Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • García Lorca - O Homero da Espanha
    O bardo do amor e da liberdade dos ciganos e camponeses nasceu há 125 anos em Fuentes Vagueros, morto pelos franquistas por ser maçom, socialista e omisso.
    Federico García Lorca nasceu em 5 de junho de 1898 em Fuente Vagueros, Espanha, extraordinário poeta e dramaturgo, cujos versos, cujas palavras ainda hoje continuam a inflamar o mundo inteiro com paixão libertária, e que os franquistas capturaram em Granada e fuzilaram em Fuentegrande de Alfacar perto de Víznar na madrugada de 19 de agosto de 1936, dispersando seus restos mortais. As acusações que lhe foram feitas e que "confessou", segundo os milicianos da terceira brigada franquista que o interrogaram, foram as de ser "socialista, maçom" e de "praticar homossexualidade e outras aberrações". Acusações que emergem de um documento da polícia franquista, encontrado em 2015 pela estação de rádio Ser e pelo site Eldiario.es., através do qual foi possível rastrear o relatório oficial que remonta ao verão de 1936. Garcia Lorca foi capturado no casa de amigos, foi levado à prefeitura e fuzilado às pressas. O mesmo documento não deixa de assinalar que o poeta pertencia à pousada Alhambra, que se reunia num hotel situado no bosque ao pé da cidade, e no qual o autor do Romancero Gitano era identificado com o nome iniciático de Homero. Há três anos, a Espanha, em virtude de uma lei recente que proíbe a exibição dos símbolos da regime e o culto dos partidários de Franco, retiraram da basílica de Macarena, em Sevilha, o corpo do general franquista Gonzalo Queipo de Llano, que comandou o Exército Nacionalista do Sul em 1936-37 e teria ordenado a execução do poeta.
    Figura emblemática da geração de 27, grupo de poetas que introduziram a vanguarda na literatura espanhola, Garcia Lorca matriculou-se primeiro na Universidade de Granada e depois em 1919 obteve a admissão na prestigiosa Residência de Estudiantes, lugar de novas cultura e jovens promessas. Aqui fez amizade com Luis Buñuel e Salvador Dalí, bem como com muitas outras personalidades proeminentes.
    Data deste período a publicação do "Libro de poemas", bem como a preparação das coletâneas "Canciones" e "Poema del Cante jondo" (Poema da Canção Profunda), a que se seguiu o drama teatral "El maleficio de la maríposa" (A maldição da borboleta) encenada apenas uma vez, e do drama histórico "Mariana Pineda" para o qual Salvador Dalí desenhou a cenografia. Seguir-se-ão as obras surrealistas em prosa “Santa Lucía y san Lázaro”, “Nadadora sumeringa” (O nadador submerso) e “Suicide en Alejandría”, para o teatro “El paseo de Buster Keaton£” e “La doncella, el marinero y el estudiante” (A menina, o marinheiro e o estudante), bem como as coleções poéticas “Primer romancero gitano”, “Oda a Salvador Dalí” e um grande número de artigos, composições, publicações diversas, palestras e a preparação da revista «Gallo» de Granada e a exposição de desenhos em Barcelona. As cartas enviadas neste período por Garcia Lorca aos seus amigos mais próximos confirmam que, apesar da atividade febril, o poeta naquele momento atravessava uma forte crise, devido à impossibilidade de viver serenamente a sua homossexualidade. Na primavera de 1929 obteve uma bolsa de estudos e trocou a Espanha pelos Estados Unidos, onde escreveu "Poeta en Nueva York", uma espécie de denúncia de uma sociedade com contrastes excessivos entre pobres e ricos, classes marginalizadas e dominantes, caracterizada pelo racismo.
    Depois reencontramo-lo em Cuba, um período feliz, onde Garcia Lorca faz novas amizades entre os escritores locais, dá conferências, recita poesia, participa em festas e colabora com as revistas literárias da ilha, «Musicalia» e «Revista de Avance». , no qual publica a "Degollacíon del Bautista" (Degolação do Batista) e começa a escrever os dramas teatrais "El público" e "Así que pasen cinco años" (Até cinco anos se passam) amadurecendo o interesse amadurecido pelo público afro-cubano motivos e ritmos dos quais a famosa lírica Son de negros en Cuba é fortemente influenciada por ela, que acaba por ser uma canção de amor para a alma negra da América. Em julho de 1930 o poeta retornou à Espanha que, após a queda da ditadura de Primo de Rivera, vivia uma fase de intensa vida democrática e cultural.
    Em 1931, com a ajuda de seu amigo e mentor Fernando de los Ríos, que entretanto se tornara Ministro da Instrução Pública, García Lorca realizou o projeto de um popular teatro itinerante chamado La Barraca que, percorrendo as aldeias, representava o povo espanhol repertório clássico. Nesses anos conheceu Rafael Rodríguez Rapún, a quem dedicaria, ainda que não explicitamente, os Sonetos do amor sombrio, publicados postumamente, e escreveu suas obras teatrais mais conhecidas, conhecidas como a 'trilogia rural': "Bodas de sangre, Yerma e a casa de Bernarda Alba". Com a morte de seu banderillero e amigo toureiro Ignacio Sánchez Mejías em 13 de agosto de 1934 (depois de ter sido ferido por um touro dois dias antes), o poeta dedicou o famoso "Llanto" (Lamentação) e nos anos seguintes publicou "Seis poemas galegos” (Seis poemas galegos), desenha a coleção poética do “Diván del” em 1936, publica “Bodas de sangre” (Bodas de Sangue); em 19 de junho conclui "La casa de Bernarda Alba" depois de ter contribuído, em fevereiro do mesmo ano, juntamente com Rafael Alberti e Bergamín, para a fundação da Associação de intelectuais antifascistas.
    García Lorca recusa a possibilidade de asilo que lhe é oferecido pela Colômbia e pelo México e a 13 de julho regressa a Granada, à casa da Huerta de San Vicente, para lá passar o verão e rever o pai.
    Poucos dias depois, a rebelião de Franco explodiu no Marrocos, atingindo rapidamente a cidade andaluza e estabelecendo um clima de feroz repressão.
    Em 16 de agosto de 1936, o prefeito socialista de Granada (cunhado do poeta) foi baleado. Lorca, que se refugiou na casa de seu amigo, o poeta falangista Luis Rosales Camacho, foi preso no mesmo dia e três dias depois fuzilado. Com a morte de Franco em 1975, García Lorca pôde finalmente e com razão voltar a ser aquele importantíssimo expoente da vida cultural e política de seu país.
    Em 1986, a tradução para o inglês feita pelo cantor e autor Leonard Cohen do poema “Pequeño vals vienés” de García Lorca, e com música do próprio Cohen, alcançou o primeiro lugar nas paradas de discos mais vendidos na Espanha. Na Praça de Santa Ana, em Madrid, é-lhe dedicada uma estátua, obra do escultor Julio López Hernández. Ressoam dentro de nós as palavras de sua última entrevista, no "Sol" de Madri, divulgada poucos dias antes de seu assassinato: "Eu canto a Espanha e a sinto por dentro, mas antes de tudo sinto que sou um homem de mundo e irmão de todos".
    9 min
  • 30 de junho de 2002, Brasil Conquista a Quinta Copa do Mundo
    Em 30 de junho de 2002, a nação brasileira celebrou com orgulho e euforia a conquista histórica da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA realizada na Coreia do Sul e no Japão. Naquele dia memorável, o Brasil derrotou a Alemanha por 2 a 0 na grande final e sagrou-se campeão mundial pela quinta vez em sua rica história no futebol. Essa vitória consagrou o Brasil como a maior campeã da Copa do Mundo, um feito inigualável que encheu de alegria o coração dos brasileiros e conquistou o respeito e admiração dos amantes do futebol em todo o mundo.
    A trajetória da Seleção Brasileira na Copa de 2002 foi marcada por superação, talento e determinação. Sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari, popularmente conhecido como Felipão, o Brasil enfrentou desafios e adversidades com maestria, mostrando ao mundo o verdadeiro significado do "jogo bonito" que caracteriza o futebol brasileiro.
    OUTROS ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS OCORRIDOS NO DIA 30 DE JUNHO
    30/6/1520 - Morre o Imperador asteca Montezuma II quando tentava apaziguar uma revolta de seus súditos contra os conquistadores espanhóis em Tenochtitlan.
    30/6/1934 - A noite dos longos punhais. Com um banho de sangue Adolf Hitler disciplinou as SA, as tropas de assalto nazistas, utilizadas desde os anos 20 para espancar adversários e aterrorizar os judeus. Pelo menos 3 mil pessoas foram mortas. O massacre foi comandado pelo próprio Hitler, à frente de suas SS, as tropas de choque. Na versão oficial as SA preparavam um golpe de Estado contra Hitler.
    30/6/1936 - O imperador Haile Selassie 1º da Etiópia apela em vão à Liga das Nações pela intervenção à invasão italiana a seu país.
    30/6/1936 - Publicado o romance de Margaret Mitchell, E O Vento Levou. Um best seller imediato, o livro torna-se um dos mais populares do século.
    30/6/1938 - É publicada a primeira história em quadrinhos do Superman.
    30/6/1941 - Durante a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética e a França rompem relações diplomáticas.
    30/6/1942 - Durante a Segunda Guerra Mundial, o jornal norte-americano The New York Times publica a notícia de que mais de 1 milhão de judeus já foram assassinados pelos nazistas.
    30/6/1960 - O país de Congo se torna independente.
    30/6/1961 - Jânio Quadros torna-se capa da revista Táime.
    30/6/1963 - Papa Paulo VI é coroado o 262º chefe da Igreja Católica Romana.
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    4 min
  • Maçonaria Especulativa em Seus Primórdios: Influências Judaicas (III)
    Ao finalizarmos a Parte II deste trabalho, ficou ali uma pergunta no ar:
    “E será que haveria ainda mais outros componentes, filosóficos, místicos, etc., ou também, outros personagens fazendo parte desse período relativo aos primórdios da Maçonaria Especulativa que poderiam ser inseridos nesse conjunto, digamos assim, do que estamos denominando de influências judaicas?”
    Vamos em primeiro lugar, ratificar algo que já foi dito anteriormente, mas, que é importante ter sempre em mente: a grande influência judaica na Maçonaria, em princípio, provém do Antigo Testamento (que juntamente com o Novo Testamento compõe a Bíblia cristã). O Antigo Testamento ou Pentateuco dos cristãos, é a história do povo eleito, ou ainda, com algumas diferenças, a Toráh(9) dos judeus. E a Toráh é a parte mais importante da Bíblia hebraica, mas, esta última somente estará completa da seguinte forma: Toráh (a Lei), Neví’im (Profetas) e Ketuvim (Escritos), estas três seções formarão o acrônimo Tanach, e, agora sim, a Bíblia judaica completa.
    23 min
  • A Obra de Arte
    Por Irmão Hever da Silva Nogueira
    Atingir a Finalidade da Maçonaria – Promover o Desenvolvimento da Humanidade - não é uma missão lá muito fácil para os Obreiros da Arte Real.
    Entretanto, - para muitos Maçons - parece ser ainda bem mais difícil o seu entendimento e como poderá ser, de fato, atingida.
    É bem verdade que a Instituição mostra, com clareza, e propicia ensinamentos secretos, por meio de símbolos, alegorias, encenações, locuções e até mesmo lições implícitas dentro dos seus preceitos e conteúdos, para mostrar que existe um só caminho capaz de possibilitar o desempenho correto do Maçom para atingir a Finalidade da Ordem: o aperfeiçoamento moral, espiritual, intelectual e social do homem/maçom.
    Mas, nem sempre, os Maçons se lembram destas doutrinas para torná-las uma constante e conseguir contribuir para que a Ordem alcance a sua Finalidade.
    Todavia, tal descuido, tem que ser sanado, não há como ser desconsiderado, uma vez que a própria Maçonaria se expõe ao perigo de chegar à extinção. E, com certeza, cabe às Lojas Maçônicas fazerem com que os Obreiros despertem seus interesses e deslumbrem o caminho a ser percorrido.
    Então, buscando cumprir essa responsabilidade, a Aug. Resp.: e Gr.: Benf.: Loja Simb.: Humildade e Fraternidade - 1684, se valeu de um “lembrete permanente” que permanece visível aos olhos de todos os Irmãos, para leva-los a recordar como cumprirem a sua Obrigação.
    Em sua Sala de Visita, está exposta uma Obra de Arte.
    Sem dúvida, é muito comum que as Obras de Arte sejam vistas como adornos e ornamentos, sendo utilizadas, quase que exclusivamente, na decoração e objetivando apenas embelezar o ambiente.
    Entretanto, uma vez observados os seus detalhes, os seus pormenores, há de serem verificadas as características e propriedades diferenciadas que apresentam. E, essas particularidades, na realidade, buscam transmitir as mensagens e as intenções que os seus autores procuraram emitir, ao confeccioná-las.
    Assim sendo, a Oficina aproveitou estas minudências e tanto consegue embelezar a sua Sala de Visitas, como transmitir, permanentemente, a Mensagem Maçônica a todos os Obreiros da Arte Real ao observarem “O Caminho do Maçom”
    Ao adentrar à Sala de Visitas da Loja Humildade e Fraternidade – 1684 -, o Maçom é induzido a olhar a Obra de Arte e, de imediato, observa o “Olho Que Tudo Vê”.
    Certamente, irá lembrar de que é imprescindível ao Maçom invocar a proteção do GADU antes de realizar qualquer empreendimento.
    Em seguida, é despertado para observar o restante do quadro.
    Percebe pintada uma Pedra Bruta ... Então, lembra que sempre deve olhar para dentro de si, e, ao constatar os seus defeitos, deve desbastar as suas imperfeições, afastar-se dos vícios, abandonar os prazeres das paixões ignóbeis, para extinguir as mesquinharias e desprezar as vaidades pessoais.
    Também lhe chama à atenção o mosaico pintado em preto e branco. Assim, associando as imagens já observadas, identifica que sob a égide de Deus, o Maçom poderá, não só enfrentar, mas sobretudo ultrapassar e vencer os percalços, os conflitos e os empecilhos, que irá se defrontar no transcurso de sua Trajetória.
    Continuando a observação do quadro, percebe as Ferramentas usadas pelos Pedreiros Livres sequenciando a caminhada do Maçom. À medida que vai identificando cada uma, consegue se recordar dos simbolismos e de seus significados. E, com sabedoria e habilidade, passa a recordar as lições que elas transmitem:
    - o Malho, a moderar as suas vontades, as suas energias e as suas ações;
    - o cinzel, a agir com perseverança, desbastando as suas imperfeições e aflorando as suas boas qualidades;
    - a Trolha - a revestir com a perfeição as paredes da solidariedade humana;
    - o Nível – a nivelar suas condutas e regular suas ações;
    - a Corda – a amarrar as estacas na construção dos Templos à Virtude;
    - o Esquadro - a viver em sociedade, com dignidade e retidão moral;
    - o Compasso - a entender e aceitar os seus limites;
    - a Régua - a traçar o seu dia dividindo-o em partes de trabalho, de recreio e de repouso;
    - o Prumo - a dispor com perfeição os muros de seu Templo Interior; e,
    - a Alavanca - a moderar a sua vontade com inteligência e com bondade.
    A pintura do Livro da Lei, no quadrante de baixo, avulta-lhe os Preceitos transcritos e lhe induz que o seu caminho, como Maçom, está concluindo.
    Lembra, então, que é daquela maneira que o Maçom alcança o seu Aperfeiçoamento Moral, Espiritual, Intelectual e Social. e uma vez, corrigidas todas as imperfeições, aparadas as arestas e polidas as faces, deixa de ser a Pedra Bruta e se transforma na Pedra Cubica.
    E, como pedra burilada, lapidada e adequada, está totalmente pronto servir de base sólida à construção de seu Templo Interior.
    Dessa forma, observa que atingiu ao ápice, em seu Caminho, devendo sair pelo mundo e por meio de seus exemplos propiciar o desenvolvimento da humanidade.
    Entrementes, é levado a observar que o quadro apresenta a pintura de ramos e flores de Acácia entra uma balaustrada, então, reconhece que o Caminho do Maçom deve ser, sempre, percorrido com humildade e modéstia, uma vez que a ganância, a cobiça e a arrogância, jamais irão proporcionar o crescimento o Homem Livre e de Bons Costumes.
    Nota, por fim, que as disposições das quatro partes do quadro formam uma cruz, cujos braços simbolizam as etnias de todos os Maçons do Mundo, mostrando que mesmo tendo Origens, Culturas, Religiões, Costumes e Crenças, completamente diferentes, os Maçons se unem fraternamente, e, como obreiros da arte real buscam desenvolver o seu Aperfeiçoamento, para desempenharem a Missão de propiciar o desenvolvimento da humanidade.
    Ir.: Hever da Silva Nogueira
    M.:M.: CIM 97619
    8 min
  • Da Loja à Sociedade: O Triunfo da Mentalidade Maçônica
    Por Gaetano Masciullo
    A data de nascimento da Maçonaria é 24 de junho de 1717: o aniversário de São João Batista é uma das muitas subversões de símbolos e expressões cristãs, indício de uma subversão mais geral de valores que penetrou profundamente no sentimento comum.
    Em 24 de junho de 1717, festa de São João Batista, a Grande Loja Mãe da Inglaterra foi fundada em Londres. É interessante notar como o aniversário de um dos maiores santos da Igreja Católica foi escolhido para fundar a contra-Igreja por excelência.
    A apropriação vergonhosa e instrumental de nomes, símbolos e expressões cristãs tem contribuído para fazer da Maçonaria um daqueles fenômenos históricos e sociais particularmente complexos de analisar e estudar devido, por um lado, ao estrito sigilo a que estão sujeitos os Maçons, sigilo que dificulta qualquer pesquisa gratuita nos arquivos da loja por aqueles que não são membros das lojas; por outro lado, pela superabundância de informações falsas e contraditórias que circulam não só na web, mas também frequentemente na historiografia (tanto maçônica quanto antimaçônica), informações que se pautam mais por escolhas ideológicas e preconceitos do que por verdade dos fatos.
    No entanto, é um estudo muito necessário, ainda hoje, porque entender a herança cultural maçônica ajuda a entender melhor a modernidade e o contemporâneo. O período de 1717 a 1945 pode ser definido como o período do "triunfo maçônico", um período em que as lojas realmente desempenharam um papel significativo na formação da mentalidade filosófica, política, econômica e espiritual. Hoje devemos falar antes do "período pós-maçônico". De fato, a mentalidade maçônica – que finalmente encontra suas raízes no pensamento gnóstico– já entrou tão profundamente no sentimento comum que a própria Maçonaria quase não tem mais razão de ser: todos hoje pensam com categorias gnósticas, não mais católicas, sem necessidade de serem iniciadas nas lojas.
    O processo dessa "iniciação coletiva" gradual tem sido lento ao longo dos séculos, complexo e intrincado, muitas vezes muito difícil de prever e, na verdade, começa muito antes da fundação da primeira loja de Londres no início do século XVIII. A chamada Maçonaria "especulativa", de fato, não tem propriamente uma identidade própria: nasceu da necessidade de estabelecer um receptáculo para todas aquelas tradições culturais e espirituais que serpenteavam clandestinamente na Europa católica medieval e naquela, já muito dividido, moderno. Cabalismo, catarismo, hermetismo, alquimia, rosacrucianismo: todas as diferentes declinações do mesmo pensamento filosófico-teológico, tão antigo quanto o próprio cristianismo, e de fato com raízes ainda mais antigas: a gnose, como mencionado .
    A Gnose é considerada como a possível resposta a uma das questões fundamentais do homem, certamente uma das que mais inquietam a alma humana: o que fazer para obter a salvação? Diante da transitoriedade da vida, da ignorância, dos próprios limites da existência, o que pode o homem fazer para se salvar? O católico acredita que esta transitoriedade é consequência de um pecado original e que a salvação procede da adesão às verdades reveladas por Deus (fé) e da vida na graça corroborada pelos sacramentos e pelas obras de justiça. Já o gnóstico acredita que as limitações humanas são efeito direto da materialidade, portanto consideradas intrinsecamente más. O dualismo entre espírito e matéria espelha o dualismo entre bem e mal, não devendo este último ser entendido como a privatio boni agostiniana.mas como um Absoluto. O gnóstico acredita, portanto, que a salvação procede da libertação da materialidade. Mas para alcançar esta liberdade será necessário primeiro alcançar um conhecimento certo e profundo dos segredos da natureza humana e do cosmos em que vivemos (na verdade, é isso que γνῶσις significa em grego antigo, "conhecimento").
    Aquele que conhece os segredos da natureza também poderá manipulá-la a seu favor. Assim, pelo menos, o gnóstico acredita. Compreendemos então porque, no início deste artigo, se dizia que hoje a mentalidade comum é de fato uma mentalidade gnóstica. A confiança cega que o homem deposita nas ciências exatas e nas ciências naturais (que, no entanto, não são exatas) e na tecnologia, assim como no Estado - tecnocrático, burocrático, despersonalizado - é simplesmente a evolução daquele antigo pensamento que repudiava a ideia de um Deus criador e transcendente, redentor e santificador, e em vez disso aceitou a ideia mais branda de um Absoluto mecanicista, fechado em si mesmo, que não cria, mas emana o que existe. E veja bem: se a divindade emana, ela não cria, então tudo o que existe goza da mesma natureza divina.
    Essa divindade, que não é outra senão um simples grande arquiteto do universo, acaba coincidindo com o próprio universo, e por isso o gnosticismo muitas vezes leva ao panteísmo. Mais uma vez, não é preciso procurar em outro lugar para descobrir a origem oculta da ideologia ambientalista de hoje, que diviniza a Terra (o meio ambiente, não mais a Criação) como uma nova deusa. Assim como não é preciso procurar em outro lugar as raízes culturais mais profundas da sexofobia que tanto se espalha entre as pessoas hoje.
    Sim, porque você não precisa ser puritano e viver na Inglaterra vitoriana para ter fobia sexual. O hedonismo desenfreado, a pornografia, a ideologia de gênero e a exaltação de práticas sexuais "alternativas", o transexualismo, a legitimação do aborto e da contracepção: são práticas que nascem do verdadeiro medo da sexualidade. Não é por acaso que algumas seitas gnósticas dos primeiros séculos depois de Cristo (como os carpocracianos) exaltavam os rituais orgiásticos por desprezo à sexualidade voltada para a procriação e que, como tal, nada mais faz do que prolongar os grilhões da matéria.
    Esse processo, essa "iniciação coletiva", pode receber o nome de Revolução . A Maçonaria foi certamente o instrumento mais importante nas mãos da Revolução, cujo objetivo sempre foi subverter a antiga ordem cristã para estabelecer uma nova de origem gnóstica. É por isso que um estudo da Maçonaria que leve em conta essa bagagem cultural é essencial para uma compreensão mais profunda da sociedade descristianizada em que vivemos e também, pelo menos em parte, da sociedade para a qual estamos caminhando.
    8 min
  • Dia Mundial de Combate às Drogas: Uma chamada para a conscientização e ação
    No dia 26 de junho, o mundo se une na observância do Dia Mundial de Combate às Drogas, uma data que busca aumentar a conscientização sobre o problema global das drogas ilícitas e promover esforços para combater seu impacto devastador na saúde, nas famílias e na sociedade como um todo. Neste dia, governos, organizações não governamentais e comunidades se unem para destacar a importância de prevenir o uso de drogas, tratar a dependência e reduzir o tráfico de entorpecentes.
    A celebração do Dia Mundial de Combate às Drogas tem como objetivo principal educar e conscientizar as pessoas sobre os riscos e consequências do consumo de drogas. O uso indevido de substâncias psicoativas não apenas afeta a saúde física e mental dos indivíduos, mas também causa danos sociais e econômicos significativos. Os efeitos prejudiciais das drogas são sentidos em todo o mundo, afetando pessoas de todas as idades, gêneros, raças e origens socioeconômicas.
    Uma das principais abordagens para combater o uso de drogas é a prevenção. É essencial informar e educar a população sobre os perigos associados ao consumo de substâncias ilícitas, bem como sobre os fatores de risco que podem levar ao vício. A prevenção envolve a implementação de programas e políticas que promovam estilos de vida saudáveis, fortaleçam os fatores de proteção e reduzam os fatores de risco.
    Além da prevenção, é igualmente importante abordar a questão da dependência química. O vício em drogas é uma condição complexa que requer tratamento adequado e acesso a serviços de saúde de qualidade. É fundamental que as pessoas que lutam contra a dependência recebam apoio emocional, tratamento médico e terapêutico, e possam contar com programas de recuperação eficazes. A compreensão e o combate ao estigma associado ao vício são essenciais para garantir que aqueles que precisam de ajuda possam buscar tratamento sem medo de discriminação ou punição.
    Outro aspecto crucial do combate às drogas é a redução da oferta de entorpecentes. O tráfico de drogas é uma indústria criminosa que alimenta a violência, a corrupção e a instabilidade em muitas regiões do mundo. É necessário fortalecer os mecanismos de cooperação internacional para combater o tráfico de drogas, desmantelar redes criminosas e promover estratégias eficazes de aplicação da lei. Além disso, é importante investir em desenvolvimento socioeconômico, educação e oportunidades de emprego para abordar as raízes do tráfico de drogas e fornecer alternativas viáveis para as comunidades vulneráveis.
    À medida que o mundo enfrenta o desafio contínuo das drogas ilícitas, é crucial que governos, organizações e indivíduos se unam em um esforço global. A colaboração internacional é essencial para compartilhar informações, boas práticas e experiências, além de coordenar ações conjuntas para enfrentar esse problema complexo e multifacetado. Somente através de uma abordagem abrangente, que inclua prevenção, tratamento, redução da oferta e cooperação internacional, poderemos fazer avanços significativos na luta contra as drogas.
    4 min
  • GOB tem novo Grão-Mestre Geral e Grão-Mestre Geral Adjunto
    Uma noite memorável para maçonaria brasileira, acompanhado por mais de mil e duzentas pessoas no templo nobre do GOB e áreas anexas especialmente preparadas com telões para os irmãos e família maçônica assistirem e outras milhares pela transmissão ao Vivo da TV-GOB, prestigiados por comitivas de toda federação, das potências regulares nacionais e internacionais, os irmãos ADEMIR CÂNDIDO DA SILVA e ADALBERTO ALUÍZIO EYNG foram investidos como Grão-Mestre Geral e Geral Adjunto respectivamente.
    Imensurável era a felicidade e a emoção do Soberano irmão Múcio Bonifácio Guimarães ao transmitir simbolicamente o 1• malhete da maior e mais antiga potência maçônica da América Latina ao Soberano irmão ADEMIR CÂNDIDO acompanhando pelo Sapientíssimo irmão ADALBERTO EYNG. Em sua despedida o Soberano irmão Múcio Bonifácio notadamente emocionado e com o sentimento do dever cumprido, demonstrou aos presentes a importância do trabalho com amor e respeito ao próximo e números absolutamente altos de desenvolvimento da gestão.
    Os novos gestores do GOB em seus respectivos discursos se comprometeram com as milhares de lojas do GOB e as mais de 500.000 pessoas diretamente ligadas ao Grande Oriente do Brasil através dos irmãos, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas, de conduzirem os desígnios da potência mãe da maçonaria brasileira com muita dedicação e amor fraternal, ratificaram seus compromissos para com a família maçônica de desenvolver atividades de fortalecimento e envolvimento das famílias em favor das lojas e sociedade brasileira, da manutenção e ampliação das relações institucionais com a sociedade civil organizada e os poderes constituídos da República Federativa do Brasil, da manutenção da harmonia e do respeito mútuo com as potências regulares do Brasil e do exterior, do trabalho em conjunto com os demais poderes do GOB e os Grão-Mestres Estaduais e Distrital, do desenvolvimento de processos de gestão para facilitar e dar celeridade nas questões administrativas das lojas e Orientes Estaduais e Distrital.
    Por fim nosso Soberano irmão ADEMIR CÂNDIDO e o Sapientíssimo irmão ADALBERTO ALUÍZIO EYNG se despediram felizes e emocionados pelo acolhimento e apoio recebido durante suas trajetórias de vida maçônica e notadamente neste dia memorável para eles e para o Grande Oriente do Brasil, agradeceram ao casal irmão Múcio Bonifácio Guimarães e cunhada Jussane Guimarães pelo belíssimo trabalho e dedicação incondicional ao GOB nos últimos anos e de forma especial as suas famílias através das cunhadas Lidia e Elizabete, filhos, filhas, noras, genros e netos ali presentes pelo apoio e amor incondicional recebidos durante toda vida.
    Fonte: Secretaria Geral de Comunicação e Informática do GOB
    4 min
  • CINCO GRANDES LIÇÕES
    As coisas importantes que a vida ensina.
    Número Um: A mais importante pergunta
    Durante meu segundo mês na escola de enfermagem, nosso professor nos deu um teste surpresa. Eu era uma aluna escrupulosa e tinha passado rápido pelas perguntas, até que li a última: "Qual é o primeiro nome da mulher que limpa a escola?" Certamente isso era algum tipo de piada. Eu tinha visto a faxineira várias vezes. Ela era alta, de cabelos escuros e na casa dos 50 anos, mas como eu saberia o nome dela? Entreguei minha prova, deixando a última questão em branco. Antes do fim da aula, um aluno perguntou se a última pergunta contaria para a nota do teste. "Absolutamente", disse o professor. "Em suas carreiras, você conhecerá muitas pessoas. Todas são importantes. Elas merecem sua atenção e cuidado, mesmo que tudo o que você faça seja sorrir e dizer 'olá'". Nunca esqueci essa lição. Também aprendi que o nome dela era Dorothy.
    Número dois: Pick-up na chuva.
    Uma noite, às 23h30, uma mulher afro-americana mais velha estava parada na beira de uma rodovia do Alabama tentando suportar uma forte tempestade. Seu carro quebrou e ela precisava desesperadamente de uma carona. Encharcada, ela decidiu acenar para o próximo carro. Um jovem branco parou para ajudá-la, geralmente inédito naquela década de 1960 cheia de conflitos. O homem a levou para um local seguro, ajudou-a a conseguir ajuda e a colocou em um táxi. Ela parecia estar com muita pressa! Ela anotou o endereço dele, agradeceu e foi embora. Passaram-se sete dias e bateram à porta do homem. Para sua surpresa, um console gigante de TV em cores foi entregue em sua casa. Uma nota especial foi anexada. Dizia: "Muito obrigado por me ajudar na estrada na outra noite. A chuva encharcou não apenas minhas roupas, mas meu espírito. Então você apareceu. Por sua causa, pude chegar à casa de meu marido moribundo ao lado da cama pouco antes de ele falecer. Deus o abençoe por me ajudar e servir aos outros desinteressadamente. Atenciosamente, Sra. Nat King Cole."
    Número Três: Lembre-se sempre daqueles que servem.
    Numa época em que um sorvete custava muito menos que hoje, um menino de dez anos entrou numa lanchonete e sentou-se à mesa. Uma garçonete colocou um copo de água na frente dele. Quanto custa um sundae? 50 centavos. O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las. Bem, quanto custa o sorvete simples? A essa altura, mais pessoas estavam esperando para serem atendidas e a garçonete começava a perder a paciência. 35 centavos, respondeu-lhe, de maneira brusca. O garoto, mais uma vez, contou as moedas e disse-lhe: Vou querer, então, o sorvete simples. A garçonete trouxe o sorvete simples, colocou-o na mesa e saiu. O menino acabou de tomar o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu. Quando a garçonete voltou, começou a chorar, à medida que ia limpando a mesa, pois ali, do lado da taça vazia de sorvete, havia 15 centavos em moedas, ou seja, o menino não pediu o sundae porque queria que sobrasse a gorjeta da garçonete.
    Número Quatro: O obstáculo em nosso caminho.
    Nos tempos antigos, um rei tinha uma pedra colocada em uma estrada. Então ele se escondeu e observou para ver se alguém removeria a enorme pedra. Alguns dos mercadores e cortesãos mais ricos do rei passaram e simplesmente contornaram o local. Muitos culparam veementemente o rei por não manter as estradas limpas, mas ninguém fez nada para tirar a grande pedra do caminho. Então apareceu um camponês carregando uma carga de vegetais. Ao se aproximar da pedra, o camponês largou sua carga e tentou mover a pedra para a beira da estrada. Depois de muito empurrão e esforço, ele finalmente conseguiu. Como o camponês escolheu carregando sua carga de legumes, ele notou uma bolsa caída na estrada onde a pedra estava. A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota do rei indicando que o ouro era para a pessoa que removeu a pedra da estrada. O camponês aprendeu o que muitos outros nunca entenderam. Cada obstáculo apresenta uma oportunidade de melhorar a condição de alguém.
    Número Cinco: Doar sangue.
    Muitos anos atrás, quando trabalhava como voluntário no Stanford Hospital, conheci uma garotinha chamada Liz que sofria de uma doença rara e grave. Sua única chance de recuperação parecia ser uma transfusão de sangue de seu irmão de 5 anos, que sobreviveu milagrosamente à mesma doença e desenvolveu os anticorpos necessários para combatê-la. O médico explicou a situação ao irmãozinho dela e perguntou ao menino se ele estaria disposto a doar o sangue para a irmã. Eu o vi hesitar por apenas um momento antes de respirar fundo e dizer: “Sim, farei isso se salvar Liz”. À medida que a transfusão avançava, ele se deitou na cama ao lado da irmã e sorriu, como todos nós, ao ver a cor voltar às faces dela. Então seu rosto empalideceu e seu sorriso desapareceu. Ele olhou para o médico e perguntou com a voz trêmula: “Vou começar a morrer imediatamente?” Sendo jovem, o menino havia entendido mal o médico; ele pensou que teria que dar à irmã todo o seu sangue. Atitude, afinal, é tudo.
    6 min
  • OS GRANDES PRINCÍPIOS - AMOR FRATERNAL

    Todo maçom está ciente dos três grandes

    princípios que sustentam nosso ofício: amor fraterno, ajuda e verdade. Tendo
    testemunhado algumas cenas muito desagradáveis ​​em quartos de lojas, eu me
    pergunto se cada irmão realmente entende o que significa o amor fraternal e
    como ele deve ser praticado.

    O que é amor fraternal?

    O amor fraterno é o amor ao próximo como

    irmão e este conceito é levantado inúmeras vezes no Livro da Lei Sagrada.

    5 min
  • O PROFETA AMÓS E A MAÇONARIA
    Por Rafael Guerreiro
    O Profeta Amós era um trabalhador braçal, um boiadeiro e cultivador de sicômoros (árvores que geram um fruto parecido com o figo).
    Ele é originário da cidade de Tekua, aldeia situada há dez quilômetros ao sul de Belém. É conhecido ainda como sendo um dos assim chamados “Profetas Menores”, não por ter pouca importância, mas sim pela extensão de sua obra, considerada pequena em vista de outros profetas da Bíblia, mas tão brilhante quanto as outras.
    O seu ministério foi exercido no século VIII a.C. durante os reinados dos Reis Uzias (ao sul de Israel) e Jeroboão II (ao norte de Israel). Sua obra foi marcada por uma profunda crítica social e religiosa. Ele denunciou a desigualdade social de seu tempo, bem como o uso idólatra da religião, transformada em mero instrumento que serve à alienação e usada como fachada para a iniquidade.
    O Profeta Amós é um revolucionário, um socialista de seu tempo que não se deixou levar pelas aparências de uma época marcada, sobretudo, pela prosperidade material. Contudo, mesmo com abundância, o povo de Israel passou por uma profunda inversão de valores, deixando-se levar pela soberba, ganância, luxúria e todo tipo de perdições.
    Dessa forma, a obra de Amós é caracterizada pela crítica ao enriquecimento da sociedade à custa dos pobres; ao suborno e corrupção de juízes nos tribunais; à opressão, violência e à escravidão dos pobres; ao comportamento das mulheres ricas, que para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a oprimirem os fracos etc.
    No que toca à religião, Amós denuncia seu caráter meramente ritualístico e vazio. Assim ele diz em seu livro: “Eu odeio, eu desprézo as vossas festas e não gosto de vossas reuniões. Porque, se me ofereceis holocaustos..., não me agradam as vossas oferendas e não olho para o sacrifico de vossos animais cevados. Afasta de mim o ruído de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas! Que o direito corra como a água e a justiça como um rio caudaloso”. (Am 5: 21-24)
    E dentro desse contexto de críticas, Amós, na terceira parte de seu livro, relata cinco visões, sendo que a terceira delas interessa de forma particular à maçonaria. Trata-se da visão do fio de prumo.
    No capítulo 7, versículos de 7 a 8, Amós assim relata: “Assim me fez ver: Eis que o Senhor estava de pé sobre um muro e tinha sobre a sua mão um fio de prumo. E Iahweh me disse: Que vês, Amós? Eu disse: Um fio de prumo. O senhor disse: Eis que vou pôr um fio de prumo no meio do meu povo, Israel, não tornarei a perdoá-lo. (Am 7: 7-8 – tradução da Bíblia de Jerusalém).
    Ora, é o Senhor mesmo Quem estava sobre o muro na visão de Amós. E o prumo que segurava em Suas mãos é altamente revelador. Ele revela nossa intrínseca tortuosidade, nosso desalinhamento e desequilíbrio moral.
    Da mesma forma como o pedreiro se utiliza do prumo para procurar falhas na obra em que se debruça assim se dá quando Deus coloca seu prumo em nossas vidas, fazendo aparecerem todas as falhas, todas as misérias escondidas em nossos olhares dissimulados, em nossas palavras vazias e em nossas ações e omissões egoístas.
    Mas o que é este prumo de Deus em nossas vidas? Será a Bíblia (ou qualquer outro livro sagrado a que seguimos)? Será nosso caminho pessoal? Os padrões sociais e políticos de nosso tempo? Nossa consciência?
    A Ordem maçônica tenta nos mostrar qual será esse prumo na vida particular de cada maçom, transmitindo por meio de alegorias e símbolos antigos mistérios que podem ser traduzidos em retidão moral e bons costumes para aquele que de fato os persegue em seu íntimo construtor.
    Mas há um fato curioso nesta passagem. Nem mesmo Deus julgou aleatoriamente o seu povo. Antes disso, Ele passou sobre nós o seu prumo sagrado, para que toda falha fosse posta às claras. Assim, não cabe ao Homem passar seu prumo particular na parede alheia, achando-se ridiculamente capaz de medir os erros de seu irmão com medida própria.
    Não cabe em nós tamanho amor para realizar essa tarefa de sublime construção da alma do nosso próximo. Isso é assunto entre o Pai e seu filho, porque no prumo do homem há juízos e preconceitos, medidas diferentes alicerçadas na miséria de nossa alma. Mas o prumo de Deus contém a dádiva do arrependimento e a certeza da retidão no amor maior de Sua caridade.
    O prumo de Deus revela nossos pecados à luz do dia, não deixando nada a coberto.
    E ao lançá-los à luz, Ele espera de nós tão somente humildade e trabalho para quebrarmos nossos tijolos mal assentados e recomeçar nossa obra fundada na promessa de que seguindo-O, encontraremos pela frente apenas consequências do amor.
    6 min

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