Foi lançado no Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça (STJ) livro “Lei Maria da Penha – homenagem aos 20 anos da Lei 11.340/2006”. A coletânea reúne artigos de juristas, magistrados, advogados, professores e pesquisadores para uma reflexão sobre uma das legislações mais relevantes da história brasileira.
Ao celebrar as duas décadas da Lei Maria da Penha, a obra, coordenada pelo ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca, vai além da homenagem e propõe uma análise crítica da trajetória, dos avanços, dos desafios e das perspectivas de aperfeiçoamento.
“A sociedade precisa se atualizar. Primeiro, nós temos um resultado quantitativo de fatos de feminicídio, de violência contra a mulher, de estupro de vulnerável, de estupro comum, no Código Penal, e que precisa ser combatido com muita veemência, né? E, ao mesmo tempo, as relações familiares. Nesse sentido, toda essa discussão é no sentido de mudança de cultura, porque não bastam as leis. Precisamos mudar a cultura, homens e mulheres a serviço de uma sociedade livre, justa e solidária.”
E todos se tornam responsáveis pela aplicabilidade da legislação, segundo a ministra do STJ Maria Marluce Caldas.
“A violência contra a mulher não é um problema só da mulher, é um problema nosso. Não é um problema somente da Lei Maria da Penha, porque nós temos uma excelente lei, nós temos outras leis, mas nós precisamos de execução. Nós precisamos de políticas públicas estatais que protejam a mulher, de políticas judiciárias que tragam efetividade a essas medidas.”
A obra conta com 47 coautores que abordam temas essenciais relacionados à proteção das mulheres, como medidas protetivas de urgência, violência psicológica, patrimonial, sexual e digital, além de políticas públicas, monitoramento eletrônico e inteligência artificial aplicada ao enfrentamento da violência doméstica.
A advogada e mediadora Celeida Laporta foi uma das coordenadoras do livro.
“Nós temos hoje números ainda alarmantes, mas enquanto nós tivermos voz e essa voz poder ser, pelo menos através dessas literaturas, nós vamos estar caminhando de forma positiva em levar toda a sociedade um arcabouço legal e políticas públicas que efetivamente venham a ser em defesa das mulheres.”
O organizador geral da obra, Wilson Furtado Roberto, também ressalta o esforço comum para a proteção das mulheres.
“Não deixa de ser evoluções que passam a proteger mais a mulher no decorrer de todo esse tempo que ela já está em vigor. Tem que ver também que há outras nuances também, que também devem ser tratadas como a inteligência artificial. Ela pode ser utilizada também para danos psicológicos através de injúrias, calúnias, informações que vão prejudicar muito a psique da mulher.”
A advogada Julliana Jarczun, outra coordenadora, reforçou a importância de esforços conjuntos entre poder público e sociedade.
“Com o advento da lei, em seguida, 20 anos dessa lei em vigência, novos tipos penais estão surgindo, novas situações, fatos que estão surgindo. É preciso que não só os operadores do direito no sentido dos próprios advogados, como os magistrados, caminhem juntos para que a gente possa ter uma melhor adequação social.”
Com informações de Jáfer Araújo, do Superior Tribunal de Justiça, Fátima Uchôa.