A maior corrida bancária da história dos EUA aconteceu na semana passada. Em um dia, as retiradas chegaram a US$ 42 bilhões, depois que o Silicon Valley Bank resolveu vender parte de seus investimentos – reflexo da alta dos juros da maior economia do mundo. Com os saques recordes, logo ficou claro que o SVB não teria dinheiro suficiente para pagar seus clientes. Resultado: o banco quebrou. Dois dias depois, o Signature Bank também precisou de intervenção federal. O temor de uma crise parecida com a de 2008, fez o governo Joe Biden anunciar medidas para evitar um efeito dominó. Para entender as causas e as consequências da quebra do banco, Natuza Nery recebe a economista Monica de Bolle, professora e pesquisadora que fala direto de Washington. Neste episódio:
- Monica explica as características do SVB, banco focado em startups e empresas de biotecnologia. “Era um banco de nicho que cresceu e cresceu muito, principalmente nos anos mais recentes, com a explosão das startups”;
- Detalha os fatores que criaram a “tempestade perfeita” para a corrida bancária que levou à falência do SVB: dificuldade das startups se financiarem, o ciclo de alta dos juros nos EUA e clientes “hiperconectados”;
- Aponta as diferenças da crise bancária atual em relação a de 2008, e analisa o que o episódio do SVB deixa de lição para o mercado financeiro dos EUA, um sistema sem regulação centralizada;
- E avalia as possíveis consequências para o Brasil, onde empresas também vivem uma crise de crédito: “Se as empresas começam a não ter capacidade de pagamento, começa a repercutir no sistema bancário”, refletindo na alta de juros, diz.