Reavivados por Sua Palavra

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Reavivados por Sua Palavra episodes

  • Direto ao Ponto: Jesus Anda Conosco (Marcos 1) #rpsp
    Jesus anda por onde nós andamos. Jesus está na cozinha onde passamos parte do nosso tempo. Jesus está na escola onde passamos algumas horas do dia. Jesus está no trabalho que ocupa a maior parte da nossa vida. Jesus está na praia ou em qualquer outro lugar de lazer. Jesus nos encontra onde nos encontramos. Os primeiros discípulos estavam no seu lugar de trabalho. Jesus chamou os pescadores e eles o “largaram logo as redes e foram com Jesus” — que informação revolucionária! É coisa para pessoas de fé. É coisa para pessoas de coragem. É coisa para quem enxerga longe. É coisa para quem confia em Jesus. Jesus ainda hoje nos chama para ir com ele. Ele chamou gente como a gente, a maioria sem as qualificações que nós imaginaríamos desejáveis. Os que o atenderam ele capacitou, começando por lhes dar outro sentido para a vida. Simão, depois Simão Pedro, porque Jesus lhe mudou o nome mudando sua vida, era um pescador, talvez pouco alfabetizado. Tornou-se pouco depois o líder da igreja que surgiria. Enfrentou multidões para defender o projeto de Jesus. Escreveu dois livros. Se a tradição católica está correta, chegou à capital do império, Roma, onde morreria. Mesmo que tenha ficado em Jerusalém, foi muito além do horizonte esperado para um pescador. Sem Jesus, seria um pescador sem nome. Como Jesus, nós temos uma missão: ser pescadores de pessoas. Essa é a prioridade. Ser pescador de pessoas é dar prioridade a Jesus. No caso dos pescadores, eles não foram chamados a romper seus vínculos com os seus familiares, mas a viver esses vínculos a partir da convivência com Jesus, capaz de tornar melhor essa convivência. Respondemos “logo” ou vamos primeiro resolver nossos problemas? Vamos “logo” ou primeiro analisaremos se vale a pena, se o bônus vai ser maior que o ônus? Seguiremos “logo” ou ficaremos olhando para trás? Vamos misturar a nossa história com a história de Jesus ou vamos fazer carreira solo? AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    30 min
  • Deus Conosco: Estarei com Vocês todos os dias (Mateus 28) #rpsp
    Depois da ressurreição, espalhada a notícia, os 11 discípulos foram a um monte na Galileia, para ver Jesus. Nem todos creram. A razão falava mais forte: “nenhum morto pode voltar à vida”. A dúvida se instalou: seria ele mesmo? Ele estava um pouco distante, como dando um tempo para que as coisas se organizassem na mente deles, tamanha a novidade. Então, ele se aproxima e diz: “Deus me deu todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28.18). É como se dissesse: “Vocês conviveram comigo e viram as minhas limitações. Viram quando fiquei cansado. Viram quando fiquei triste. Viram quando fui humilhado. Viram quando fui morto. Eu fui como um de vocês, com todos potenciais e limites de um ser humano. Agora, porém, quero que saibam, começou um tempo novo. Não tenho mais limitações. Não estou mais sujeito a ninguém. Os poderosos da terra estão sob as minhas ordens. Todo o poder da terra e do céu está concentrado em minhas mãos agora. Vocês não precisam mesmo ter medo, de nada e de ninguém”. Então, ele se aproxima mais um pouco e diz: “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês” (Mateus 28.19-20a). O evangelho é tão profundo, tão novo, tão renovador, tão salvador que precisa ser levado, não como informação apenas, mas como informação nova para uma vida nova. O evangelho deve gerar uma vida nova, que se faz a partir da aceitação da sua oferta de graça e continua com um compromisso. A vida realmente nova é para quem se torna discípulo de Jesus, aprendendo a viver como ele viveu. Esse discípulo se compromete quando se deixa batizar, como Jesus foi batizado. Esse discípulo submete sua vida ao poder de Jesus, para vivenciar a alegria plena. Esse discípulo submete seus pensamentos ao pensamento de Jesus, para encontrar a liberdade plena. O discípulo de Jesus reproduz seus ensinos na vida e nas palavras. E antes que saíssem para fazer outros discípulos, Jesus olha para cada um e diz: “Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20b). A razão da morte Jesus em nosso lugar é um mistério: Deus decidiu assim, para nos salvar. A forma da ressurreição de Jesus é um mistério. Deus fez assim, e não sabemos, e não saberemos jamais, como ele o fez. A promessa da presença de Jesus permanentemente com os seus discípulos é um mistério, mas é uma realidade, como os são as realidades da morte e da ressurreição de Jesus. Jesus está conosco. Jesus está conosco sobretudo quando estamos buscando fazer novos discípulos. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    29 min
  • Deus Conosco: Tetelestai (Mateus 27)
    Um dos mais comoventes estudos da Bíblia que eu já acompanhei aconteceu na nossa sala de es­tar. Era pouco antes da Páscoa, e nosso pequeno grupo de amigos abriu suas Bíblias nessa passagem. Dei a cada um deles um desenho desta cena: um desenho que tinha três círculos desenhados a dis­tâncias variadas, nas proximidades da cruz. Juntos, examinamos a passagem e descobrimos os que es­tavam mais próximos da cruz — o centurião, os soldados, os ladrões nas outras cruzes, o homem que se apressou a oferecer vinagre a Cristo. Preen­chemos o segundo círculo, e depois o terceiro. E então pedi que cada membro do grupo escolhesse a pessoa que mais provavelmente teria sido — , ou seja, que assumisse o lugar desta pessoa — para testemunhar a crucificação — então nos contasse o que sentiu e pensou enquanto testemunhava a morte do nosso Senhor.
    Que exercício, para você e para mim, em qualquer época do ano. Estamos in­sensíveis, protegidos contra sentimentos por uma casca protetora, como os soldados romanos? Nós estamos treinados, educados, competentes, como o centurião romano? Estamos sobrecarregados com o conhecimento da nossa culpa, como um dos la­drões na cruz, ou amargos e irados como o outro? Estamos simplesmente curiosos, como o homem com a esponja com vinagre? Os nossos corações estão partidos, como o de Maria, sua mãe, e o das outras mulheres? Estamos cínicos, como os sacer­dotes e os escribas?
    Qualquer que seja a nossa natureza ou estado atu­al, podemos encontrar uma pessoa com quem nos identificar neste capítulo. Podemos ficar junto a eles, próximos da cruz. Podemos assistir a morte do Sal­vador. E, talvez, quando ali estivermos, nós também poderemos ser repentinamente tomados por reve­rência, com o desenrolar dos acontecimentos, e perceber que, não importando quem sejamos, ou qual a nossa condição — Jesus está suspenso ali por nós! E por meio do seu sofrimento, nós seremos curados.
    Visite com frequência a cruz, e encontre ali respos­tas para as suas necessidades mais profundas.
    RICHARDS, Comentário Devocional da Bíblia
    39 min
  • Deus Conosco: A Última Quinta Feira (Mateus 26) #rpsp
    A noite da quinta-feira foi de decisão. E a decisão — como deve ter com todas as coisas importantes — foi tomada durante a oração, banhada em lágrimas de sangue. Um pouco antes, tinha dado a última lição aos seus discípulos, quando lavou os pés deles, toalha na cintura, como se fosse um escravo. Depois desceu com eles para o jardim do Getsêmani, perto do rio Cedrom, do lado de fora das muralhas de Jerusalém. Ajoelhou-se de corpo inteiro. Orou primeiramente de modo suave. Depois, mais intensamente. E, por fim, em total angústia. Na sua aflição, ele pediu a Deus que, caso fosse possível o livrasse do sofrimento, mas que fosse feita a vontade de Deus, não a sua. Venceu a vontade de Deus e a humanidade pode desde então agradecer pela cruz que Jesus carregaria e sob a qual vergaria na tarde seguinte. O Getsêmani é o jardim da decisão, a mais difícil para Jesus e a mais importante para os seres humanos. O Getsêmani nos conclama a pensar sobre como tomamos nossas decisões. Com o sangue da seriedade, como o vertido por Jesus, ou com o sono da superficialidade, como o dormido pelos discípulos de Jesus? Era quinta-feira. Precisamos de mais quintas-feiras na nossa vida. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    46 min
  • Deus Conosco: Bodes e Ovelhas (Mateus 25) #rpsp
    As coisas são bem diferentes do ideal proposto por Jesus. Sofrem as pessoas que se põem no caminho daqueles que exploram sexualmente crianças e adolescentes. Sofrem as pessoas que ensinam que os velhos devem ser respeitados e queridos como patrimônios vivos de seu tempo e do futuro. Sofrem as pessoas que sugerem que todos os seres humanos são iguais, mesmo que tenham nascido pobres, deficientes ou negros. Sofrem as pessoas que acham que a fome é um atentado contra a dignidade dos seres humanos, não importando onde morem. Sofrem as pessoas que tentam impedir os que querem destruir as florestas em nome do dinheiro, e que chamam isso de progresso. Sofrem as pessoas que esperam que os recursos públicos não sejam tornados privados, canalizados pelos ralos da corrupção. Sofrem as pessoas que esperam que o cuidado com a saúde seja um bem que deve ser disponibilizado a todos os cidadãos. Sofrem as pessoas que fazem da justiça o ideal de sua vida. Elas são ridicularizadas, menosprezadas e perseguidas. Sofrem, mas estão no caminho de Jesus. Ele as abençoa dizendo que podem até morrer por seu ideal de justiça, mas morrem felizes (Mateus 5.10-12). O que não se importam com a justiça podem continuar vivos, mas infelizes. A tarefa de todo seguidor de Jesus é cuidar dos mais fracos. Quem cuida dos fracos cuida de Jesus. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    24 min
  • Deus Conosco: O Fim Do Mundo (Mateus 24) #rpsp
    Há tempo de entender e há tempo de não entender Todos passamos — ou deveríamos passar — por momentos para os quais não temos explicação. Tudo ia bem no trabalho, mas, de repente, o que fazia sentido não faz mais. Pode ser que o que fazia sentido era a competição que o ambiente produzia no estilo de vida de cada um. A rotina do lazer estava bem definida, mas, de repente, o lazer deixou de dar prazer. As finanças já não estão mais sob controle. Não aconteceu nada, não estamos doentes. Apenas as coisas estão estranhas. Então, tentamos explicar. Como não conseguimos, ficamos ainda mais desesperados. A nossa paixão por explicar é irrefreável. Se aconteceu, insistimos, deve ter uma explicação. Se estivéssemos no cenário da cura do cego de nascença (João 9), ficaríamos frustrados com a resposta que deu quando lhe perguntaram sobre os culpados por aquela enfermidade. Se perguntássemos a Jesus sobre a data do fim do mundo e ele respondesse, como fez (Mateus 24.36), que não sabia, ficaríamos sem entender. Não entender também é preciso. Precisamos confessar a nossa ignorância sobre alguns assuntos, sobre a maioria dos assuntos. Precisamos olhar para a nossa vida e descobrir que nem tudo está sob o nosso controle. Precisamos ter a coragem de nos distanciar de nós mesmos por um pouco para aprendermos um pouco mais sobre a nossa vida, num processo que nos leve a decisões com consequências boas para o resto dos nossos dias. Faz bem à máquina parar: parar de saber; parar de ter certezas; parar de entender. Para recomeçar. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    37 min
  • Deus Conosco: Religião Fake - O Fariseu que habita em cada um de nós (Mateus 23) #rpsp
    Suponho que quase todos sabem que sete é o número da perfeição nas Escrituras. A Criação foi concluída em sete dias. Cada semana contém um ciclo de sete dias. A cada sete anos, os israelitas deviam deixar os campos descansar, não semeando nada neles. Uma lâmpada de sete ramos no Templo representava a obra de iluminação do Espírito Santo. E assim por diante. Em vista disso, é fascinante notar que as palavras finais de Jesus sobre os fariseus e escribas do seu tempo são resumidas em sete “ais”. (“Ai” é uma expressão de tristeza e de acusação). Suponho que por haver sete destas declarações de “ais” indica que os líderes eram fracassos “perfeitos”.Assim, como é que conseguimos evitar sermos fracassos perfeitos em nossa vida espiritual? Evitamos os sete pecados mortais que eles cometeram, cada um dos quais associados com a exaltação de si mesmo acima dos outros, em lugar de levar vidas humildes e amorosas. Os sete? 1. Excluir os outros. 2. Converter as pessoas à nossa própria causa, fazendo com que se tornem semelhantes à nossa própria imagem. 3. Estabelecer regras para os outros, apesar da falta de discernimento espiritual. 4. Estudar detalhes religiosos sem importância, e ao mesmo tempo ignorar as verdadeiras prioridades de Deus. 5. Preocupar-se com as aparências e não com a justiça pessoal. 6. Encobrir motivos pecaminosos com palavras e ações enganosas. 7. Professar sensibilidade a Deus como um disfarce à hostilidade. Oh, sim. Se você desejar uma prescrição positiva, experimentará um exercício elementar. Simplesmente deixe de lado cada um desses sete, e faça a sua própria lista de sete qualidades que contribuem para o sucesso espiritual! Tenha cuidado, pois também somos vulneráveis às atitudes que condenaram os fariseus. “A humildade e o desprezo a nós mesmos conseguirão realizar os nossos desejos muito mais rapidamente do que o orgulho obstinado. Embora Deus seja exaltado, os seus olhos consideram os humildes, tanto no céu como na terra, e nós lutaremos em vão para agradá-lo de qualquer outra maneira que não seja nos humilhando.” — João de Ávila. RICHARDS, Comentário Devocional da Bíblia
    33 min
  • Deus Conosco: Qual Imagem Reproduzir? A de Deus ou a de César? (Mateus 22) #rpsp
    Quando perguntado sobre a relação entre a igreja e o estado, Jesus oferece respostas que nos ajudam a entender a questão nos dias de hoje. Jesus não se abstém da vida com todas as suas implicações. Ele sabe que existe o Estado (no caso, o poderosíssimo Império Romano), que cobra impostos. Ele sabe que há relações econômicas e que há injustiça, contra as quais o Estado pouco pode e as quais ele mesmo pratica, quando deveria prover a justiça. Jesus sabe disso e se interessa pela prática da justiça. A vida floresce melhor onde há justiça, que o Estado deveria prover. A religião organizada (com seus símbolos, ritos e propostas) é o espaço para que a religião individual se desenvolva de modo saudável. Assim como Deus tem interesse pela vida, incluindo a justiça, a religião deve ter interesse pela vida, incluindo a justiça. Jesus não se absteve. O cristão não pode se abster, seja por dever, seja por obediência a Deus, seja por medo. Sim, medo de cair nas mãos de um Estado governado por maus. Jesus estabelece esferas na vida Quando diz que se deve dar a César o que é de César, ele mostra que há uma esfera espiritual e outra política. A espera espiritual trata do relacionamento do ser humano com Deus. Nessa relação não há espaço para a coerção, mas para a adesão, que é voluntária. Não há lugar para o medo, porque é território para a liberdade. A esfera política visa a organizar a vida em sociedade. No caso de uma democracia, a política é organizada por delegação, em que a maioria escolhe alguns para gerir a vida coletiva. A vida em sociedade impõe deveres, que são impostos pelo Estado e devem ser obedecidos. Os deveres, que devem visar ao bem-estar de todos, são vivenciados por escolha e por coerção. O cristão deve cumprir as leis. No plano privado, não lhe cabe achar que uma lei é injusta e decidir não cumpri-la. Ele precisa discuti-la publicamente, visando à sua mudança, o que pode até incluir um boicote coletivo e é preciso sublinhar o “coletivo”. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    32 min
  • Deus Conosco: O Caminho da Figueira (Mateus 21)
    Para quem o tem vivenciado, não há dúvida de que o fruto da vida cristã é a alegria de produzir frutos. Como a figueira visitada por Jesus, uma vida cristã que não abençoa não é propriamente uma vida cristã. Todo aquele que espalha o amor de Deus sabe que essa é a alegria de ter um relacionamento de filho com ele. Não seja uma figueira seca, mas uma figueira cheia de figos. Essa história deve ser lida junto com a parábola da figueira estéril (Lucas 13.6-9). Ali Jesus é comparado ao viticultor (agricultor responsável pela produção da plantação) e ele dá uma segunda oportunidade a uma árvore depois de vários anos sem ter dado um fruto sequer. Se Jesus está lhe dando essa oportunidade, procure se tornar uma figueira frutífera. Portanto, não seja como uma figueira seca, mas como uma figueira cheia de figos. AZEVEDO, Bíblia Sagrada Bom Dia
    34 min
  • Deus Conosco: A Matemática da Graça (Mateus 20) #rpsp
    O empregador na história de Jesus não enganou os trabalhadores diaristas pagando a todos o equivalente a uma hora de trabalho em vez de doze. Não, os trabalhadores diaristas receberam o que fora prometido. Seu descontentamento surgiu por causa da matemática escandalosa da graça. Eles não podiam aceitar que o empregador tivesse o direito de fazer o que queria com seu dinheiro, pagando aos folgados doze vezes o que mereciam.
    De maneira significativa, muitos cristãos que estudam esta parábola se identificam com os empregados que trabalharam o dia todo, em vez dos adicionais no final do dia. Gostamos de nos considerar trabalhadores responsáveis, e o comportamento estranho do empregador nos desconcerta como desconcertou os ouvintes originais. Nós nos arriscamos a perder o ponto principal da história: Deus concede dons, e não salários. Nenhum de nós recebe pagamento de acordo com o mérito, pois não somos capazes de satisfazer as exigências de Deus para uma vida perfeita. Se fôssemos pagos com base na justiça, todos iríamos parar no inferno.
    Nas palavras de Robert Farrar Capon, "se o mundo pudesse ter sido salvo por meio de uma boa contabilidade, teria sido salvo por Moisés, e não por Jesus". A graça não pode ser reduzida a princípios contábeis. Na base do reino da não-graça, alguns trabalhadores merecem mais do que outros; no reino da graça a palavra merecer nem mesmo se utiliza. Quanto mais reflito nas parábolas de Jesus, mais tentado me sinto a reivindicar a palavra "atroz" para descrever a matemática do evangelho. Eu creio que Jesus nos deu essas histórias a respeito da graça para nos convocar a sair completamente desse mundo toma-lá-dá-cá da falta de graça e entrar no reino da graça infinita de Deus. Como Miroslav Volf diz, "a economia da graça não-merecida tem primazia sobre a economia dos merecimentos morais". A partir da escola maternal somos ensinados a ter sucesso no mundo da não-graça. Passarinho que cedo madruga cedo limpa o biquinho. Ninguém come de graça. Reclame seus direitos. Pague e receba.
    Conheço bem essas regras porque vivo por elas. Trabalho para comer; gosto de ganhar; insisto nos meus direitos. Quero que as pessoas recebam o que merecem — nem mais, nem menos.
    Se prestar atenção, porém, ouço um sussurro forte vindo do evangelho que diz que não recebi o que mereço. Eu merecia castigo e obtive perdão. Merecia a ira e recebi amor. Merecia a cadeia do devedor e recebi, em vez disso, uma ficha limpa. Merecia advertências severas e devia me arrepender rastejando de joelhos, mas recebi um banquete, colocado diante de mim.
    YANCEY, Maravilhosa Graça
    27 min

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