Nossos sócios Luiz Eduardo Portella, Tomás Goulart e Sarah Campos debatem, no episódio de hoje, os principais acontecimentos da semana no Brasil e no mundo.
No cenário internacional, o debate sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho ganhou destaque. Um artigo do Citrini Research trouxe uma visão mais pessimista, sugerindo que a IA pode ampliar a substituição entre capital e trabalho, reduzir a renda do trabalho, enfraquecer o consumo e gerar pressões deflacionárias. Em contraponto, análises como a da Citadel destacaram que grandes ondas tecnológicas historicamente destruíram empregos, mas também criaram novos postos em maior número ou valor, impulsionando ganhos de produtividade e a expansão de novas atividades. A divergência está menos no aumento de produtividade e mais na velocidade de adaptação e na distribuição desses ganhos. A semana também foi marcada pela continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã e, no Japão, pela indicação de novos membros para o BOJ, além de relatos de preocupação do governo com a trajetória recente de alta de juros.
No Brasil, o IPCA-15 surpreendeu para cima, com alta de 0,84% ante expectativa 0,58%, puxado por itens voláteis como passagens aéreas, seguro e perfumes. A curva de juros abriu após o dado. No campo político, pesquisas mostraram continuidade da perda de popularidade do presidente Lula, com Flávio Bolsonaro empatado ou ligeiramente à frente em cenários de segundo turno, além do avanço da agenda da oposição.
A incerteza em torno da IA gerou rotação setorial nos mercados, com destaque para a queda de cerca de 8% dos bancos regionais nos EUA (KRE). Mesmo após resultados fortes, a Nvidia encerrou a semana em baixa. Os índices Nasdaq (-0,20%) e S&P 500 (-0,40%) registraram leves quedas, enquanto o Russell 2000 foi mais impactado, recuando 1,70%. Os juros americanos fecharam, com redução de prêmio na parte longa. O dólar seguiu fraco frente a emergentes e moedas desenvolvidas, com valorização de 1% do real. Ouro e prata avançaram, assim como o petróleo, em meio à tensão geopolítica. O Ibovespa caiu aproximadamente 1%.
Na próxima semana, destaque para payroll, ISMs e vendas no varejo nos EUA, inflação na Zona do Euro e PMIs da China. No Brasil, atenção ao Caged e ao PIB.