A XIV Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa foi realizada em Moçambique. Com o tema “Promoção e Proteção Integral dos Direitos da Criança – um Compromisso do Sistema Judicial”, o encontro promoveu a aproximação entre representantes de poderes judiciários de diferentes nações, aprimorando a cooperação institucional.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, participou da conferência e destacou a importância do encontro para a garantia de efetivos avanços a respeito do tema.
“Vários países com problemas semelhantes, compartilhando a mesma língua podem se comunicar, trocar experiências, avaliar boas práticas e desenvolver projetos que sejam comuns.”
Os debates buscaram propor caminhos para que haja respostas mais rápidas e eficazes para apuração de crimes contra crianças e adolescentes, além de buscar um avanço quanto à efetiva proteção dessas vítimas. Esses foram alguns pontos destacados pelo presidente do Tribunal Supremo de Moçambique, Adelino Muchanga.
“O sistema judicial deve estar preparado para reconhecer que a criança não é um simples objeto de tutela nem uma presença secundária nos processos. É um sujeito ativo de direitos, um sujeito cuja voz, necessidades e circunstâncias devem ser consideradas com a seriedade que a sua dignidade exige.”
Durante o evento, o presidente do STJ ressaltou que o Brasil tem uma atuação de destaque quanto à proteção daqueles que não atingiram a maioridade. Ele apresentou as garantias consolidadas por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente voltado para o ambiente digital, que entrou em vigor neste ano, em 2026, e destacou a importância dessa nova legislação.
“Hoje nós temos a ideia de que a criança nesse ambiente digital, nas redes sociais, ela fica mais vulnerável do que se estiver sozinha numa praça pública. Então, é preciso medidas efetivas de proteção. E essas medidas são justamente aquelas adotadas pela lei.”
Experiências sobre tramitação de processos, escuta protegida, formação de magistrados e cooperação internacional estiveram entre as práticas compartilhadas no encontro. Um diálogo aberto para dar mais efetividade à proteção de crianças e adolescentes diante de problemas que ultrapassam fronteiras.
Com informações de Jéssica Castro, do Superior Tribunal de Justiça, Fátima Uchôa.