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"A narrativa do Inspetor Legrasse" é o capítulo 2 do clássico de terror “O chamado de Cthulhu” [(1926)1928], de H.P. Lovecraft (1890-1937). Este capítulo dá brecha para um amplo debate de racismo, além de perniciosas aventuras das artes das trevas jamais descritas desta forma na literatura mundial. Em primeiro lugar, é preciso dizer que o próprio Lovecraft era mestiço, palavra e pessoas que ele utiliza várias vezes nessa parte da obra, para ancorar a adoração à malígna criatura - cuja descrição minuciosa parte de uma atuação policial do inspetor Legrasse. Cultos secretos são relacionados a negros alados na floresta assombrada, a um fetichismo negro, a negros espíritos e ao Necronomicon, escrito por Abdul Alhazred (que por sua vez, é um dos personagens mais famosos do próprio Lovecraft). O que torna esse miolo da narrativa muito assustador é a impossibilidade de fuga, já que as forças do mal se comunicam por transmissão de pensamento. Os ancestrais formaram o culto em torno de pequenos ídolos trazidos de sombrios astros de remotas eras. O que se espera é o realinhamento dos astros, para liberar essas forças e o Cthulhu reassumir a Terra. Boa leitura!
O Chamado de Cthulhu PARTE 1
O Chamado de Cthulhu PARTE 2
O Chamado de Cthulhu PARTE 3
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“O chamado de Cthulhu” [(1926)1928], de H.P. Lovecraft (1890-1937) introduz uma nova forma de tratar o terror, no mundo. Esse longo conto é o grande responsável, por isso e, a partir de hoje, abre-se aqui no LdO o portal para a Mitologia do Universo de Horror Lovecraftiano, que seguirá nas duas próximas semanas. Começamos com a parte "I. O horror desenhado em argila”. Este é o momento em que Lovecraft “engatilha" a angústia provocada pelo desconhecido que tenta ser explicado por uma palavra inaudita: Cthulhu, uma escultura sinistra recém-saída da mente de um artista que vinha sendo perturbado em sonhos, por tentáculos e gosmas esverdeadas: Henry Anthony Wilcox. O conto é narrado por uma espécie de investigador, que é o sobrinho do cientista que catalogou todas as estranhezas narradas pelo artista. O tio-avô George Gammel Angell, professor emérito de Línguas Semíticas da Brown University, em Providence, Rhode Island, era mundialmente aclamado por ser especialista em inscrições antigas. Quando seu tio-avô morre, aos 92 anos, o jovem narrador, que é responsável pelo espólio do pesquisador, começa a desvelar absurdos que o perturbam e instigam, ao ponto de ele mesmo declarar que nunca deverá revelar o elo desta cadeia mal-apessoada. Boa leitura!
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“O alquimista” é um conto de H.P. Lovecraft (1890-1937) narrado por Antoine, “o último desses infelizes e amaldiçoados condes de C…” aos seus 90 anos de vida, retornando a uma memória de juventude que envolveu o embate com uma maldição que assolava seus antepassados há seis séculos. Só mesmo uma mágica poderia ir contra essa maldição. Por isso, Antoine tornou-se um pesquisador intrigado, um explorador do castelo no qual viveram - e tantos morreram de forma sinistra e insólita - por esses 600 anos. Ele sobreviveu decadente, na miséria, e escolhe termos bem horripilantes para narrar a sua história, mas somente quando detêm-se diante de uma ala completamente deserta do velho castelo, vê-se diante de um homem ou espírito de cabelos longos e barbas flutuantes de cor preta intensa e terrível, de mãos longas e ressequidas, curvadas como garras, olhos como cavernas gêmeas de negrume abissal, que precisamente possuía um tipo de pedra filosofal, ou elixir da longa vida, é que Antoine vai se deparar com a chave da maldição. A história é eletrizante, em toda a sua solidão. Boa leitura!
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“Flanando por Londres” (1927) é um ensaio de Virginia Woolf (1882-1941) que, a exemplo de Mrs. Dalloway, onde o pretexto da personagem é sair comprar as flores e - desse portal, viver um fluxo de consciência um dia inteiro ao ponto de virar um emblemático romance da autora inglesa - aqui, a “desculpa" é sair comprar um lápis. O ensaio-conto está no livro O Sol e o Peixe, no capítulo do meio II. A Rua e a Casa. Esse livro é traduzido no Brasil por Tomaz Tadeu e os ensaios são inteligentemente divididos em três blocos, sendo ainda o I.A vida e a arte e o III.O Olho e a mente – cada bloco comporta três textos. Flanar é caminhar sem destino certo. Verbo inexistente em língua inglesa. O título original de Virginia é Street Haunting: a London Adventure”, publicado na Yale Review em outubro de 1927. Aportuguesada por ser muito bem-usada por João do Rio, que flanava pelo Rio de Janeiro para descrever A Alma Encantadora das Ruas, o termo ficou famoso na França do século XIX, com Baudelaire. Ela vaticina, a melhor época para flanar por Londres é o inverno e o melhor horário, entre 16h e 18h, para curtir o entardecer e a chegada da noite. É um ensaio em primeira do plural: “vamos lá, comprar um lápis”. O texto pode ser um passeio meticuloso por Londres, mas é também uma viagem para “o fogo da lareira da mente”, como ela mesma denominou. Boa leitura!
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“As três irmãs" é um dos 30 contos de Julia Lopes de almeida (1862-1934) em Ânsia Eterna (Garnier, 1903). A narrativa aborda o envelhecimento com nítida sabedoria, ao promover um reencontro entre três irmãs que não se viam há mais de trinta anos e elenca tudo o que precisa acontecer para seus destinos convergirem novamente. Fica evidente que cada pessoa traça a sua própria história, contudo Julia, nas camadas mais internas da narrativa, reforça o papel da mulher do século XIX, que era o de ser o anjo do lar para seu marido e filhos, vivendo as “sagradas agonias da maternidade”, ao mesmo tempo em que denuncia o patriarcalismo, já que o que diferenciou tanto as irmãs fora o fato de que “cada qual fora educada por um marido”. O texto ainda faz pensar se a vida passa rápido demais e lança a suas ideias ecológicas: “o vestido havia tanto tempo guardado, não podia cheirar a sol, nem a primavera”. Cada uma das irmãs personifica um perfil: a enraizada e saudosista; a viajante que gosta de luxo; e a sociável que valoriza as relações com seus filhos e netos. Com palavras simples, a autora promove a comoção. Boa leitura!
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“Versos a Corina I”, é um dos poemas de “Crisálidas”, ou “Chrysalidas” (1864), de Machado de Assis (1839-1908). Da primeira fase do Bruxo do Cosme Velho, é totalmente Romântico. O poema de Machado não só tem como musa uma mesma mulher que inspirou o romantismo francês, através de Madame de Staël, como também trata do amor impossível, a exemplo de Corinne ou l’Italie (1807). Machado fez seis capítulos e evoca uma condição: ou a mulher super amada ou a solidão. “Chrysalidas” foi o primeiro livro publicado por ele e contém textos que escreveu dos 19 aos 25 anos. No primeiro capítulo de “Versos a Corina" é apresentada a mulher sonhada pelo “eu lírico”e a pergunta: onde está ela? Em II, o poeta mostra-se imperfeito, fatigado, desiludido e é um momento em que Machado emprega com maestria seu rico vocabulário. Em III, o apaixonado tenta alcançar a sua amada e lhe jura amor eterno, mas ela ainda não é dele. Em IV, emprega diversos argumentos como forma de convencer a sua amada: as brisas, a luz, as águas, as selvas, o poeta e emprega bastante mitologia; em V, considera-se com sorte esquiva, entram muitas dúvidas reforçadas pela decisão Estilística do autor, que é a de fazer repetições de palavras nos versos, como se essa espécie de “confusão" fosse a marca de diversas estrofes. E por fim, VI conclui que enquanto ela é pura luz e alegria, ele é tristeza e desalento. Em Crisálidas, Machado compôs também “Versos a Corina II”, que será motivo de um novo episódio do Leitura de Ouvido. Boa leitura!
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"A Uma Taça Feita de Um Crânio Humano” é um dos poemas de Lord Byron (1788-1824) traduzido pelo escritor brasileiro Castro Alves (1874-1871) e publicado em seu único livro de poesias Espumas Flutuantes (1870). Esse poema personifica as especulações sobre a sua vida pessoal, ultrapassando as fronteiras da Literatura, uma vez que no século XIX era hábito de alguns romancistas utilizarem crânio humano como taça de vinho, inspirados nos hábitos de Byron. Produzimos também "As trevas", traduzido de Byron por Castro Alves, o que mais uma vez comprova que a literatura pode abrir passagens secretas inimaginadas, já que por estilo, a produção do jovem poeta abolicionista brasileiro compõe a 3ª geração do Romantismo Brasileiro, denominada Hugoniana ou Condoreira. Enquanto os byronianos são precedentes, ou denominados Ultrarromânticos, pois da 2ª geração romântica. Nesse episódio teve o pedido em caixinha de interação, com o poema: “Adeus”, com seus famosos versos “Adeus! e para sempre embora, que seja para nunca mais”. Como brinde, trazemos ainda "Byron", de autoria do próprio Castro Alves. Portanto, quatro poemas para você contemplar. Os escritores brasileiros seguiam os rastros de Byron, intrinsecamente, quando o assunto é Romantismo. Já explanamos vários exemplos no podcast. Hoje é dia de você interagir emitindo as suas Notas de Rodapé. Boa leitura!
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“O sinaleiro” é um conto de fantasmas, de suspense e de terror, de Charles Dickens (1812-1870). Diferente da tradição do autor, este não se passa no Natal. Narra o encontro entre dois homens, sendo um deles o que trabalhava como sinaleiro e, o outro, como visitante. O insólito é o fio condutor nevrótico da história, pautado num vocativo: “- ALOOÔ! AÍ EMBAIXO!” que abre e fecha as nossas impressões da narrativa. Dito assim mesmo, em forma de grito, o que vai balizar as impressões e as reações dos personagens, construindo um terror gótico na cena. Aliás, essa é uma narrativa de suspense, repleta de cenas mal resolvidas, mas nesse episódio, convido você a desvendar esses mistérios comigo. Uma das anotações está nos sinais, observados pelo visitante do sinaleiro, de virar o rosto para perscrutar o sino, silencioso; de abrir a porta do abrigo para olhar se tem alguém lá fora; e na aparição da luz vermelha. O nosso protagonista não tem medo do fantasma, mas sim, da angústia de não saber o que a aparição significa, de modo que possa agir para evitar tragédias.
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“A dama de espadas” (1834) é um conto muito bem elaborado do escritor russo Alexander Pushkin (1799-1837). Dividido em seis capítulos, é uma narrativa que perpassa vários ambientes e emoções da convivência social, centrado no hábito do jogo, por dinheiro. O conto russo aborda o despertar da ambição, a ingenuidade do amor, a injustiça e a loucura. Há, inclusive, toques de insólito, regado a todas as belezas da narrativa pushkiniana: “e o veículo começou a rodar suavemente sobre a neve”. Além da bela ambientação, dá detalhes de cenário e figurino. Enfim, é uma história inebriante! O conto foi escrito em 1833 e publicado pela primeira vez na revista literária Biblioteka dlya chteniya, em 1834. Até hoje é reconhecido como um dos melhores contos já publicados. Pushkin explora a natureza da obsessão e a avareza humana de maneira magistral. “A dama de espadas” foi transformado na ópera “The Queen of Spades” do grande compositor clássico Tchaikovsky. Boa leitura!
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Os Lusíadas é o poema épico de 8.816 versos rimados e metrificados, do consagrado poeta ocidental Luís Vaz de Camões (1524-1580), que homenageia a sua pátria, seus feitos e heróis, por meio e uma imensa aventura, ciceroneada por deuses e mitos. Como se trata de uma epopeia dividida em X Cantos, com 1.102 estrofes, fizemos uma seleção ponderada de alguns versos, no Canto I (estrofes 1-83), que dá abertura para a aventura de Vasco da Gama e no qual aparecem quatro, das cinco partes da obra: proposição, invocação, dedicatória e começa a narração; e produzimos também o Canto IX (estrofes 16-73), que é o mais erótico, quando Vênus pensa em oferecer algum deleite aos portugueses, que tanto sofreram pelas interferências de Baco. Ela determina que no meio das águas seja preparada uma ilha divina com belas e aquáticas donzelas a esperar os fortíssimos barões. Essas ninfas são as Nereidas, as filhas de Nereu, que são atingidas pela flecha do cupido, seu filho. Em termos de estilo narrativo, Os Lusíadas se inicia in media res (no meio da ação), durante a viagem de Vasco da Gama, que é quem narra a história de seu país ao rei de Melinde. No Epílogo, última parte da epopeia, temos o lamento do poeta, que queixa em Portugal um país decadente e enfraquecido, sem a perspectiva de conquistar novas glórias no futuro. Camões morreu em 10 de junho de 1580, por isso, o dia 10 é considerado o Dia de Camões e das comunidades portuguesas. Boa leitura!
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