Reavivados por Sua Palavra

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Reavivados por Sua Palavra episodes

  • Maranata, vem Senhor Jesus! Eis que faço novas todas as coisas! (Apocalipse 21) #rpsp
    A surpresa na apresentação do céu em Apocalipse é ele vir em forma de cidade. Outras religiões descrevem o céu como a volta à natureza — um paraíso formal, como um jardim. Isso parece ter sentido quando buscamos renovação e restauração de mente e espírito. Mas as cidades estão repletas de pessoas barulhentas, voltadas para si mesmas, que se esquecem de Deus ou o desafiam, que espancam os outros e abusam deles. A primeira cidade, Enoque, foi construída pelo primeiro assassino, Caim, e destruída no dilúvio. Por certo, o céu deveria nos afastar de tudo isso. Mas na Bíblia é diferente. O céu não é um lugar afastado das tensões da vida dura na cidade. É a invasão da cidade pela Cidade. Não entramos no céu para fugir do que não gostamos, mas pela santificação do lugar em que Deus nos colocou. Doze pedras formam o fundamento da cidade, que tem 12 portões. Em cada um está escrito o nome de uma das 12 tribos de Israel e, nas pedras, os nomes dos apóstolos. Com isso, João desenvolve ainda mais a sensação de correspondência: nossos ancestrais falhos e infiéis formam o acesso e o fundamento do céu. Em outras palavras, agora nossa participação e esperança no céu é poupada de lágrimas pela dura vida de fé nas cidades de Tiatira, Pérgamo e Éfeso; São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Ninguém espera que as 12 tribos formem os portões do céu. Suponho que apenas aqueles que ignoram a história idealizem os nomes e os usem como representações simbólicas de ancestrais santos. Mas sabemos que as comunidades cristãs primitivas conheciam o assunto. Liam com avidez as Escrituras. A maravilha na história dos 12 filhos de Israel não reside em santidade e heroísmo. Espantoso foi Deus ter decidido usar vidas humanas tão obstinadas e destituídas de atrativos para formar a base da grande obra de salvação que completou em Jesus. O pai dos 12, Jacó, depois Israel, tinha poucas qualidades a recomendá-lo, e sua semente não melhorou em seus filhos. Encontramos histórias de brutalidade, fraude, violência, abuso sexual e covardia. Contudo, nessas vidas e através delas, Deus persistentemente trouxe salvação a miseráveis que não mereciam ser salvos e revelou, assim, sua glória. A história conhecida dos 12 apóstolos não é tão extensa quanto a das tribos, mas o que sabemos não traz mais orgulho para encorajar nossa genealogia espiritual. Também eles formavam um grupo desigual de pessoas comuns, esperançosas e medrosas, generosas e individualistas, corajosas e inconstantes. Notável foi Jesus passar a vida na companhia deles, com paciência e persistência, ensinando, treinando, perdoando, censurando, viajando com eles, amando-os até morrer. Só temos informações de três (Pedro, Tiago e João). De quatro, sabemos um ou dois fatos (André, Filipe, Tomé e Mateus). Não sabemos nada dos outros cinco: Tiago filho de Alfeu, Bartolomeu, Tadeu, Simão, o zelote, e Matias, que assumiu o lugar de Judas Iscariotes. Na última década do primeiro século, quando os cristãos da Ásia deixavam seus lares, tomavam a cruz e seguiam seu Senhor, metade dos apóstolos havia adquirido certo esplendor, mas a outra mergulhara em total obscuridade. Todos os 12 fizeram parte do fundamento da cidade. Aparentemente, não podemos pensar no céu como nas histórias de conquistas, com grandes heróis recebendo troféus, carregados em honra celestial em turbilhão lendário de tirar o fôlego. Se o céu for para pessoas assim, terá pouco a ver comigo. Mas nada na vida de fé ou na visão aponta para isso. Simeão e Rúben (até eles?) são material para a construção do céu, como Bartolomeu e Tadeu (quem?). Sendo assim, não há nada tão maligno em minha falta de fé e nada tão obscuro em minha vida que não seja, agora mesmo, transformado em pedra para o fundamento ou para os portões de entrada do
    céu. Quando João viu os nomes das 12 tribos escritos nos portões de pérola e dos 12 apóstolos nas pedras, soube, e nos faz saber, que tudo na história é remediável. O céu é um sistema intrincado de conclusões. PETERSON, Trovão Inverso
    46 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! O Milênio, a 2ª ressurreição e o Juízo Final (Apocalipse 20) #rpsp
    A maior parte do Apocalipse está relacionada ao período da crucificação até a segunda vinda, mas no capítulo 20, o foco está no milênio, que começa com a segunda vinda. Durante esse período de mil anos, os justos estarão no céu e os iníquos morrerão. É por isso que Satanás, acorrentado a esta terra, que ficará desolada, não poderá enganar ninguém. No final do milênio, a Nova Jerusalém descerá do céu e haverá um confronto final entre Deus e Satanás e os ímpios. Depois disso, os ímpios e Satanás serão destruídos para sempre, e Deus mais uma vez limpará a terra e o universo. Por que Deus passaria por todo esse processo complicado? Por que não simplesmente limpar tudo na segunda vinda? Qual é o propósito do milênio?
    O milênio será um momento de julgar. Nas Escrituras, o julgamento ocorre em cinco fases. Primeiro, o julgamento ocorre na crucificação (Apocalipse 12: 10-12). Em segundo lugar, a pregação do evangelho inicia um julgamento. Quando o cavalo branco aparece, as pessoas são julgadas por sua aceitação ou rejeição do evangelho (6: 8-1). Terceiro, há um julgamento pouco antes da segunda vinda de Jesus. A última proclamação do evangelho inclui a seguinte mensagem: "É chegada a hora do seu julgamento" (14: 7, ênfase adicionada; leia também 18: 4-8). Quarto, uma fase do julgamento que se desenvolverá durante o milênio. Deus dará ao seu povo a oportunidade de digerir, compreender, julgar, se eles querem ver, a obra do Senhor e o que eles terão suportado (20: 4). Quinto, a última fase do julgamento será o lago de fogo, a destruição final do pecado (20: 10-15).
    Acho que esta é uma bela parte do Apocalipse. Deus não destruirá os ímpios permanentemente até que eles tenham passado por toda a série de julgamentos. Eles permitirão que toda criatura, de qualquer parte do universo, veja e testemunhe que Deus terá agido corretamente, julgado com justiça. Na crucificação e na pregação do evangelho, Deus apresentou seus argumentos, amor e justiça, para enfrentar o pecado. Da segunda vinda ao milênio, Deus demonstrará a validade desses argumentos. Ele vai mostrar ao universo que nunca caiu; aqueles que ele salvou, aqueles que estarão no céu com ele por mil anos. Então, no final do milênio, ele demonstrará sua justiça àqueles que se opuseram a ele.
    Por que ter tantos problemas, cinco estágios inteiros de provação? Porque Deus quer que todos vejam sua justiça claramente antes do fim. Apocalipse 15: 3,4, diz: “Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso. Justos e verdadeiros são os seus caminhos, Rei das nações. Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o seu nome? Só você é santo. Todas as nações virão e te adorarão, porque as obras da sua justiça vieram à luz”.
    O clímax de todas as coisas será quando o universo declarar que Deus é justo, reto, que fará o que deve ser feito. Sua justiça será revelada. Muitas pessoas hoje duvidam da justiça de Deus, mas o Apocalipse diz que Ele levará o tempo necessário para convencer amplamente todo o universo de sua justiça. Ele irá esclarecer todas as dúvidas e responder todas as perguntas. Ficará completamente claro que todos foram julgados com justiça, independentemente de servirem a Deus ou não. Suas decisões serão justificadas no final. Os ímpios provarão isso porque mesmo quando todas as dúvidas forem resolvidas e todas as perguntas respondidas, eles ainda rejeitarão a Deus e aqueles que o servem. Eles tentarão atacar a cidade de Deus, a Nova Jerusalém (Apocalipse 20: 9). É óbvio que o universo não poderia estar seguro se os ímpios e sua rebelião continuassem. No final, haverá apenas dois lados. Um será o do Cordeiro ou Leão, e o outro o do diabo. Podemos não estar certos agora de que lado está certo, mas com base no quadro completo do julgamento final, Jesus Cristo será reconhecido como verdadeiramente justo, reto e verdadeiro. Todos aqueles que estão dispostos a recebê-lo verão o quão bonito é seu caráter. PAULIEN, Jon - Seven Keys
    29 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! A ceia do Cordeiro e a ceia das Aves (Apocalipse 19) #rpsp
    Dois elementos compõem a visão: um banquete e uma guerra, representando a polaridade da salvação. Parece-me que tememos muito mais a graça do que o mal. João usa as imagens do banquete e da guerra para nos fazer ir o mais fundo possível no terreno da salvação. Desacostumados com uma vida que vai além de nós mesmos e nos afasta, pela fé, da posição de controle, corremos o grande risco de nos contentarmos timidamente com um tipo de religião que conseguimos administrar. As reduções mais comuns na tentativa de deixar a salvação em um nível mais confortável são transformá-la em devoção subjetiva ou decoro ético, ou uma combinação dos dois. Contudo, salvação é obra de Deus. Está sempre muito além do que pensamos, é muito mais do que experimentamos em qualquer momento específico. Estamos sempre nos detendo e definindo-a em termos do entendimento presente, que é sempre prematuro e, portanto, reduz essa imensa ação na qual temos tanto a aprender e na qual, muito mais ainda, pela graça de Deus, vamos penetrar.
    Os quatro cânticos de aleluia ligaram a cena do julgamento, mostrando as dimensões da catástrofe (Ap 15-18), com a visão da salvação. Os cânticos nos precipitaram no centro nervoso da salvação. A imagem do casamento se transforma imediatamente na imagem do banquete: os salvos, além de serem a Noiva, são também os convidados da cerimônia que celebra a união de intimidade e fidelidade ímpares que é o casamento. No Evangelho de João, Jesus fez seu primeiro milagre em uma festa de casamento, em Caná, transformando a água que seria usada para a purificação em vinho de bênção. Seu último encontro com os discípulos foi um café da manhã da ressurreição, em uma praia na Galiléia. O poder da Ceia do Senhor no sentido de nos manter participando da essência da salvação é impressionante. Ela é a prática fundamental dos cristãos para lembrar, receber e compartilhar o significado da salvação: Cristo crucificado por nós, seu sangue derramado para a remissão de nossos pecados. Nela, confirmamos a realidade de nossa salvação. O que sabemos e cremos sobre Cristo em sua encarnação e o que esperamos dele em sua volta envolvem a vida presente: dentro desse contexto amplo e no cenário comum, celebramos nossa salvação. Cada celebração da Ceia nos reintroduz no domínio daquele que João descreve com uma expressão gramatical original: "que é, que era e que há de vir" (Ap 1:4,8). De forma significativa, ele coloca primeiro o presente ("é"), depois mostra que o passado e o futuro ("era" e "há de vir") o envolvem. Essa reunião de todos os tempos verbais em apenas um acontece no ritual da Santa Ceia. A realidade multidimensional da salvação se preserva em uma refeição que fazemos, e não em uma verdade a ser entendida nem em um comportamento ético a ser adotado. Nem todos conseguem entender uma doutrina. Nem todos obedecem aos preceitos. Contudo, todos são capazes de comer um pedaço de pão e beber um cálice de vinho, além de entender uma declaração simples — meu corpo, meu sangue. Mantenho ligação com o Jesus morto e ressuscitado, que é a salvação, não com algum aprendizado nem com um comportamento, mas comendo uma refeição.
    O segundo elemento na visão da salvação é a guerra. Primeiro, a imagem do Noivo Cristo casado com a Noiva Igreja se expandiu na imagem do Cordeiro Cristo fornecendo uma refeição eucarística a Ele mesmo. Agora, a imagem do Guerreiro Cristo cavalgando rumo à grande batalha de Armagedom se coloca sobre essas imagens. Dificilmente se encontraria um contraste mais extremo do que o existente entre banquete e guerra, mas, ao nos submetermos às imagens, percebemos mais complementação do que contradição. Salvação está nas intimidades e festividades de um casamento e, também, em uma batalha agressiva para derrotar o mal. Salvação não é nenhum desses elementos isoladamente. Ela envolve todos, o abraço de amor e o ataque ao mal, em tensão polarizada, cada um deles definido pelo outro, um se alimentando do outro. PETERSON, Trovão Inverso
    50 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! Caiu, Caiu, a Grande Babilônia (Apocalipse 18) #rpsp
    O mais terrível com relação à prostituta não é o fato de ela se deitar com estranhos (isso é apenas seu primeiro ato questionável), mas que, fazendo isso, ela usa o corpo para mentir sobre a vida: não há união de vidas; só de órgãos genitais. A investigação e o desenvolvimento da singularidade da nossa identidade humana, dos quais o sexo é o meio físico, são desviados por essas elaboradas e enganosas fantasias. Por trás do encanto sedutor de perfumes, sedas e bajulação, a pessoa sofre um empobrecimento fundamental. A prostituição usa o sexo para mentir sobre a vida: a verdade de que o amor é um dom, os relacionamentos envolvem compromisso e a sexualidade representa a espiritualidade. A prostituta mente ao fazer acreditar que o amor pode ser comprado, que os relacionamentos são "acordos" e que a sexualidade é um apetite. Usa algo bom para realizar o mal, um corpo bom para diminuir a pessoa, o meio de firmar nossa identidade para nos despersonalizar. O grande engano da prostituição não é a imoralidade sexual; é o sacrilégio espiritual. A adoração sob o aspecto da Grande Prostituta é à comercialização de nossa grande necessidade e profundo desejo de sentido, amor e salvação, e do aperfeiçoamento de nós mesmos para irmos além do que somos. A adoração-prostituta prospera designando o que há de pior em nós — orgulho, lascívia, inveja, cobiça, ira — como "Deus", motivando multidões despersonalizadas e despersonalizantes a buscarem religiosamente esses defeitos divinizados regiosamente. O grande perigo que o mundo representa não reside no mal evidente, mas na religião fácil. A promessa de sucesso, êxtase e significado que podemos comprar por um preço é a adoração-prostituta. É a inversão diabólica. Transformou o "Você foi comprado por um preço" em "Você pode comprar tudo no atacado". A Grande Prostituta é apresentada em um contraste implícito com a Noiva Virgem. Depois que o julgamento dela se completa, o contraste fica mais explícito no banquete de casamento do Cordeiro (Apocalipse 19). A Noiva constitui uma metáfora sexual, assim como a Prostituta, mas faz contraste absoluto com ela. Para a Prostituta, o sexo está a serviço do comércio; para a Noiva, do amor. A Prostituta considera o sexo um contrato; a Noiva, um ganho para toda a vida. Para a primeira, o sexo é ganho, para a outra, dádiva. Somos seres profunda, completa e inescapavelmente sexuais. Ao viver a sexualidade, conhecemos o outro e, de maneira indireta, a nós mesmos. Na vivência da sexualidade, também conhecemos, ou não, a Deus. A adoração-prostituta é assunto para momentos e ocasiões. A adoração-noiva envolve e une todas as partes da vida. A adoração-prostituta é praticada sob o princípio da atração e do prazer. A relação adoração-noiva é no melhor ou no pior, na saúde e na doença, até que a morte nos separe, adoração-noiva está sempre em desvantagem, pois a outra é indulgente e provoca a lascívia, enquanto noiva se entrega com sacrifício e fidelidade e, por isso, está sempre sob ameaça. E também por isso precisamos da caricatura violenta do apóstolo sobre a propaganda religiosa que coloca em perigo nossa persistência e fidelidade. A adoração-prostituta traz-nos grande ganhos: conseguimos tudo o que queremos, na hora em que queremos. Já a adoração-noiva envolve doação: nos entregamos e não sabemos quanto tempo teremos de esperar pela satisfação de nossa ansiedade. Por todo o livro de Apocalipse, as grandes cenas de adoração mostram que Deus está sendo servido — as pessoas se aproximam dele, se entregam em louvor. Em nenhum lugar, Ele as atrai com promessas fáceis. No lamento do capítulo 18 sobre o fim da Grande Prostituta, os negociantes de terra e mar são os que mais sofrem (18:11-19): no culto da Prostituta, conseguiam tudo que desejavam, a vida transbordava com o que possuíam, e agora tudo havia acabado, virara fumaça. Foram privados de tudo que lhes havia sido prometido, daquilo em que haviam investido e do que tinham desfrutado. PETERSON, Trovão Inverso
    37 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! A Grande Prostituta montada na Besta (Apocalipse 17) #rpsp
    A tarefa da imaginação apocalíptica é fornecer imagens que nos mostram o que está acontecendo em nossa vida. "Quando há poderes misteriosos à nossa volta", comentou um personagem de uma história de Saul Bellow, "só o exagero nos ajuda a enxergá-los. Todos sentimos que há poderes que criam o mundo — vemos isso quando olhamos em torno de nós — e outros que o destroem." Contudo, essas coisas que antes eram óbvias tornam-se indistintas à medida que nos movemos em meio aos assuntos deste mundo. Quando visto através das lentes sujas de nossa cultura, aquilo que antes era claro na fé se torna enevoado e distorcido. As imagens apocalípticas de João clareiam em duas direções. Primeiro, o mundo de revelação, os dois mil anos de experiência (para nós, quatro mil) de ser povo de Deus ficam mais claros. Nada é obsoleto nem irrelevante. Ninguém pode tirar uma vida de fé da manga na hora que precisa, nem arrumar uma nova salvação na hora do desespero. Temos antepassados. Nosso Cristo foi imolado "desde a criação do mundo". A fé tem raízes na história e base na geologia. A memória fraca e a instabilidade dos sentimentos obscureceram as conexões. As imagens de João as refazem. O segundo esclarecimento está no nosso "aqui e agora": nossos encontros de todos os dias, com caixas de banco, funcionários dos correios e frentistas de postos de gasolina são, cada um deles, elementos de pecado e graça. Cada uma dessas pessoas e cada encontro são detalhes importantes na vida de fé. Contudo, não temos consciência disso. A maior parte de nosso tempo se passa sem crises que nos convençam de que precisamos de Deus, embora tudo que façamos seja importante para nossa fé e Deus se envolva profundamente nisso. Sem nos darmos conta, passamos o dia todo realizando atividades de importância eterna. Durante todo o tempo, pronunciamos palavras que entram na vida das pessoas e as modificam, muito ou pouco, e jamais ficamos sabendo disso. Haverá alguma forma de nos ensinar a perceber a glória que pulsa em cada ato de boa vontade e o mal que permeia todo ato de desobediência? A visão apocalíptica é um caminho.
    O símbolo da Grande Prostituta como experiência cotidiana é uma cidade onde a vida corre tranquila. A mulher e a besta escarlate sobre a qual ela se assenta abrangem as ruas que percorremos, as lojas em que compramos verduras enquanto conversamos trivialidades com o proprietário. Flannery O'Connor, em resposta a uma pessoa que lhe perguntou por que os personagens de suas histórias eram tão grotescos, explicou que é necessário apresentar caricaturas simples e grandes para que quem seja quase cego possa enxergar. A Grande Prostituta é uma dessas caricaturas, uma imagem capaz de suscitar uma consciência que jamais será esquecida sobre a presença poderosamente sedutora dos que gostariam de obstruir ou subverter a adoração ao Cordeiro imolado e ressurreto. A adoração a Deus em Cristo é a prática mais importante e difícil do cristianismo. Por ser tão difícil, estamos sempre prontos a partir para tarefas mais fáceis, em especial se, aparentemente, incluir os elementos essenciais do culto. Mas é melhor não fazer isso. A Grande Prostituta, lançada ao mar como uma pedra de moinho, constitui uma advertência.
    Prostituta é um termo sexual, mas, em Apocalipse 17-18, aparece como metáfora de adoração errada. João não trata das condições sexuais do final do primeiro século; ele se preocupa coma situação da fé. Ele tem a responsabilidade pastoral de evitar que os crentes abandonem a vida de adoração fervorosa e persistente para adotar algo que parece religião, tem aparência bem melhor e é muito mais fácil. Ele fala sobre a Grande Prostituta a fim de abrir os olhos deles para as diferenças entre o culto ao Cordeiro e esse outro, que não é adoração, e nos impede de adorar. PETERSON, Trovão inverso
    53 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! As Sete Pragas do Apocalipse (Apocalipse 16) #rpsp
    O grupo dos sete anjos parte para derramar os julgamentos contidos nas taças repletas da ira de Deus. Enquanto eles esvaziam as taças e vemos as consequências, percebemos que não há nada de novo. Os acontecimentos não passam de continuação do que Deus vem fazendo o tempo todo e não vemos. Recordamos, em especial, das pragas do Egito, porque cada uma das sete taças (e isso também se aplica às pragas iniciadas pelas trombetas mais no início de Apocalipse) repete um aspecto do julgamento daquele episódio tão importante na história da salvação. A conexão clara com o Egito reforça a ênfase de João sobre o culto, pois sabemos que as dez pragas não aconteceram por serem os egípcios extraordinariamente maus, mas por uma única razão que não tem qualquer conteúdo moral aparente: eles estavam determinados a evitar que o povo de Israel fosse adorar a Deus.
    A tarefa de Moisés, a mesma de todo líder espiritual, era formar um povo que adorasse ao Senhor. Ao voltar do exílio em Midiã, em obediência ao chamado divino, ele se apresentou ao povo e transmitiu sua mensagem. A resposta espontânea foi adoração: "... e eles creram. Quando o povo soube que o SENHOR decidira vir em seu auxílio, tendo visto a sua opressão, curvou-se em adoração" (Êx 4:31). Depois de narrar a história da saída do Egito, a maior parte do livro de Êxodo é um manual de adoração (Êx 24-40). As conhecidas negociações entre Moisés e o faraó tinham um único tema: adoração. A primeira petição foi: "'Deixe o meu povo ir para celebrar-me uma festa no deserto' [...] permite-nos caminhar três dias no deserto, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, o nosso Deus" (Êx 5:1,3). Cada renovação desse pedido repetia o motivo: "Deixe ir o meu povo, para prestar-me culto" (ou seja, adorar [latreuo]). Duas variações usam expressões do pedido original: "ofereceremos sacrifícios ao Senhor" (Êx 8:27) e "vamos celebrar uma festa ao Senhor" (Êx 10:9). Moisés tinha a missão de liderar o povo no culto. Faraó pecou ao impedir. As pragas de julgamento aconteceram por esse único motivo. O pior inimigo externo que o povo de fé enfrenta é a obstrução à adoração. O pior inimigo interno que o povo de Deus enfrenta é a subversão da adoração. Esse deve ser nosso maior temor. Foi o aspecto com o qual João mais se preocupou. Com base nisso, é que os julgamentos sobrevêm. O clamor pelo julgamento e a indagação a Deus "Até quando?" encontram-se estabelecidos no contexto adequado: o culto a Deus. O julgamento deixou de ser questão de esclarecer opiniões ou acabar com queixas pessoais. Passou a ser experimentado como ação há muito iniciada, profundamente elaborada e totalmente realizada de Deus, na qual penetramos por meio do batismo, cujas consequências compartilhamos na salvação, da qual participamos por meio da adoração e celebramos o triunfo final por meio da palavra e da Ceia do Senhor. O tema do julgamento se completa na apresentação da "grande prostituta" (Ap 17-18). O texto primeiro narra a destruição dela (Ap 17) e depois mostra um cântico sobre o mesmo assunto (Ap 18). Essa sequência de história seguida por cântico foi inspirada em Êxodo e reforça a percepção de que o julgamento acontece para libertar as pessoas para a adoração, e, quando elas estão livres, a ordem do dia é o culto (Ap 19). Êxodo 14 narra a história do julgamento do Egito, que foi, ao mesmo tempo, a salvação de Israel; o capítulo 15 traz um cântico sobre o mesmo tema. João também usa esse padrão de fala/cântico, mas substitui o faraó e os egípcios pela Grande Prostituta e seus amantes. Sabemos que o julgamento caiu sobre o faraó porque ele impediu o povo de adorar e entendemos que a Grande Prostituta é julgada pela mesma acusação. PETERSON, Trovão Inverso
    47 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! A Taça do Mundo não é nossa! (Apocalipse 15) #rpsp
    O chamado para o julgamento que chega ao clímax em Apocalipse não é abstrato, jurídico, nem preocupação com decoro, ética ou sociedade justa. Aliás, não é nem "preocupação", mas um clamor: feridos desejam alívio, oprimidos procuram equidade, maltratados anseiam por dignidade. A questão "Até quando?", colocada pelas almas que foram assassinadas e estão sob o altar, cresce e se transforma em questionamento: até quando será permitida a violação da bondade, beleza e verdade por manipuladores insensíveis e ímpios? Até quando teremos que suportar a arrogância deles, que acreditam que força é sinônimo de direito? A pergunta ecoa através das culturas, reverbera pelos séculos. Nem sempre a injustiça é evidente, de modo que nem sempre o clamor recebe atenção. Para cada grande mártir que morre em confronto corajoso com os perversos, há milhões de mártires menores sob o altar, que perseveram a vida toda sofrendo injustiças, chorando orações silenciosas. Cresce o desejo pelo julgamento e a frustração pela demora. Toda matéria-prima da injustiça aparece na experiência comum de homem ou mulher, filho ou pai, marido ou esposa, funcionário ou patrão. Não acontece apenas na guerra, nos guetos e nos genocídios. Nas esferas diárias de amor e trabalho, nos deparamos com injustiças aparentemente irremediáveis. O mundo não é justo. Aprendemos isso desde pequenos. As crianças, com seu sentido moral inato, sem saber, mas com muita precisão, fazem uma paráfrase das Escrituras: “Assim não vale”. Ninguém recebe o que merece, seja como recompensa ou punição. As consequências tanto da virtude quanto dos vícios estão muito longe das causas. Algumas vezes, recebemos menos do que merecemos e temos a certeza de que estamos sendo explorados. Em outras ocasiões, recebemos mais e nos sentimos afortunados (ou culpados). A maioria das pessoas endurece o senso moral com o passar dos anos e tenta sempre "se dar bem". Mas, então, levanta-se uma injustiça radical — terrorismo político, abuso doméstico — e a questão volta a ser urgente: até quando? É digno de nota, aqui, que o método pastoral do apóstolo não envolve o bálsamo das palavras de consolo. Ele não ameniza a situação e mostra que poderia ser bem pior. Não sugere que "quem entende, perdoa", nem rearranja os fatos para não sentirmos tanto o ultraje. Pelo contrário, ele intensifica o senso de injustiça: em resposta ao clamor "Até quando?", as almas martirizadas ouvem que precisam esperar mais um pouco, "até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles" (Ap 6:11). A combinação de injustiça e demora é como sal na ferida; não é bálsamo. Mas por certo a situação já vem durando demais. Com certeza, depois de tantos séculos, chegou a hora de acabar com a sujeira, levar os perpetradores de tantas crueldades ao julgamento definitivo e acabar com o sorriso de condescendência que eles trazem no rosto. Se confinados aos registros de nossos diários, é quase certo que cairíamos no cinismo que Yeats expressou: "Alguns pensam ser natural que a sorte mate de fome os bons e favoreça os maus." Assim, a que atribuir a persistência inacreditável do clamor? No abandono generalizado da oração, quando grandes multidões desistem de Deus e se lançam às ruas para pegar o que puderem com as próprias mãos, por que motivo uma minoria notável não faz o mesmo, mas permanece, clama e espera? A esta altura, já nos acostumamos com a resposta do apóstolo, ou seja, adoração, que cria o contexto do paradoxo simultâneo de acreditar na justiça enquanto vive a injustiça, exatamente como criou antes o contexto para tudo o mais que foi elevado do dia-a-dia para essa visão. O julgamento há muito aguardado, agora iminente, toma forma em um ato de culto (Ap 15:1-8). Sete anjos se preparam para agir enquanto a congregação entoa um hino. PETERSON, Trovão Inverso
    36 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! As três mensagens angélicas (Apocalipse 14) #rpsp
    Três visões que mostram as forças da salvação agindo em nosso favor por trás da cena se contrapõem à demonstração de força das três bestas da condenação. As visões com as bestas mostraram o embuste do mal; as da salvação revelam o sistema de apoio que sustenta a vida de perseverança e discernimento. Deve-se dizer que não vivemos apenas em postura defensiva
    contra os "principados e potestades". Há ações agressivas a nosso favor em curso, mesmo quando não nos damos conta disso. As três visões da salvação foram o Cordeiro liderando o culto no monte Sião (Ap 14:1-5), os três anjos
    pregando em um púlpito no meio do céu (Ap 14:6-13) e o Filho do Homem fazendo a colheita (Ap 14:14-20). Isso nos mostra que, enquanto nos esforçamos ao máximo para adorar a Deus e não os poderes do mundo, para entender nossa fé e não sermos enganados pelos disparates religiosos do diabo, e para cultivar a santidade em uma sociedade repleta de joio, estamos, o tempo todo, recebendo ajuda.
    Adoração é nossa resposta à ação do Cordeiro entre nós, a ação que nos redime de nossa luta. Nossas vozes se elevam em coro quando nos unimos ao louvor da criação ao Criador, a gratidão de Israel pela salvação. No ato de culto, nossas palavras mal entendidas e mal pronunciadas são corrigidas e arranjadas em expressão da verdade sobre nós mesmos e nosso Deus. É o ato em que nossa vida fragmentada se corrige e se acerta em uma oferta perfeita e completa a Ele — pela ação do Cordeiro, nos tornamos "sem mancha". Mas nada parece acontecer na adoração. No mundo político, os agentes do poder fazem suas manobras para exercer influência e controle, onde toda palavra é um instrumento para conquistar um seguidor ou moldar uma reação. Numa situação assim, fica difícil alguém que leva a vida a sério pensar em se limitar a adorar, cantar hinos e dizer e ser quem é em Deus. Isso parece negligência com as obrigações morais, entrega do campo de batalha ao inimigo. Tendemos a pensar assim — até descobrirmos que essa inatividade na adoração é exatamente o que o Cordeiro requer. Ele está no centro da história, instalando seu Reino em seu nascimento e consumando seu domínio na morte e na ressurreição. Se a adoração não é perda de tempo para o Cordeiro, também não pode ser para nós (Ap 14:1-5). "Excesso de atividade é característica dos que não vivem pela graça."
    Pregação é o ato de reverência e adoração que proclama a palavra de Deus aos que prestam culto (primeiro anjo). Além disso, é a declaração que anuncia a condenação da besta do mundo (segundo anjo). Também é o discurso que apresenta a orientação para uma vida santa (terceiro anjo). A palavra de Deus, de muitas dimensões, cria o mundo, molda a salvação, se volta para a realidade, e está sempre ameaçada de ser silenciada ou amenizada. Vida santa é a ação pela qual expressamos, no comportamento e nas palavras, o amor e a presença de Cristo. Fundamenta-se na convicção de que tudo que fazemos, o que quer que seja, por mais comum e discreto, se relaciona com a ação de Deus e constitui semente que colheremos como santidade ou ira. Mas nada em nossas atitudes leva à percepção empírica dessas consequências. E sofremos muita pressão para escolher atos e palavras de acordo com a eficácia para completar tarefas imediatas. Alguns questionam a necessidade de certo grau de moralidade, para que a anarquia não impossibilite a existência das relações comerciais. Contudo, acreditam que, com base nesse mínimo, devemos calcular nossos passos tendo em vista o que desejamos conquistar, sem levar em consideração quem somos nem a vontade de Deus, fatores que não têm o menor peso no mercado. As verdadeiras vitórias acontecem devagar e sem que percebamos, mas seus efeitos têm longo alcance. Colocada em evidência, a fé em Deus como Senhor da história pode, às vezes, parecer ridícula, mas algo na história a confirma. Quem percebe isso, sente-se grato por existir alguém para guiá-lo na vida santa. PETERSON, Trovão Inverso
    1 hr 6 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! A Besta, o Falso Profeta e a Marca da Besta (Apocalipse 13) #rpsp
    O evangelho de Jesus Cristo é mais político do que todos imaginam, de uma forma que ninguém adivinha. O "Reino de Deus", metáfora totalmente política, faz parte do vocabulário básico para se entender o evangelho. Ao mesmo tempo, a expressão responde por muitos enganos. "Reino" insiste em um evangelho que inclui tudo e todos sob o governo de Deus, que é mais do que um brilho religioso que aquece uma noite escura. Cristo não é uma verdade esotérica destinada a formar uma elite gnóstica. A fé cristã é uma totalidade aberta, ativa, controladora e vitoriosa. Nada, nem ninguém, escapa à soberania de Deus. A política envolve dois elementos: o exercício do poder e o meio pelo qual isso acontece. Todos gostam de ouvir que Deus é poderoso e governa, mas não ficam tão entusiasmados ao descobrir a maneira como Ele age. Assim, selecionam as fontes antes de usá-las: lêem a profecia de Isaías para inspirar confiança no controle poderoso de Deus sobre o universo; O Príncipe, de Maquiavel, para descobrir como governar este mundo com eficiência. As duas fontes passam por edição e são combinadas para criar manuais que manterão as igrejas religiosas (Isaías) e relevantes (Maquiavel). Com as imagens das bestas do mar e da terra, João revela a vontade satânica em ação dissimulada nas áreas do governo e da religião. Com a besta do mar, o dragão nos amedrontará para nos levar a desobedecer ("guerrear contra os santos e vencê-los" (Ap 13:7). Com a besta da terra, nos enganará e nos levará à ilusão ("enganou os habitantes da terra" (Ap 13:14]). As palavras de admoestação que o apóstolo dirige a seus leitores enfrentam os poderes das bestas — intimidar e enganar. Cada visão delas encerra com um conselho pastoral sucinto que conduz o progresso cristão através das dimensões políticas da vida, que as visões mostraram estar sob ameaça. Após descrever o animal, João aconselha: "Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem." (Ap 13:18). O apóstolo espera que a mente cristã penetre no engano da besta: pensamento sério e crítico. A besta da terra é, antes de tudo, religiosa. Tem uma qualidade semelhante a Cristo; é "como cordeiro" (Ap 13:11), mas é paródia, não derivado, de Jesus. Seu principal objetivo é levar as pessoas a adorá-la. Para subverter a vida religiosa, usa armadilhas milagrosas. Quando uma pessoa ou movimento se apresenta como religioso, parece estar em bons termos com o sobrenatural e insiste para participarmos de atos religiosos, baixarmos a guarda. Pelo menos na superfície, parece haver incompatibilidade entre a mente cética e a fé religiosa. Pessoas habituadas à fé, dispostas a aceitar questões sobre Deus e o sobrenatural, são facilmente enganadas por líderes religiosos. Na verdade, a área da vida em que o engano é mais presente é a religião (assim como a violência é mais presente no Estado). O comportamento organizado tende à violência; a fé organizada, ao engano. Precisamos descobrir como nos proteger do engano institucionalizado. João é claro: use a cabeça. Entenda o que está acontecendo. A maioria das manifestações religiosas visíveis que entram em moda advém da besta. Exponha essas pretensões religiosas que nada têm a ver com Deus. Veja o número: é humano. Não é um mistério divino, mas, sim, a confiança daqueles que falam demais: religião que dá show, que se vangloria, que afasta os olhos do Cristo pobre, sofredor e santo. Na linguagem dos números, 666 é um triplo fracasso ao tentar ser 777, a perfeição repetida três vezes, número perfeito e divino. O dragão, a besta do mar e a besta da terra integram uma trindade satânica que se infiltra no mundo político para afastar nossa adoração de Deus, a quem não vemos, dirigindo-a às autoridades que vemos, e nos engana para comprarmos uma religião ou sistema de fé que possui resultados visíveis de autogratificação. Nós podemos resistir à besta do mar e entender a da terra. PETERSON, Trovão Inverso.
    1 hr 31 min
  • Maranata, vem Senhor Jesus! O Dragão e a Mulher (Apocalipse 12) #rpsp
    Uma mulher aparece no teatro do céu. Doze estrelas, pulsando em branco e vermelho, formam uma coroa sobre sua cabeça. Ela está em pé sobre a Lua. E está grávida. Subitamente, surge um dragão asqueroso em sua aparência, totalmente contrastante com a beleza da mulher. Um réptil carmim como sangue viola o céu. Suas sete cabeças se aprontam para devorar o bebê que sai do útero materno. A mulher que dá à luz e o dragão que traz a morte distam anos-luz um do outro, são os limites do melhor e do pior que podemos imaginar. Embora não seja o que estamos acostumados a ouvir, é a história do Natal. O nascimento de Jesus suscita mais do que admiração; provoca o mal: Herodes, Judas, Pilatos. A vida dele incitou a perversidade feroz a se transformar em violência. Conseguirá um bebê envolto em panos resistir às engrenagens do terror? Poderá a promessa sobreviver ao horror? Queremos que Ele viva, ansiamos por seu governo, mas será isso possível neste mundo? Parece que faltam os meios para Ele governar. Nós superestimamos a política de Roma e subestimamos a da graça. A imaginação de João infunde adrenalina em nós, que temos pouca fé, e voltamos a nos encher de coragem, sem nos impressionar com a bazófia do dragão, certos de que Deus há de nos preservar. A criança sobrevive, a salvação é certa. O governo de Deus está intacto. O apóstolo João tem a tarefa de completar a obra de Mateus e Lucas, para que a Natividade não seja sentimentalizada, considerada apenas bonita, domesticada, tomada como insípida, nem comercializada para atender a outros interesses. Ele torna explícito o que se encontra implícito nos evangelhos. O nascimento messiânico ocorre a partir do ventre do povo de Deus, em um cosmo resplandecente de maravilha. Toda a criação veste esse povo que é, Eva e Maria, mãe do Messias. O visível da criação e o invisível da salvação se unem para agir. O esplendor da criação e a agonia da redenção se combinam nesse evento, esse centro onde Deus, em Cristo, invade a existência com uma vida redentora e inflige ao mal derrota decisiva. O talento de João pega Jesus na manjedoura, vigiado por pastores e magos, e o coloca no cosmo, atacado por um dragão. A consequência é que nossa fé se fortalece contra a intimidação. Nossa reação diante da Natividade não pode se reduzir a fechar a porta ao mundo exterior, comer panetone e cantar hinos natalinos. Antes, estamos prontos a caminhar porta afora, segundo a colocação de um salmista, com altos louvores a Deus em nossos lábios e uma espada de dois gumes nas mãos (Sl 149:6). Derrubado, o dragão tenta de novo. Dessa vez, ataca a mãe. Vomita uma torrente de água para afogá-la. Contudo, a terra não colabora com os desígnios dele, assim como os céus não haviam ajudado: o solo se abre e engole o rio que iria levar a mulher. Pela segunda vez, ele fica sem vítima. Haverá mais alguém a atacar? Na verdade, há — nós, os cristãos, aqueles que "obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus" (Ap 12:17). Dificilmente haveria motivo para supor que ele alcançará mais sucesso dessa vez do que com nosso Senhor e sua mãe. A essa altura, o dragão parece estar meio sujo. João parece estar zombando um pouco dele. O réptil fracassado se coloca à beira do mar e contempla seus insucessos. Obviamente, precisa de ajuda. Se quer guerrear contra os "que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus", ele precisa de um meio para vencer ou subverter a fé deles. Tentará os dois caminhos. A disputa do dragão não se dá contra toda a raça de Adão, mas apenas contra as pessoas de fé cuja vida é marcada por atos de obediência a Deus e testemunho das palavras de Jesus. Como não irá atacar todas as criaturas, mas somente as que são de Cristo, ele precisa de um estratagema que as faça desviar da obediência e atrapalhe seu testemunho. Assim, as amedrontará para que desobedeçam, as enganará e as levará à ilusão. PETERSON, Trovão Inverso
    1 hr 9 min

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