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Plataforma cultural moçambicana apresentada em Paris


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A plataforma digital moçambicana “Nuibrava Cultura” foi apresentada durante a Semana Africana na Unesco, em Paris, de 22 a 24 de Maio. O projecto de gestão e promoção da cultura moçambicana e africana pretende dinamizar a circulação de arte e cultura africanas e contribuir para a criação de um fundo africano para as artes.

Foi na Semana Africana na Unesco, em Paris, que Moçambique apresentou a plataforma digital “Nuibrava Cultura”. Trata-se de um projecto de gestão e promoção da cultura africana que permite, por exemplo, comprar obras de arte e solicitar serviços artísticos e culturais. O objectivo é, também, dinamizar a circulação de arte e cultura africanas e contribuir para a criação de um fundo africano para as artes. A Nuibrava Cultura é presidida por Nuno Vazir Ibrahimo que explicou à RFI, na UNESCO, em que consiste o projecto.

RFI: O que é esta plataforma “Nuibrava Cultura”?

Nuno Vazir Ibrahimo, Presidente da “Nuibrava Cultura”: "Esta plataforma visa fazer a gestão e promoção da cultura não só moçambicana, mas também africana. Ela visa mapear a cultura, as etnias e os povos africanos congregados em uma única base de dados e cruzar muita informação."

O objectivo também passa por criar um fundo africano para os artistas?

Exacto, para a gestão cultural a todos os níveis, onde todos os fazedores das artes e de culturas possam depositar lá as suas ideias e seus projectos e possam ter um impacto directo no PIB africano. A ideia é termos um fundo a este nível. Segundo a União Europeia, a cultura contribui somente para 1,5% do PIB africano. Com esta iniciativa nós pretendemos fazer chegar a 6,5% até 10%. O fundo poderá ser a contribuição dos estados-membros africanos em alguma percentagem. É o mesmo fundo a fazer a gestão e a promoção de iniciativas de jovens, de mulheres, até de pessoas analfabetas, e promover as boas práticas ambientais, culturais.

Até agora, o que é que fizeram? Quantos artistas, artesãos, pessoas do mundo da arte estão implicados neste momento na plataforma?

O que nós viemos fazer [a Paris] foi a oficialização da plataforma nesta catedral que é a UNESCO. Foi o melhor sítio que nós tivemos para o fazer. Depois, segue para a União Africana porque o governo de Moçambique já tem conhecimento da mesma. Ela já tem alguns artistas e está a fazer o cadastro ainda ao nível do Moçambique. Nós viemos para estes corredores, onde estão outros países africanos a expor, e é aqui que nós estamos a convidá-los para fazer parte deste mega evento que é esta plataforma.

E como funciona? Se eu sou um galerista, posso comprar um quadro?

Sim, pode comprar, está lá disponível. Por exemplo, você está aqui em Paris e quer comprar uma obra de Moçambique. Pode fazê-lo nesta nossa plataforma e temos acordos com a DHL África através de Moçambique. Fizemos a conexão com as DHL em África e a empresa de logística que está mais bem assente em África. Outras hão-de vir mais à frente. Depois, é pago na plataforma através do e-commerce e o artista disponibiliza o material após o recebimento, também por via de plataformas digitais de pagamento.

O objectivo é também evitar contrabandos e negócios “paralelos”?

Não é só evitar, mas também consciencializar todos os que vamos operar nesta plataforma. É preciso defender os direitos de autor. Nós viemos aqui, à UNESCO, a casa do Direito. O nosso guião está aqui. Nós queremos valorizar a nossa cultura africana. Existe muito contrabando de material africano e a não contabilização disto para o PIB africano. Não existe nada que quantifique e esta plataforma vai quantificar.

Mas há algumas galerias reconhecidas, em Angola por exemplo, que conseguem exportar artistas africanos. Qual vai ser a diferença?

Bem, eu penso que Angola só está a exportar, mas não está a quantificar. Eu penso que Angola não está a trazer um contributo e quantificação para a sua economia, no meu entender, porque quando a gente fala exportar, qual é o agregar de valor que essa obra traz? Nós rastreamos o material até ao último cliente sempre que alguém compra.

Nesta altura há o debate em Portugal - já houve noutros países europeus - da restituição de obras de arte espoliadas durante o tempo da colonização e escravatura. O que pensa de todo este debate que, no fundo, também vem ao encontro desta necessidade de reconhecimento da arte africana?

É exactamente isso. Se nós hoje estamos a reivindicar a nossa identidade, temos que voltar a casa e evitar que isto aconteça, que alguém mais à frente continue a tirar-nos a identidade. Ao termos esta plataforma, este registo do que é nosso, jamais iremos perder a identidade que perdemos antes. Então é um pouco este resgate, esse renascer da consciência africana.

Quais são, digamos assim, os cabeças-de- cartaz, para já, na plataforma? Por exemplo em termos de nome da arte moçambicana?

Estamos a contactar muitos, desde os grandes nomes até os que estão no anonimato. Neste momento, temos aqui os quadros da Dora Chipande. Ela tem estado a fazer um trabalho sobre a consciência do terrorismo na província de Cabo Delgado, que é o tema que nos fez trazer as suas obras cá à UNESCO, que é para levar a consciência do grande mal que é o terrorismo.

Neste momento, também temos o José Craveirinha e somos representantes da Fundação José Craveirinha. Estamos a apoiar a Fundação José Craveirinha na reedição do “Karingana ua caringana” que acontecerá no dia 29 de Maio, no Centro Cultural de Moçambique-China, e também estamos a promover na zona da região de Viseu, na Semana da República de Portugal, que é 15 a 20 de Outubro, um evento luso-moçambicano onde iremos levar as 23 etnias moçambicanas.

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