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  • CNa#042: As Desventuras de Égout | Conto de Fantasia Medieval
    Égout nunca fora dos mais sortudos, mas sempre fora obstinado. Acompanhe as desventuras de Égout, e descubra que até o poço mais profundo possui uma saída.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
    Coloque seu fone de ouvido e curta!
    ▬ Autor:
    Renato Soares.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “As desventuras de Égout”, um Conto de Fantasia Medieval.
    Era perto da hora do almoço em Luskan. Conhecida como a Cidade das Velas, uma cidade portuária na foz do Rio Mirar, na Costa da Espada do Norte. Se fosse um lugar normal as crianças estariam brincando, contudo houve uma briga.
    O pestinhas tinham por volta dos 7 anos, de um lado um rapaz magro, pele escura, orelhas pontudas, olhos amendoados e cabelos aparentemente prateados, naquele momento eram beges de tão sujos. Ele estava dentro de um saco de grãos com aberturas para os braços, pernas e a cabeça, considerando-o sua veste.
    Do outro, um garoto de aparência robusta, ossos largos, cabelos encaracolados, amarelos e brilhantes. Seus olhos eram azuis como um céu límpido de uma tarde primaveril e suas vestes eram de tecidos caros, tão bem alinhados quanto fosse possível a um excelente alfaiate de uma família abastada.
    As demais crianças torciam, gritavam e incentivavam a briga.
    Ambos rolavam pelo chão aos tapas, mordidas e beliscões. E tão logo a disputa se encerrou, todos começaram a debandar exceto o perdedor, que deitado no chão levantou o braço esquerdo, apontou o punho cerrado para o céu e disse em tom de ameaça:
    – Se insultar minha mãe novamente, William, provará minha ira mais uma vez!!!
    William apenas se virou, cuspiu sobre o derrotado e disse:
    – Vá se danar Égout!!!
    Ambos voltariam a brincar e a brigar novamente. Afinal, assim eram as crianças daquela região.
    O jovem William sempre diminuía o pobre Babel, lhe atribuía apelidos, entre eles, um que vai carregar pelo resto da vida: Égout ou esgoto em uma língua antiga. Idioma do qual o rechonchudo se gabava por saber algumas palavras. Em contrapartida, o pobre garoto jamais se apequenou e não se deixava insultar, apesar de sempre apanhar.
    Assim era o relacionamento de William e Babel. O primeiro, um garoto de classe média alta, cujo pai era um importante ourives da região. O segundo, um bastardo, cuja mãe trabalhava como cortesã, na taverna Jax Caolho, a mais frequentada da cidade.
    As confusões dos dois meninos, sempre repercutiam pela cidade. E nesse momento os amigos de sua mãe, em sua maioria músicos da taverna, geralmente intervinham. Eles iam resgatar o garoto maltrapilho, ofereciam-lhe banho, remédios, comida e um aposento para repouso. Além é claro de entretenimento e ensinamentos, músicas e rimas, a pedido da senhora Vivian Durand, a meretriz mais atraente da bodega local ou simplesmente a mãe de Babel, uma elfa negra legítima.
    Apesar de sua profissão, Vivian fazia todo o possível para estar presente na vida de seu filho, muito amável diariamente lhe contava uma história fantástica, advinda das aventuras de seus amantes ou mesmo dos livros que gostava de ler.
    Nesses momentos mais intimistas, o garoto chorava, contava sobre suas derrotas, seus sentimentos e perguntava sobre o paradeiro do pai. E sua mãe sempre lhe dizia palavras doces e reconfortantes, mas mudava de assunto, lhe pedia para esquecer aquele que jamais retornaria.
    Com o tempo o jovem, Babel “Égout” Durand, começou a entender o que sua mãe fazia, e porque desconversava quando o assunto paternidade vinha à tona. Passou a buscar alternativas para tirá-la dessa vida.
    Ele começou a trabalhar na taverna aos 10 anos como aprendiz de cervejeiro. Aos 12 assumiu o cargo de atendente e aos 14 tornou-se balconista taverneiro. Todavia, o dinheiro que o trabalho lhe assegurava era insuficiente para realizar seu sonho.
    Um dia, enquanto fazia compras pela cidade, envolto em seus pensamentos derrotistas e sobre como lucrar mais, avistou uma moça encantadora. Era linda, esguia e tinha a pele branca como a neve, os cabelos negros como a mais densa escuridão noturna, olhos cor de mel tão claros quanto era possível e lábios praticamente simétricos, que se assemelhavam a um arco de cupido retesado.
    Babel só conseguia enxergar a bela garota. Mais tarde soube que tratava-se de Arwen Fay, filha de uma das famílias nobres mais ricas da região.
    Foi amor à primeira vista, mas também um infortúnio, pois se não conseguia nem ao menos tirar a mãe daquela vida, como causaria boa impressão na garota de seus sonhos?
    A resposta era uma só: trabalharia mais do que antes.
    Ele procurou os bardos da taverna, que lhe ensinaram alguns truques sobre entretenimento, inclusive sobre interagir com garotas de maneira cavalheiresca.  O que lhe rendeu um novo ofício e também mais gorjetas, devido a predileção dos clientes por seu atendimento, cheio de floreios e frases caricatas.
    Mas sua ansiedade juvenil era deveras inquietante, foi quando a oportunidade de se aproximar de sua bela apareceu, no festival de primavera. Um evento especial feito para a nobreza, bastava entrar e estaria frente a frente com sua paixonite.
    E após outra briga com William, que se gabava por ter acesso ao festejo frente aos amigos, Babel conseguiu as entradas. Durante o embate, o garoto tomou os ingressos de forma sorrateira… e outra surra.
    O rapaz tratou de comprar roupas apropriadas à ocasião, passou dias lavando seus cabelos encardidos e pediu para que sua mãe lhe fizesse um penteado charmoso.
    Na fatídica noite de pompa, com os mais variados nobres, e obviamente deslocado, Babel partiu para a ação e logo conseguiu uma brecha para cortejar sua dulcinéia.
    Tudo se encaminhava bem, o galã conseguiu tomar Arwen para uma dança, fez alguns meneios insinuantes e usou palavras doces ao pé do ouvido. A efetividade de suas ações foi delatada pelo sorriso e face ruborizada de sua amada, contudo, ao perceber a presença do bastardo da taverna, os pais de Arwen foram ao seu encontro no meio do salão, puxaram-na de seus braços, lhe insultaram e por fim o jogaram na sarjeta.
    Mesmo aos cacos e com o orgulho em frangalhos, proferiu-lhes uma promessa:
    – Vou ficar tão ou mais rico que vocês e jamais passarei por tal humilhação novamente!
    Todos apenas riram das asneiras daquele degenerado.
    No dia seguinte, Babel chamou sua mãe e lhe disse:
    – Vou embora da cidade, pois preciso juntar dinheiro suficiente para deixarmos essa vida, não aguento mais passar por humilhações e apenas com o meu trabalho atual é impossível, morreremos de trabalhar e continuaremos pobres.
    O jovem, que havia completado 15 anos, juntou alguns pertences e saiu para desbravar Faerûm. No início apenas se apresentava com os demais bardos, com o qual aprendeu a tocar vários instrumentos. Eram aclamados por onde passavam. Ao longo de suas apresentações, usava a alcunha de Durand.
    Logo foi convidado por um grupamento militar da região, para se juntar ao batalhão de música e servir à nação. E durante o tempo de guarnição, aprendeu a manusear armas e a rigidez das rotinas da corporação. Contudo, apesar de ganhar mais do que antes, ainda não era o suficiente para que sua mãe pudesse se aposentar e a sensação de incapacidade sempre retornava.
    No quinto ano de exército, o soldado Durand havia desaparecido durante um cerco e foi dado como morto. A verdade é que ele havia desertado, após ouvir rumores sobre cultos que reverenciavam entidades sobrenaturais, onde os sacerdotes recebiam altos valores dos fiéis. O interesse foi tamanho que resolveu simular seu desaparecimento e buscar mais informações a fim de se tornar um acólito.
    Novamente o garoto se aventurou em meio a pessoas perigosas, no Culto do Ódio Uivante, adoradores de Yan-C-Bin, contudo, algum tempo depois percebeu que para ter acesso aos ganhos da organização teria que subir bastante na hierarquia, isso lhe custaria anos de trabalho e uma lavagem cerebral. O pensamento da seita já havia começado a perverter sua mente e lhe desvirtuar do seu objetivo. Foi então que reuniu forças, recolheu alguns pertences e partiu no meio da noite.
    A experiência, fez o meio-elfo se afundar em sentimentos negativos, ter pensamentos suicidas, comer mal e dormir o dia todo por quase seis meses. Nesse período conturbado, o jovem usou seus ganhos para garantir um teto e alimentação. E foi a imagem de sua mãe que o manteve firme, para poder enxergar a saída da escuridão e recuperar-se do abuso espiritual e emocional.
    O rapaz, escondeu-se das facções por anos e após conseguir apagar seu rastro dos cultistas, retornou para o seu objetivo. Não sem sequelas, adquiriu um tique que afetava seu sistema motor e o fazia estalar o pescoço a todo o momento.
    Aos 28 anos e mais maduro, Durand havia adquirido uma rede de contatos interessantes o suficiente para ser convidado a filiar-se aos Harpistas, recusou de pronto, pois não queria perder o foco novamente.
    E com 35 anos, havia conseguido juntar bens suficientes para finalmente dar a vida que sua mãe merecia e tomar a mão de sua amada em casamento. Porém, a vida lhe reservava mais um duro golpe. Ao chegar na cidade descobriu que Arwen havia se casado com William e a desolação se tornou ainda maior quando soube que sua mãe estava doente há algum tempo. À essa altura a bela Vivian, uma drow de 170 anos, havia vivido ao máximo.
    Poucas semanas depois, sua mãe veio a falecer. A vida de Durand tinha perdido o sentido, passou anos trabalhando e não conseguiu alcançar seus sonhos. E como meio Elfo, ainda viveria por mais de 100 anos carregando tal fardo.
    Após o sepultamento, ele foi caminhar pelas ruas de Luskan, com um olhar melancólico e distante. Em sua mente inquieta, se perguntava: com toda aquela pobreza e sofrimento, de onde os cidadãos arrumam forças para continuar? Porque apenas os nobres viviam com pompa e suas crianças eram alfabetizada
    20 min
  • CNa#041: A Defesa da Vila | Conto de Fantasia Medieval
    A defesa da vila narra um acontecimento junto a vila de Peltri, acontecimento este que nos faz pensar… Um conto para maiores de 14 anos
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “A Defesa da Vila”, um Conto de Fantasia Medieval.
    A pequena e pacata vila de Peltri sempre viveu em paz e harmonia, nada de incomum acontecia na vila, até aquele fatídico dia.
    Estava quase na hora do jantar, os moradores da vila voltavam de suas plantações, carregando cestos repletos de frutas e grãos, o sol estava baixo e a temperatura amena. Nas casas, as crianças começavam a acender alguns lampiões e velas e o cheiro de tortas de maçã podia ser sentido a metros de distância.
    Porém, o aroma frutado do ar fora invadido por um fedor incomum, ao Leste da vila, vindo das florestas de Mrots, foram avistadas pequenas criaturas, de pele verde, nariz pontudo e olhos esbugalhados, eram Goblins!
    A população entrou em alvoroço, os pacatos moradores de Peltri nunca tinham visto aquelas aberrações. As crianças mais jovens, os incapacitados e as mulheres grávidas cuidaram de montar barricadas, enquanto todos os demais moradores da vila pegaram seus martelos, foices, enxadas, pás e quaisquer outras ferramentas que pudessem utilizar, e partiram para rechaçar o ataque inimigo.
    Os goblins esganiçaram algumas palavras incompreensíveis, enquanto eram rechaçados pela braveza daqueles fazendeiros. Não tardou até que eles bateram em retirada, retornando para a escuridão das florestas.
    Os fazendeiros logo limparam suas ruas daquela gosma verde e dos corpos pestilentos que ali jaziam inertes e comemoraram sua vitória com um banquete.
    Na tarde seguinte, qual não foi a surpresa, quando novamente os seres repulsivos saíam da floresta a caminho da modesta vila. Desta vez, em menor número, os goblins gritavam e gesticulavam, os humanos notaram aquela afronta e, inflados pela glória do dia anterior, decidiram eliminar todas aquelas criaturas. Iniciaram assim mais um massacre.
    Dessa vez, quando partiram em retirada, os pequenos seres foram seguidos floresta adentro, até chegarem em seu covil. Na pequena aldeia goblin havia barracas de madeira improvisadas com panos e couros servindo de lona, instrumentos de ossos podiam ser avistados por aqueles que chegavam, mas praticamente não havia resistência contra o poderio dos humanos ensandecidos por protegerem suas terras.
    Os fazendeiros foram matando, saqueando e colocando fogo em toda a aldeia, até que chegaram na maior das cabanas, onde estava deitado um pequeno ser de pele verde clara, usando brincos e colares, ele deveria ser o chefe daquela tribo.
    O líder dos humanos percebendo sua glória, e dela desfrutando, possibilitou ao goblin palavras finais, e ele disse: “Nós ter muita fome, só querer comida cheirosa, nós poder pagar”.
    Knut era o nome desse pequeno líder, hoje sua cabeça está empalada na entrada da vila de Peltri, que é reconhecida em todo o mundo como uma vila de bravos guerreiros que defenderam suas terras de forma honrada e nobre.
    FIM.
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    7 min
  • TnB#286: MDS1E07 – Uma Queda Suave | RPG D&D 5e
    Tarrasque na Bota apresenta: Maldição de Strahd, uma aventura do RPG D&D 5e. Episódio 07 – Uma Queda Suave.
    Após um combate mortal contra um formidável inimigo, Bulgor, o Bárbaro, e Renesmee, a Bruxa Giomorgo, são traídos pela fada que os contratou. Separados do restante do grupo, são enviados para os planos do pavor nas terras de Baróvia, onde a única maneira de escapar é enfrentar o responsável por capturá-los: o Primeiro Vampiro, Conde Strahd Von Zarovich.
     
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     ATENÇÃO: Esse podcast é recomendado para maiores de 16 anos.
    Com a participação de:
    Vinicius Watzl
    Shelly
    Gustavo Zattoni
    Roberta Manaa
    Thiago Araújo como o Mestre da Aventura
    Edição de:
    Vinicius Watzl
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    1 hr 20 min
  • Forja#060: O que há de interessante em alguns Sistemas de RPG Brasileiros? | Responde
    Bem-vindos ao 60º episódio da Forja, um podcast produzido pelo RPG Next que trás um bate-papo sobre assuntos relacionados ao Role-playing Game. Neste episódio de "A Forja Responde" respondemos à pergunta "O que há de interessante em alguns Sistemas de RPG Brasileiros?".
    PAUTA
    Jorge Valpaços / Lampião Studios (Arquivos Paranormais e outros).
    Editora Universo Simulado (Tordesilhas, Anomia, Sinistros & Monstros, Super TV Show).
    Fábulas e Goblins (Renato).
    Maloca Games (Sankofa e Quilombo Zero -> Lucas Nascimento).
    Thiago Croft - Arcania Terra Plana.
    6. Godess Save the Queen.
    Com a participação de:
    Rafael 47.
    Claudia Sardinha.
    Breno Baiardi.
    Edição de:
    Renato Santana.
    Uma produção RPG Next.
     
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    1 hr 12 min
  • CNa#040: Ruínas Draconatt | Conto de Fantasia Medieval
    Um grupo de aventureiros bastante incomum viajava pelo mundo à procura de lugares novos para conhecer. Depois de terminarem uma longa missão para o rei Assha Sexto, partiram com glória e ouro desbravando continentes. Por onde passavam deixavam esperança. O bardo Kvolt cantava os feitos dos heróis, que mais tarde passariam a ser conhecidos como “Os Heróis de Asahi”. Em uma noite de inverno, na taverna Kobold Adormecido, eles ouviram o rumor de que o vilarejo de Sobral estava correndo perigo. O dragão branco ancião que residia nas ruínas próximas estava atacando e matando pessoas inocentes.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
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    ▬ Autor:
    Herica Freitas.
    ▬ Narração:
    Brendo Santos.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “Ruínas Draconatt”, um Conto de Fantasia Medieval.
    A música alegrava o ambiente enquanto Kvolt tocava seu alaúde alegremente, entretendo todas as criaturas dentro daquela taverna. O bater dos pés e as palmas complementavam aquela alegre canção.
    A bruxa capturada, morta e degolada
    Mal nenhum mais causará
    A filha fugida e triste
    Agora reinará
    Isso só possível foi pela bravura incomum
    Lutaram bravamente os heróis
    Destruindo seus inimigos um a um
    Agora eles gritam sob lençóis
    Kvolt era um humano esbelto, pele clara, olhos azuis, cabelos loiros, barba bem feita e lábios carnudos e avermelhados. Ele vestia roupas de seda em tons pastel, estava com o cabelo sempre bem penteado e carregava seu alaúde por todo canto. Por onde passava, o bardo atraía mulheres das mais variadas raças.
    O vento insistia em ultrapassar as barricadas colocadas nas janelas, assobiava pela porta e incomodava quando alguém entrava no Kobold Adormecido. Anões garçons corriam apressados com bebidas quentes e assados, servindo as mesas dos aventureiros esfomeados. Do mesmo modo que todos dentro da taverna, Batrix, Quinn e Gilmor tentavam esquentar-se com as bebidas.
    — Acho que o Kvolt bebeu além da conta — comentou Batrix.
    — Beber alegra corações meu amigo! — exclamou Gilmor, entre soluços.
    — Você deveria beber mais Batrix, assim não ficaria fiscalizando a quantidade de bebidas que seus amigos ingeriram. — Quinn disse logo antes de dar um grande gole em sua caneca.
    — Não é porque o rei nos deu todo esse dinheiro que devemos gastá-lo com bebidas e mulheres. — Ele deu de ombros. — Estarei no meu quarto.
    — Não vai dormir sob a árvore hoje? — Gilmor caçoou.
    Durante a partida de Batrix, Gilmor e Quinn caçoavam e riam do meio elfo. Batrix era um meio elfo franzino, pele queimada de sol, cabelos castanhos e bem cortados, vestes de couro surradas e sempre com seu arco mágico em suas costas. Do lado esquerdo carregava uma aljava com flechas e do lado direito uma bolsa com alguns pertences.
    Gilmor era um anão de aparência bem comum, pele bronzeada, cabelos negros sempre amarrados em rabo de cavalo, barba cheia e emaranhada e olhos negros. Ele vestia uma armadura pesada de couro batido e carregava um grande martelo, mais alto do que ele próprio.
    Quinn era um humano de estatura alta, seus músculos eram bem definidos e completavam sua aparência rústica. Sua pele era, também, queimada de sol, seus cabelos e barba ruivos, olhos verdes e, nas partes do corpo expostas, possuía muitas cicatrizes de batalha. Ele vestia uma armadura pesada de placas, tinha em suas costas uma espada longa acompanhada de um escudo e, em cada um dos lados, uma adaga.
    Assim que Batrix havia partido para o quarto um homem de média idade entrou pela porta, desesperado, ofegante, coberto de neve e tremendo. Não se sabia ao certo se ele tremia de frio ou de medo. Seu rosto estava pálido e seus olhos refletiam um pavor descomunal.
    — Dragão! Dragão! — exclamou o homem.
    Murmúrios foram ouvidos por todos que estavam na taverna, muitos esconderam-se sob as mesas com medo do tal dragão aclamado pelo homem, outros empunharam suas armas. Kvolt colocou seu alaúde nas costas, andou calmamente até o homem, colocou a mão em seu ombro e perguntou:
    — Onde e quando, nobre companheiro?
    — Sobral, o vilarejo ao lado, está sendo atacado por um dragão branco. Peguei meu cavalo e vim o mais rápido que pude. A essa altura ele já deve ter assassinado toda a vila.
    — Certo. Ei, taverneiro — Kvolt chamou pelo anão por detrás do balcão – poderia nos alugar quatro cavalos?
    — Vá chamar Batrix, estamos de partida. — Quinn disse a Gilmor.
    Em seguida os quatro heróis partiram rumo ao pequeno vilarejo de Sobral. Desbravaram a nevasca forte. O frio era tanto que doía, a neve caindo incontrolavelmente dificultava a visão pelo caminho e era impossível estimar a hora da noite em que partiram, pois a aparência hostil foi a mesma da noite até o amanhecer.
    Em algum momento antes do amanhecer a nevasca diminuiu, o vento cessou, mas o frio ainda insistia em penetrar a pele de animal espessa que cada um deles usava. Mais adiante puderam vislumbrar do alto de um morro a vila devastada. As casas davam espaço a amontoados de madeira queimada misturada com pedregulhos destruídos, a neve ao redor do local estava manchada de sangue e fuligem e haviam corpos parcialmente cobertos por neve.
    Entretanto, nem tudo parecia perdido. Uma casa ou outra estavam inteiras e, de dentro delas, era possível enxergar olhares amedrontados e curiosos para os viajantes que chegavam ao local. “Vamos investigar”, Kvolt falou, enquanto amarrava seu cavalo sob uma árvore.
    — Pessoal, nós viemos ajudar. — disse Gilmor.
    — Nada temam, estamos aqui para matar a fera. — Quinn brandiu sua espada.
    Pouco a pouco algumas pessoas saíram das casas semi-destruídas, homens em sua grande maioria. Eles conversaram com os heróis, mostraram a direção para a qual a fera havia partido.
    — Vocês estão em quantos? — Kvolt perguntou ao morador Turec.
    — Somos doze sobreviventes, nobre herói. — Turec respondeu.
    — Nós temos algumas cordas. Poderíamos destruir uma casa e improvisar um trenó para que vocês sigam até o Kobold Adormecido. — Kvolt disse.
    Quando finalmente terminaram a engenhoca os heróis cederam os quatro cavalos para servirem de guias e tracionarem o veículo. Kvolt sugeriu que os homens montassem os cavalos e conduzissem a viagem, enquanto os demais se posicionassem no trenó improvisado. Assim o fizeram e os sobreviventes partiram rumo à taverna do vilarejo vizinho.
    — Batrix vem comigo e Gilmor com Quinn, seguiremos para a montanha a leste e devemos encontrar a criatura em seu covil. Vamos nos dar cobertura em pares. — Kvolt instruiu.
    Naquela manhã cinza e fria eles partiram rumo à batalha, todavia quando chegaram ao pé da montanha, uma hora depois, os pés estavam frios e molhados devido à árdua caminhada sobre a neve densa que caíra na noite passada. Conforme eles subiam sentiam arder suas narinas e seus pulmões pressionados pelo ar rarefeito da montanha.
    — O ar está ficando pesado. — Gilmor disse ofegante.
    — Vamos continuar subindo, em breve encontraremos a fera. — Quinn respondeu.
    — Silêncio! Ouvi alguma coisa. — disse Batrix, enquanto retirava o arco das costas.
    — O que ouviste? — Kvolt perguntou.
    — Parecem roncos, acredito que a criatura esteja dormindo.
    Depois de subirem toda a montanha, chegaram à entrada de uma caverna. Seu interior era escuro e emanava um vapor quente.
    — É aqui — Batrix disse —Aqui está a fera, eu posso sentir. Eles entraram na caverna de forma cautelosa.
    Não fizeram barulho algum, finalmente chegando até um penhasco que levava para dentro da montanha. No fundo da cratera estava um enorme dragão branco, deitado em um imenso amontoado de palha, dormindo.
    — Qual é o plano? — Batrix perguntou.
    — Eu pulo com meu martelo sobre a sua cabeça. — Gilmor disse.
    — Gilmor, se você ainda não percebeu, aquela criatura lá embaixo é um dragão branco, e não um goblin. — Quinn advertiu.
    — Eu posso aprisioná-lo em uma cela mágica. Dessa forma, poderemos descer e não ser pisoteados. — Kvolt disse, enquanto sacava seu alaúde das costas.
    — Eu gostei — Disse Batrix.
    — Eu ainda vou poder dar martelada na cabeça dele? — Gilmor perguntou.
    — Ao seu comando, Kvolt. — Quinn disse.
    Kvolt com seu alaúde olhou para o dragão adormecido, respirou fundo, fechou os olhos, abriu os olhos que agora brilhavam em amarelo e tocou uma música. O dragão acordou com o canto, contudo percebeu que estava preso em uma cela mágica. Seu rugido gutural estrondeou por toda a caverna.
    — Como a gente desce? — Gilmor perguntou.
    — Assim. — Batrix disse, enquanto terminava de bater uma estaca no chão.
    Batrix havia feito uma ancoragem para a corda enquanto Kvolt conjurava a magia no dragão. Ele segurou a corda e correu para o penhasco, pulou e dançou no ar como o pêndulo de um relógio e logo em seguida pousou tranquilamente no chão, enquanto puxava o arco de suas costas.
    Assim que todos estavam no chão, se posicionaram para se esconderem de qualquer sopro que viesse do dragão enfurecido. Seu rugido, agora, ribombava cada vez mais alto. A criatura se debatia dentro daquela prisão mágica apertada. Batrix foi o primeiro a disparar. Carregou uma flecha em seu arco e atirou contra a criatura, mirando por entre as barras da prisão e acertando no meio do corpo do dragão. A flecha enterrou e se perdeu dentro do oponente. Em resposta, o dragão soltou uma rajada de gelo pela boca, inundando o buraco com uma brisa esbranquiçada. Gilmor e Quinn que estavam mais próximos, com sorte, conseguiram esconder-se do ataque direto.
    Gilmor correu feito louco em direção ao dragão enjaulado, levantou seu martelo e o brandiu para cima da criatura, porém, não muito esperto, não se tocou de que as grades da prisão mágica de Kvolt, além de prender, também protegeria o dragão de ataques como esses. “Droga”, ele exclamou e jogou seu martelo de lado, sacou uma espada curta, a empunhou em suas mãos e a lâmina começou a pegar fogo.
    — Gilmor,...
    18 min
  • CNa#039: A Câmara do Terror | Conto de Horror
    A câmara do terror lhe mostra seus maiores medos. Do que você tem medo? Um conto para maiores de 16 anos.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
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    ▬ Autor:
    Leo Rodrigues.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “A Câmara do Terror”, um conto de horror.
    Ricardo não via a hora de chegar à câmara do medo, ele já estava fazendo o tour do parque do terror de North Ville há duas horas ou talvez fossem duas horas e meia, ele não sabia ao certo. Contudo, sabia que nada ali lhe assustara até então.
    Ele ouvira falar a respeito da câmara do terror, diziam que ela lhe mostrava o seu maior medo e, não só isso, tornava-o real. E ele, como muitos adolescentes da sua idade, adorava se colocar à prova e desafiar seus limites. Ricardo gabava-se para os amigos de ser completamente destemido e desejava que eles estivessem ali para que pudesse provar.
    Finalmente chegara a hora, ele entrou na fila do brinquedo, após montanhas russas com robôs realistas sem graça, casa fantasma com atores mal maquiados e labirintos de espelhos que mostravam reflexos tão distorcidos que mais pareciam massas disformes nada assustadoras.
    Assim que chegou, ele pôde ver uma pessoa sendo carregada em uma maca, chegou até a se animar com aquela cena, será que finalmente sentiria medo? Tinham oito pessoas em sua frente, ficou observando o funcionário do parque entregar um pequeno bastão com um botão na ponta para a pessoa que adentraria à câmara, pois, se o medo fosse demais, ela poderia apertar o botão, que acenderia uma luz vermelha do lado de fora e o funcionário abriria a porta, dando fim à experiência.
    O primeiro entrou e Ricardo contou, 1… 2… a luz acendeu, o homem barbado que entrou chorava como um bebê. Foi a vez do segundo, aparentava ter sua idade, 1… 2… 3… acendeu a luz, o garoto não chorava, mas estava pálido como neve fresca. E então, a terceira pessoa, a quarta, a quinta, ninguém aguentava mais que três segundos lá dentro.
    Agora, ele era o terceiro da fila, se desafiou a ficar pelo menos cinco segundos dentro da câmara, deveria ser o recorde do parque e ele, dentre todos, era a pessoa certa para batê-lo. Logo chegou sua vez, e o funcionário lhe explicou as instruções que ele já ouvira diversas vezes enquanto estava na fila. Ao mesmo tempo ansioso e confiante, pegou o pequeno bastão em sua mão direita e adentrou a câmara.
    Enquanto a porta se fechava, ele percebeu dois jatos de gelo seco, dando à sala um clima misterioso. Começou a contar:
    1… nada aparecera até então, o jovem indagou mentalmente se ele realmente não tinha medo algum.
    2… sentiu seu estômago revirando, o coração acelerou.
    3… estava arrepiado dos pés à cabeça e sentia calafrios pelo corpo todo.
    4… finalmente ele entendera, aquele era então o seu único medo, caiu de joelhos, não podia respirar, seu coração já não batia mais e sua visão rodopiava como um peão.
    5… sorriu fracamente, ele bateu o recorde e finalmente sentiu medo de verdade, caiu no chão, com os lábios roxos e inchados, os olhos arregalados, com as pupilas dilatadas e com uma coloração esbranquiçada como leite, a pele fria e pálida.
    Quando abriu a porta e viu aquele corpo estirado no chão, o funcionário reclamou:
    – Puts… Mais um. Jonas! Marcão!
    Dois homens fortes colocaram o corpo de Ricardo numa maca e levaram-no dali. O funcionário exclamou:
    – Próximo!!
    O fim!
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    8 min
  • TnB#285: MDS1E06 – Estrada, Primeira Parada | RPG D&D 5e
    Tarrasque na Bota apresenta: Maldição de Strahd, uma aventura do RPG D&D 5e. Episódio 06 – Estrada, Primeira Parada.
    Após um combate mortal contra um formidável inimigo, Bulgor, o Bárbaro, e Renesmee, a Bruxa Giomorgo, são traídos pela fada que os contratou. Separados do restante do grupo, são enviados para os planos do pavor nas terras de Baróvia, onde a única maneira de escapar é enfrentar o responsável por capturá-los: o Primeiro Vampiro, Conde Strahd Von Zarovich.
     
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     ATENÇÃO: Esse podcast é recomendado para maiores de 16 anos.
    Com a participação de:
    Vinicius Watzl
    Shelly
    Gustavo Zattoni
    Roberta Manaa
    Thiago Araújo como o Mestre da Aventura
    Edição de:
    Vinicius Watzl
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    End Titles Extended Version (Romeos Erbe) by Sascha Ende
    Link: https://filmmusic.io/song/3158-end-titles-extended-version-romeos-erbe-
    License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
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    link: Fonte: http://incompetech.com/music/royalty-free/index.html?isrc=USUAN1100359
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    1 hr 18 min
  • Forja#059: O que deve ser discutido na Sessão Zero? | Responde
    Bem-vindos ao 59º episódio da Forja, um podcast produzido pelo RPG Next que trás um bate-papo sobre assuntos relacionados ao Role-playing Game. Neste episódio de "A Forja Responde" respondemos à pergunta "O que deve ser discutido na Sessão Zero?".
    PAUTA
    1. O que é a SESSÃO ZERO?
    Explicação rápida sobre a importância da Sessão Zero.
    2. Assuntos de uma Sessão Zero.
    Estilo e Tom da Campanha.
    Regras da Casa.
    Expectativas e Compromissos.
    Com a participação de:
    Rafael 47.
    Mestre Conrado.
    Padrinho Alisson Sturza.
    Edição de:
    Rafael 47.
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    1 hr 33 min
  • CNa#038: Chanda Suria, A dançarina | Conto de Horror
    Chanda Suria era uma garota nascida em uma abastada família indiana, educada e criada para ter um bom casamento. O casamento arranjado parecia perfeito, até que a jovem começa a ter sonhos estranhos e seu primeiro contato com o Mundo das Trevas acontece. Esse conto serviu de background para uma caçadora de vampiros utilizada narrações de “Vampiro A Máscara” e se conecta com um conto de seu parceiro, Yamato, O Guerreiro. Indicado para 16 anos ou mais.
     
    Contos Narrados. Aqui você encontra mais um conto sonorizado produzido pelo do RPG Next.
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    ▬ Autor:
    Luis Couzenn - Orik.
    ▬ Narração:
    Wevison Guimarães.
    ▬ Masterização, sonorização e edição:
    Rafael 47.
    Contos Narrados apresenta, “Chanda Suria, A dançarina”, um conto de “Horror”.
    Chanda Suria, menina obediente, menina saudável, criada para ser uma boa esposa. Seu marido herdaria a grande fortuna de sua família, por isso foi criada e educada para ser simplesmente a melhor de todas e, assim, conseguir um bom herdeiro para tudo.
    Dançava como uma deusa, mas nunca sentia que seu lugar era na dança, sempre houve aquele sentimento de que não havia nascido para isso. Mas, mesmo com toda estranheza que seu preparo para ser uma boa esposa lhe causasse, não queria magoar sua família, pois eles eram os únicos amigos verdadeiros que tinha, jamais poderia decepcioná-los. Entre a alta sociedade, ganhou o apelido de Nartakee (dançarina em Hindi). Em todos os eventos, comandava uma apresentação de dança que encantava a todos, sua beleza, sua graça e sua, tardiamente descoberta, voz eram hipnotizantes para todos.
    Seu casamento se aproximava e quanto mais perto chegava do grande dia, mais sua inquietação aumentava. Iria casar tarde, seu pai quis ter certeza de que tinha escolhido o melhor marido de todos. E depois de saber que o marido havia sido escolhido, os sonhos começaram. Todas as noites, se deitava cedo para preservar sua beleza, e, então, via lugares que nunca havia visitado antes. Prostitutas por todos os lados, tantos perfumes fortes misturados que suas narinas mal aguentavam. Nartakee demorou para entender que olhava através dos olhos de alguém em seu suposto sonho, até que ouviu um nome, um homem alto, muito pálido, se dirigiu diretamente a pessoa cujos sentidos ela utilizava. O homem convocou a pessoa para um aposento privativo, serviu de seu próprio sangue e Nartakee sentiu tudo através do corpo daquela pessoa, seus sentidos aumentaram, seu corpo parecia mais forte, a sensação era de êxtase e, com algumas ordens sendo balbuciadas, a moça despertou ofegante.
    Nartakee com sua voz encantadora conseguiu convencer sua mãe de dizer o nome de seu marido e tudo que ela temia se concretizou. Ela sabia que seus sonhos eram reais, que de alguma forma ela podia ver e sentir o que outra pessoa muito longe estava vendo e sentindo, e ao ouvir de sua mãe aquele nome, tudo fez sentido. Seu futuro marido era a pessoa cujo corpo ela visitava todas as noites e frequentava aqueles lugares imundos e bebia do sangue gélido de outro homem que parecia um fantasma. E foi então que ela decidiu que teria que decepcionar sua família para salvar tudo aquilo que seu avô e seu pai construíram ao longo de anos, não poderia deixar que tudo caísse nas mãos de um depravado, que ainda por cima seria seu marido.
    Chanda contratou um grande detetive, que, em poucos dias, obteve provas suficientes para desfazer seu casamento. Mas, mesmo que o preço pelos serviços do detetive não fosse nada para sua fortuna, o preço que seria cobrado por sua iniciativa de salvar o patrimônio de sua família seria muito mais alto do que ela poderia imaginar.
    Os sonhos se foram. Durante três noites Nartakee dormiu em paz, mas na quarta noite voltou a ver pelos olhos de alguém. Esse alguém estava irado e corria pela rua a uma velocidade desumana, até que ela viu suas mãos e estava novamente no corpo de seu ex-futuro marido, mas ele estava diferente, parecido com aquele homem pálido que ela havia visto. Ao final da corrida, ela viu o portão da propriedade de sua família, e ela sabe o que ele veio fazer, ele estava diferente, mais forte, e iria usar isso contra ela e sua família.
    Nartakee se esforçou para despertar, mas não conseguiu e viu aquele homem massacrar a todos, matar seus pais, tios, todos os empregados que sempre cuidaram dela e então ele parou, em frente à porta de seu quarto.
    Então Nartakee despertou, ela sabia que estavam todos mortos e que não lhe restava mais ninguém. Nos poucos instantes que tinha, antes daquele homem entrar em seu quarto, ela se agarrou a última coisa que possuía, o pingente de Om que sua mãe havia lhe dado quando era criança e começou a recitar seu mantra de proteção (Narasimha Ta va da so hum). E então, ele entrou e ela viu o rosto daquele homem com seus próprios olhos pela primeira vez.
    Tomado pela cólera, o homem avançou alguns passos e, de repente, parou diante da cama dela, parecendo fazer muita força para continuar se movendo. Ele esbraveja alguns xingamentos, sem entender o que estava acontecendo. Mas Nartakee sabia, os deuses a estavam protegendo, ela podia sentir. Nartakee sentiu que tinha poder, sentiu que podia fazer algo que nenhum de seus familiares pôde, ela se levantou com coragem e, junto dela, dezenas de objetos em seu quarto flutuavam, como que incentivando-a a continuar.
    Om Apa-sarpantu Tae bhuta Yei bhuta
    Bhuvi Sam-stitaha
    Yei Bhuta Vigna Kartara
    Stei Gachantu Shiva Ajnaya
    ( Que os espíritos que estão assombrando essa área desapareçam e jamais retornem, por Ordem de Shiva)
    Nartakee mudou seu mantra, sabia que os Deuses têm poder para destruir essa monstruosidade que matou sua família, sabia que os deuses compreendiam sua vontade de se vingar e aceitou ser a espada dos deuses. Ela se aproximou daquilo que já fora um homem, ele ainda esbraveja e cuspia ofensas sem poder se mover, Nartakee empunhou seu pingente de Om na direção dele e de repente pareceu ver dentro da mente daquela criatura. Ela sentiu o medo que ele sentia dela, ouviu seus pensamentos em um turbilhão veloz e indistinguível. Agora, ela estava diante dele, ele era alto, e ainda assim ela se sentia como uma gigante. Nartakee encostou o pingente no peito do não-homem, recitando seu mantra a plenos pulmões. A carne da criatura queimou e se desfez ao contato, ele gritou, seus caninos pontiagudos destacando-se dos outros.
    Nartakee não sorriu, aquilo morreu diante dela, se dobrando ao poder dos Deuses, mas ela não sorriu. Não existia satisfação, este era apenas um pequeno passo, existiam mais monstros como este e agora entendia sua função no mundo, exterminar aquilo que os Deuses não criaram. Ela faria isso, pelos deuses e por sua família assassinada. O monstro morto caiu no chão e começou a se desfazer em cinzas. Nartakee foi invadida por uma sensação de paz e adormeceu em sua cama, exausta.
    Na manhã seguinte ela e alguns conhecidos deram funerais dignos a todos aqueles que morreram na propriedade de sua família. Nartakee entregou o controle da empresa de seu pai a seu amigo de confiança e lhe disse apenas para lhe enviar os lucros que lhe couberem como, agora, dona da empresa. Se isolou e começou a caçada. Para as monstruosidades e todos aqueles que fossem indignos ela seria conhecida apenas como “A Dançarina Nartakee”, seu nome seria restrito.
    Os anos passaram, ela tornou sua dança mortal, confiou seu caminho aos deuses, até que eles colocaram a Sociedade de São Leopoldo em seu caminho. Mesmo acreditando em outro Deus, eles a acolheram, ajudaram-na a controlar seus poderes, que, até então, ela acreditava estarem apenas sob controle dos deuses. Ela encontrou companheiros e percebeu que o mundo era muito mais vasto do que ela imaginava, outros Deuses também tinham poder e demandavam a destruição dos monstros. E, em uma viagem ao Japão, encontrou aquele que seria seu maior parceiro, aquele errante que ela chamou de Yamato.
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  • TnB#284: MDS1E05 – O Primeiro Vampiro | RPG D&D 5e
    Tarrasque na Bota apresenta: Maldição de Strahd, uma aventura do RPG D&D 5e. Episódio 05 – O Primeiro Vampiro.
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