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O exército israelita e o Hezbollah trocaram ataques este domingo, aumentando os receios de uma guerra regional que já conta com o conflito entre Telavive e o Hamas. Foram os ataques mais intensos entre Israel e a milícia xiita libanesa, desde o início da guerra em Gaza.
As Forças de Defesa de Israel lançaram neste domingo uma ofensiva no Líbano, a que chamaram "ataque preventivo", depois de terem detectado preparativos do Hezbollah para lançar “ataques em grande escala” contra o território israelita. Neste ataque, 100 caças atingiram 40 alvos de infra-estruturas da milícia xiita. Na resposta, o Hezbollah afirmou ter iniciado a "primeira fase" de um grande ataque, disparando 320 foguetes e drones. Apesar de terem sido os ataques mais intensos desde o início da guerra em Gaza entre Israel e o Hezbollah, João Henriques, vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico, não considera que vão dar origem a uma nova guerra na região.
RFI: Nas reacções a este ataque, Benjamin Netanyahu disse que a resposta do país foi mais um passo para mudar a situação no Norte, e que este não é o fim da história. Por seu lado, o Hezbollah disse a operação deste fim-de-semana foi concluída e realizada com sucesso. Para já, ninguém quer uma guerra. O que é que está aqui em causa?
João Henriques: A guerra não é desejável. Mas nós estamos a assistir a um jogo de retaliações, de provocação que está implícita. Eu acredito que isto não passe de retórica, mais nada. Para um eventual apaziguamento, até para que a comunidade internacional que está a ser liderada pelos Estados Unidos vejam que da parte dos envolvidos há alguma moderação, alguma vontade para resolverem o conflito pela via diplomática.
O que aconteceu este fim-de-semana põe em causa as negociações em curso para a tentativa de encontrar um acordo de cessar-fogo?
Sim, porque ao mesmo tempo que querem dizer que têm vontade de negociar e de restabelecer a paz na região vão atacando, com ou sem razão. Este ataque por parte de Israel é uma mensagem que o país está a transmitir não só ao Hezbollah mas ao eixo de resistência e à comunidade internacional em geral, de que o seu propósito de eliminar estes adversários mantém-se. E depois assistimos aos Estados Unidos, que ao mesmo tempo que dizem que querem ver a situação resolvida estão a enviar armamento para Israel. E o que é que nós vemos em relação às acções do Hezbollah, por um lado, e também do Hamas, e de Israel, por outro: que as posições, sobretudo as do Hamas e de Israel estão a sofrer algum enfraquecimento. No caso de Israel, esse enfraquecimento é não só de natureza bélica, de natureza militar, mas também de natureza política.
E acredita que com esta pressão interna e externa para um cessar-fogo em Gaza Benjamin Netanyahu vai ceder?
Vai continuar a ceder, apesar de dizer sobretudo aos Estados Unidos e aos seus aliados mais próximos, porque é também uma mensagem para fora, de que tem vontade de estabelecer a paz. Todavia, o programa político do actual Governo não é consentâneo com essa dialéctica, com essa retórica. Seja como for, a comunidade internacional está a pressionar. E o que é que vai acontecer? O governo de Netanyahu vai mesmo cair? Eu não vou dizer que seja já. Em fundo temos as eleições nos Estados Unidos.
Muito importantes para este processo.
Naturalmente que têm uma implicação determinante, independentemente de ser o candidato republicano ou o candidato democrata a ganhar. Diria que há um antes e um depois de 5 de Novembro. Kamala Harrison já fez saber que a situação com ela na Casa Branca não vai continuar como tem estado até aqui. E também já conhecemos aquilo que têm sido as afirmações de Donald Trump no caso de ser ele o vencedor das eleições. São determinantes para a evolução da situação.
A ONU apelou aos dois lados para evitarem uma escalada de violência. São apelos repetidos que até agora não têm funcionado. Quem é que pode mudar alguma coisa?
Eu diria que são alguns dos países mais próximos de Israel, a começar pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos poderiam também eles ser determinantes no terminar deste conflito. A comunidade internacional poderia impor, como tem feito noutros casos, sanções de natureza económica e Israel não teria alternativa senão inverter a marcha dos acontecimentos. Agora, as Nações Unidas não vão conseguir fazer nada. Eu estou a falar do bloco, estou a falar da organização porque, como referiu e bem, são repetidos os apelos às negociações, à contenção, a tudo isso e não tem tido qualquer efeito prático. E vai continuar a não ter qualquer efeito prático, porque as Nações Unidas têm poder de aconselhamento, mas não têm poder de materialização das suas decisões. Seria, então, a começar pelos Estados Unidos e também pela União Europeia e pelo Reino Unido, uma vontade política de enfrentar a posição de Israel. Acontecerá se aparecerem novos atores entre os dirigentes de Telavive, porque começa a haver fracturas dentro do Governo de Netanyahu e uma delas é mesmo veiculada pelo ministro da Defesa e Yoav Galant.
Mas se imaginarmos um cenário de guerra... o Hezbollah e o Irão são mais perigosos para Israel do que o Hamas.
Poderá ser uma uma tendência optimista, mas eu não acredito que entremos numa confrontação directa porque isso vai alastrar a actores mais poderosos. Estou a falar do bloco chinês com os seus aliados, desde logo a Rússia, e, naturalmente, o Irão e os grupos que lhe estão associados. Num cenário de confrontação directa, passo a ser pessimista e a dizer que isto alastraria para um conflito mundial. Há muita gente que diz que a Terceira Guerra Mundial já está numa fase de aquecimento, mas eu não acredito que a situação venha a descambar nesse sentido. Continuará a haver escaramuças e se subirem de tom continuarão a ser num tom controlado. Haverá alguma parcimónia por parte dos grupos e dos Estados que se opõem a Israel.
By RFI PortuguêsO exército israelita e o Hezbollah trocaram ataques este domingo, aumentando os receios de uma guerra regional que já conta com o conflito entre Telavive e o Hamas. Foram os ataques mais intensos entre Israel e a milícia xiita libanesa, desde o início da guerra em Gaza.
As Forças de Defesa de Israel lançaram neste domingo uma ofensiva no Líbano, a que chamaram "ataque preventivo", depois de terem detectado preparativos do Hezbollah para lançar “ataques em grande escala” contra o território israelita. Neste ataque, 100 caças atingiram 40 alvos de infra-estruturas da milícia xiita. Na resposta, o Hezbollah afirmou ter iniciado a "primeira fase" de um grande ataque, disparando 320 foguetes e drones. Apesar de terem sido os ataques mais intensos desde o início da guerra em Gaza entre Israel e o Hezbollah, João Henriques, vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico, não considera que vão dar origem a uma nova guerra na região.
RFI: Nas reacções a este ataque, Benjamin Netanyahu disse que a resposta do país foi mais um passo para mudar a situação no Norte, e que este não é o fim da história. Por seu lado, o Hezbollah disse a operação deste fim-de-semana foi concluída e realizada com sucesso. Para já, ninguém quer uma guerra. O que é que está aqui em causa?
João Henriques: A guerra não é desejável. Mas nós estamos a assistir a um jogo de retaliações, de provocação que está implícita. Eu acredito que isto não passe de retórica, mais nada. Para um eventual apaziguamento, até para que a comunidade internacional que está a ser liderada pelos Estados Unidos vejam que da parte dos envolvidos há alguma moderação, alguma vontade para resolverem o conflito pela via diplomática.
O que aconteceu este fim-de-semana põe em causa as negociações em curso para a tentativa de encontrar um acordo de cessar-fogo?
Sim, porque ao mesmo tempo que querem dizer que têm vontade de negociar e de restabelecer a paz na região vão atacando, com ou sem razão. Este ataque por parte de Israel é uma mensagem que o país está a transmitir não só ao Hezbollah mas ao eixo de resistência e à comunidade internacional em geral, de que o seu propósito de eliminar estes adversários mantém-se. E depois assistimos aos Estados Unidos, que ao mesmo tempo que dizem que querem ver a situação resolvida estão a enviar armamento para Israel. E o que é que nós vemos em relação às acções do Hezbollah, por um lado, e também do Hamas, e de Israel, por outro: que as posições, sobretudo as do Hamas e de Israel estão a sofrer algum enfraquecimento. No caso de Israel, esse enfraquecimento é não só de natureza bélica, de natureza militar, mas também de natureza política.
E acredita que com esta pressão interna e externa para um cessar-fogo em Gaza Benjamin Netanyahu vai ceder?
Vai continuar a ceder, apesar de dizer sobretudo aos Estados Unidos e aos seus aliados mais próximos, porque é também uma mensagem para fora, de que tem vontade de estabelecer a paz. Todavia, o programa político do actual Governo não é consentâneo com essa dialéctica, com essa retórica. Seja como for, a comunidade internacional está a pressionar. E o que é que vai acontecer? O governo de Netanyahu vai mesmo cair? Eu não vou dizer que seja já. Em fundo temos as eleições nos Estados Unidos.
Muito importantes para este processo.
Naturalmente que têm uma implicação determinante, independentemente de ser o candidato republicano ou o candidato democrata a ganhar. Diria que há um antes e um depois de 5 de Novembro. Kamala Harrison já fez saber que a situação com ela na Casa Branca não vai continuar como tem estado até aqui. E também já conhecemos aquilo que têm sido as afirmações de Donald Trump no caso de ser ele o vencedor das eleições. São determinantes para a evolução da situação.
A ONU apelou aos dois lados para evitarem uma escalada de violência. São apelos repetidos que até agora não têm funcionado. Quem é que pode mudar alguma coisa?
Eu diria que são alguns dos países mais próximos de Israel, a começar pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos poderiam também eles ser determinantes no terminar deste conflito. A comunidade internacional poderia impor, como tem feito noutros casos, sanções de natureza económica e Israel não teria alternativa senão inverter a marcha dos acontecimentos. Agora, as Nações Unidas não vão conseguir fazer nada. Eu estou a falar do bloco, estou a falar da organização porque, como referiu e bem, são repetidos os apelos às negociações, à contenção, a tudo isso e não tem tido qualquer efeito prático. E vai continuar a não ter qualquer efeito prático, porque as Nações Unidas têm poder de aconselhamento, mas não têm poder de materialização das suas decisões. Seria, então, a começar pelos Estados Unidos e também pela União Europeia e pelo Reino Unido, uma vontade política de enfrentar a posição de Israel. Acontecerá se aparecerem novos atores entre os dirigentes de Telavive, porque começa a haver fracturas dentro do Governo de Netanyahu e uma delas é mesmo veiculada pelo ministro da Defesa e Yoav Galant.
Mas se imaginarmos um cenário de guerra... o Hezbollah e o Irão são mais perigosos para Israel do que o Hamas.
Poderá ser uma uma tendência optimista, mas eu não acredito que entremos numa confrontação directa porque isso vai alastrar a actores mais poderosos. Estou a falar do bloco chinês com os seus aliados, desde logo a Rússia, e, naturalmente, o Irão e os grupos que lhe estão associados. Num cenário de confrontação directa, passo a ser pessimista e a dizer que isto alastraria para um conflito mundial. Há muita gente que diz que a Terceira Guerra Mundial já está numa fase de aquecimento, mas eu não acredito que a situação venha a descambar nesse sentido. Continuará a haver escaramuças e se subirem de tom continuarão a ser num tom controlado. Haverá alguma parcimónia por parte dos grupos e dos Estados que se opõem a Israel.

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