Reavivados por Sua Palavra

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Reavivados por Sua Palavra episodes

  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: Cuidado com os falsos mestres! (2 Pedro 2) #rpsp
    Aqui Pedro inicia uma extensa passagem de enérgica denúncia, onde resplandece a ardente chama da indignação moral.
    Os ímpios são como animais irracionais; são escravos de instintos que compartilham com as bestas. Mas os animais nasceram para ser capturados e mortas — diz o apóstolo — pois não têm outro fim ou destino. Há algo autodestrutivo nos prazeres da carne. Fazer de tais prazeres o máximo ideal da existência é uma atitude suicida. Tal prazer é corruptor e leva em si mesmo a semente da degradação e da destruição. O propósito de quem se entrega a tais atos carnais é o prazer, mas o trágico é que no final perde até o próprio deleite que estava buscando. O que Pedro ensina aqui é de valor permanente: se alguém se entrega a estes prazeres carnais e faz deles sua única alegria, finalmente arruína sua saúde física tanto como seu caráter espiritual e mental e, nesta forma, nem sequer poderá desfrutar desses prazeres. Para dizê-lo simples e cruamente: o glutão destrói finalmente seu apetite; o bêbado arruína sua saúde; o sensual destrói seu corpo; o preguiçoso arruína seu caráter e destrói sua paz mental; por algum tempo pode ser que desfrute dessas coisas mas, finalmente, arruína sua saúde, destrói sua mente e seu caráter e começa a experimentar o inferno quando ainda se encontra sobre a Terra.
    Mais uma vez devemos assinalar que Pedro está proclamando não só uma verdade religiosa, mas também que se está expressando com o mais sadio senso comum. A experiência demonstra que os prazeres carnais, os festins, os excessos no beber, os prazeres da libertinagem pagam muito baixos dividendos. Perdem em si mesmos seu atrativo de maneira que, à medida que o tempo passa, é cada vez mais difícil satisfazê-los pois exigem cada vez mais. O luxo deve converter-se em maior luxo; o vinho tem que correr mais abundantemente; é preciso fazer tudo para que a sedução seja mais intensa. E assim a capacidade física da pessoa para desfrutar de tais prazeres vai declinando. Literalmente se entregou a uma vida que não tem futuro e a um prazer que finaliza em dor.
    Tal como Pedro apresenta estas atitudes vê-se que há nelas um horrível e deliberado propósito. Essa classe de gente padece uma desenfreada ambição por coisas que não têm direito algum de possuir. Nas traduções não conseguimos expressar tudo o que diz a palavra grega pleonexia. Pleonexia significa o desejo de possuir mais daquelas coisas que a gente não tem sequer direito de desejar, e menos de possuir. É um quadro horrível. No original a palavra traduzida por habituado é a mesma que se usa para descrever o atleta que está treinado para participar nas competições. Esta gente em realidade treinou, capacitou e ensinou sua mente e seu coração para concentrar-se com exclusividade nos desejos proibidos. Deliberadamente lutaram contra a consciência até destruí-la; deliberadamente lutaram "contra Deus até o expulsar de suas vidas; deliberadamente pelejaram contra seus melhores e mais nobres desejos até eliminá-los; deliberadamente se prepararam para dedicar-se às coisas proibidas. Suas vidas foram uma horrorosa batalha para destruir a virtude e para capacitar-se nas técnicas do pecado.
    Resta nesta passagem ainda outra acusação. Já seria muito lamentável que essa gente se enganasse somente a si mesma, mas o pior é que também enganam a outros. Apanham almas que não estão firmemente estabelecidas na fé. A palavra traduzida seduzem em grego é deleazein, que significa caçar com uma isca. O homem torna-se realmente mau quando se dedica a fazer com que outros sejam tão maus quanto ele. Toda pessoa terá que assumir a responsabilidade de seus próprios pecados, mas agregar a isto ainda a responsabilidade pelo pecado de outros é a carga intolerável. BARCLAY, The Second Letter of Peter
    23 min
  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: A Escada das Virtudes (2 Pedro 1) #rpsp
    Na primeira parte desta passagem, nos versículos 3 e 4 há uma soberba biografia integral de Jesus Cristo.
    (1) Ele é o Cristo de poder. No há poder divino que não pode, em última instância, ser derrotado nem frustrado. Uma das tragédias da vida neste mundo humano é que o amor seja tão freqüentemente frustrado porque não pode dar o que quer dar; o amor não pode fazer o que quer fazer, muitas vezes tem que permanecer impotente enquanto o ser amado enfrenta o desastre. Mas sempre é preciso lembrar que o amor de Cristo está respaldado por seu poder, e que, portanto, é um amor vitorioso.
    (2) Ele é o Cristo da generosidade. Outorga-nos todas as coisas necessárias para a verdadeira vida e para a Verdadeira religião. Pedro está assim expressando que Jesus Cristo nos diz o que é a vida e logo nos capacita para vivê-la como tem que ser vivida. Ele nos dá uma religião que não é uma retirada da vida, mas sim um triunfante envolver-se nela.
    (3) Ele é o Cristo das preciosas e maiores promessas. Isto significa que Ele nos formula grandes e valiosas promessas e que nele estas promessas se fazem realidade. Paulo refere-se ao mesmo com outras palavras quando diz que todas as promessas de Deus são Sim e Amém em Cristo (2 Coríntios 1:20). Quer dizer que Cristo diz: "Sim, que assim seja" a todas as promessas de Deus. Ele as confirma e as garante. Ou expresso de outra maneira: uma vez que conhecemos Cristo, em cada oportunidade que nos encontramos com uma promessa na Escritura que começa com as palavras "todo aquele" podemos imediatamente nos dizer a nós mesmos: "Isto é para mim".
    (4) Ele é o Cristo mediante o qual escapamos da corrupção. Pedro teve que enfrentar aos antinomianos, esta gente que usava a graça de Deus como pretexto e razão para pecar. Afirmavam que a graça era o maior coisa que havia no mundo e que era o suficientemente ampla para cobrir todo pecado. Por conseguinte, por que afligir-se pelo pecado? O pecado já não tem importância. A graça de Cristo obterá perdão. O que o pecado faz é dar a esta maravilhosa graça novas oportunidades para operar e abundar... Mas qualquer que fale assim estará mostrando uma inclinação ao pecado. O que tal pessoa quer é pecar. Entretanto, Jesus Cristo pode nos livrar da fascinação dos desejos do mundo, e pode nos limpar e nos purificar mediante sua presença e seu poder.
    Andar com Cristo é andar livres das manchas do mundo. É bem verdade que enquanto vivamos neste mundo o pecado nunca perderá por completo sua fascinação sobre nós, mas na presença de Cristo temos nossa defesa contra toda essa fascinação.
    (5) Ele é o Cristo que nos faz participantes da natureza divina. Novamente aqui Pedro está usando uma expressão que os pensadores pagãos conheciam bem. Estes falavam muito de participar da natureza divina. Não obstante, havia esta diferença: esses pensadores criam que o homem como tal tinha parte na natureza divina. Consideravam o homem como essencialmente divino, como se o fosse completamente por si mesmo. Tudo o que o homem tinha que fazer era viver conforme à natureza divina que já estava nele. O problema com esta teoria é que a vida a contradiz totalmente. Por todos lados vemos amargura, ódio, crime; por todos os lados observamos fracassos morais, impotência moral, frustração moral; em todo tempo vemos como o homem fracassa por completo no logro de seus ideais e é totalmente impotente para tornar seus sonhos realidade. O que diz o cristianismo é que os homens são capazes de chegar a ser participantes da natureza divina. O cristianismo encara os atos humanos em forma realista mas, ao mesmo tempo, não fixa limites às potencialidades do homem. Ele se tornou o que nós somos para nos tornar o que Ele é. BARCLAY, The Second Letter of Peter
    19 min
  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: Permaneçam Firmes! (1 Pedro 5) #rpsp
    Aqui Pedro fala em imperativos, estabelecendo certas leis para a vida cristã.
    (1) Existe a lei da humildade cristã perante Deus. O cristão deve humilhar-se sob a poderosa mão de Deus. A frase a poderosa mão de Deus é comum no Antigo Testamento, onde se usa com maior freqüência com relação à libertação que Deus efetuou em favor de seu povo ao tirá- lo do Egito. “com mão forte o SENHOR te tirou do Egito diz Moisés em Êxodo 13:9. “Ó SENHOR Deus! Passaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão” (Deuteronômio 3:24). Deus tirou do Egito a seu povo com mão poderosa (Deuteronômio 9:26). A idéia é que a poderosa mão de Deus está no destino de seu povo se eles, humilde e fielmente, aceitam sua condução. Depois de suas múltiplos experiências, José pôde dizer a seus irmãos que tinham buscado eliminá-lo: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gênesis 50:20). O seguidor de Cristo nunca rejeita as experiências de sua vida e nunca se rebela contra elas porque sabe que a poderosa mão de Deus está no leme de sua vida e Deus lhe tem um destino reservado.
    (2) Existe a lei da serenidade cristã baseada em Deus. O cristão tem deve deixar todas suas ansiedades nas mãos de Deus: “Entregue suas preocupações ao Senhor, e ele o susterá” (Salmo 55:22, NVI). “Não andeis ansiosos pela vossa vida”, disse Jesus (Mateus 6:25). Podemos aceitar isto confiantemente porque temos a certeza de que Deus cuida de nós. Como o expressa Paulo, podemos ter a certeza de que Aquele que deu o seu Filho unigênito também dará com Ele todas as coisas (Romanos 8:32). Podemos estar seguros de que por causa de que Deus cuida de nós, a vida não existe para nos destruir senão para nos formar; e com esta segurança podemos aceitar qualquer experiência que nos sobrevenha sabendo que Cristo opera em tudo para o bem daqueles que o amam (Romanos 8:28).
    (3) Existe a lei do esforço e da vigilância cristãos. Temos que ser sóbrios e estar alertas. O fato de deixar nossas ansiedades ao cuidado do Senhor não nos autoriza a nos sentar e não fazer nada.
    O conselho de Cromwell a suas tropas era este: "Confiem em Deus e mantenham seca a pólvora." A confiança e o esforço têm que andar juntos. Pedro sabia quão dura era esta vigilância, pois deve ter lembrado como no Getsêmani ele e seus companheiros dormiram quando teriam que ter estado vigiando junto com Jesus (Mateus 26:38-46). O cristão é pessoa que confia mas que, ao mesmo tempo, dedica todo seu esforço e toda sua vigilância aos assuntos da vida cristã.
    (4) Existe a lei da resistência cristã. O diabo sempre está buscando a quem arruinar. Novamente Pedro deve ter lembrado como o diabo o tinha vencido e como havia negado a seu Senhor. O diabo é o inimigo jurado do homem e a fé de este tem que ser sólida como uma muralha para que os ataques diabólicos se despedacem ao se chocar contra ela. O diabo é como qualquer covarde: retira-se quando corajosamente se resiste com a força e com a companhia de Jesus Cristo. BARCLAY, The First Letter of Peter
    20 min
  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: Compartilhando o Sofrimento (1 Pedro 4) #rpsp
    No estudo que fiz da Bíblia, chamou-me a atenção uma mudança radical nas atitudes de seus autores quanto ao sofri- mento, uma mudança que tem origem diretamente na cruz. Quando os escritores do Novo Testamento falam de tempos difíceis, nada expressam da indignação que caracterizou Jó, os profetas e muitos dos salmistas. Não oferecem qualquer explicação concreta para o sofrimento, mas ficam apontando para dois acontecimentos — a morte e a ressurreição de Jesus — como se eles formassem uma espécie de resposta pictográfica. A fé dos apóstolos, como admitiram livremente, repousava totalmente no que acontecera no Domingo de Páscoa, quando Deus transformou a maior tragédia de toda a história, a execução de seu Filho, num dia que hoje comemoramos como a Sexta-Feira Santa. Aqueles discípulos, que fitaram a cruz desde as sombras, logo aprenderam o que tinham deixado de aprender nos três anos com seu líder: Quando Deus parece ausente, pode estar mais perto do que nunca. Quando Deus parece morto, pode estar tornando a viver.
    O padrão de três dias — tragédia, trevas, triunfo — tornou-se para os escritores do Novo Testamento um gabarito que se pode aplicar a todos os nossos momentos de teste. Podemos olhar para trás, para Jesus, a prova do amor de Deus, muito embora talvez jamais obtenhamos uma resposta para o nosso "Por quê?" A Sexta- Feira Santa demonstra que Deus não nos abandonou em nossa dor; ele também está "aflito... oprimido''. Naquele dia o próprio Jesus experimentou o silêncio de Deus — foi o Salmo 22, não o 23, que ele citou na cruz.
    E o Domingo de Páscoa mostra que, no final, o sofrimento não vai triunfar. Assim sendo, "tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações", escreve Tiago; e "nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações", escreve Pedro; e "agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós", escreve Paulo. Os apóstolos passam então a explicar qual o bem que pode resultar de tal "sofrimento redimido": maturidade, sabedoria, fé autêntica, perseverança, caráter e muitas recompensas vindouras.
    Por que regozijar-se? Não por causa da sensação masoquista da própria tribulação, mas porque aquilo que Deus fez em grande escala no Domingo de Páscoa ele pode fazer em pequena escala em favor de cada um de nós. As aflições de que se ocupam Tiago, Pedro e Paulo provavelmente teriam desencadeado uma grande crise de fé no Antigo Testamento. Mas os escritores do Novo Testamento vieram a crer que, no dizer de Paulo, "todas as cousas cooperam para o bem".
    Aquele texto bem conhecido é freqüentemente distorcido. Algumas pessoas interpretam seu significado como sendo:
    "Só coisas boas acontecerão àqueles que amam a Deus." Paulo quis dizer exatamente o oposto, e já no parágrafo seguinte ele define o tipo de coisas que podemos esperar: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada. Paulo suportou tudo isso. No entanto ele insiste que "em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores"; por maior que seja a dificuldade, ela não pode nos separar do amor de Deus. É uma questão de tempo, afirma Paulo. Apenas aguarde: o milagre de Deus transformar uma sexta-feira sombria, silenciosa, em Domingo de Páscoa será algum dia ampliado numa escala cósmica. YANCEY, Decepcionado com Deus.
    15 min
  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: O Novo Modo de Vida (1 Pedro 3) #rpsp
    Aqui é como se Pedro reunisse as grandes qualidades da vida cristã.
    (1) Em primeiro termo o apóstolo coloca a unidade cristã. O fundamento de todo este ensino encontra-se nas palavras de Jesus quando orou pelos seus para que fossem um; para que aperfeiçoassem a unidade entre eles, para que chegassem assim a ser um, como ele e o Pai eram um (João 17:21-23). Nos memoráveis e comovedores primeiros dias da Igreja esta oração se cumpriu porque eram todos de um coração e uma alma (Atos 4:32). Através de todo o Novo Testamento ressoa esta alegação por escrito em favor da unidade cristã. É mais que um alegação por escrito; é o anúncio de que o seguidor de Cristo não pode viver a vida cristã a menos que em suas relações pessoais esteja em unidade com seus irmãos; e que a Igreja não pode ser cristã se dentro dela houver divisões. É trágico comprovar quão longe estão os homens de praticar esta unidade em suas vidas pessoais e quão longe está a Igreja de praticá-la dentro de si mesma.
    (2) Em segundo lugar Pedro assinala a simpatia. Também nisto o Novo Testamento requer de nós o cumprimento deste dever. Temos que alegrar-nos com os que se alegram e chorar com os que choram (Romanos 12:15). Quando um membro do corpo sofre, todos os outros membros sofrem junto com ele; quando se honra a um membro do corpo, todos os outros membros se alegram por isso (1 Coríntios 12:26), e assim tem que suceder com os cristãos que são membros do corpo. Uma coisa está clara: a simpatia e o egoísmo não podem conviver. Enquanto o ego siga sendo o mais importante não poderá haver tal coisa como simpatia. A simpatia depende da vontade de esquecer o ego, de sair de si mesmo, identificando-se com as dores e as tristezas de outros. A simpatia chega ao coração quando Cristo reina dentro dele.
    (3) Em terceiro lugar estabelece o amor fraternal. Também nisto o ensino se remonta às palavras de Jesus: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros ... Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:34-35). A simples realidade é que o amor de Deus e o amor do homem são inseparáveis: um não pode existir sem o outro. Se na vida de uma pessoa ou na vida de uma Igreja não há amor ao próximo, nessa Igreja ou nessa pessoa não existe o verdadeiro amor de Deus. A maneira mais simples de provar nossa religião é verificar se ela nos faz amar ao próximo.
    (4) Em quarto lugar, Pedro coloca a compaixão. Há um sentido no
    qual a piedade corre o perigo de tornar-se uma virtude extinta. As condições da vida moderna, especialmente em nossa época, tendem a nos fazer insensíveis com relação à compaixão.
    Por exemplo, podemos nos inteirar de que num só dia se produziram acidentes de trânsito com mais de mil mortos e feridos. Escutamos coisas como estas sem a menor reação em nossos corações. Esquecemos que cada uma dessas vítimas significa um corpo mutilado ou várias vidas enlutadas. Nas condições da existência a esta altura do século XXI é fácil que se nos embote a piedade. E mais fácil ainda é que nos sintamos satisfeitos com um sentimentalismo que experimenta uma espécie de cômoda tristeza momentânea mas que não faz nada concreto para remediar o mal
    A piedade é a própria essência de Deus, a compaixão é o próprio ser de Jesus Cristo; é essa uma piedade tão grande que Deus chegou ao extremo de enviar o seu Filho unigênito para que morresse pela humanidade, uma piedade tão intensa que levou a Cristo a dar sua vida na cruz. Em resumo: não pode haver cristianismo se não houver
    compaixão. BARCLAY, The First Letter of Peter
    34 min
  • Cristo, nossa esperança em tempos de dor: Vivendo em um mundo Hostil (1 Pedro 2) #rpsp
    O desejo pela graça deve se assemelhar ao movimento de um bebê em direção ao seio da mãe em busca do leite que o alimenta. Esse desejo chega a ser uma espécie de “fúria”. Esse desejo é algo tão forte que parece vir do instinto humano de sobrevivência. Nossa sobrevivência depende dessa “fúria” em direção aos seios de Deus, para nos nutrir com o leite espiritual, pelo qual crescemos. Qual é o nosso canal para bebermos desse leite? A meditação, feita em meio à leitura da Bíblia e à oração. Não há crescimento sem meditação. Não há sustentação sem meditação. Não há entendimento sem meditação. O despojamento total não é uma possibilidade. Basta fazermos uma avaliação para vermos como estamos em falta. A diferença é o que faz a diferença. O desejo pelo despojamento é possível e essencial. Qual é a nossa disposição para o despojamento? Se houver em elevado grau, cresceremos. O leite da Palavra de Deus não pode ser substituído por nenhum outro, embora até o da mãe possa ser substituído; outra pessoa pode amamentar o bebê. O leite da Palavra de Deus tem um sabor especial, que não pode ser confundido com outro. É esse leite que nos permite crescer na graça e nosso conhecimento de Jesus (2Pedro 3.18). Encontre seu modo de resolver sua falta de tempo ou de disciplina. Cada um se organize para beber do puro leite da graça. A igreja pode ser viva porque foi fundada sobre a Rocha dos séculos. Jesus é “pedra preciosa”, “pedra principal do alicerce”, bem assentada (Isaías 28.16). A imagem da pedra indica que Jesus Cristo é uma força invencível e de duração sem-fim; Jesus é a pedra fundamental da nossa alegria. É sobre esse alicerce que devemos construir nossa casa espiritual e nunca sobre qualquer outro tipo de fundamento. Se colocarmos outro fundamento, recolheremos outros frutos, que não serão espirituais. Uma igreja é viva quando confessa que Jesus é Senhor. O erro de uma igreja é confessar a si mesma. A igreja não tem nenhuma importância. Só Jesus Cristo é importante. É ele que deve ser confessado. Ao final de cada culto, não devemos perguntar se gostamos da celebração. Antes, devemos perguntar: “Proclamamos que Jesus é Senhor? Submetemo-nos, uma vez mais, ao seu senhorio?”. Nosso culto deve ser um sacrifício (culto) agradável a Deus (não a nós). Uma igreja é viva quando se constitui numa casa espiritual. Casa espiritual é aquela que o Espírito conduz e fortalece (não a instituição, a diretoria, o pastor, a intriga, o poder, a vaidade, ou qualquer outra coisa). Sejamos uma casa, mas uma casa espiritual. Uma igreja é viva quando se constitui num sacerdócio espiritual. Cada um de nós — eis a grandeza da revelação de Deus em Cristo — é sacerdote de si mesmo. Uma igreja é viva quando oferece sacrifícios vivos (em oposição aos sacrifícios que faziam imolar/degolar animais, especialmente cordeiros; o sacrifício vivo é possível porque o Cordeiro já morreu). Uma igreja é viva quando considera preciosa a pedra Jesus (1Pedro 2.8), tida como fundamento da vida e não uma pedra como qualquer outra. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    45 min
  • Cristo, Nossa Esperança em Tempos de Dor: Alegria em meio ao sofrimento (1 Pedro 1) #rpsp
    Agora é quando Pedro chega à real situação em que se acham seus leitores na vida. Seu cristianismo os tinha feito sempre impopulares mas agora estavam encarando a ameaça de uma quase segura perseguição. Era evidente que a tormenta logo estalaria e que a vida ia ser uma experiência cruel. Aqui, em vista da ameaçadora situação Pedro lembra- os de três razões pelas quais poderão suportar qualquer coisa que lhes sobrevenha.
    (1) Poderão suportar qualquer prova devido àquilo em que depositaram sua esperança. No final lhes está reservada a magnífica e esplêndida herança. No final há para eles alegria e vida com Deus. No final há para eles resgate, salvação, libertação. Para o cristão a perseguição, os problemas, as aflições não constituem o fim; mais além de todo isso está a glória. Alimentado pela esperança dessa glória o cristão pode suportar tudo o que a vida acumule sobre ele. Sucede às vezes que alguém que está doente tem que sofrer uma dolorosa operação
    ou um delicado tratamento mas, de bom grado e teimosamente, aceita a dor e o desconforto por causa da saúde renovada e fortalecida que lhe está aguardando no além. É um fato básico da vida que o homem pode aceitar e sofrer qualquer coisa enquanto tem algo em que depositar sua esperança — e o cristão tem a esperança da alegria final e definitiva.
    (2) Poderão suportar qualquer coisa que lhes sobrevenha se lembrarem que todo contratempo é em realidade uma prova. Antes que o ouro chegue a ser puro tem que ser tratado, provado e purificado por meio do fogo. Os contratempos que sobrevêm ao homem são para provar sua fé e como resultado sua fé pode emergir mais forte, mais limpa e mais firme que antes. Os rigores a que é submetido o atleta não têm o propósito de esgotar suas forças, mas capacitá-lo a desenvolver cada vez mais sua fortaleza e sua capacidade de resistência. Neste mundo os contratempos e as aflições não têm por objeto nos subtrair forças, mas sim nos dar mais força.
    Com relação a isto há um fato muito sugestivo na linguagem que usa Pedro. Diz que no momento o cristão pode sofrer diversas provas. A palavra empregada em grego é poikilos que, literalmente, significa multicolorido. Agora, Pedro usa essa palavra mais uma vez e somente uma, e a outra ocasião em que a emprega é para descrever a graça de Deus (1 Pedro 4:10). Nossos problemas e contratempos podem ser multicoloridos mas também o é a graça de Deus. Não há cor na situação humana que a graça de Deus não seja capaz de enfrentar. Não importa o que a vida nos esteja fazendo, na graça de Deus há aquilo que nos capacita a enfrentá-lo e a vencê-lo. Há uma graça para enfrentar cada prova, e não há prova que não tenha sua graça.
    (3) Poderão suportar qualquer coisa porque no final, quando Jesus Cristo apareça, receberão dEle louvor, glória e honra. Poderão enfrentar qualquer coisa na segurança de que algum dia, quando Jesus aparecer o escutarão dizer: "Muito bem!" É freqüente que nesta vida façamos grandes esforços e cumpramos excelentes tarefas não por receber algum pagamento, mas por ouvir alguém nos dirigir uma palavra de elogio.
    Experiências como esta significam para nós muito mais que qualquer outra coisa. Assim também o cristão suporta porque sabe que no final escutará a seu Mestre dizer-lhe "Muito bem!".
    Aqui temos, pois, o segredo da resistência quando a vida se torna dura e a fé se torna difícil. Podemos resistir devido à grandeza daquilo para com o que estamos olhando em esperança, porque toda prova é ocasião para provar, fortalecer e purificar nossa fé, porque no final Jesus Cristo nos está aguardando para dizer "Muito bem!" a todos os seus fiéis servidores. BARCLAY, The First Letter of Peter
    32 min
  • Fé Autêntica: Paciência Genuína (Tiago 5) #rpsp
    Quando nos deparamos com pessoas com problemas, muitos de nós nos afastamos delas. Nós nos afastamos das pessoas quando explicamos os seus problemas ou quando as censuramos (até mesmo rindo delas, embora detestemos que riam de nós). Nós nos afastamos das pessoas quando as encaminhamos a outra pessoa, sem termos feito o que poderíamos ter feito. As atitudes dos amigos de Jó e dos que antecederam o chamado “bom samaritano” (Lucas 10.25-37) ainda são as de muitos de nós hoje. Agora, mudemos de lado. É você que está com problemas. Você gostaria de ser vítima de uma atitude como essa? A mudança de lado (ver com os olhos do outro ou da perspectiva do outro) é essencial. Somos capazes de ajudar uns aos outros. Deus colocou em nós recursos extraordinários para curar as doenças da alma. E que doenças são essas? São aquelas nitidamente provocadas e/ou evidenciadas pela falta de relacionamentos saudáveis, como narcisismo (pessoas que só pensam em si mesmas), falta de propósito na vida, ressentimentos, imaturidade. Essas doenças Deus pode, por nosso intermédio, resolver. Não precisamos mais consultar especialistas? Há um vasto território para eles, como o tratamento daquelas doenças claramente decorrente de distúrbios sérios, como depressão e fobias. Dessas enfermidades eles devem tratar, mas mesmo elas requerem acolhimento. Por meio do Espírito Santo, podemos ajudar outras pessoas a se tornarem mais maduras. Desde que compreendamos os outros, podemos participar de um relacionamento que só o evangelho possibilita. No entanto, um relacionamento assim saudável depende da comunhão com Cristo. Só quando tivermos o perfume de Cristo é que poderemos perfumar outros. Nossos relacionamentos serão terapêuticos quando espelharem a bondade de Cristo, tarefa de que se encarrega o Espírito Santo, presente em nós. Precisamos ativar no outro a bondade ainda não cultivada para enfrentar a maldade que já está ativada. O que é que cura? É o envolvimento. É a conexão. Esses gestos encontram sua expressão máxima na oração de uns pelos outros. E por que devemos orar assim? Porque é uma ordem divina. Porque é um prazer dar atenção aos outros e receber atenção dos outros. Porque todos dependemos de Deus, que pode todas as coisas, até mesmo curar. Porque somos seres inteiros (não apenas seres biológicos, mas seremos bioespirituais); nossas doenças não são exclusivamente físicas ou espirituais. Há doenças que vêm do relacionamento; por isso, Tiago conclama à confissão dos pecados (pedido de perdão um ao outro). Quem não perdoa não vive e não permite que o outro viva. Enquanto você não perdoa, você está na mão do outro, embora possa até mesmo achar que esteja vencendo a guerra. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    23 min
  • Fé Autêntica: Toma a Minha Vontade e Faze-a Tua (Tiago 4) #rpsp
    Ser amigo de Deus é bom, mas não é uma escolha fácil. Deus é muito exigente, amorosamente exigente. O mundo gosta de idolatria. Deus gosta de fidelidade e diz para não termos outros deuses diante de nós. O mundo gosta de pornografia. Deus gosta de pureza e nos pede para sermos santos como ele é. O mundo gosta de reclamação. Deus gosta de gratidão. O mundo gosta de corrupção. Deus gosta de honestidade. O mundo gosta da exploração. Deus gosta de justiça. O mundo gosta de usar as pessoas em benefício próprio. Deus gosta de ver pessoas respeitadas. O mundo gosta de guerra. Deus gosta de paz. O mundo gosta da mentira. Deus gosta da verdade. O mundo gosta da maledicência. Deus gosta de respeito mútuo. O mundo gosta do egoísmo. Deus gosta da solidariedade. O mundo gosta do vício. Deus gosta da virtude. O mundo gosta de embalagem bonita. Deus gosta de conteúdo bonito. O mundo gosta dos superficiais. Deus gosta dos profundos. O mundo gosta dos vaidosos. Deus gosta dos humildes. O mundo gosta dos fortes. Deus não abandona os fracos. O mundo gosta do que é fácil. Deus gosta do que é bom. O Espírito Santo nos conclama à paixão por obedecer. Ele sabe, e nós também sabemos, que o natural em nós é a paixão por realizar as coisas do nosso jeito, mesmo que tenhamos de nos colocar no balcão para vender os valores de Deus. O nosso jeito é o grito. O nosso jeito é o jeitinho. O nosso jeito não é o jeito de Deus. O nosso jeito tem um nome: pecado, porque baseado no mais deslavado egoísmo. Do nosso jeito está errado e como é duro admitir que nossas boas intenções são, na verdade, filhas da carne! Imaginemos o seguinte diálogo numa dupla de oração, em que você se põe no lugar de quem está com um problema e pede a intervenção de Deus. “Já estudei todas as alternativas e não vejo como uma delas pode dar certo. Tenho feito o esforço máximo, mas sinto que as coisas não dependem de mim.” “Você está disposto a deixar Deus tomar conta disso e fazer do jeito dele?” Se fosse conosco, qual seria a nossa resposta? Estamos deixando Deus fazer as coisas, abrindo mão da nossa paixão por realizar? Os seguidores de Jesus não devem ter prazer em seguir as suas próprias inclinações. Para tanto, precisamos do poder de Deus em nós, poder capaz de destruir fortalezas, anulando os sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, até nos submetermos completamente a Cristo (2Coríntios 10.3). AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    41 min
  • Fé Autêntica: A Verdadeira e a Falsa Sabedoria (Tiago 3) #rpsp
    Em tese, todos estamos a caminho de nos tornarmos maduros. Maturidade é um processo, de baixo para cima, mas que não tem fim. A pessoa madura gosta de vencer, mas vencer verdadeiramente, sem equívocos, sem gritos, sabendo que perder também pode ser vencer. A pessoa madura dispõe-se a ceder, seja a vez numa fila, a mão numa caminhada, o dinheiro numa necessidade, a vitória numa discussão. A pessoa madura sabe que não é verdadeiramente livre, porque há pesados condicionantes à liberdade, que implica pesada responsabilidade. A pessoa madura alegra-se em aprender, como o professor que estuda, o pastor que ouve, o jovem que presta atenção. A pessoa madura pergunta quando não sabe e pergunta quando sabe. A pessoa madura dialoga com o seu passado pessoal, mas não se deixa escravizar por ele. A pessoa madura cala-se quando o silêncio é uma expressão da santidade.
    É muito difícil medir as consequências das palavras, especialmente aquelas ditas para ferir e destruir. Uma história bem conhecida nos ajuda na compreensão do poder destruidor da língua. Numa determinada comunidade, uma mulher (mas poderia ser um homem também) era famosa pela sua competência em falar mal da vida dos outros. Um dia, uma pessoa atingida foi até o pastor. O pastor chamou a mulher e ela prometeu se emendar. “Pastor, eu peço perdão a Deus por tudo o que eu fiz”. O pastor lhe passou uma tarefa: “A senhora vai encher um saco de penas e espalhá-las pela cidade. Depois volte aqui”. Interessada em mostrar sua mudança, a mulher fez como lhe foi solicitado. E voltou ao pastor. O pastor lhe passou uma segunda tarefa: “Agora, a senhora vai recolher as penas e colocá-las no saco outra vez. Depois, volte aqui”. A mulher se foi e pouco tempo depois voltou: “Ah, pastor, não dá para recolher as penas. Elas sumiram por aí”. E o pastor concluiu: “São assim as consequências das palavras más. Elas estão por aí destruindo e magoando. Não há como recolhê-las”. Tiago sabia muito bem disso.
    Sabedoria é maturidade, que não tem a ver com idade. Antes, ela é filha de um sentimento de adequação ao mundo. Ser maduro é saber que o mundo não vai mudar para se encaixar no nosso modo de ser. Então, ser maduro é ser conformado com este mundo? Não. Conformação é coisa abominável (Romanos 12.2). Adequar-se é deixar de se achar o centro do mundo. Não somos, desde que nos expeliram daquele gostoso ventre, onde tudo girava em torno de nós. Adequar-se é parar de achar que o mundo conspira contra nós. Na verdade, a maioria das pessoas não se importa conosco. Adequar-se é fazer o seu caminho num mundo indiferente. Adequar-se é empenhar-se para tornar o mundo diferente, colocando-o de pernas para o ar. Adequar-se é um processo. Amadurecer é um processo. Os imaturos são cruéis com o mundo. O mundo é cruel com os imaturos. Amadurecer dói, mas é bom. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    12 min

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