Esta semana de atribuição dos prémios Nobel fechou, como sempre, com o Nobel da Paz que este ano foi atribuído à iniciativa ICAN, Campanha Internacional para a Abolição das armas Nucleares, uma plataforma que congrega Organizações Não Governamentais de todo o mundo no intuito de fazer lobbying para se deixar de utilizar por completo as armas nucleares.
Este ano, o ICAN conseguiu levar 122 países a assinarem no passado mês de Julho na ONU um tratado para a abolição das armas nucleares. O documento não foi contudo rubricado pelos principais interessados, os países que se dotaram da arma nuclear, os Estados Unidos, a Rússia, a França, o Reino Unido, a China, a Índia, o Paquistão, Israel e a Coreia do Norte. Também não aderiram certos países da NATO, designadamente Portugal, nem o Japão apesar de ter conhecido os efeitos da arma atómica em 1945.
Com a atribuição deste Nobel da Paz ao ICAN, o activismo contra a proliferação nuclear torna a estar no centro das atenções. Já em meados dos anos 70, o dissidente soviético Andreï Sakharov foi premiado, em 1985, foi a vez da Associação Internacional dos Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear e mais recentemente, em 2005, foi premiada a Agência Internacional da Energia Atómica.
Apesar desta visibilidade, as armas nucleares continuam a representar um problema: foram recenseadas oficialmente 15 mil ogivas nucleares no mundo, 90% sob o controlo da Rússia e dos Estados Unidos, país que têm estado num braço-de-ferro precisamente sobre esta questão com o Irão e a Coreia do Norte. Foi sobre este contexto difícil que conversamos com Pedro Krupenski, presidente da Plataforma das ONGs Portuguesas para o Desenvolvimento, que começa por expressar a esperança de que este Nobel da Paz ao ICAN leve os dirigentes mundiais a uma reflexão.