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“O bicho Manjaléu” é um conto popular do folclore brasileiro e neste episódio, trazemos a versão de Sergipe, coletada por Silvio Romero (1851-1914). É um texto que remonta ao tempo dos reis e castelos, príncipes e princesas, citando expressamente a Rainha de Castela, que em vida foi também conhecida como Isabel, a Católica (1451-1504) e que tinha como projeto de vida a unificação da Península Ibérica, mas morreu sem conseguir seu intento. No conto, entretanto, outra faceta da rainha feita personagem é revelada. E pelo tempo de sua existência é possível estimar que o conto popular tenha iniciado no Brasil no século XV, logo no início da colonização. O bicho manjaléu que dá título ao conto também é conhecido como o bicho-papão ou bicho do mato. O texto evoca uma sequência de símbolos, em especial uma bota, uma carapuça e uma chave, que vão permitir ao herói fazer todas as viagens, até se deparar com o bicho. Ao coletar e tornar conhecida essa história popular, Silvio Romero traz uma contribuir!ao para a historiografia literária brasileira. (…) o apaixonado labor histórico e crítico de Silvio que, durante mais de quarenta anos de publicações, vincou profundamente a cultura realista e nos deu bases sólidas para construir uma história literária entendida como expressão das raças, das classes e das vicissitudes do povo brasileiro” (BOSI, 2006, p.249). Boa leitura!
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Broquéis (1893) é um livro de poemas de Cruz e Souza (1861-1898) que, com o volume de prosa lírica Missal, são considerados um marco da estética simbolista na poesia brasileira. Neste episódio, trazemos 27 poemas, dos 54 que compõem Broquéis, apresentando a você exatamente a primeira metade deste livro emblemático simbolista, incluindo a epígrafe de Baudelaire, em francês, a quem o autor tanto se inspirava e lia. Ouça: “Antíphona", “Siderações”, “Lésbica”, “Mumia”, "Em sonhos…”, “Lubricidade”, “Monja”, "Christo de Bronze”, “Clamando…”, “Braços”, "Regina Coeli”, "Sonho Branco”, "Canção da Formosura”, "Torre de Ouro”, "Carnal e Mystico”, "A dor”, “Encarnação”, “Sonhador”, "Noiva da Agonia”, “Lua”, “Satan", "Belleza Morta", “Afra", "Primeira Communhão”, “Judia", "Velhas tristezas" e "Visão da morte”. Entre os episódios futuros de nosso podcast, faremos a Parte 2 do livro, com os demais 27 poemas. Cruz e Souza é um dos precursores da literatura afro-brasileira e renovou a expressão poética em língua portuguesa no século XIX. Seus versos apresentam uma obsessão pela brancura, uma espécie de pureza idealizada. Catarinense, nasceu e cresceu num meio extremamente hostil ao preto, em província do sul do país para onde se dirigiram levas de imigrantes europeus brancos. Seu trabalho literário é inovador e fortemente contrário ao discurso conservador da época.
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“O papel de parede amarelo” é o conto mais famoso de Charlotte Perkins Gilman (1860-1935), narrativa semi-biográfica, escrito por ela após severa psicose pós-parto de sua Katharine Beecher Stetson. "The Yellow Wall-Paper” saiu na The New England Magazine em janeiro de 1892 e, em formato de livro, em 1899. O conto é narrado pela mulher enquanto escreve e, no manuscrito escondido, revela o que sente e o que pensa, aliviando-se e esforçando-se. A personagem admite sofrer problemas nervosos e que sua condição lhe causa cansaço para se controlar. A narrativa acontece numa casa alugada para o verão, com lindo jardim e hilariantes flores, árvores de troncos rugosos e adorável vista. Para melhor repousar, ela fica no maior quarto, o de cima, que está com um extraordinário papel de parede amarelo que começa a lhe causar devaneios e a intrigar. Seu bebê é cuidado por Mary, com quem ela não consegue ficar, apesar de ser um bebê maravilhoso, mas que a põe ainda mais nervosa. Para o marido John, que é médico, doentes de nervos não podem se entregar a fantasias. Mas a cada dia, ela implica ainda mais com o papel de parede daquela casa de aluguel barato, por três meses. Exercendo sobre ela terrível influência. Boa leitura!
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“Vestida de preto” é um conto memorialista de Mário de Andrade (1893-1945) sobre o amor entre os primos, Juca e Maria, desde os cinco anos de idade. O texto aparece pela primeira vez no livro póstumo Contos Novos, de 1947, revelando um ápice de maturidade do autor modernista. Na narrativa divertida há uma mensagem profunda que pede atenção à primeira infância, ao quanto as memórias dos mil dias são importantes, o que vivemos até os cinco anos, aos nove, até a adolescência. Em alguma medida, cada vivência pode refletir no que vai definir uma pessoa para toda a vida. Interessante que nesse texto moderno, Mário não só questiona a classificação narrativa através de: "não sei bem se o que vou contar é conto ou não, sei que é verdade” como cita a si mesmo em determinado momento, na narrativa feita por Juca. Repleto de acasos da vida cotidiana, a narrativa provoca um mergulho na realidade psíquica e social do ser humano, investiga a vida interior da personagem, embasando-se na teoria psicanalítica de Freud (1856-1939), que, à sua época, o mundo respirava com frescor. Boa leitura!
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“O custo de justiça” é um conto satírico de Leon Tolstói (1828-1910) que vem para provar que o criador de grandes sinfonias literárias, como Guerra e Paz (1869) e Ana Karerina (1877) também pode compor solos e peças curtas. Traz a história de um pequenino reino, às margens do Mediterrâneo entre a França e a Itália, onde não havia violência, até o dia em que um único homem comete um crime de morte. A partir deste instante, o rei se vê obrigado a agir e convoca um conselho para resolver a sentença do homem. A sátira de Tolstói levanta o debate, sem rodeios, sobre pena de morte e sobre o custo para manter um prisioneiro, ao mesmo tempo em que parodia a realidade de qualquer país, diante daqueles que agem fora da lei. Tolstói foi um dos maiores representantes do Realismo Russo, mas foi um homem que questionava a arte. “Nosso ofício é horrível. Escrever corrompe a alma”. Em seu tempo, Tolstói era conhecido principalmente como filósofo e pelos escritos políticos que lhe angariaram grande número de seguidores na Rússia. Acreditava em uma vida simples de trabalho em busca do necessário, sem bens materiais. Escreveu longos trabalhos sobre seus pontos de vista anticapitalistas, a reforma religiosa e o caminho do protesto pela não violência. Seus conceitos de não violência e pacifismo influenciaram Mahatma Gandhi, que chegou a se corresponder com o escritor em busca de conselhos. Boa leitura!
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Cantos à Beira-mar é formado por 56 poemas e neste episódio, vamos trazer mais 18, desse livro de Maria Firmina dos Reis (1822-1917). Vamos chamar esse ep. de Parte 2, a considerar que já produzimos 12 poemas deste livro. Hoje você contemplará: a “Dedicatória”, seguido pelos poemas: "Uma lágrima”, “Dirceu”, "O meu segredo”, "Sonho ou visão?”, “Vai-te!”, "Por ocasião da tomada de Villeta e ocupação de Assunção”, “Melancolia”, "No álbum de uma amiga”, "Seu nome”, "Meus amores”, “Esquece-a”, “Confissão”, “Poesia”, "À recepção dos voluntários de Guimarães”, “Poesias”, “Poesia” e “Te-Deum". Contemplar é um excelente termo, já que suas poesias têm um toque meditativo sobre tudo, somados à escolha de trilhas e timbres que fizemos, proporciona uma “contemplação meditativa”. Maria Firmina dedicou esses cantos à sua saudosa mãe Leonor Felippa dos Reis, escrava alforriada de quem ficou órfã aos 5 anos, sendo a autora criada por uma tia materna, que lhe oportunizou o contato precoce com a literatura. Ela viveu por 95 anos e publicou poesias, ensaios, histórias e quebra-cabeças em jornais e revistas locais e também canções abolicionistas, pois foi folclorista e compositora. Boa leitura!
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“O rouxinol e a rosa” (1888) é um conto de fadas de Oscar Wilde (1854-1900), com toques de fábula, é bem verdade, já que o rouxinol usa de sua eloquência, não só para encantadoramente cantar, mas para falar e argumentar, faz de tudo para conseguir uma rosa vermelha a ser doada para o estudante, verdadeiramente apaixonado por uma moça. Ocorre que a moça é um pouco interesseira. O fato conflituoso é ser inverno, quando não se tem qualquer rosa vermelha pelos jardins. Isso, até que a Rosa e o Rouxinol traçam um plano fantástico. O conto é curto e encantador e culmina num sacrifício de amor. “Só te peço que seja sempre verdadeiro amante, porque o amor é mais sábio que a filosofia”, pediu o Rouxinol ao estudante. Ao estilo de Oscar Wilde, no texto não poderia deixar de ter críticas sociais e ao comportamento humano. Nesse, há uma crítica direta aos artistas, com um toque de sátira. Mas seu espinho mais potente é voltado ao egoísmo humano, diante do altruísmo. O escritor e poeta britânico é um dos principais proponentes do Esteticismo, também conhecido como Dandismo, movimento literário que valoriza a beleza em detrimento de outros valores. Ele promoveu a renovação da dramaturgia irlandesa. Boa leitura!
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“A cor que caiu do céu” (1927) é uma história tenebrosa de H.P.Lovecraft (1890-1837) com sobrenatural, suspense e horror. O conto nos apresenta o universo de Arkham, Massachusetts, mais precisamente, para as florestas deformadas e estradas do entorno do que foi a propriedade de Nahum Gardner, um homem de meia idade que morava com pacificidade numa granja próspera, com a esposa e os três filhos, até o momento em que um insólito meteoro caiu ao lado de seu poço. O texto é narrado por um terceiro personagem, baseada na história contada pelo melhor amigo de Nahum, Ammi Pierce, mais de quarenta e quatro anos após o ocorrido, quando a lendária charneca crestada está para ser inundada por um imenso reservatório, que transformará tudo em lago, para ficar sob a égide dos arcanos do velho mar e da terra primeva. A narrativa perniciosa cria uma tensão crescente e é rica em detalhamento para a fauna, a flora, os termos comportamentais e, especialmente, os psicológicos. Lovecraft é o fundador da ficção moderna de horror. É um grande influenciador da cultura popular, do cinema, da música, da televisão. Boa leitura!
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"A larva” é um conto de 1910 de Rubén Darío do livro Cuentos fantásticos. É uma história de uma aventura noturna do adolescente de 15 anos, Isaac Codomano, narrado em primeira pessoa por uma terceira pessoa, amigo seu de outrora. O sonho de Isaac era sair para uma noite de serenatas e, de forma meticulosa, arma a sua fuga notívaga da tia-avó com quem morava numa cidade de um país latino-americano semelhante às cidades provincianas espanholas, nas quais se dorme cedo e as ruas logo ficam desertas. Além da crescente narrativa aventureira, o conto encaminha-se para o sobrenatural, pois na cidade praticava-se a feitiçaria, acreditava-se em bruxas, espíritos e influências de outro mundo, mas o próprio Isaac se depara com o insólito, quando se afasta do grupo de jovens cantores, em busca de uma aventura amorosa. Pela primeira vez na história do Leitura de Ouvido, trazemos os dois gêneros num só episódio. Antes desse conto, abrem nossas linhas sonoras três poesias de Rubén Darío: “Alma minha”, “O fatal” e “O amado nervo”.
Rubén Darío foi um jornalista, diplomata, escritor e poeta nicaraguense iniciador e representante máximo do Modernismo literário de língua espanhola. É possivelmente o poeta que tem a maior e mais duradoura influência na poesia do século XX, no âmbito hispânico.
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“As cismas do destino” (1908) é uma narrativa dramática, em forma de poesia, de Augusto dos Anjos (1884-1914). O poema tem 105 quadras em decassílabos: totalizando 420 versos e é dividido em quatro capítulos nos quais se faz de um monólogo, do eu lírico, que sai para uma caminhada noturna pelas ruas de Recife, mais precisamente, da Ponte Buarque de Macedo à Casa do Agra, numa noite do início do século XX. Ele se depara com a decadência da vida urbana, com seres notívagos: ladrões, prostitutas, bêbados, mas também com seres mais fantasiosos, como esqueletos, duendes e trasgos (aparições/espíritos), sendo o mais aterrorizante “seu próprio destino”. Essa ponte está sobre o Rio Capibaribe no encontro com o Beberibe, e é uma das mais extensas do centro da capital de Pernambuco, que é ainda banhada pelo rio Tejipió. O poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914) tinha apenas 24 anos quando escreveu, ou melhor dizendo, para usar o termo que ele insiste em colocar em seus versos "perscrutou" a decadência da vida urbana noturna. Ele costuma entrar para os livros escolares com o famoso verso: “Eu, filho do carbono e do amoníaco”, de "Psicologia de um vencido”. É tido ora como parnasiano, ora como simbolista, convencionou-se acomodá-lo como Pré-Modernista. Boa leitura!
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