios fatiados, tributação de dividendo e redução de alíquota do IRPJ, com boas explicações, mas não encontra eco dentro da equipe econômica e fora dela. A reforma do imposto de renda precisa ser melhor “vendida” para a sociedade e tirar do projeto muitas brechas...
Dados divulgados durante a madrugada na China e tensão política interna deve dominar o comportamento dos mercados de risco na sessão de hoje, juntamente com o Talibã dominando o Afeganistão, e quadro fiscal local.
A semana passada encerrou com a Bovespa em queda de 1,31% e índice em 121193 pontos e dólar praticamente estável em R$ 5,24. O final de semana foi bastante tenso com notícias políticas internas e declarações diversas e no exterior a tomada de Cabul pelo Talibã e fuga do presidente, forçando reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para hoje. Além disso, dados da China em desaceleração divulgados na madrugada forçando mercados em queda no mundo.
As bolsas asiáticas encerraram o dia com quedas (destaque para Tóquio com -1,62%), Europa operando com quedas e acelerando neste início de manhã e futuros do mercado americano na mesma direção. Aqui, não deveríamos perder o patamar de fechamento na última sexta-feira, sob pena de chamar mais vendas e poder buscar zona de resistência em 117000 pontos. Mas a Bovespa sobe no ano somente 1,83%, estando bem defasada do mercado americano com altas beirando 20% no ano.
Dados da China divulgados durante a madrugada mostraram que a desaceleração prossegue. A produção industrial cresceu 6,4% anual em julho, de previsão de ser 7,8% e no mês +0,30%. As vendas no varejo com alta anual de 8,5%, de previsão de +11,4% e investimento em ativos fixos com expansão nos primeiros sete meses de 10,3%, menor que o previsto. As vendas de imóveis com alta de 33,1, mas desacelerando. A contaminação pelo covid-19 e inundações ocorridas afetaram o comportamento.
No Japão o PIB do segundo trimestre foi de 0,3% sobre o trimestre anterior, maior que o previsto. Nos EUA, Nancy Pelosi, presidente da Câmara propôs que dados do orçamento americano de US$ 3,5 trilhões e o pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão sejam votados em conjunto, dadas as dificuldades existentes para aprovação.
No mercado internacional o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,43%, com o barril cotado a US$ 67,46. O euro era transacionado em queda para 1,178 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,27%. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas com altas na bolsa de Chicago.
Aqui, muitos ruídos políticos dominaram o final de semana, com o presidente dizendo que vai pedir que o Senado processe Alexandre de Moraes e Roberto Barroso, exercito se posicionando que a tropa não está envolvida politicamente e muitas críticas de senadores contra o presidente. Todos, sem exceção, elevando o tom.
A agenda da semana é pesada e com capacidade de afetar os mercados, mas a safra de resultados do segundo trimestre acabou. Hoje teremos a nova pesquisa semanal Focus do Bacen e saldo da balança comercial na semana anterior e IPC-S da segunda quadrissemana de agosto. Nos EUA o índice de atividade de NY.
Expectativa de Bovespa perdendo patamar de 121000 pontos, dólar forte e juros em alta.
Bom dia e bons negócios
Alvaro Bandeira
A semana foi bastante quente em termos de ruídos no Brasil, afetando todos os segmentos de mercado e trazendo de volta a busca por proteção, principalmente com os juros em alta.
Na política, tivemos a votação da proposta de voto impresso nas eleições derrubada com boa maioria, a tentativa de votação da reforma do Imposto de Renda adiada para a próxima semana e novas declarações do presidente, mesmo depois de o voto impresso ser derrubado. Além disso, acusações de “compra de votos”, via liberação de emendas parlamentares no montante de R$ 1,02 bilhão, na véspera de votação. No STF e TSE, clima também de tensão, com o presidente arrolado duas vezes, pelo inquérito das fake news e por ter quebrado sigilo de investigações em curso, delegado excluído do caso e ainda culminando com a prisão hoje de Roberto Jefferson.
Na economia, muita reclamação de empresários e entidades de classe, além de secretários da Fazenda de Estados e Municípios contra a reforma do Imposto de Renda, o fatiamento dos precatórios pretendido em PEC para abrir espaço para programas sociais e entendido como pré-eleitoral, e o ministro Paulo Guedes dizendo que, se pagasse os tais R$ 90 bilhões, jogaria a LRF para o alto e cometeria crime.
Hoje, o presidente do Bacen clareou tudo ao declarar que é impossível para qualquer Banco Central manter expectativas com o lado fiscal desequilibrado. Arrematou dizendo que o que garante renda recorrente não é o governo e sim produção e produtividade. Aliás, produtividade é a palavra mágica que muitos estão esquecendo, e com as incertezas reinantes e sem planejamento, não acontecem.
Tudo isso, de uma forma ou outra, acaba capturado pelos agentes do mercado e influencia a precificação dos ativos. Os 120.000 pontos do Ibovespa, depois de ter batido quase 132.000 pontos, e a valorização acumulada do ano de pouco mais de 1% exemplificam muito bem tudo isso que está acontecendo. Enquanto isso, mercados maduros como o americano mostram valorizações perto ou até acima de 20% e a Bolsa de Frankfurt batendo recorde histórico de pontuação, como fez na sessão de hoje...
Ontem, como tem acontecido nas últimas sessões, a Bovespa e dólar andaram na contramão dos mercados no exterior. A Bovespa encerrou com queda de 1,11% e índice em 120.701, e o dólar com alta de 0,57%, cotado a R$ 5,25. Aqui, a crise política prossegue e o quadro fiscal vai agravando e com muitos ruídos políticos nas reformas.
Hoje, as Bolsas da Ásia encerraram com quedas pequenas, a Europa se mantém em alta por mais um dia nesse início de manhã e futuros do mercado americano com altas. Aqui, não deveríamos perder o patamar do fechamento de ontem em 120.700 pontos, sob pena de chamar mais vendedores. Mas o mercado local está bem defasado do exterior e o dólar acima de R$ 5,00 torna as empresas brasileiras mais baratas, principalmente depois de bons resultados apresentados do segundo trimestre.
O dia é de agenda curta e vamos ficar à mercê do noticiário complicado. Na zona do euro, o saldo da balança comercial de junho foi um superávit de 12,4 bilhões de euros, fruto de exportações em queda de 0,7% e importações estáveis. Nos EUA, o FDA autorizou dose adicional de vacinas da Pfizer e Moderna.
No mercado internacional o petróleo WTI, negociado em NY, mostrava leve queda de 0,17%, com o barril cotado a US$ 68,97. O euro era transacionado em alta para US$ 1,175 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,34. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.
Aqui, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, abriu novo inquérito contra Bolsonaro por divulgar dados em sigilo do inquérito do TSE e afastou delegado. Bolsonaro que ontem tinha pregado paz e tranquilidade, usou sua live para criticar os ministros Barroso e Moraes, e que hackers teriam “sumido” com 12 milhões de votos seus.
O Estadão reportou que o governo pagou emendas de R$ 1,2 bilhão para parlamentares na véspera da votação do voto impresso na Câmara.
Na agenda do dia, teremos a divulgação do IBC-Br de junho, uma prévia do PIB e nos EUA, teremos a confiança do consumidor de Michigan de agosto. Os investidores vão ficar de olho no noticiário político e econômico. A expectativa é de Bovespa podendo recuperar um pouco, dólar ainda pressionado e juros em alta.
Bom dia e bons negócios!
Alvaro Bandeira
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