Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #115 A FALÊNCIA - JÚLIA LOPES DE ALMEIDA - PARTE 3

    Vamos relembrar mais um pouco sobre a autora?

    Eu confesso pra vocês que eu não conhecia ela. Fui pesquisar e me informar
    porque entrou na lista de leituras pro vestibular da UFRGS, com este romance, A falência. E adorei saber que na época
    de Machado de Assis tinha essa escritora mulher produzindo bastante e
    escrevendo sobre direitos das mulheres, escrevendo de forma a fazer os leitores
    pensarem sobre essas ideias, de voto feminino, de abolição da escravidão.

    Júlia Lopes de Almeida participou da I Conferência

    pelo Progresso Feminino, que aconteceu no RJ, em dezembro de 1922. Mas bem
    antes disso, quando escreveu o romance A
    falência, esse assunto já interessava à escritora. O A falência foi publicado em 1901 e conta uma história situada em
    1891, e Júlia já colocou nesse livro conteúdo convidando o público a pensar
    sobre a emancipação feminina, que era assim que chamavam as pautas do feminino
    naquela época. É por isso que tem pastor que quer as mulheres longe dos livros
    e das universidades. Porque quem aprende a pensar criticamente com os livros
    não se deixa manipular.

    57 min
  • LO ENTREVISTA - CHAMADA

    Vem aí uma playlist de entrevistas no podcast Literatura Oral. Te inscreve no canal do YouTube do LO para acessar. Logo mais, coloco a primeira entrevista, que será poesia em diálogo com balé clássico! 🩰📚🎙☘☘☘🤞

    1 min
  • #114 A FALÊNCIA - JÚLIA LOPES DE ALMEIDA - PARTE 2

    A

    falência é um romance de 1901. Portanto,
    podemos situar no início da estética do Modernismo. A história começa no ano de
    1891, então a narrativa fala de um tempo um pouco anterior ao ano de publicação
    da obra, que foi 1901. E em 1891 o Brasil estava passando por mudanças. Por
    exemplo, a escravidão tinha sido abolida, ainda que só em teoria, em 1888. Era
    o auge do comércio do café, com plantações e exportação do grão, e é essa a
    ocupação do protagonista, Francisco Teodoro.

    A gente pode dizer que o protagonismo da obra

    fica dividido entre esse casal, Francisco e Camila. Camila é uma mulher
    burguesa nos moldes da época, mas só até por ali. Assim como em outros romances
    do Realismo e do início do Modernismo, ela é uma personagem feminina que ganha
    importância dentro da trama e que subverte o que a sociedade ditava como ideal
    para o feminino. Por exemplo, Camila tem um caso com o médico da família. Só
    que ela não é apaixonada por ele, ela tá nesse caso por tédio e procurando
    diversão. Ela sabe que o marido também teve casos, mas não sofre com isso, como
    sofriam de amor as protagonistas do Romantismo, por exemplo. É uma mulher
    ciente dos seus desejos e ciente de como a sociedade funciona, e joga bem com
    as regras sociais.

    1 hr 5 min
  • #113 A FALÊNCIA - JÚLIA LOPES DE ALMEIDA

    Júlia Lopes de Almeida nasceu no RJ, em 1862 e faleceu em decorrência da febre amarela, na mesma cidade, em 1934, o mesmo ano em que fica pronta a vacina contra essa doença. A gente pode imaginar que o RJ seja um cenário presente na obra dela, né? Mas ela também morou em Campinas, SP, e em Lisboa, Portugal. Além de escritora, Júlia foi teatróloga e abolicionista. Como escritora, escreveu romances, literatura infantil, crônicas, peças e matérias jornalísticas. Na literatura infantil, ela foi pioneira no Brasil, publicando contos com a irmã Adelina Lopes Vieira. Casou com o poeta português Filinto de Almeida. Os três filhos do casal também foram escritores.
    Um dos primeiros romances escritos por Júlia Lopes de Almeida foi publicado em 1888, com o título Memórias de Martha. 1888 foi um ano importante na história brasileira, porque em 13 de maio foi abolida a escravidão, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O primeiro romance é uma autobiografia ficcional, uma narrativa em primeira pessoa de Martha contando sua vida. Martha é personagem de ficção, mas o livro é narrado como se fosse uma história real, uma autobiografia. E já é muito interessante e diferente pra época, porque Júlia escreve um romance em que uma mulher é protagonista. Então é livro de autoria feminina com protagonista feminina. É a história de uma menina pobre, que viveu em cortiço no RJ, e cuja mãe criava ela sozinha, tendo de se virar pra dar conta de tudo. Vejam que interessante e pertinente a temática que Júlia escolhe abordar no seu primeiro romance. Quem aí tá lembrando das lavadeiras do cortiço de Aluízio Azevedo? Memórias de Martha foi publicado aos poucos, no jornal O País, em folhetim, como era comum a publicação de romances na época.
    Julia Almeida participou de Sociedades Femininas da época. Foi presidente de uma, patrona de outra, e participou do planejamento da Academia Brasileira de Letras, em 1897.

    1 hr 19 min
  • #112 ROBINSON CRUSOE - DANIEL DEFOE

    Hoje vou comentar um clássico da literatura inglesa, Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Ou Robinson Crusoé, como eu sempre escutei, na pronúncia brasileira. Ao longo do episódio aqui eu vou falar às vezes Crusoe, às vezes Crusoé, mas tá tudo certo, beleza?Esse livro do Daniel Defoe é do século XVIII e é considerado o expoente do romance inglês e uma das primeiras obras literárias desse gênero, romance. O jeito que Defoe escreveu esse livro ainda é muito diferente do que a gente conhece e tá acostumado por romance hoje, mas na época ele foi um visionário e investiu seu tempo em escrever de uma forma diferente de tudo que existia até então. Quando eu falar romance aqui, pessoal, eu tô falando do gênero literário, da forma de escrever literatura que é uma narrativa em prosa e mais longa que um conto. Em prosa significa que não é em verso, é do jeito que a gente fala, com frases corridas. Antes dos romances, os textos literários eram escritos em verso. Mesmo as histórias longas, as epopeias, eram longos textos em versos. Essa foi uma grande inovação do romance, escrever como a gente fala, com linguagem em prosa e próxima do estilo popular, simples.

    Nesse episódio, citei: WATT, Ian. A ascensão do romance. Tradução Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

    54 min
  • #111 IF I MUST DIE - REFAAT ALAREER

    Alareer publicou o livro Gaza writes back, que é uma compilação

    de crônicas de escritores de Gaza sobre a vida no território. E também publicou Gaza unsilenced, que significa Gaza não silenciada. Quer dizer, ele foi atuante em escrever e em incentivar outros escritores a contar sua realidade para o mundo, em impedir que seu território ficasse invizibilizado. Esse poema que eu vou ler, If I must die, que significa “se eu devo morrer”, ele escreveu quando esse último conflito começou, em outubro. E no poema tem uma frase que passa a tarefa de não se calar ao leitor ou interlocutor. O leitor deve levar adiante seu legado de manter viva a esperança das crianças de Gaza. O poema traz a imagem de uma pipa, que o interlocutor deve fazer na cor branca para que a criança em Gaza veja como um anjo.  É uma mensagem de esperança escrita por alguém numa zona de conflito, sabendo que poderia morrer a qualquer momento e ainda assim refletindo sobre o futuro, sobre a necessidade de comunicar amor e esperança.

    14 min
  • #110 MARIO QUINTANA

    Entre os temas preferidos do poeta está a infância, em que o ponto de vista em alguns poemas é como se fosse o de um menino, é o olhar de criança sobre a vida. E em outros é uma constatação de que o menino ainda vive no adulto, que nem viu o tempo passar. O poeta coloca em sua poesia também a singeleza da vida, a morte, e fala muito na passagem do tempo.

    Quanto à forma, Quintana assume forma livre. Bem alinhado com o momento em que ele escreve, que passou pela estética do Modernismo. Pelas temáticas abordadas, a poesia dele também se aproxima do Simbolismo, aquela estética que predominou no final do século XIX, no Brasil, e que combinava figuras de linguagem com imagens oníricas, vagas, etéreas. Em algumas poesias, Quintana constrói uma voz poética que explora essa temática.  

    14 min
  • #109 O CEMITÉRIO DE PRAGA - UMBERTO ECO

    Uma forma de começar a explicar um texto é dizer em que pessoa ele é narrado, se é em primeira pessoa, com o narrador participando da ação narrativa, ou em terceira, com o narrador contando a história de alguém. E nesse aspecto O cemitério de Praga é interessante, porque são três vozes narrativas: do protagonista Simone Simonini, do abade Dalla Picolla e do narrador.

    25 min
  • #108 GREGÓRIO DE MATOS GUERRA

    Gregório era filho de

    portugueses ricos e como acontecia naquela época para quem podia estudar, foi
    fazer faculdade de Direito em Coimbra, Portugal. Como todos os brasileiros
    filhos de portugueses tinham cidadania portuguesa, naquela época, ele é
    considerado luso-brasileiro. Chegou a trabalhar em Portugal e lá já escrevia sátiras,
    que são textos em prosa ou em verso, que ridicularizam as instituições ou os
    costumes. De volta ao Brasil, ele se dedicou à poesia em diferentes estilos,
    como lírico-filosófica, sacra, erótica, pornográfica. Mas são as suas poesias
    satíricas atacando o governo e o clero que dão mais o que falar. Ele não tinha
    papas na língua e atacava a hipocrisia da sociedade bahiana dizendo tudo o que
    ele queria dentro dos versos. Isso rendeu várias inimizades e ele foi enviado
    para Angola, outra colônia portuguesa. Ficou proibido pra sempre de botar o pé
    na Bahia, mas conseguiu autorização de voltar ao Brasil. Morreu no Recife, em
    1696, aos 60 anos.

    23 min

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