Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #93 A NOIVA, MAEVE BRENNAN

    O conto é “A noiva”, uma tradução minha do conto “The Bride”, que consta no livro The Rose Garden, uma compilação publicada no ano 2000, com contos da Maeve Brennan (1917-1993) em que quase todas as histórias se passam em Nova York.

    48 min
  • #92 TRILOGIA DA TERRA ESPANHOLA, LUCIANA FERRARI MONTEMEZZO (FEDERICO GARCÍA LORCA)

    Trilogia da Terra Espanhola traz três peças traduzidas por Luciana Ferrari Montemezzo do poeta e dramaturgo espanhol, Federico García Lorca, além dos comentários da tradutora. As peças são Bodas de sangue, Yerma e A casa de Bernarda Alba.  Vamos saber um pouco sobre o autor? Federico García Lorca viveu entre 1898 e 1936. Morreu com apenas 38 anos, assassinado no início da Guerra Civil Espanhola, que aconteceu entre 1936 e 1939.

    27 min
  • #91 SENHORA, JOSÉ DE ALENCAR - FINAL

    Na leitura de hoje, teve um fragmento em que o escritor José de Alencar alfineta os leitores brasileiros sobre preferirem os títulos estrangeiros e não darem tanta atenção à literatura nacional. Tava doído quando escreveu isso, o Alencar. E aí ele usa um recurso que é a intertextualidade, que é quando um texto cita outro, ou metatextualidade, quando um texto reflete sobre si mesmo ou reflete sobre o fazer literário, e cita Diva, um romance dele próprio, publicado em 1864 e que, junto de Lucíola, de 1862, e Senhora, compõe os perfis femininos de Alencar e está inserido na segunda fase do romantismo brasileiro, que foi a fase do ultrarromantismo, com mulheres e relacionamentos idealizados. Diva não é uma continuação de Lucíola, mas o narrador de um livro conhece o narrador do outro, como fica evidente pela epígrafe em Diva, uma brincadeira do autor com seus leitores. Quando cita Divana narrativa de Senhora, Alencar é irônico, porque se refere aos críticos da obra que, sem querer, atiçam a curiosidade dos leitores e acabam por recomendar o livro.

    Numa parte que eu não li, a protagonista faz uma festa em casa e valsa com o marido. Eles estão casados há meses e nunca se encostaram. A tensão sexual entre eles e os rodopios da valsa fazem com que Aurélia desmaie. O ato de mulheres desmaiarem é muito comum nas narrativas românticas, que colocam as personagens femininas como seres suscetíveis às emoções, de forma que os sentimentos as afetam fisicamente. E qualquer emoção mais forte é motivo pra desmaio! Então a mocinha desmaiar é bem característico da segunda fase do romantismo.

    52 min
  • #90 SENHORA, JOSÉ DE ALENCAR - PARTE 4

    Na leitura de hoje, vimos que Seixas chegou a ficar noivo de Aurélia, mas recebeu a proposta de Amaral, com um dote de 30 contos para a filha, e optou pelo melhor negócio. Essa proposta do Amaral foi um incentivo do Lemos, que queria Aurélia com o noivado desfeito e frustrada pelo desprezo, para concordar com o empreendimento que ele tinha em mente para a sobrinha. Que me parece que era agenciar Aurélia como prostituta. Queria lucrar com a sobrinha, com quem ele nunca se importou antes.

    Vimos que Seixas não tem firmeza de propósitos. Vai passar um tempo no campo, pra se recuperar de tanta festa na cidade e sai com a intenção de ficar dois meses, mas aguenta quando muito quinze dias. E notem que no Português da época da escrita do romance, 1875, dizia-se “dous”, e não dois. O que a personagem Seixas não conseguia de jeito nenhum era renunciar à vida elegante. O código de etiqueta ao qual essa personagem responde aceita falta de ética, como trair amigos, insinuar esperanças de casamento, mentir às mulheres. Nesse fragmento está contida uma crítica à etiqueta dos salões.

    1 hr 15 min
  • #89 SENHORA, JOSÉ DE ALENCAR - PARTE 3

    No último episódio aqui do LO, vimos que Seixas conhece a noiva Aurélia e ela finge que não sabe do arranjo do casamento. Arranjo esse determinado por ela própria, que queria oferecer um dote a Seixas porque ele havia a rejeitado anos atrás, quando ela era pobre. Aí reviravoltas de romance romântico, Aurélia ganha uma herança, fica podre de rica e manda o tutor arrumar o casamento com esse crush do passado.

    O romance Senhora foi publicado em 1875 e pertence à segunda geração do romantismo, que é a fase de ultrarromantismo, com relações idealizadas e mulheres descritas muito diferentemente do que são as mulheres da realidade. José de Alencar fez parte da elite política e intelectual do Brasil Império, e escrevia sobre os costumes e as práticas desse grupo, como os casamentos arranjados.

    1 hr 6 min
  • MAEVE BRENNAN PARA UNIFESSPA/FALET - AULA 5

    Esse vídeo corresponde à segunda aula do Minicurso "No place is home": Literatura de Migração em contos de Maeve Brennan, para a UNIFESSPA/FALET, em 5 de outubro de 2022. A aula 1, infelizmente, não foi gravada.  

    Errata: Os outros textos de Maeve Brennan que falam nas mudanças em Nova York estão em The Long-Winded Lady (1998). Em The Springs of Affection (1997), o cenário dos contos é a Irlanda.  

    Obrigada  à Unifesspa/Falet pelo espaço, à professora Dra. Suellen Cordovil e aos participantes.  O conteúdo da aula é parte da minha pesquisa de pós-doutorado pelo programa de Pós-Graduação em Estudos Literários UFSM (PPGL) com apoio do CNPq.

    1 hr 39 min
  • #88 SENHORA, JOSÉ DE ALENCAR - PARTE 2

    Eu terminei a leitura do último episódio com a apresentação de Seixas, um homem de menos de 30 anos. O narrador inicia a apresentação pela casa dele, pra contrastar entre a pobreza da casa e o luxo com que ele vive. O narrador realça a alvura da pele de Seixas. A descrição do pé, que é arqueado na forma aristocrática. Ser aristocrata significa que a pessoa nasceu em determinada família, com posses e títulos, e isso não tem nada a ver com características físicas. Dizer que o pé, que o arco é na forma aristocrática é tão absurdo quanto quando os nazistas diziam que ter olhos azuis era sintomático de superioridade racial, é uma bobagem preconceituosa. Com essa valorização de determinadas características físicas, principalmente a branquitude, o escritor José de Alencar colabora para reforçar na mentalidade brasileira uma suposta superioridade racial, na qual ele provavelmente acreditava, tendo em vista seu posicionamento diante da manutenção da escravidão. Só que imaginem como é que bate pras gerações e gerações de crianças pretas que precisaram ler esse livro no colégio? 

    1 hr 5 min
  • #87 SENHORA, JOSÉ DE ALENCAR

    Primeiro, vamos saber um pouco sobre o autor e o tempo de produção da obra. José Martiniano de Alencar foi escritor, advogado, trabalhou como jornalista e político também. Nasceu em 1829, no Ceará, e morreu em 1877, com apenas 48 anos, no RJ.

    Foi um dos principais autores do romantismo brasileiro, tendo publicado tanto na fase indianista quanto na fase romântica. Da fase indianista, destaque para Iracema e O guarani, sendo que O guarani serviu de inspiração para a ópera de mesmo nome, do maestro Carlos Gomes. Alencar participou da Academia Brasileira de Letras, indicado por Machado de Assis. O pai do José de Alencar foi senador do Império, então a família muda para o RJ quando ele ainda é criança. Na política, Alencar defendia um governo forte e a abolição gradativa da escravatura. Daí as críticas atuais ao escritor, que não teve um posicionamento humanitário.

    Alencar escreveu romances históricos, indianistas, regionalistas, mas Senhora é de uma fase de textos urbanos, quer dizer, que têm como cenário a cidade. Senhora é um perfil feminino, e Alencar escreveu outras protagonistas femininas, como Iracema e Lucíola. Senhora é de 1875, portanto um dos últimos livros dele, publicado pouco antes de morrer.

    1 hr
  • #86 O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS, MANOEL DE BARROS
    No episódio de hoje quero ler uma poesia das coisas simples, pra acalmar a turbulência que tem sido a vida do brasileiro. Vamos de Manoel de Barros, com O apanhador de desperdícios.
    Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá, capital do Mato Grosso, em 1916, e faleceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em 2014, aos 97 anos. Pra mim, ele é o poeta da simplicidade, do encantamento com a natureza, minimalista.

    Manoel de Barros pertenceu à Geração de 45 e foi associado ao pós-Modernismo. Recebeu vários prêmios, entre eles 2 Jabutis. A poesia O apanhador de desperdícios está no Livro sobre nada, de 1996. Ele se formou em Direito e participou da União da Juventude Comunista quando era jovem.

    7 min

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