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Dionísio em Berlim (Quelônio, 2019) é o último romance do escritor, tradutor, professor de criação literária e doutor em Psicologia pela USP, Tiago Novaes (1979) e no episódio de hoje trazemos o primeiro capítulo desta história enigmática: "Emin", a partir de uma parceria que fizemos com Tiago no LdO, aliada à participação no podcast de Tiago Novaes: Prelo. Dionísio em Berlim presta homenagem ao mito literário do deus Dioniso. Se este desce aos infernos para procurar sua mãe Sêmele (Horácio), o protagonista criado por Tiago procura abolir o destino, em busca do pai, encadeando experiências para encontrar suas origens. Se o deus é uma personalidade complexa e fugidia, isso também é incorporado no romance com a voz de cinco narradores, todos estrangeiros, cada qual chamando o protagonista por um diferente nome: para o turco Emin, é Zagreu. Para a argentina Mercedes, é Eleutério. Para a palestina Silena, é Dendrites. Para o sudanês Kamal, é Brômios. Para a mexicana Agave, é El Greco. É pela voz do outro, vindo de outras origens, que conhecemos o protagonista inatingível. Esse personagem misterioso chega a Berlim, depois de passar por Nova York, como um migrante desterrado. É um romance sobre a busca. Adquira nas principais livrarias e distribuidoras do país. Boa leitura!
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“Diante da Lei” é um conto de Franz Kafka (1883-1924) que teria dado origem ao romance “O processo” (1925), no qual o protagonista, Josef K., na manhã de seu aniversário de 30 anos, é detido em seu próprio quarto, sem qualquer explicação. Primeiramente, ele pensa se tratar de uma “brincadeira" dos colegas do banco - Josef K. é um banqueiro, excelente profissional, com cargo de responsabilidade. Mas se vê envolto numa tensão claustrofóbica, quando arrastado para um labirinto de repartições, funcionários sem nome e procedimentos desconcertantes. No conto “Diante da Lei” a trama centra-se numa condição mais simples, de um homem do campo diante de um guardião, que guarnece uma porta que ele quer muito entrar. Ele aguarda dias e anos e o guardião oscila interrogatórios com postura de indiferença, sendo que, à medida que o tempo passa, a diferença de altura entre ambos se acentua, ao ponto de ser tomado como um “homenzinho”. Essa narrativa é uma das emblemáticas na qual Kafka constrói um espiral, ao que o personagem fica envolvido, sem poder se desvencilhar. O Processo tornou-se um filme de Orson Welles, em 1962. Boa leitura!
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"Um Fratricídio” é um conto de Franz Kafka (1883-1924), escritor judeu de língua alemã, nascido na cidade de Praga, atualmente República Tcheca. A história começa numa noite fria e a trama se passa na rua, onde Schmar espera Wese com uma faca. Mas há outros dois personagens, a esposa de Wese que aguarda ansiosa pela chegada do marido do trabalho; e uma testemunha ocular, Palias, que parece ser um cúmplice do assassinato. A história bíblica dos irmãos Caim e Abel (Gêneses, 4) foi o que inspirou Kafka para criar “Um Fratricídio”. Apesar de Gênesis ser o primeiro livro, na ordem das escrituras, este fora o último livro a ser escrito e muito do que lá se encontra é considerado “mito” - ou seja, uma narrativa simbólica, relacionada a uma cultura, que procura explicar: a realidade, fenômenos naturais, as origens do mundo e as origens do homem. Kafka revê esse mito com a roupagem do século XX. Seus textos sobreviveram à devastação do próprio autor, editados pelo testamenteiro literário Max Brod entre 1925 e 1935. Hoje, compõem o cânone e não há como pensar em literatura, sem pensar em Kafka. O confuso, o ilógico ou o injusto costumam definir seu nome e sua obra. Boa leitura!
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O marujo de Amsterdam é um conto de Guillaume Apollinaire (1880-1918), o italiano que é um dos mais reconhecidos escritores em língua francesa, criador da palavra “surrealismo”. Nascido Wilhelm Albert Apolinary de Waz-Kostrowcki, utilizou o pseudônimo Guillaume Macabre em seus primeiros escritos, antes de assumir a autoria que ficou famosa no começo do Século XX. Neste drama curto e intenso, o marujo holandês Hendrijk Wersteeg desembarca na Inglaterra e, em terra firme, com o intuito de vender um papagaio, um macaco e alguns tecidos, acaba numa lúgubre casa de campo retirada, na qual é vítima de uma “emboscada"que envolve a bela e jovem Lady Finngal, com um homem suspeito e desconhecido. Sobressai-se na história o papagaio que repete: “Harry”, eu sou inocente”. Apollinaire envolveu-se profundamente com as novas tendências da literatura e da arte na França, morando em Mônaco, Nice, Cannes, Lyon e Paris, onde falece aos 38 anos, vítima de gripe espanhola, em novembro de 1918, mas após já vir de uma convalescença do ferimento na têmpora direita, enquanto Tenente do Exército Francês durante a Primeira Guerra Mundial. Assim, ele figura entre o único poeta francês a lidar com a experiência da guerra, o que lhe rendeu versos em Calligrames (1918). Boa leitura!
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“O cão e o cavalo” é um capítulo do romance Zadig ou O destino: uma história oriental (1747), de Voltaire (1694-1778), o escritor e filósofo iluminista que deu asas à mente e construiu sua vida pela liberdade de pensamento. Ele foi um dos grandes representantes do Movimento Iluminista na França, com Montesquieu e Rousseau. “O cão e o cavalo” pode ser tomado como um conto ou o capítulo de um romance policial, uma vez que Zadig descobre a verdade pelo simples e afiado mecanismo mental da dedução. Mas ao fazer uso do raciocínio lógico, acaba se colocando em confusão, sendo multado e condenado. No romance, através de 21 histórias, Zadig ironiza o poder, a organização política, a riqueza, o orgulho, a inveja, e as pretensões da burguesia. Voltaire era um escritor famoso, em especial pela censura que sofria, o que atiçava a curiosidade dos franceses. Era opositor da tirania, da tortura e dos preconceitos, tinha postura anticlerical e fazia textos para desconstruir questões morais e sociais. O que pensava achava-se recolhido em 99 volumes de obras de teatro, poemas, novelas e artigos. Nasceu François-Marie Arouet, ganhou fama literária como Voltaire e foi também ensaísta, poeta, dramaturgo e historiador. Boa leitura!
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"A passagem das horas" é uma poesia de Álvaro de Campos(1890-1935), um dos muitos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935). Nos versos deste longo poema, o poeta vanguardista, adepto do sensacionismo e do futurismo faz uma cavalgada intensa pelas de diversas instâncias da vida. Segundo seu criador, Campos nasceu em 15 de outubro de 1890, em Tavira. Porém, fez engenharia mecânica e naval na Universidade de Glasgow, na Escócia.
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"A obra de arte" é um conto breve e divertido de Anton Pavlovitch Tchekhov (1860-1904), o médico, dramaturgo, novelista e contista, representante do Realismo Russo. Na história, um jovem vai até o consultório de um médico agradecer-lhe por lhe salvar a vida - a pedido de sua mãe; e lhe entrega de presente um embrulho com um candelabro em bronze antigo, no qual duas mulheres estão “vestidas como Eva” e em posição extravagante. Desconcertado com o presente "cult", o médico protagoniza uma espécie de comédia de erros. A obra beira o limite entre o humor e a tragédia expressando o cotidiano de maneira lírica. Anton Tchekhov é o mestre do conto moderno. Formado médico em 1884, dizia: “A medicina é minha legítima esposa; a literatura, minha amante”. Nota-se em suas histórias que ele não se preocupava em dar todos os desfechos, atuava com paradigmas técnicos e estilísticos que consagraram escritores como Machado de Assis e Jorge Luís Borges. Seus protagonistas são pessoas comuns, normalmente pobres, vivendo situações cotidianas. Ele abordava a condição humana e as relações sociais, escrevendo “humoresques"sobre uma sociedade apodrecida: hipocrisia, corrupção, esterilidade, lisonja, prepotência, sabujice, entre outros. Boa leitura!
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“O Diabo em Berlim” é um conto de horror do escritor alemão E.T.A Hoffmann (1776-1822) que se passa no ano de 1551 e apresenta um estrangeiro de nobre fisionomia, cortez e amável com todos. O homem portava um casaco de pele e gostava de presentear com objetos caros e luxuosos, mas também tinha alguns traquejos que assustava as pessoas, como o de saltar muito alto quando lhe tocavam na mão ou o de bater às portas à noite, como um defunto. A trama estranhamente se desenrola quando é apresentada a família do conselheiro Walther Lutkens e a parteira Bárbara Rolloffim, a qual fez um pacto com o diabo e é condenada pelos crimes. Mas na hora da fogueira, evoca para que Satanás cumpra o pacto firmado, assustando toda a multidão. Seu outro conto “O homem da areia” representa tão bem o gênero fantástico e o grotesco que inspirou Freud (1856-1939) a fazer o ensaio Unheimlich, em 1919, traduzido no Brasil como “O estranho” ou “O Incômodo”. Foi Freud que fez com que E.T.A Hoffman ficasse conhecido em solo verde-amarelo. Ao longo de sua vida de 46 anos, Hoffmann escreveu 80 contos e dois romances.
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“O castelo de Faria” é um conto do escritor e historiador português Alexandre Herculano (1810-1877) que narra uma batalha acontecida em 1373, no Castelo de Faria, cujo espaço é apresentado no princípio do conto como um convento, num sítio, local propício para a contemplação das coisas celestes. Todos os fragmentos do castelo foram convertidos em serventia para o convento. Mas eis que o narrador passa a explanar uma história muito antiga, inerente à recordação de glórias, no tempo do Rei D. Fernando de Portugal, da cena de uma grande batalha em que se derrama o sangue de um homem, real ao seu juramento. Este texto e outros que tratam de temas predominantemente medievais, foram compostos de material sobrante à elaboração de A História de Portugal, escrita por Herculano de 1846 a 1853 e que ele publicou em quatro volumes (1846, 1847, 1850, 1853). Esse escritor foi o primeiro a tratar a história com tanto rigor científico, em textos literários. Ele foi historiador, jornalista, romancista e poeta. Deixou escritos romances históricos, peças de teatro, poesias, ensaios, opúsculos e reflexões sobre o tripé: o Estado, a sociedade e a igreja de Portugal.
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“Não sou ninguém” é o título de um conjunto de poemas publicados de Emily Dickinson (1830-1886), a poetisa americana que ocultava a sua mente e fez versos em grande abundância, quase 1.800 poemas em sua vida de 55 anos. Mas ela fazia o que se chamava de "poesia de portfólio", absolutamente sem pensar em publicar. Inclusive, nessa seleção que trazemos ao Leitura de Ouvido há um, entre os 41 poemas, no qual ela explica suas razões por nunca querer publicar seus escritos. Em seu quarto, com seus manuscritos, Miss Dickinson se expressava de forma não convencional pensamentos ousados, com rigoroso padrão literário próprio, tinha uma visão totalmente original e profunda da natureza e da vida. Seus versos se compõem de frases com poder descritivo e imaginativo, alternados com crises de luta física e mental, porém, Dickinson cria tensão lírica em apenas uma ou duas linhas. Como ela só se vestia de branco, ficou conhecida como “A freira de Amherst”. Após a sua morte, a irmã caçula, Lavínia, encantada com as descobertas poéticas sobre Emily não os destruiu, mas publicou. O primeiro volume saiu em 1891. Os temas mais explorados por Emily Dickinson foram a dor, tristeza, alegria, amor, natureza e arte. Boa leitura!
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