Leitura de Ouvido

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By LP Lucas e Daiana PasquimArtsBooks
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Leitura de Ouvido episodes

  • Machado de Assis - A Sereníssima República (conto)

    O conto “A Sereníssima República" foi publicado por Machado de Assis em 1882, sessenta anos após a proclamação da Independência do Brasil. Com inteligência articulada, Machado antecipa o sistema politicamente caótico que poderia ser, quando pessoas não são bem intencionadas. A história inicia com a eloquência do narrador-personagem, alegando uma descoberta científica sem precedentes, uma espécie de aranha e tinha um conhecimento extraordinário em mãos, pois as aranhas eram o melhor exemplo de paciência, ordem e tinham muitos talentos. É esse homem que afirma que o processo eleitoral legitima a democracia e assim, descortina o esquema “saco e bolas”, das eleições. Relacionada às aranhas, as mulheres têm longa paciência de Penélope, são elas as responsáveis por alterar e tecer novos sacos, como demanda para aperfeiçoar o processo eleitoral. A República, assim, seria uma forma nova de governo. E o texto coloca à prova a aptidão política da nova sociedade. Os contos machadianos são arte de pormenores e sutilezas. Imperdível para completar os cinco episódios especiais que elegemos para celebrar o Bicentenário da Independência do Brasil. Boa leitura!


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    50 min
  • Narcisa Amália - Nebulosas (poesia)

    Nebulosas (1872) é o livro de poesias de Narcisa Amália (1852-1924), jornalista, republicana e abolicionista do século XIX. Nebulosas tem 44 poemas de exaltação à natureza, à Pátria, a lembranças da infância da “bela e jovem poetisa”, como definiu Machado de Assis, para quem ela tinha a “pena delicada e fina”. Desta obra, elegemos três poesias para esse quarto episódio especial do Bicentenário da Independência do Brasil: “Nebulosas", “A Itatiaia”e “Sete de Setembro”, versos nos quais ela enaltece que o Brasil entrara no Fórum das Nações. Nebulosas recebeu o prêmio “Lira de Ouro”, em 1873. Em setembro de 1874, Narcisa recebeu o prêmio mais importante dos Grandes Escritores da Mocidade Acadêmica, uma pena de ouro, entregue pelas mãos do conselheiro das letras Saldanha Marinho. Grande incentivadora para a mulher no universo das letras, a poeta tornou-se a primeira jornalista brasileira, fundando na capital, o jornal quinzenal “O Gazetinha”, folha dedicada ao belo sexo, no periódico Tymburitá. Alcançou projeção no país com artigos sobre abolição da escravatura, a mulher e os oprimidos de modo geral.  Boa leitura!


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    37 min
  • Lima Barreto - Congresso Pan-Planetário (conto)

    “Congresso Pan-Planetário" é um conto de Lima Barreto (1881-1922) pertencente a uma das fases mais maduras do autor, publicado no livro Histórias e Sonhos, em 1920. O narrador apresenta a atitude de Júpiter, o maior planeta do sistema solar, convocando os demais para formar um congresso com o objetivo de dominar a galáxia - uma vez que todos os planetas estão ligados por uma força oculta. Mas quando suas estratégias de dominação fracassam, Júpiter começa usar de violências, sob a alcunha de argumentos como “fraternidade"e “liberdade”. Absurdos começam a acontecer. O texto fundamenta-se em argumentos históricos vividos pelo próprio autor, funcionando como uma analogia entre planetas e países; animais e povos, partindo da premissa da 1ª Guerra Mundial. Isso porque em 1914, Lima Barreto, jornalista, era amanuense de Guerra. Além de uma crítica social e histórica, neste conto Lima Barreto debruça-se sobre seus conhecimentos científicos obtidos quando aluno de Engenharia Civil, na Escola Politécnica. Curso que ele não concluiu, pois teve que sustentar sua família, enquanto sofria preconceito de cor e condição social. Boa leitura!


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    42 min
  • Maria Firmina dos Reis - Minha Terra (poema)

    “Minha Terra” é o poema de Maria Firmina dos Reis (1822-1917) que está em Cantos à Beira-mar, livro formado por 56 poemas. Nos versos há a exaltação da terra e o nacionalismo, abrilhantando sua terra, Maranhão - onde ela nasceu e morreu com 95 anos, mas que pode ser ampliado para o espaço do Norte do país ou até o país como um todo. Firmina usa substantivos e adjetivos femininos para enaltecer essa terra: sultana num divã de prata, formosa rainha, ninfa sob as águas balouçada, princesa do oceano. Essa opção reitera sua voz feminina de resistência, uma vez que era inquieta quanto à posição da mulher na sociedade, sofrendo pressão e rigidez no Brasil sexista e patriarcalista do século XIX. Mas seus textos superam o tom de resignação e apatia, algo como ela se posicionava no mundo. Assim protagoniza a mulher, o indígena e o negro como guerreiros resistentes. Na poesia, ela opta por enaltecer as belezas da terra, junto com “um eco que aqui ouviste, o grito da Serra do Ipiranga, que ecoou no teu seio a liberdade, quebrou-se o grilhão, esmalta o Império do vasto Brasil”. Expressamente cita o ato de Independência realizado há 200 anos, daí a escolha por esse episódio especial. Maria Firmina dos Reis desafiou todas as convenções sociais, pois acumulava os predicados de ser: mulher, negra e educada - tornou-se professora concursada aos 25 anos e criou a primeira escola mista do Brasil. Deixou uma obra importantíssima que apregoava a liberdade, inclusive como a primeira mulher a publicar um romance no Brasil, com o romance Úrsula (1859). Boa leitura!


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    #mariafirminadosreis #literaturabrasileira #bicentenariodobrasil #patriabrasileira #independenciadobrasil #leituradeouvido

    28 min
  • Castro Alves - O Século (poesia)

    "O século" é o poema que Castro Alves (1847-1871) declamou aos 18 anos, para a multidão do salão nobre, quando da abertura dos estudos jurídicos, em agosto de 1865, em Pernambuco. Um discurso em versos escritos para serem recitados, com caráter subversivo e revolucionário. Foi assim que ele afirmou que cabe aos moços, à mocidade, mudar o mundo, pois denunciou nos versos a triste situação da liberdade negada em diversos países: Polônia, Grécia, França, Hungria, México. Por isso escolhemos essa poesia para abrir um mês de episódios especiais para celebrar o Bicentenário da Independência do Brasil. A memória é a construção coletiva do passado. E ao apregoar a liberdade, “O século"é o poema abolicionista que tem o embrião de "Vozes D’Àfrica" (1868) e "O Navio Negreiro”(1869). Também defende a educação para toda criança, a aposentadoria para os idosos e contesta  a religião: “quebre-se o cetro o Papa". Essa poesia o deixou famoso em todo o Recife e escandalizou os conservadores, diante daquele jovem republicado e liberal fortemente impressionado pelas ideias socialistas que chegavam da Europa. Na produção abolicionista enaltece-se que o escravo, para ele, era devotado aos seus, nobre, altivo, valente e reto. Contemplar a sua obra é conhecer os poemas de um rapazinho bonito, insinuante, amado pelas moças, que dizia seus versos em voz alta, vibrante e emocionada. Boa leitura!


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    #oséculo #castroalves #vidasnegrasimportam #leituradeouvido #audiodrama #independenciadobrasil #liberdade

    32 min
  • H. G. Wells - A Porta no Muro (conto)

    "A porta no muro" (1906) é um conto de H.G.Wells (1866-1946) que começa numa noite de confidências entre Lionel Wallace para o narrador, Redmond. Na verdade, a narrativa é dividida entre os personagens, tomada por vezes na própria voz em primeira pessoa daquele que a viveu, diante daquele que se lembra e conta a história que ouviu. É um conto de natureza fantástica, uma vez que Wallace revela "ser assombrado”, estranhamente assombrado por um jardim de outro mundo, onde há uma luz mais calorosa e pessoas que se sentem felizes com a sua existência, um lugar onde ele tinha amigos. Tudo isso era acessado por uma porta verde que aparecia no muro branco, ao longo da vida desse homem que chega na crise dos 40 anos e se sente frustrado com a vida cinza que leva, enquanto tem mil sonhos com o jardim secreto. Trata-se de um muro real que leva a realidades imortais. Herbert George Wells (1866-1946) é o patriarca da investigação espacial, criador de A máquina do tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1896), O homem invisível (1897) e A Guerra dos Mundos (1898). Em quatro anos, com esses quatro livros, consagrou-se escritor e divide o título de “pai da ficção científica com Mary Shelley e Julio Verne - a chamada santíssima trindade da ficção científica. Mas H.G.Wells foi pioneiro no tom pessimista a suas histórias sobre evolução, ciência e tecnologia. Boa leitura!


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    1 hr 23 min
  • Contos de um Instante - Delminda Silveira

    Contos de um instante são pequenas histórias criadas pela professora,  poeta e escritora romântica catarinense Delminda Silveira de Souza  (1856-1932). Fizemos uma seleção de três contos: “Na selva”, na qual  descreve a história de amor entre um casal de juritis, transparecendo a  selvageria do homem versus a exuberância da natureza; “Agar”, que  poetiza a passagem da literatura judaica em que a escrava de Sara,  mulher de Abraão e que dele foi concubina, está com seu filho Ismael no  deserto; e “Decapitada!”, na qual emerge o lirismo pela vida, na figura  de uma borboleta azul translúcido que pousa em sua janela, que ela  desastrosamente fecha. Ainda menina, Delminda preferiu a convivência com  os livros e sonhos, do que uma vida social ativa ou destacada. Sua  visão intelectual superior chocava os demais, o que moldou um tanto sua  característica existencial: quase sempre usava preto e tinha um  comportamento retraído, sempre modesta, obscura e solitária, em vida  solteira.Tornou-se escritora romântica. Delminda Silveira fez parte do  pequeno grupo de mulheres que integravam o Instituto Histórico e  Geográfico de São Paulo. Ao lado de Veridiana da Silva Prado, Júlia  Lopes de Almeida e Maria Olga de Moraes Sarmento da Silveira somavam 16  mulheres num grupo de 1000 associados durante os primeiros 20 anos deste  instituto. Boa leitura!


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    38 min
  • Alexander Pushkin - O Agente do Correio (conto)

    "O agente do correio" é um conto do escritor russo Alexander Pushkin (1799-1837), publicado pela primeira vez em 1830. Considerado por muitos como talvez o melhor conto do “pai da literatura russa”, a história reúne seu estilo narrativo: drama, romance e sátira, na trágica história de um humilde agente do correio e de sua bela filha, Dounia. No conto, um narrador inominado expõe a calúnia, vexame e subordinação que trabalhadores, como os agentes do correio, sofrem e pede compaixão, diante da história que passa a narrar, a partir de uma viagem que realizou em maio de 1816 até àquela agência do correio que tinha como decoração quadros sacros do filho pródigo e o agente que detinha a filha adolescente que parecia ser uma “menina com experiência no mundo”. “O agente do correio” é considerado influente por seu estilo conciso e simples, uma marca registrada da escrita de Pushkin. Seu livro mais famoso é um romance em versos: Eugene Onegin (1825-1832), que inspirou diversas outras produções interartes: ópera, balé, dança contemporânea, música, filme e até mesmo um livro em espanhol.  Aos russos, Pushkin representa o que Shakespeare é para a Inglaterra. Boa leitura!


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    1 hr 6 min
  • Cruz e Souza - Missal (poesia)

    Missal (poemas em prosa) é o livro, de Cruz e Souza (1861-1898), publicado em fevereiro de 1893. No mesmo ano, em agosto, ele publicaria Broquéis (poesias). Com esses dois livros, o autor dá início ao Simbolismo no Brasil, que estendeu-se até 1922. De Missal trouxemos a seleção de cinco textos: “Oração ao Sol”, “Sabor”, “Os cânticos”, “Tintas marinhas” e “Som”. Ele é um dos precursores da literatura afro-brasileira e renovou a expressão poética em língua portuguesa no século XIX. Parte do silêncio metafísico para trazer à poesia uma conotação inesperada, uma nova poesia, que se iguala à visão da existência. Nestes textos, emergem verdades existenciais subjetivas, bem como a obsessão pelo branco, o loiro, a neve, que caracterizou um contraponto da discriminação de cor que “emparedou" sua existência, bem como os versos de erotismo, que provocam a imaginação do leitor. Catarinense, nasceu e cresceu num meio extremamente hostil ao negro, em província do sul do país para onde se dirigiram levas de imigrantes europeus brancos. Seu trabalho literário é inovador e fortemente contrário ao discurso conservador da época.


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    45 min
  • Oscar Wilde - O Crime de Lord Arthur Savile (conto)

    O crime de Arthur Savile (1891) é uma história de Oscar Wilde (1854-1900) dotada de ironia, centrada nas revelações de um quiromante, Mr. Podgers. É um conto de seis capítulos que expõe descrições perfeitamente encaixadas no hedonismo - dedicação ao prazer como estilo de vida, por isso a narrativa começa num baile da alta sociedade londrina, tendo como anfitriã a duquesa Lady Windermere. A pedido dela, o quiromante passeia pelo salão lendo as mãos dos convidados até que… chega a vez de Lord Arthur Savile. De súbito, recusa-se a revelar o que leu, até que a história se desenrola numa sequência de ironias. Apesar do título do conto, Lord Arthur assume não ser um crime, mas um sacrifício, para depois poder se casar com a mulher que amava: Sibila Merton, que detinha beleza helênica. O escritor e poeta britânico é um dos principais proponentes do Esteticismo, também conhecido como Dandismo, movimento literário que valoriza a beleza em detrimento de outros valores. Hoje considerado uma figura LGBTQ da história da literatura, Wilde precisou esconder sua homossexualidade, chegou a se casar e ter filhos, deixou um romance “O retrato de Dorian Gray” e a renovação da dramaturgia irlandesa. Boa leitura! 


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    #oscarwilde #literatura #audiolivro #lgbtnaliteratura #escritorirlandes

    1 hr 48 min

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Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio…

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