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“Baleia" é o nono capítulo, do total de 13, do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos (1892-1953). E esse texto nasceu como conto, publicado no jornal argentino La Prensa, em 1937, pouco após a publicação do seu romance Angústia. “Baleia" cresceria em texto para ser essa personagem tão importante de Vidas Secas, o quarto e último romance publicado pelo escritor nordestino em vida, obra-prima do drama social e geográfico do Nordeste. Graciliano nasceu em Alagoas e, a partir dali, construiu uma literatura realista e engajada, sobre as inquietações humanas. O trabalhador rural, a seca nordestina a miséria e os dilemas do ser humano diante de um meio hostil descrevem um pessimismo profundo em relação ao homem. “Quem é do chão não se trepa”, convencia-se Fabiano. Graciliano foi escritor, jornalista e preso político, considerado o mais importante prosador da Geração de 30, ao lado de Raquel de Queirós, Jose Lins do Rego, Jorge Amado, Erico Verissimo, Lucio Cardoso, etc, muitos deles, seus amigos. Seu estilo próprio de narrativa é sem floreios, seco e simples, o que propicia uma abordagem direta e profunda das situações e personagens retratadas. Boa leitura!
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“Eveline" é um conto do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), um dos 15 que compõem seu livro de estreia Dublinenses, pronto desde 1904, mas que foi publicado apenas em 1914, após ter sido rejeitado por cerca de 40 editores. “Eveline" é a história de Miss Eveline Hill, que tem 19 anos e é órfã de mãe, já tendo perdido também seu irmão preferido, Ernest, mas que mora com o pai e tem sob a sua responsabilidade outras duas crianças. Na esperança de mudar sua vida doméstica, planeja uma fuga com o namorado Frank, para Buenos Aires. Após rezar em silêncio pedindo a Deus sobre o seu dever, Eveline recebe uma epifania, característica de vários contos de Dublinenses, como uma revelação espiritual. Soma-se à "epifania", a temática da “paralisia”, bem como “vida e morte”. Em termos de estrutura, a coletânea pode ser organizada de acordo com quatro aspectos principais - infância, adolescência, maturidade e vida pública, sendo que “Eveline” encaixa-se na fase adolescência. James Joyce criou, por meio da ficção, seu próprio pai espiritual: Leonard Bloom, com Ulisses (1922). Ele cunhou as obras inaugurais do Modernismo Literário Ocidental, incluindo Retrato do Artista Quando Jovem (1916) e Finnegans Wake (1939). Boa leitura!
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"Os jornais de Geraldine" é uma novela infanto-juvenil da escritora paranaense Jaqueline Conte (1975), que hoje habita em Portugal, onde faz o curso de doutorado em literatura. Geraldine tem um hábito incomum: em seu caderninho azul, coleciona nomes que considera diferentes, selecionados do obituário do jornal. O motivo? Quer inventar histórias para esses nomes. Só não sabe como. Até que o pai lhe propõe um projeto irresistível (e supersecreto!). Uma história divertida, que tangencia com delicadeza a questão da morte e, sobretudo, da vida. Seu texto remete à criança interior de cada qual, às memórias de infância, provoca a criatividade, curiosidades e ativa preciosidades. Para adquirir o livro e conhecer o restante da história acesse https://www.arteeletra.com.br/ ou participe de nosso sorteio, no Instagram https://www.instagram.com/leituradeouvido Boa leitura!
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"As Pombas" é um dos poemas mais famosos do poeta parnasiano Raimundo Correia (1859-1911), também um dos mais conhecidos sonetos da língua portuguesa. Ele perpassa a vida humana, à medida que a compara com o comportamento das pombas no amanhecer, ao longo do dia e ao anoitecer. Essa também é a ave universal da paz, o que todo mundo precisa, além de símbolo da pureza e da elevação espiritual. Neste episódio, trazemos “As pombas”, “A Cavalgada”, “Mal secreto”, “O Misantropo” e “Prenilúnio". Os quatro primeiros são sonetos, três do livro Sinfonias, de 1883 e um do livro Versos e Versões (1887). Já “Prenilúnio” é um poema publicado em Poesias (1898). Foi com “As pombas” que Raimundo Correia ganhou o epíteto de “o Poeta das pombas”, que ele, em vida, tanto detestou. Raimundo Correia ocupa um dos mais altos postos na poesia brasileira. Seu livro de estreia, Primeiros sonhos (1879) insere-se ainda no Romantismo. Já em Sinfonias (1883) nota-se o feitio novo que seria definitivo em sua obra o Parnasianismo. Segundo os cânones dessa escola, que estabelecem uma estética de rigor formal, ele foi um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa Trindade Parnasiana. Além de poesia, deixou obras de crítica, ensaio e crônicas. Boa leitura!
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“O quebra-nozes” é um conto de natal com 12 capítulos, adaptado pelo escritor francês Alexandre Dumas (1802-1870) em 1844, do romance natalino “O quebra-nozes o Rei dos Camundongos”, de Ernest Theodor Amadeus Hoffmann, o escritor alemão E.T.A Hoffmann (1776-1822), escrito em 1816, em 14 capítulos. Aqui para o LdO, trazemos os três primeiros capítulos, na adaptação que Dumas fez da história de Hoffmann: 1- O Padrinho Drosselmayer; 2- A árvore de Natal; 3- O homenzinho com o casaco de madeira. O enredo transcorre durante o século XIX e tem como cenário a Europa Oriental. Um fragmento do conto de "O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos", adaptado em francês por Alexandre Dumas, inspirou o compositor Piotr Ilitch Tchaikovsky a criar seu terceiro e último balé O Quebra-Nozes, que estreou em 18 de dezembro de 1892 no Teatro Mariinski, em São Petersburgo, a capital da Rússia imperial. Devido à sua temática, “O Quebra-nozes" é tradicionalmente encenado na época natalícia, pelo mundo afora. A história já foi contada e recontada tantas vezes, marcou presença no cinema e na televisão, no balé Bolshoi e outras companhias internacionais. Quebra-nozes na Alemanha são tradicionalmente vistos como protetores da família e portadores da boa sorte para as casas. Por tradição, são dados às crianças como presentes de Natal. Boa leitura!
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“A história dos duendes que raptaram um coveiro” é um dos contos de natal de Charles Dickens (1812-1870) que narra a história de Gabriel Grub, um homem rabugento, azedo, solitário e que maltrata crianças, que resolve preparar uma cova na véspera de Natal, enquanto todos estão reunidos em família e ceando. Após enfrentar com a pá a terra coberta de geada, é abordado por um duende, o rei dos duendes, e uma legião deles, que o deixam aterrorizado pela acareação em seu comportamento e o levam para uma viagem para dentro da terra, para lhe dar uma lição. Enquanto Dickens cria essa história, perpassa pela natureza da alma humana, mostrando o quanto pode ser bom, enquanto faz coisas ruis ou desaprováveis. Ele criou, ao longo de 58 anos de vida, uma obra de consciência social que refletia suas próprias vivências. Com suas histórias de Natal, aos 31 anos, ele tornou-se o escritor mais bem-sucedido da Inglaterra, desde Willian Shapeskeare. Era uma celebridade do mundo das letras que veio a influenciar outros nobres escritores, tidos como cânones da literatura mundial. Boa leitura!
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“O Peru de Natal” (1942) é um dos contos mais conhecidos do escritor modernista Mário de Andrade (1893-1945) sobre uma ceia de Natal deliciosa e muito necessária, em uma família em luto prolongado pela perda do pai. A história é narrada pelo filho Juca, de 19 anos, com uma paixão imensa pela vida, ecoando um milagre de amor, enquanto recebia dos outros o apelido de “louco”. Na opinião do filho, o pai “desmancha-prazeres” sempre atrapalhava o Natal. E ele orquestrou para fazer diferente, na ceia daquele ano, já que “Peru era manjar mesmo, do Jesusinho nascido”. Publicado originalmente em 1942, na Revista da Academia Paulista de Letras, em 1947, dois anos após a morte de Mário, o conto foi incluído na antologia póstuma Contos Novos (1947). Um dos maiores representantes do Modernismo Brasileiro, foi crítico literário, musicólogo, folclorista e ativista cultural criou o Manifesto do programa do Modernismo Brasileiro, no qual ele funda o “Desvairismo”. Os modernistas escreveram, pintaram, arquitetaram, poetizaram, sobre uma nova maneira de viver, ressoando desde a Europa, com a reviravolta da Revolução Industrial. O movimento é irreversível no país e celebrou seu centenário, em 2022. Boa leitura!
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“Milagre do Natal” (1921) é um conto de Lima Barreto (1881-1922) publicado no periódico Careta, do Rio de Janeiro, em 24 de dezembro de 1921. O conto de 101 anos disfarça-se numa belíssima descrição do lírico cenário entre as altas montanhas de Andaraí pra explorar coisas humanas minúsculas e mesquinhas que, neste caso, consiste na crítica de que “pais pretendem casar as filhas na classe a que pertencem”. O narrador nos apresenta os dois candidatos a genros, o que melhor parecer ao Sr. Campossolo, subdiretor da sessão do Tesouro Nacional, para ser escolhido para se casar com sua filha Mariazinha, sob o escrutínio de dona Sebastiana, que dava o nome à casa da família: “Vila Sebastiana”. Apesar do título, afora o compartilhar refeições em domingos, o conto não utiliza o Natal, a não ser, para o tempo em que a sátira se passa e o desfecho da história, como ocorre ainda hoje em fim de ano, em muitas repartições públicas ou privadas. Lima Barreto morreu há cem anos, quando o Brasil completava o centenário da Independência e seu texto segue muito atual. Boa leitura!
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“Poema em linha reta” ancora a nossa seleção de poesias de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935), neste episódio. Somam-se a ele, “Quero acabar”, “Realidade”, “Reticências”, “Símbolos” e “Sou eu”. Escolhemos, como se: dito isso, reflexione sobre o seu ano, combata as falsas imagens de perfeição, uma vez que o eu lírico de "Poema em Linha Reta" admite-se com defeitos, falhas e vergonhas, revela que não é nem higiênico suficientemente e que passa vergonhas financeiras. Esse tom continua em versos como em “Reticências”, no qual o poeta admite ser preciso por prateleiras na vontade e na ação. Essas poesias trazem um panorama perfeito para refletir sobre mais um ano que termina e ajudar você a fazer a sua lista de metas para 2023, inspirado pela literatura. Álvaro de Campos é o heterônimo alter-ego de Fernando Pessoa, o engenheiro naval que se tornou poeta e compôs poesias em três distintas fases: Decadentista, Futurista/Sensacionista e Intimista/Pessimista. Com versos paradoxais, traz uma sinopse de sua visão do mundo, saído da pena de uma das altas vocações literárias poéticas da Europa do Século XX. Em 30 de novembro completar-se-á 87 anos da morte de Fernando Pessoa, sendo que, de 1942 em diante, sete anos após a sua morte, começou a sair uma sequência de obras póstumas. Mas há muito ainda a ser descoberto no universo pessoano. Boa leitura!
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“Um encontro de monarcas” (1915) é um conto da escritora sueca Selma Lagerlöf (1858-1940), primeira mulher da história agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. A história se refere ao começo da Primeira Guerra Mundial em 1914 e o texto faz parte uma antologia intitulada Troll och människor (“Trolls e pessoas”). Foi transposto em língua portuguesa por Carlos Rabelo, que é dramaturgo e tradutor do sueco. Para marcar sua posição contrária à guerra a autora conta um episódio fictício, onde imagina o encontro de uma figura histórica com um personagem fictício que figura em um de seus romances. A figura histórica é o rei Oskar II da Suécia, último rei sueco da Noruega, que reinou sobre a transição pacífica graças à qual a Noruega tornou-se independente da Suécia em 1907. Para o tradutor, Selma Lagerlöf dispõe de grande capacidade de atenção ao que se passava em seu tempo, pois descreve um episódio local, com humor camponês e assim conseguiu farejar os ventos da tragédia militar que se abateria sobre o mundo no século XX. Quando criança, Selma fora educada pelo próprio pai, em casa, e depois tornou-se professora, até despontar para o universo da literatura. Ela ficou conhecida mundialmente ainda no século XIX por ter criado o romance precursor do realismo fantástico “A saga de Gösta Berlings”(1891), entre outros. Boa leitura!
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