Podcast JR Entrevista

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  • Presidente do CFM defende rigor no ensino médico e na estética

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (24) é o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), José Hiran Gallo. Ao jornalista Thiago Nolasco, ele falou sobre a medida provisória que cria o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), a qualidade do ensino médico no Brasil, a distribuição de profissionais pelo país e temas relacionados à segurança dos pacientes.

    Durante a conversa, Gallo manifestou apoio ao exame de proficiência, mas criticou o modelo da Medida Provisória 1.370, defendendo que a avaliação seja aplicada pelo próprio CFM e não pelo Inep. Ele argumentou que a prova deve ser mais rigorosa, com pelo menos 300 questões e uma etapa prática. “Medicina não tem como você aprender a distância. Medicina tem que ser ao lado de um paciente”, afirmou.

    O presidente do conselho demonstrou preocupação com a qualidade das 450 faculdades de medicina no país, citando que, no último Enamed, cerca de 14 mil estudantes tiveram notas insuficientes. Gallo criticou a falta de hospitais universitários e de fiscalização do MEC na abertura desses cursos. “Quando você quer destruir um país, destrua a educação. Aí fica tudo fácil".

    Sobre a distribuição de profissionais, Gallo afirmou que o Brasil possui médicos suficientes (750 mil), mas que faltam políticas públicas para fixá-los no interior e ampliar as vagas de residência médica. Ele também pontuou que o “achatamento salarial” e as dívidas do Fies dificultam o início da carreira dos jovens médicos.

    Na área de segurança do paciente, o dirigente explicou o banimento do PMMA (polimetilmetacrilato) para fins estéticos devido aos riscos de necrose e morte, reforçando que “estética chega, porque tem outros produtos melhores e que não são nefrotóxicos”. Gallo também alertou sobre o uso de “canetas emagrecedoras” sem prescrição e concluiu afirmando que, apesar dos avanços tecnológicos, a inteligência artificial jamais substituirá o diagnóstico humano feito pelo médico.

    O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    32 min
  • Rogério Marinho associa cúpula do governo Lula à ‘gênese’ do Master na Bahia

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (22) é o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). Ao jornalista Thiago Nolasco, ele falou sobre as investigações da Operação Cúmplice Zero, criticou a condução de inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) e detalhou propostas de segurança pública para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência.O senador afirmou que o crescimento do Banco Master, alvo de investigações recentes, teve origem em decisões tomadas durante gestões petistas no governo da Bahia. Marinho citou nominalmente o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner. De acordo com o parlamentar, o processo começou com a venda do Credcesta, instituição estadual que atendia servidores públicos.“O Banco Master começa a existir e com esse tamanho [...] a partir de uma decisão tomada pelo governo da Bahia, do atual e do ex-chefe da Casa Civil do governo do Lula, o Rui Costa, e do então secretário de governo, o Jaques Wagner”, declarou Marinho. Ele classificou a relação como uma “promiscuidade” iniciada no estado e afirmou que a instituição se tornou protagonista no mercado financeiro sob o “benefício e conivência do poder público”.Ao comentar a situação jurídica do país, Marinho disse que o Brasil vive hoje uma “jurisprudência da exceção”. O senador criticou a duração do inquérito das fake news e a centralização de funções em magistrados do STF. “O ministro [Alexandre de Moraes], ele é vítima e é juiz, é carcereiro e executor da pena”, afirmou o líder da oposição.O parlamentar também afirmou que o sistema judiciário brasileiro tem sido questionado internacionalmente. Segundo Marinho, cortes de países como Itália e Espanha negaram extradições por entenderem que havia “excessos por parte do judiciário brasileiro, que não estava cumprindo o devido rito legal”.Marinho apresentou as diretrizes de segurança pública defendidas pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro, incluindo a redução da maioridade penal para 16 anos (e 14 anos em casos de crimes hediondos) e o fim da progressão de regime para condenados por crimes hediondos. Ele também defendeu o uso obrigatório de tornozeleiras eletrônicas para todos os cidadãos que possuam medidas protetivas contra si em casos de violência contra a mulher.No encerramento, o senador avaliou a situação econômica do país e afirmou que o atual governo deixará uma “herança maldita” para as próximas gerações. Ele apontou um déficit nominal próximo de R$ 1 trilhão por ano e o crescimento da dívida pública. “O governo do PT é como uma praga de saúva, uma praga de gafanhoto, ele devora tudo ao seu redor”, concluiu.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    34 min
  • JR ENTREVISTA: ‘Soberania não pode ser afetada’, diz Nelsinho Trad sobre terras raras

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (17) é o senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. À jornalista Tainá Farfan, ele falou sobre os impactos econômicos das sobretarifas anunciadas pelos Estados Unidos, a importância estratégica das terras raras e as negociações para consolidar o acordo entre Mercosul e União Europeia.O senador manifestou preocupação com a possibilidade de as taxas sobre produtos brasileiros atingirem 37,5%, o que gera insegurança jurídica para os exportadores. Para Trad, o governo americano utiliza prazos de aplicação para forçar negociações, o que abre uma janela para a diplomacia brasileira. “Ainda tem tempo pra gente sentar, dialogar, ponderar e tentar reverter isso aí”, afirmou o parlamentar, defendendo que o presidente Lula promova uma reunião de alto nível com Washington.Um dos pontos centrais da entrevista foi o interesse dos EUA nos minerais estratégicos do Brasil como alternativa à dependência da China. O senador alertou que a pressão tarifária e a recente classificação de grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas podem estar conectadas a esse interesse comercial. Nelsinho Trad defendeu a cooperação técnica para extração, mas com limites claros: “A soberania nossa não pode ser jamais afetada. Temos que utilizar a forma prática que eles têm da exploração disso para a gente poder produzir essa riqueza e que ela fique no nosso território.”Diante do cenário de protecionismo, Trad defendeu a abertura de novos mercados, destacando o acordo com a União Europeia, que abrange mais de 5.000 itens. Ele relatou reuniões com parlamentares europeus para desfazer preconceitos sobre o agronegócio brasileiro, prevendo um impacto positivo imediato com a redução de impostos em diversos setores. Segundo o senador, “um acordo quando ele é feito se pressupõe que é bom pros dois lados, senão não faz o acordo. Então a gente entende que tem tudo para ser bom pros dois lados. É um acordo de ganha ganha”.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    33 min
  • Presidente do Sindifisco diz que Receita promove ‘asfixia financeira’ de facções

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quinta-feira (11) é o presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real. À jornalista Flávia Alvarenga, ele comentou o papel estratégico da Receita Federal na desarticulação das finanças de organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, a importância do monitoramento de fintechs para evitar a lavagem de dinheiro e o impacto do déficit de servidores na fiscalização de portos e fronteiras do país.Segundo Real, embora o senso comum ligue o crime organizado ao tráfico de drogas e armas, facções como o PCC e o Comando Vermelho operam hoje como “conglomerados empresariais” que se infiltram na economia lícita para ocultar ativos. A Receita Federal atua justamente no rastreamento desses patrimônios, investigando beneficiários reais e fluxos financeiros clandestinos que não possuem origem declarada. “Muitas vezes o auditor fiscal se depara com a utilização de fluxos financeiros para ocultar patrimônio, ocultar ativos. E às vezes esses ativos são ativos de facções criminosas”, explicou.Um dos exemplos de maior impacto citados foi a Operação Carbono Oculto, que revelou como o crime organizado dominou toda a cadeia de combustíveis, desde refinarias até milhares de postos de gasolina. Dão Real detalhou que esses estabelecimentos eram usados para lavar dinheiro e maximizar lucros através da sonegação e da venda de produtos adulterados com metanol. “A lavagem de dinheiro é um crime. Mas a atividade que lava o dinheiro não precisaria ser uma atividade criminosa. Só que eles utilizaram atividades criminosas para lavar dinheiro, por exemplo, falsificar combustível”, avaliou.A entrevista também abordou o uso de bancos digitais e “contas bolsão” para dificultar a identificação dos verdadeiros donos do dinheiro. Real explicou que a Receita Federal precisou criar normas para equiparar as obrigações das fintechs às dos bancos tradicionais, exigindo a declaração dos CPFs dos beneficiários das movimentações. Antes desse monitoramento, o crime “descarregava” recursos nessas plataformas para “esquentar” o dinheiro por meio de fundos de investimento que, posteriormente, adquiriam bens reais e empresas legítimas.Real também destacou que a missão da Receita é complementar à da Polícia Federal. Enquanto a polícia foca nas prisões, o fisco atua na punição econômica para desestruturar a logística das facções. “A Receita é um instrumento poderoso exatamente neste componente do crime que é o financiamento, que é a asfixia financeira. Quando eu tiro o oxigênio do crime, eu combato o crime de forma mais inteligente e torno mais cara a prática criminosa”, afirmou.Apesar do avanço tecnológico e do uso de Inteligência Artificial, Real alertou que a carência de pessoal é um obstáculo crítico. Atualmente, a Receita conta com apenas 6.800 auditores ativos, cerca de metade do quadro que possuía em 2014, o que sobrecarrega a fiscalização aduaneira e o combate a fraudes estruturadas. Ele defendeu ainda a necessidade urgente de novos concursos, afirmando que a tecnologia não substitui a capacidade humana de analisar a enorme massa de dados aprendidos em operações complexas.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    38 min
  • Elbia Gannoum destaca potencial do Brasil para liderar a transição energética

    A convidada do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (10) é a presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica) e vice-presidente da GWEC (Global Wind Energy Council), Elbia Gannoum. À jornalista Lívia Veiga, ela falou sobre a posição estratégica do Brasil na corrida global pela transição energética, destacando que o país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Segundo Gannoum, o Brasil vive hoje um “bônus verde” que precisa ser transformado em vantagem competitiva real para atrair investimentos e impulsionar a economia.Gannoum explica que, embora o Brasil utilize fontes renováveis há décadas, a valorização global desses recursos ganhou força após o Acordo de Paris, em 2015. Com a Europa passando a exigir produtos de baixo carbono a partir de 2026, o Brasil tem uma oportunidade estratégica única. “O Brasil é o país mais renovável do mundo. Estamos num processo de construção para transformar a vantagem comparativa em vantagem competitiva”, afirmou a especialista durante a entrevista.Um dos pontos centrais da discussão foi o paradoxo da sobra de energia durante o dia. Com o avanço da geração solar em telhados, o sistema produz em excesso entre as 10h e 16h, o que muitas vezes força o desligamento de grandes usinas por segurança. Para corrigir esse desperdício, ela defende o uso de baterias para armazenar o excesso e a adoção de tarifas mais baratas que incentivem o consumo nesse horário.O impacto socioeconômico do setor também foi pauta, com foco no Nordeste, que concentra 95% da produção eólica do país. Gannoum apresentou números que comprovam o alto retorno desses investimentos para a sociedade. “A cada R$ 1 que você investe em energia renovável, você devolve R$ 3 para a economia brasileira”. Esse fluxo financeiro foi fundamental para que o PIB (Produto Interno Bruto) da região crescesse 21% nos últimos 15 anos e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) local saltasse 20% nas áreas que abrigam os parques eólicos.Apesar do otimismo, há um alerta sobre a perda de liderança para países como a China, que hoje domina o mercado global de transição energética. Elbia aponta que o Brasil está relativamente atrasado na regulamentação de leis cruciais, como as de eólicas offshore e hidrogênio verde, o que gera insegurança jurídica. Ela também criticou o descompasso entre o Executivo e o Legislativo, que por vezes aprova leis que contrariam o planejamento técnico e encarecem o sistema.Para o futuro, a aposta do setor reside na descarbonização da indústria e na atração de centros de dados de alta tecnologia. Gannoum reforça que a energia deve ser vista como uma alavanca de industrialização e crescimento do PIB. “O Brasil tem todas as condições para ocupar esse espaço... ele não precisa mais discutir o que tem que ser feito, ele precisa fazer”, concluiu, enfatizando a “urgência do presente” para que o país não perca a janela de oportunidade global.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    33 min
  • Welber Barral analisa riscos de sanções e o futuro do comércio brasileiro

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (3) é o jurista Welber Barral. À jornalista Lívia Veiga, ele falou sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e a disputa tecnológica entre China e Índia no âmbito da OMC.Barral explicou que a inclusão de grupos como o PCC e o CV (Comando Vermelho) na lista de organizações terroristas estrangeiras amplia as sanções e cria um “risco sistêmico” para a economia brasileira. Segundo ele, o perigo atinge investidores com relações mesmo que indiretas com essas entidades. “Um investidor estrangeiro, por exemplo, que compre uma empresa no Brasil e essa empresa se abasteça num posto do PCC, ele pode ser processado nos Estados Unidos”, afirmou.O jurista alertou que a medida deve elevar drasticamente os custos de fiscalização, afetando especialmente instituições financeiras e fintechs. “Vai aumentar o custo de compliance, vai aumentar o custo de diligências para comprovar que não há nenhuma relação com essas organizações agora terrorísticas”, disse. Ele lembrou que setores como a mineração são particularmente vulneráveis por ainda carecerem de mecanismos rígidos de controle e transparência.Ao comentar o acordo entre Mercosul e União Europeia, Barral destacou que a negociação avançou porque a Europa buscou alternativas comerciais às políticas protecionistas de Washington. Ele observou que o agronegócio brasileiro será o maior beneficiado com a queda imediata de barreiras tarifárias, enquanto o setor industrial nacional deverá se preparar para uma concorrência europeia mais agressiva em áreas como máquinas e equipamentos.Barral também ressaltou sua recente indicação para um painel de arbitragem na OMC (Organização Mundial do Comércio), onde analisará uma disputa entre China e Índia sobre subsídios em carros elétricos e energias renováveis. Para ele, o caso é um marco para a economia do futuro. “A discussão jurídica sobre a validade ou não dessas políticas industriais vai estar em causa e, por isso, vai ser um precedente bastante importante”, declarou.O especialista criticou a lentidão do processo decisório no Brasil, o que pode fazer o país perder oportunidades estratégicas em áreas como a transição energética e a exploração de terras raras. Para Barral, o país precisa de uma estratégia de Estado que supere a polarização política. “Agora é um momento de geoeconomia. É um momento em que a economia se tornou um problema geopolítico”, observou.Ao encerrar a entrevista, o jurista concluiu que o cenário internacional se tornou mais complexo e voltado para a segurança nacional, exigindo que o Brasil profissionalize suas relações externas. “Todo o tema comercial se tornou mais complexo porque ele envolve cada vez mais questões estratégicas”, finalizou, citando que fatores como inteligência artificial e logística marítima agora definem o sucesso das nações.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    32 min
  • Luis Felipe Salomão defende reforma para tornar Judiciário mais rápido e eficiente

    O convidado do JR ENTREVISTA desta terça-feira (2) é o vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Luis Felipe Salomão. Ao jornalista Clébio Cavagnolle, ele fala sobre o Fórum de Lisboa, os desafios do Poder Judiciário, a necessidade de uma reforma estrutural da Justiça e os preparativos da Justiça Eleitoral para as eleições.Salomão destacou a projeção internacional do Fórum de Lisboa, que neste ano integra a programação da Semana do Brasil em Portugal, iniciativa que reúne autoridades, especialistas e acadêmicos para discutir temas de interesse global, como democracia, cultura, tecnologia e economia. “É um debate que cruzou o Atlântico e ganhou o mundo, porque trata de temas que são interessantes serem abordados com um pensamento de fora da caixa”, afirmou.Ao comentar o funcionamento do Judiciário brasileiro, o ministro lembrou que a Constituição de 1988 ampliou significativamente o acesso da população à Justiça ao garantir uma extensa lista de direitos. Como consequência, houve um crescimento expressivo da litigiosidade no país. Segundo ele, o número de novas ações judiciais passou de cerca de 350 mil por ano para aproximadamente 35 milhões.Para Salomão, o principal desafio da Justiça brasileira é estrutural. O magistrado defendeu uma reforma capaz de tornar o sistema mais funcional, eficiente e ágil. “É preciso nós repensarmos esse funcionamento institucional do Poder Judiciário”, disse. Segundo ele, a principal reclamação da sociedade está relacionada à demora dos processos. O vice-presidente do STJ afirmou que processos longos comprometem a própria finalidade do sistema judicial. “Quando você leva um processo para dentro do Judiciário é para solucionar o litígio”, observou. Para ele, problemas processuais, de gestão, estrutura e o grande volume de ações contribuem para a lentidão das decisões. “Eu acho que só uma reforma conserta o sistema para fazê-lo mais funcional, mais eficiente e mais rápido”, declarou.Durante a entrevista, Salomão também avaliou debates recentes envolvendo transparência, remuneração da magistratura e códigos de conduta para juízes. Na avaliação dele, a magistratura já dispõe de normas éticas e mecanismos de controle. “Eu acho que o nosso problema não está aí. O problema do funcionamento do Judiciário é um problema sistêmico”, afirmou.Ao comentar os desafios das eleições diante das novas tecnologias, como deepfakes, o magistrado afirmou que a Justiça Eleitoral está preparada para enfrentar esse cenário. “Nós temos um dos melhores sistemas do mundo e um Tribunal Superior Eleitoral preparado para lidar com todos os avanços da tecnologia”, disse.Salomão lembrou ainda que a Justiça Eleitoral já consolidou entendimentos importantes para combater práticas que possam comprometer a igualdade da disputa. Segundo ele, o uso de disparos em massa associados à disseminação de informações falsas pode resultar em punições severas. “Isso pode acabar em inelegibilidade e em cassação de mandato”, afirmou.Ao encerrar a entrevista, o ministro demonstrou confiança no processo eleitoral brasileiro. “Estamos preparados para fazer uma eleição muito tranquila, muito serena, que é a festa da democracia”, concluiu.

    21 min
  • Gilmar Mendes defende reforma do Estado e alerta para ‘governo de minoria’

    O convidado do JR ENTREVISTA desta segunda-feira (1º) é o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Ao jornalista Clébio Cavagnolle, ele falou sobre as expectativas para o Fórum de Lisboa, a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, a necessidade de reformas no Judiciário e no Estado e regulação de redes sociais.O ministro criticou a paralisia em órgãos de fiscalização, classificando como fruto de impasses políticos entre o Executivo e o Senado. Ele citou o caso da CVM, que operou desfalcada durante crises financeiras recentes.“É chocante que ela tenha ficado [...] sem três diretores por tanto tempo, o que mostra uma certa negligência no trato dessa temática”, afirmou. Para Mendes, o país precisa de uma mudança estrutural que vá além do Judiciário. “Me parece que há elementos que justifiquem uma reforma, mas eu não ficaria só na reforma do Judiciário. Talvez tenhamos a oportunidade de discutir uma reforma do Estado brasileiro".Sobre a pressão internacional e a classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA, o ministro alertou que a dependência digital brasileira gera vulnerabilidade a sanções. Ele defendeu ações concretas para proteger a jurisdição nacional. “O governo tem enfatizado a ideia da soberania tecnológica, mas é preciso sair da retórica para a prática”, afirmou. Ele reforçou que o combate ao crime organizado deve ser a prioridade central das gestões federal e estaduais, saindo do campo dos discursos para resultados efetivos.Ao analisar a relação entre os Poderes e a dificuldade de aprovação de nomes para o Supremo, o ministro apontou que o presidente enfrenta um cenário de fragilidade parlamentar. Segundo ele, a rejeição de nomes como Jorge Messias foi política e reveladora de uma crise mais profunda. “O presidente Lula acaba numa situação muito singular fazendo um governo de minoria, um governo em que ele não tem uma base parlamentar sólida”, disse.Mendes também condenou as frequentes ameaças de impeachment contra magistrados, afirmando que “a própria banalização de sua invocação já mostra um uso impróprio” dessa arma institucional.

    29 min
  • Brasil pode liderar minerais estratégicos e terras raras, diz presidente do Ibram

    O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (27) é o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Pablo Cesário. À jornalista Vanessa Lima, ele fala sobre o potencial brasileiro na exploração de minerais críticos e terras raras, os desafios tecnológicos do setor e a disputa global envolvendo países como China e Estados Unidos.Durante a entrevista, Cesário explicou a diferença entre minerais estratégicos, minerais críticos e terras raras. Segundo ele, os minerais estratégicos são importantes para a economia, enquanto os críticos, além disso, dependem de importação e representam preocupação para a segurança nacional. Já as terras raras são 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias ligadas à transição energética, como baterias, circuitos eletrônicos e geração de energia renovável.O presidente do Ibram afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar protagonista mundial nesse mercado. Mesmo com apenas 27% do território nacional mapeado na escala necessária para mineração, o país já possui a segunda maior reserva desses minerais no mundo. Ele destacou, porém, que o grande desafio está no processamento e no refino das terras raras, etapa que exige tecnologia complexa e investimentos de longo prazo.Cesário também defendeu uma postura de “independência estratégica” do Brasil diante da disputa global por minerais críticos. Segundo ele, o país tem condições de dialogar tanto com Estados Unidos quanto com China e outros parceiros internacionais, aproveitando a posição de fornecedor confiável. O entrevistado afirmou ainda que o Congresso precisa avançar rapidamente na aprovação do projeto de lei que cria regras para minerais estratégicos e prevê incentivos à industrialização do setor.“Acho que o grande desafio agora é aprovar a lei que já está no Congresso. Ela tem algumas melhorias importantes que precisam ser feitas, mas a gente tem que rapidamente correr para o próximo desafio tecnológico, que é como a gente cria a capacidade industrial e tecnológica de fazer o refino, o processamento e a produção de óxidos do melhor nível de pureza e separar esses instrumentos”, destacou.Ao comentar os impactos econômicos da mineração, Pablo Cesário afirmou que o setor representa cerca de 5% do PIB brasileiro, faturou mais de R$ 400 bilhões em 2025 e recolheu cerca de R$ 103 bilhões em impostos e taxas no último ano. Ele destacou que a mineração pode gerar desenvolvimento social, desde que os recursos sejam investidos em educação, saúde e infraestrutura pelas administrações locais.No fim da entrevista, o presidente do Ibram falou sobre sustentabilidade e segurança na mineração após as tragédias de Mariana e Brumadinho. Segundo ele, o setor mantém uma “obsessão por segurança” para evitar novos desastres: “Esse é um trauma que eu espero que nunca seja superado, porque precisa ser uma memória dura para que isso nunca mais aconteça”. Cesário também alertou para o avanço do garimpo ilegal de ouro e defendeu a criação de mecanismos de rastreabilidade para impedir a lavagem de dinheiro e a atuação do crime organizado no mercado ilegal do minério. “A gente quer garantir que haja uma rastreabilidade que toda a cadeia seja controlada, não apenas de como a gente comercializa, mas inclusive de onde ele vem”, pontuou.

    33 min
  • Secretário quer controlar 80% das lideranças em 138 presídios estaduais

    O convidado do JR ENTREVISTA desta segunda-feira (25) é o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia. À jornalista Lívia Veiga, ele fala sobre as ações do governo federal para combater o crime organizado nos presídios brasileiros, ampliar o controle sobre lideranças criminosas e impedir a comunicação de facções de dentro das cadeias.Durante a entrevista, André Garcia afirmou que uma das prioridades da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) para os próximos anos será o programa Padrão Segurança Máxima, voltado para o controle das principais lideranças criminosas do país.“O planejamento foca no Pena Justa e no programa Padrão Segurança Máxima, que busca controlar 80% das lideranças criminosas locais e regionais”, afirmou o secretário.Segundo ele, 138 presídios estaduais passarão a adotar protocolos inspirados no sistema penitenciário federal. O governo pretende doar equipamentos como georradar, ampliar o videomonitoramento e reforçar mecanismos de controle interno para evitar a entrada de ilícitos.André Garcia também detalhou as operações Modo Avião e Mute, realizadas dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado. As ações utilizam equipamentos de varredura para localizar celulares e retirar os aparelhos das celas.“Na semana passada, empregamos mais de 4.000 policiais penais com foco nas unidades identificadas pela inteligência como as mais importantes na atuação do crime organizado. Apreendemos quase 700 celulares em pouco mais de quatro dias”, disse.O secretário afirmou que a meta do governo é realizar duas operações nacionais desse porte por mês. Segundo ele, além da apreensão dos aparelhos, as ações têm impacto direto na redução da atuação criminosa fora dos presídios.Questionado sobre como os celulares continuam entrando nas unidades prisionais, André Garcia apontou falhas estruturais, falta de equipamentos e corrupção interna como alguns dos principais problemas enfrentados pelo sistema.“O diagnóstico aponta falta de equipamento, falhas estruturais, ausência de protocolos adequados e também a questão da corrupção”, declarou o secretário, acrescentando que o governo federal tem investido na doação de scanners corporais, aparelhos de raio X e capacitação de policiais penais estaduais.André Garcia também destacou a superlotação como um dos maiores desafios do sistema penitenciário brasileiro. Segundo ele, o país possui cerca de 727 mil presos para um déficit aproximado de 220 mil vagas. “A superlotação dificulta o controle, a vigilância e as revistas”, afirmou.O programa também está disponível na Record News, no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.

    31 min

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O JR Entrevista é um programa multiplataforma em que apresentadores e repórteres entrevistam figuras de destaque dos três poderes. O programa é gravado nos estúdios da RECORD Brasília, e é transmitido…