O Superior Tribunal de Justiça lançou ferramenta de inteligência artificial generativa para acelerar a análise e a elaboração de decisões da corte. Diversos ministros do tribunal participaram do evento.
O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, destacou que o sistema é capaz de interpretar e produzir textos e que vai acelerar a análise e a elaboração de decisões. Uma contribuição necessária para um tribunal que tem recebido cada vez mais processos. Em 2024 foram mais de setecentas mil decisões.
“O volume crescente de processos, a complexidade das demandas e a necessidade de respostas mais ágeis exigiram uma solução capaz de ir além de relações semânticas e estatísticas para a comparação de textos ou da automação básica”.
O vice-presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, que participou de forma remota, disse que a ferramenta vai auxiliar o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional.
“Nós estamos trabalhando duro, em várias frentes, para que esse conjunto, esse somatório de medidas possa resultar na melhor prestação da jurisdição e, com isso, quem ganha é a sociedade a quem servimos”.
Com o STJ Logos, será possível, por exemplo, gerar relatórios de decisões; analisar a admissibilidade de agravos em recurso especial; e fazer perguntas ao sistema por meio do chat, como: “o recorrente alegou violação aos artigos 1.022 e 489 do Código de Processo Civil?”.
O usuário também pode fazer solicitações, como pedir para a ferramenta listar argumentos apresentados na petição de agravo.
Ao final do evento, o presidente do STJ falou com a imprensa e disse que o sistema poderá ser usado sem deixar de lado a supervisão humana e o controle de responsabilidade dos magistrados.
“A inteligência artificial generativa vem para ajudar, não é para substituir o ministro ou a ministra no momento de decidir. É um sistema desenvolvido pelo próprio Superior Tribunal de Justiça, porque as informações que nós temos não pertencem aos ministros nem ao tribunal, pertencem ao povo brasileiro. E, daí, que nós não aceitamos ofertas, até gratuitas, de grandes empresas de inteligência artificial generativa que queriam nos ajudar e nos entregar um produto feito”.
As funcionalidades do STJ Logos foram criadas a partir de demandas internas dos gabinetes e já estão disponíveis a todos os servidores. Para usar a nova ferramenta serão oferecidos cursos de capacitação.
Além disso, como todo o STJ Logos foi desenvolvido pelos servidores do tribunal, as informações que abastecem o sistema têm a garantia de integridade e proteção dos dados processuais.
Do Superior Tribunal de Justiça, Marina Campos