Podemos resumir o carma como impulsos com os quais não sabemos lidar. Esses impulsos provocam as dez ações não virtuosas que por sua vez, produzem sofrimentos específicos – a curto, médio e a longo prazo – e, portanto, esses impulsos deveriam ser evitados.
As ações equivocadas, também chamadas de não-virtuosas, são: matar, roubar, conduta sexual imprópria, mentir, difamar, fala áspera, tagarelar, cobiçar, querer machucar o outro de alguma forma e visão errônea (visão equivocada de mundo).
Uma forma mais sutil, é perceber o aspecto interno da experiência, temos carmas primários que aparecem de acordo com as situações secundárias. É um movimento que, de modo geral, nos deixa frágeis e impotentes. Temos sementes sutis de sofrimento que dependem de circunstâncias objetivas para eclodirem, estamos nesse exato momento vulneráveis a esse movimento.
Por exemplo, podemos achar que está tudo bem, “tudo sob controle” e de repente, nos deparamos com situações específicas que fazem essas sementes amadurecem e, os seus respectivos problemas aparecem sem aviso prévio.
Toda certeza é a base para duvidarmos com lucidez
Outro exemplo mais impactante é termos certeza que não iremos machucar ou matar alguém. Entretanto, quando as situações secundárias aparecem, podemos até pensar: “Se fosse eu, já tinha passado por cima!”; “Eu jamais mataria alguma pessoa. Mas, se mexer com meu filho, pode ter certeza de que você estará morto!” Só o fato de pensarmos em agir a partir de alguma ação não-virtuosa, já nos deixa vulneráveis, frágeis, a qualquer estímulo externo.