Leitura de Ouvido

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By LP Lucas e Daiana PasquimArtsBooks
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Leitura de Ouvido episodes

  • João do Rio - Os Trabalhadores de Estiva (conto)

    “Os trabalhadores de estiva” é um texto de João do Rio (1881-1921), reunido em A alma encantadora das ruas (1908), livro com reportagens e crônicas publicadas na imprensa entre 1904 a 1907. Nesta crônica, o narrador-repórter pede licença para acompanhar os homens que realizam a movimentação nos conveses e porões das embarcações, bem como no carregamento e a descarga dos navios. Começa no raiar do dia, tão cedo entre a neblina, no cais que afluía gente, até ir com eles e poder observar os movimentos matemáticos dos trabalhadores de estiva de café, além dos mais inúmeros produtos: aguardente, bacalhau, cereais, algodão. O carregamento seguia preciso até às cinco da tarde, feito por "corpos que o trabalho rebenta”. João do Rio é o pseudônimo para João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, que foi jornalista, cronista, contista e teatrólogo, tradutor - principalmente de Oscar Wilde e Charles Dickens. Reconhecidamente é o dramaturgo sagaz da vida carioca do início do século XX: criador da crônica social moderna. Boa leitura!


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    39 min
  • Olavo Bilac - O Caçador de Esmeraldas

    “O caçador de Esmeraldas” é um poema do parnasianista brasileiro Olavo Bilac (1865-1918) construída como epopeia sertanista do século XVII, época em que o bandeirante paulista ambicioso Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) foi o comandante da célebre bandeira das esmeraldas, que a partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. O texto proporciona uma análise político-econônimo-social profundíssima. Tratado como herói, Fernão Dias Paes Leme será visto totalmente como um vilão, inclusive, pelas opções léxicas de Bilac: chamando-o de demente, com ânsia de enriquecer, que “invade" o sertão e faz a tantos sofrer, por sete anos. O poema narra com delícia o declínio de Fernão Paes Leme, que morre agonizante de febre, nos versos, da forma como contraiu malária, no fim de seu vida. Nas estrofes emerge também a coragem dos povos originários em defender a natureza, seu espaço, põe todo o cenário contra o egoísmo e deseja: “morre, conquistador”. Olavo Bilac é tido como o principal representante do Parnasianismo brasileiro, escola literária inspirada na Escola de Paris que, desde 1866 passou a publicar as antologias Parnasse Contemporain. Boa leitura!


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    40 min
  • Machado de Assis - Crisálidas (poesia)

    “Crisálidas”, ou “Chrysalidas”, para usar o título original de 1864, foi o primeiro livro publicado por Machado de Assis (1839-1908). Contém textos que ele escreveu dos 19 aos 25 anos. Para esse episódio, fizemos uma seleção de dez, todos constantes na versão original do livro: “Musa consolatrix”, “Visio”, “Quinze Anos”, “Stella”, “Sinhá”, “Horas vivas”, "A caridade”, “Aspiração”, “As rosas” e “As ventoinhas”. Permeando a figura feminina, nos poemas pulula a própria juventude de Machado de Assis. A linguagem que prevalece é a subjetiva, em versos que idealizam a mulher, trazendo a figura feminina sob o prisma dos Românticos, com eu lírico que observa a natureza plena. Sua escrita distinta e clara já estava presente. No universo machadiano há várias publicações de histórias curtas, críticas literárias, traduções, poemas e romances. Boa leitura!


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    39 min
  • Júlia Lopes de Almeida - Livro das Donas e Donzelas

    Livro das donas e donzelas (1906) é uma sequência de crônicas, todas com personagens femininas, compostas por Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). Para esse episódio, escolhemos três, dos 26 textos do livro, sendo: “Minhas amigas”, “A arte de envelhecer” e “A mulher brasileira”. Em cada qual, ela traz ideias femininas e ecológicas. Trabalha com maestria a delicadeza e formosura, ante a necessidade de obter um digno espaço intelectual, pela presteza e virtude com a qual a mulher encara a vida. Sua obra teve bastante influências do realismo e naturalismo francês. Tendo recebido uma educação liberal, aos 19 anos

    começou a trabalhar na imprensa e figurou-se como expoente em época que a figura feminina na vida intelectual tinha participação rara e incomum. Ela era arrojada e acreditava que o que torna a vida encantadora é o imprevisto. Julia foi contista, romancista, cronista e dramaturga, teve mais de 40 volumes publicados em 72 anos de vida. Boa leitura!


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    51 min
  • A Tumba - Guy de Maupassant (conto)

    “A tumba” é um conto clássico fúnebre de Guy de Maupassant (1850-1893),  publicado em 29 de julho de 1883 no periódico Gil Blas, sob o pseudônimo  de Maufrigneuse. Ao que tudo indica, fora escrito numa sentada, pois se  passa no dia 17 de julho de 1883 e tem publicação doze dias após. Conta  a história do jovem advogado que é preso após flagrado pelo vigia do  cemitério, profanando a tumba de uma jovem de 20 anos. Diante do ato  sombrio, Maupassant desenrola uma descrição naturalista da obsessão e do  amor sem medidas. O escritor foi mestre para definir em palavras as  inquietações vindas da natureza desconcertante do ser humano. Esse conto  se irmana com “A morta”, que também se passa em cemitério e  tornar-se-á, ainda esse ano, um episódio do LdO. Entre 1875 e 1885,  Maupassant fez mais de 300 histórias curtas, além de ter produzido seis  romances, peças de teatro, poesias e crônicas. Ele era o discípulo  dileto de Gustave Flaubert (primo de sua mãe) estimulando-o para o amor à  arte e os princípios estéticos do Realismo. Tornou-se um escritor rico e  famoso, abusou da vida, morreu aos 43 anos enlouquecido e com paralisia  geral, como decorrência da sífilis. Boa leitura!


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    32 min
  • Charles Baudelaire - As Flores do Mal (poemas condenados)

    “As Flores do Mal” (1857) é o livro de poesia mais famoso do crítico de  arte, poeta, tradutor e fundador do movimento simbolista, Charles  Baudelaire (1821-1867). Nós fomos além e produzimos um episódio,  justamente, com os seis poemas condenados do autor, por decisão  judiciária da 6ª Vara Correcional de Paris, em 20 de agosto de 1857, que  exigiu expurgar da primeira edição de "As Flores do Mal": ‘Lesbos’,  ‘Mulheres malditas’, ‘O Letes’, ‘A que está sempre alegre’, ‘As joias’ e  ‘As metamorfoses do vampiro’. Os chamados ‘Poemas condenados’ só  reaparecerão em 1866, republicados pela primeira vez na Bélgica na  coleção Les Épaves, mas permaneceram proibidos na França até 1949. A  outra edição definitiva de Les Fleurs du mal foi publicada postumamente  em 1868. Estudiosos contemporâneos consideram a obra como a expressão  mais completa da poesia romântica francesa. As Flores do Mal é composto  por seis seções, cada uma com um tema - uma estrutura que era nova na  poesia francesa. Saiba o porquê esses poemas foram considerados  indecentes. Boa leitura!


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    46 min
  • Charles Baudelaire - Poemas em Prosa

    “Cada qual com a sua Quimera” e “Qual é a verdadeira” são dois poemas em  prosa de Charles Baudelaire (1821-1867), duas pequenas e profundas  histórias, com elementos apreciadores do fantástico, nos quais  Baudelaire evoca conotação absurda. No primeiro: como os homens carregam  seus sonhos e sua esperança de uma forma difícil, desoladora ou até sem  rumo, figurada nos homens caminhando encurvados carregando um  monstruoso animal que os oprimia. O animal, a que ele relaciona à  Quimera, tinha duas garras e uma cabeça fabulosa, a esmagar os homens.  Na segunda história, apresenta Benedicta, moça de beleza, grandeza,  glória e imortalidade, que morre. Ele próprio a enterrou, como a um  tesouro, até que a vê, fora da cova do ideal. Baudelaire foi crítico,  poeta, tradutor e fundador do movimento simbolista francês. Sua poesia  criou polêmica por sua descrição do amor sagrado e profano, da  imoralidade e da morte, e do erotismo. Foi durante os anos de boemia que  Baudelaire se tornou parte do meio artístico e literário, escrevendo  uma série de poemas que fariam parte da coletânea mais famosa: As Flores  do Mal (1857), dedicada ao amigo Théophile Gautier. No início da década  de 1860, Baudelaire concentrou boa parte de suas energias na escrita de  prosa. Possivelmente, esses dois poemas em prosa sejam dessa fase. Boa  leitura!


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    35 min
  • Dois Irmãos - Milton Hatoum

    Dois Irmãos é o romance mais lido e mais conhecido do premiado escritor  amazonense Milton Hatoum (1952). Foi publicado em 2000 e teve várias  traduções, com nova edição recém-publicada em território brasileiro pela  Companhia das Letras (2022). É esse livro que vamos sortear no podcast,  com dedicatória exclusiva enviada por Milton Hatoum, aos dois  premiados. Serão dois sorteios: o primeiro, dia 27/02 e, o segundo, dia  07/03. Um mês especial com Hatoum ao nosso lado. Ele agora é o padrinho  do LdO. Trazemos a parte inicial do romance, no primeiro capítulo. Dois  Irmãos narra a história da família formada por Zana e Halim, no  Amazonas, como descendentes libaneses. Eles tiveram três filhos, a  aguerrida Rânia; e os gêmeos Yaqub e Omar, o caçula.  Os gêmeos se  apaixonaram pela mesma moça, Lívia e, na adolescência, protagonizaram  uma cena de ciúmes que marcou uma guerra entre ambos, logo após um baile  de carnaval. Nesse episódio você vai conhecer não só esses personagens,  como esse fato que gerou a cicatriz que os diferenciou, em todo seu  crescimento. Após a terrível briga, os irmãos são separados e Yaqub é  enviado para o Sul do Líbano, onde morou por cinco anos. O capítulo  começa com o retorno de Yaqub para o Brasil e evoca várias lembranças e  mágoas, criando uma tensão que se estenderá o romance todo, a partir da  visão aguçada de um narrador muito especial. Boa leitura!


    Clique aqui para adquirir o livro.

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    1 hr 2 min
  • Katherine Mansfield - A Casa de Bonecas (conto)

    “A casa de bonecas” é um dos últimos contos da escritora neozelandesa  Katherine Mansfield (1888-1923). Contista destaque do modernismo inglês,  criava a dupla história: a que escreve e a que sugere. Na que escreve,  temos crianças presenteadas com um brinquedo, uma casa de bonecas e a  relação de bullying na escola. Já na que sugere, está o universo  feminino e o impacto social de uma mãe como chefe de família e que ainda  teve a “desgraça" de ter duas filhas meninas, com um pai tido por  desconhecido. Celebramos há pouco o centenário de morte da autora, que  morreu jovem e vítima de tuberculose em 9 de janeiro de 1923. “A casa de  bonecas” está em 15 contos escolhidos de Katherine Mansfield, seleção  de textos publicados entre 1915 e 1922, no qual encontram-se narrativas  ousadas com personagens bem-construídos a partir de acontecimentos  triviais e descrição apurada. Ela foi inspiração para grandes nomes,  como Clarice Lispector e Virginia Woolf, que declarou invejar o jeito de  Katherine escrever. Isso porque seus contos revelam o estilo repleto de  sutilezas, referência na escrita de histórias curtas e na representação  de emoções secretas. Boa leitura!!


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    47 min
  • James Joyce - Poemas

    Fizemos uma seleção de poemas do escritor irlandês James Joyce  (1882-1941). E assim, completamos uma provocação das rodas de rodapé da  semana retrasada. No Ep. de hoje você vai conhecer: "Colunas evocadas",  "Chuva congelada", "Poema no romance", "Música de Câmara XX",  "Bahnhofstrasse" e “Noturno". James Joyce é um dos precursores do  modernismo poético da história da humanidade. Como moderno, ele brinca  com a sonoridade das palavras, provoca a audição, mas sem estar preso a  rimas e métricas. Usa de arcaísmos combinados a alguns neologismos. As  repetições, como em "Poema no romance” têm propósito de ser, ao repetir  insistentemente “não te cansastes do amor trilhado?” deixa monótono o  poema, como teoricamente teria ficado o romance.  Famosíssimo por suas  prosas, como em Ulisses ou Dublinenses, Joyce publicou quatro livros de  poesia: "Música de Câmara” (Londres, 1907), 36 poemas líricos curtos  inspirados na poesia do período elisabetano; “Pomas, um Tostão Cada”, de  1927, obra próxima da radicalidade de suas prosas; “Ecce Puer”, poema  escrito em 1932 sobre a morte de seu pai e o nascimento de seu neto,  além de uma coleção de poesias reunidas, “Collected Poems” , em 1936.  Boa leitura!


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    14 min

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