A sinodalidade não é um fim em si mesma.Ela existe para tornar a Igreja mais fiel à sua missão evangelizadora.Caminhar juntos não é apenas uma experiência de comunhão interna, mas umimpulso para sair, ir ao encontro, testemunhar e servir. Uma Igreja sinodal é,por natureza, missionária. Como afirma o Papa Francisco: “A ação missionária éo paradigma de toda obra da Igreja” (Evangelii Gaudium, 15).
A missão na perspectiva sinodal é, antesde tudo, uma missão em saída, que rompe com o comodismo pastoral e com ofechamento institucional. A Igreja sinodal se recusa a ficar autorreferencial.Ela se abre ao mundo, às dores humanas, às periferias, aos que não frequentamos templos, mas têm sede de sentido. Como o próprio Jesus, vai ao encontro, semmedo da poeira do caminho.
Além disso, a missão sinodal é inspiradana escuta. Evangelizar não é impor, mas escutar primeiro. Escutar os gritosda humanidade, os clamores dos pobres, as perguntas dos jovens, as feridas dasfamílias, os desafios da cultura atual. A missão começa com a escuta atenta darealidade, e só depois se transforma em anúncio.
O Papa Francisco insiste nesse ponto: “AIgreja deve aprender a escutar. A escuta é mais do que ouvir. É uma escutarecíproca, na qual cada um tem algo a aprender” (Discurso de Abertura doSínodo, 2021). A missão, portanto, não é monólogo, mas diálogo. Não éestratégia, mas encontro. Não é marketing, mas compaixão.
Uma Igreja sinodal e missionária é também umaIgreja que serve. O serviço, ou diaconia, é uma das formas mais concretasda evangelização. Anunciar o Evangelho é também dar de comer, acolher osrefugiados, defender a vida, cuidar dos doentes, proteger a casa comum. Amissão não se separa da caridade. Como dizia São João Paulo II: “O homemcontemporâneo escuta com mais boa vontade as testemunhas do que os mestres... ese escuta os mestres, é porque são também testemunhas.”
Na prática, a pastoral sinodal deveintegrar a dimensão missionária a todas as suas ações: planejar com base narealidade local, escutar os afastados, abrir espaços de acolhimento, sair emmissão nas casas, nas ruas, nas redes sociais. A missão deve envolver todos osbatizados, e não apenas os grupos específicos. Toda paróquia deve ser umacomunidade missionária.
Duas ações práticas ajudam a viver essamissão sinodal. A primeira é promover semanas missionárias paroquiais,com visitação das famílias, escuta comunitária e celebrações abertas. A segundaé organizar grupos de escuta dos que estão fora da Igreja, como forma deaprender com eles e planejar ações de acolhida e reintegração.
A missão sinodal é feita com os pés nochão, os ouvidos atentos e o coração ardente. Não é uma tarefa de alguns, masde todos. Cada comunidade, por menor que seja, é chamada a ser sinal doEvangelho no bairro, na cidade, na roça, na escola, no trabalho, nas redes. UmaIgreja sinodal é uma Igreja viva, que caminha com o povo e leva o Cristo vivoaonde Ele ainda não foi reconhecido.
Evangelizar não é umaopção da Igreja. É sua identidade mais profunda. E a sinodalidade é o caminhopelo qual essa missão se realiza com mais verdade, mais participação e maisfidelidade ao estilo de Jesus: que andava com os pobres, escutava os pequenos eservia a todos. Caminhar juntos é também sair juntos, com coragem,alegria e esperança, para que todos tenham vida.