A convidada do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (25) é a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. À jornalista Tainá Farfan, ela fala sobre sua saída do governo para disputar as eleições de 2026, faz um balanço da gestão à frente da pasta, comenta casos recentes envolvendo o governo e reflete sobre violência política, racismo e misoginia no país.
Durante a entrevista, Anielle confirmou que deixará o comando do ministério até o início de abril para concorrer a uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro. Segundo ela, a decisão tem caráter coletivo e busca fortalecer a presença feminina e progressista no Congresso Nacional, além de dar continuidade ao legado de sua irmã, Marielle Franco, morta em 2018.
Ao fazer um balanço de sua gestão, a ministra destacou a consolidação da igualdade racial como uma política transversal dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as principais entregas, citou a titulação de territórios quilombolas, a criação de editais em parceria com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para fortalecer mulheres negras na ciência, além do programa Juventude Negra Viva, voltado à garantia de direitos básicos como emprego, saúde e cultura.
Um dos projetos mais valorizados por Anielle é a Casa da Igualdade Racial, definida por ela como o “grande xodó” da gestão. O equipamento público oferece letramento racial, acolhimento e orientação jurídica para vítimas de racismo. A primeira unidade foi inaugurada no Rio de Janeiro, com expansão prevista para outras regiões do país, em parceria com instituições como a Defensoria Pública e a Fiocruz.
Ao comentar o caso envolvendo o ex-ministro Silvio Almeida, denunciado por importunação sexual, Anielle afirmou que o andamento das investigações representa uma resposta importante contra a impunidade. Ela negou omissão do governo, declarou que escolheu o momento de se manifestar e afirmou ter sido acolhida, destacando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão necessária diante do caso.
A ministra também celebrou a aprovação, no Senado, do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. Ela relatou o impacto pessoal de ter sido vítima de importunação e classificou a nova legislação como um avanço essencial para garantir mais segurança a mulheres e meninas.
Sobre o caso de sua irmã, Anielle avaliou as condenações dos responsáveis pelo assassinato de Marielle como uma resposta à família e à democracia, embora tenha afirmado que a verdadeira justiça seria tê-la viva. O episódio, segundo ela, evidencia a violência política de gênero e raça, usada historicamente para silenciar mulheres em espaços de poder.
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