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Mayra Andrade levou o seu “afecto” até Paris


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A cantora Mayra Andrade subiu ao palco do Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris, esta terça-feira, para apresentar o novo disco. “Manga” vai ser lançado em Janeiro e o primeiro single “Afecto” foi revelado em Outubro.
Soma entrevistas, mas vem com sorriso largo e olhos brilhantes e curiosos. Mayra Andrade esteve em concerto em Paris, a cidade onde viveu 14 anos e que trocou por Lisboa em 2015. Não tem saudades mas deixou saudades. O público francês foi ao seu encontro e espera pelo novo disco, em Janeiro. O álbum chama-se “Manga” e Mayra Andrade avisa que “é uma fruta que faz bem ao coração”. Enquanto o compasso é de espera, foi lançado o primeiro single, "Afecto".
“Às vezes, achamos que demonstrar os nossos sentimentos é um sinal de fraqueza e não é. A ausência destas demonstrações, acaba por esculpir muito a nossa personalidade e a nossa forma de estar na vida. Há carências muito profundas que se criam e há sempre forma de pensar que há gente que tem problemas maiores que a ausência de afecto, mas seja como for, a demonstração do afecto é uma coisa que nós devemos perseguir sempre”, afirmou Mayra Andrade.
O quinto álbum da artista de origem cabo-verdiana chama-se “Manga”, “uma fruta interessante que faz bem ao coração” e que deve ser consumida “sem muitos limites”. Há, no disco, um tema, em crioulo, que também adopta o nome daquela que é “considerada a rainha das frutas tropicais”.
“É uma fruta muito sensual, é uma fruta em que a cor evolui, o sabor evolui. Por exemplo, eu vivi no Senegal quando tinha seis anos e lembro-me de ver as pessoas a comer manga verde com malagueta e sal. Essa mesma manga, depois de madura, é degustada como um fruto muito doce. Então é uma fruta interessante que ainda por cima faz bem ao coração”, acrescentou.
Cinco anos após “Lovely Difficult”, o novo disco foi gravado entre a Costa do Marfim e Paris, com a colaboração do multi-instrumentista cabo-verdiano Kim Alves, do produtor Romain Bilharz (que trabalhou com Stromae, Ayo e Feist) e dos produtores marfinense 2B e senegalês Akatché.
“Há uma espécie de frescura. Talvez por não ter lançado um disco há muito tempo, eu tive tempo de encontrar o caminho que realmente se aproximava mais daquilo que eu queria. Foi um caminho longo... Lancei um disco há cinco anos, comecei a trabalhar neste disco há cerca de três. Portanto, foi um disco que foi amadurecido e que culminou num retrato muito fiel do que eu sou hoje”, descreveu.
As sonoridades afro-contemporâneas aliam-se às letras maioritariamente em crioulo e quatro em português porque Mayra Andrade está “num momento muito lusófono” em Lisboa.
“Mudei-me para Lisboa há três anos. Eu sinto-me totalmente em casa em Lisboa, devo dizer. Está-me a fazer muito bem, depois de ter vivido 14 anos em Paris, de finalmente pousar-me numa cidade, onde me sinta tão acolhida e com um clima tão bom, as pessoas muito queridas e come-se tão bem. Realmente Lisboa tornou-se casa para mim”, concluiu.
A 13 de Outubro, Mayra Andrade começou a digressão europeia que a vai levar, também, a Estocolmo, Roterdão, Paris, Lisboa, Toulouse, Luxemburgo, Almada, Londres, Berlim, Marselha, entre muitas outras cidades europeias.
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