Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #107 A LOTERIA - SHIRLEY JACKSON

    “A loteria” foi publicado em um 26 de junho de 1948, na Revista The New Yorker. A história acontece em uma manhã ensolarada de 27 de junho, portanto a publicação em 26 de junho aumenta o efeito de terror da narrativa.

    Mas eu não quero ficar antecipando muito, pra quem não conhece ter a sua primeira impressão com a leitura. No ano seguinte, a autora publicou o conto na compilação The Lottery and Other Stories.
    Shirley Jackson teve a ideia de escrever o conto enquanto puxava o carrinho da filha numa subida, numa manhã. Ela chegou em casa, colocou a bebê no cercadinho, guardou as compras e sentou pra escrever. E escreveu em um fôlego só, do início ao fim, sem pausa. Essa versão é controversa.

    1 hr 1 min
  • #106 AMAR, VERBO INTRANSITIVO - MÁRIO DE ANDRADE - FINAL

    Vocês viram que o autor

    coloca fim no romance, anuncia que o idílio dos dois está acabado, de Elza e de
    Carlos, marca o fim e depois continua a narrativa. A página que está escrito
    “fim” traz até uma arte que remete ao fim, com a palavra em caixa alta,
    distanciada do texto e centralizada, como se tivesse acabado mesmo.

    Como em um movimento

    musical, o romance anuncia o fim e segue, num recomeço que nos remete ao um
    ciclo. Mário de Andrade era musicista. Na música acontece esse movimento, de
    marcar o fim e recomeçar a melodia. Ele usa desse recurso para conferir a ideia
    de ciclo ao romance. Terminado o idílio com Carlos, Elza recomeça com novo
    aluno, um que ela não gosta, Luís. Mas ela já está decepcionada, porque já
    foram tantos, que agora já estão casados, encaminhados na vida – na vida
    sexual/sentimental, ao menos – e ela segue presa nesse ciclo, sonhando em ter
    um marido. Não consegue que algum aluno se apaixone a ponto de casar, nem
    consegue voltar à Alemanha. Pra Elza, amar tem sido um verbo intransitivo, que
    não encontra objeto a não ser no marido idealizado em sonhos. O amor dela não
    encontra a quem se doar, nem ela é objeto de amor de nenhum dos burgueses que
    iniciou sexualmente. Pra personagem Elza, amar é verbo intransitivo.

    56 min
  • CHAMADA #106

    Vem aí o episódio #106 do podcast Literatura Oral, com a parte final da leitura comentada de Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade!

    1 min
  • #105 AMAR, VERBO INTRANSITIVO - MÁRIO DE ANDRADE - PARTE 5

    No
    último episódio, vimos que a presença de corais na narrativa ajuda a entender a
    identidade de Elza, que considera mais importante o coletivo do que as
    aspirações pessoais. No coral, que ela canta com os conterrâneos alemães nas
    reuniões, e que ela sonha em ver apresentações quando for casada na Alemanha,
    no coral o que prevalece é a voz do coletivo, em detrimento de uma voz
    individual. A narrativa informa que nesse coral dos imigrantes alemães, os
    homens cantavam melhor que as mulheres. Não fica claro se isso é pensamento de
    Elza ou opinião do narrador. Mas Elza tem uma mentalidade um pouco machista, em
    que ela sempre imagina o homem como provedor e a mulher como submissa, em casa,
    à espera do marido.

    56 min
  • #104 AMAR, VERBO INTRANSITIVO - MÁRIO DE ANDRADE - PARTE 4

    Andrade era um intelectual, não só entendido de literatura como de música, e encheu o texto de referências, nem todas acessíveis ao leitor mediano, sem tanta erudição quanto ele. Isso, por si só, não deveria ser motivo de crítica negativa ao romance de Mário de Andrade. Afinal, quando um texto é lotado de referências, algumas possibilidades de leitura se abrem. Ou a pessoa lê sem saber ou sem se dar conta dessas alusões, e aí absorve a história de forma mais rasa, mas ainda assim entra em contato com a narrativa proposta pelo autor. Ou a pessoa já conhece muitas das referências, se diverte com essas alusões e vai em busca de procurar saber ou entender as que ainda lhe são desconhecidas, e aí entra em contato com uma versão muito mais aprofundada do romance. Eu entendo que esse texto denso é na verdade um elogio do autor ao leitor, porque o autor confia na capacidade de decodificação desse leitor, que não precisa apreender tudo na primeira leitura, pode se divertir em descobrir mais na segunda vez em que pega o texto.

    O uso de referências, de composição de textos densos, de diálogos com outros textos distantes no tempo e no espaço daquele local de publicação da obra é uma tendência do Modernismo, movimento do qual Andrade foi um dos precursores no Brasil.

    1 hr 14 min
  • #103 AMAR, VERBO INTRANSITIVO - MÁRIO DE ANDRADE - PARTE 3

    Prestem atenção na ironia

    do narrador contando que Elza está sofrendo. Mais uma vez a referência à frieza
    do povo alemão. Mas não se enganem, o narrador é sarcástico com todas as
    personagens. Atentem também pra forma como o narrador conversa com o leitor,
    adivinha o que o leitor provavelmente pensa e responde com intimidade, como já
    fazia Machado de Assis.

    Mário de Andrade foi um

    dos fundadores do Modernismo. Esse movimento influenciou as artes no sentido de
    ampliar as possibilidades estéticas no sentido de valorizar a expressividade
    popular brasileira. Com isso, rompeu com concepções acadêmicas e valorizou a
    oralidade. Quando Andrade escrevia, isso tudo ainda tava na fase de
    experimentalismo e ele chamava essa forma espontânea de escrever como se fala
    de “escrever brasileiro”. Por isso podemos dizer que Andrade contribuiu para a
    identidade linguística brasileira. Ele cria neologismos que garantem uma
    abordagem imagética das cenas.

    1 hr 14 min
  • CHAMADA #103

    Vem aí o episódio #103 do podcast Literatura Oral!
    segue a leitura comentada de Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade!

    1 min
  • #102 AMAR,VERBO INTRANSITIVO - MÁRIO DE ANDRADE - PARTE 2

    Como será que era ocontexto político no Brasil em 1927, quando este romance é publicado? O presidente era Washington Luís. O Partido Comunista Brasileiro volta à legalidade em janeiro e é tornado ilegal em agosto. Em setembro é fundada a Universidade Federal de Minas Gerais. O Rio Grande do Norte, em outubro, é o primeiro Estado brasileiro a legalizar o voto feminino. 1927 é o ano em que nascem Tom Jobim e Ariano Suassuna. Ano importante na história do Brasil.

    Vimos que o romance conta a história de Elza, que é contratada por Sousa Costa para fazer a iniciação sexual de seu filho adolescente. Só que a mãe não sabe e Elza vai morar com a família sob o disfarce de governanta e professora de alemão. Ela imigrou em função da 1ªGM e está trabalhando para juntar dinheiro e voltar à Alemanha.

    Precisamos falar sobre a escolha profissional de Elza. Tudo bem, talvez não tenha sido escolha. Mas nos diz algo da desvalorização do educador desde muito cedo, no Brasil. Porque Elza cumpre uma função de fachada que é a das preceptoras, ou seja, professoras que ensinam em casa, moram com a família. Uma tarefa muito comum no século XIX, na

    Europa, e muito difundida na literatura europeia. Tá aí o clássico Jane Eyre, da inglesa Charlotte Brönte, que não me deixa mentir. Só que ensinar alemão, ser governanta, enfim, não daria a ela o mesmo lucro que essa outra prática, a de instrutora sexual. Retardaria a possibilidade da volta pra Alemanha. Quer dizer, o romance nos dá pistas de desvalorização do trabalho com educação já na década de 1920, quando o livro é escrito.

    Como será que era o

    contexto político no Brasil em 1927, quando este romance é publicado? O presidente era Washington Luís. O Partido Comunista Brasileiro volta à
    legalidade em janeiro e é tornado ilegal em agosto. Em setembro é fundada a Universidade Federal de Minas Gerais. O Rio Grande do Norte, em outubro, é o primeiro Estado brasileiro a legalizar o voto feminino. 1927 é o ano em que nascem Tom Jobim e Ariano Suassuna. Ano importante na história do Brasil.


    1 hr 1 min

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