A sinodalidade, em sua essência, é umchamado ao encontro, à escuta e à comunhão. Por isso, uma Igrejaverdadeiramente sinodal não caminha sozinha: ela se abre ao diálogo com osirmãos de outras confissões cristãs e com crentes de outras religiões,reconhecendo que o Espírito Santo atua além das fronteiras visíveis daIgreja Católica. O caminho sinodal é, por sua própria natureza, tambémecumênico e inter-religioso.
Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja temreafirmado seu compromisso com a unidade dos cristãos e o respeito aos crentesde outras tradições religiosas. O decreto Unitatis Redintegratio afirma:“Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principaispropósitos do sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II” (UR, 1). E a declaração NostraAetate convida ao diálogo com os seguidores de outras religiões,especialmente pelo que há de verdadeiro e santo em suas tradições.
A sinodalidade amplia e aprofunda essehorizonte. Caminhar juntos implica também caminhar com os outros, com osdiferentes, com aqueles que professam uma fé diversa ou que vivem em outrasexpressões do cristianismo. O Papa Francisco tem dado forte testemunho dessecaminho com seus encontros com líderes ortodoxos, protestantes, muçulmanos,judeus, budistas, e com seu esforço por uma fraternidade universal, expressa naencíclica Fratelli Tutti.
Nesse contexto, o diálogo não é umaestratégia de aproximação, mas uma exigência evangélica. Jesus mesmo dialogoucom estrangeiros, com samaritanos, com publicanos, com mulheres excluídas. Suaatitude sempre foi de acolhida, escuta e partilha da verdade com caridade. Sersinodal é assumir esse mesmo espírito de encontro.
O diálogo ecumênico busca, principalmente,a unidade entre os cristãos, que compartilham a fé em Cristo, ainda quedivididos por doutrinas e práticas. Essa unidade é desejada por Jesus, querezou: “Pai, que todos sejam um, para que o mundo creia” (Jo 17,21). Já odiálogo inter-religioso é o esforço de encontro e cooperação com outrasreligiões, reconhecendo nelas elementos de verdade, de bem e de busca sincerade Deus.
Ambos os diálogos requerem escutarespeitosa, humildade, conhecimento mútuo e colaboração em causas comuns,como a paz, a justiça, o cuidado com a criação e a defesa da dignidade humana.A sinodalidade convida a Igreja a ser ponte, e não muro. Lugar de acolhida, enão de confronto.
Na vida pastoral concreta, essa dimensãopode parecer distante. Mas ela se torna real quando se promove, por exemplo, aconvivência respeitosa com outras igrejas cristãs do bairro, quando separticipa de iniciativas inter-religiosas de solidariedade, quando se convidarepresentantes de outras tradições para momentos de escuta e partilha.
Duas ações práticas podem favorecer essecaminho. A primeira é organizar encontros ou semanas de oração pela unidade doscristãos, promovendo o conhecimento e a oração conjunta com irmãos de outrasigrejas. A segunda é promover ações conjuntas com outras confissões oureligiões, como campanhas solidárias, mutirões pela paz, iniciativas ambientaisou rodas de diálogo sobre temas comuns.
A Igreja sinodal não se fecha em si mesma.Ela reconhece que o Espírito de Deus sopra onde quer e que muitos fora de suasfronteiras visíveis colaboram com o Reino de Deus. Como afirmou o PapaFrancisco: “Ser Igreja é ser um povo em caminho, capaz de escutar todos ediscernir o que o Espírito nos diz, inclusive por meio dos outros” (Discurso,09/10/2021).
Nesse espírito, odiálogo deixa de ser ameaça e passa a ser missão. Ele fortalece a identidade daIgreja, expande a caridade e manifesta a unidade que brota de Deus, Pai detodos, que deseja que a humanidade caminhe junta, em fraternidade, respeito epaz. Assim, a sinodalidade se torna sinal visível de uma Igreja que não apenascaminha unida internamente, mas estende a mão para caminhar com toda ahumanidade.