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Exímia observadora do cotidiano e de paisagens, a lírica contemporânea de Ana Martins Marques passeia pela memória e pelo belo. Ela também cria meta poesias inspiradas e é o tema do segundo episódio desta quinta temporada.
Quase ano se passou e muita coisa poderia ter virado episódio. Tentei e falhei, não sei se falhei melhor. Mas tomei a decisão de, após tanta dedicação ao jardim dos outros, não deixar o meu abandonado. Por isso, o Te Dou Um Poema está de volta. Nesta retomada, o irlandês Samuel Beckett, uma referência em dramaturgia, e o português José Saramago, romancista de peso, aparecem na faceta poética.
O Podcast inaugura sua nova fase: a experiência. A poesia, a partir de agora, conversa com pessoas e lugares que têm a visão de um mundo melhor para todas e todos, com mais equidade e respeito. Nossa primeira experiência é, antes de tudo, um café com qualidade altíssima. Mas por trás da xícara, que pode ser saboreada com uma deliciosa arepa, há o trabalho incansável e socialmente responsável do casal Patrícia Russo e Ruben Dario. Eles estão à frente do Café Colombiano, com duas unidades em São Paulo. São lugares que harmonizam sabor, cultura, livros, memória e celebração.
"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé", escreveu Caio Fernando Abreu. Assim, seguimos tentando neste resto de 2023 ter saúde, sanidade, boas ideias e como Caio F. lembra, "beijos, muitos". Mas quem está de repeteco no terceiro episódio da quarta temporada é Carlos Drummond de Andrade, para nos ajudar a refletir sobre esperança. Fernando Pessoa, um dos maiores de todos (e a quem sempre peço mais uma dose), marca presença, além da portuguesa Adília Lopes, uma das razões para este projeto existir.
Neste segundo episódio da quarta temporada de Te Dou Um Poema, uma seleção para homenagear os trabalhadores, a língua portuguesa e um grande nome da poesia contemporânea. Ouça "Poeminha sobre o Trabalho", "O Livro" e "O Poema Ensina a Cair".
Um dos maiores poetas portugueses da contemporaneidade, Eugénio de Andrade, abre esta nova temporada do Te Dou Um Poema. Ele, que completaria 100 anos em 2023, dedicou-se além da poesia a outras vertentes literárias como ensaios, livros para crianças. Andrade foi tradutor de nomes como Federico García Lorca e Jorge Luís Borges. O poema escolhido é "Os Amigos".
Chegamos ao último episódio do ano e da temporada, que foi menor do que as outras. O infinito que o número oito possibilita me faz olhar para um ano extenso e desafiador chamado 2022. Um ano em que carregou o Sentimento do Mundo. Para nossa sorte, a editora Record começou a relançar Carlos Drummond de Andrade. Outro projeto literário poético, o Círculo de Poemas, das editoras Luna Parque e Fósforo, marcou o ano. Minha escolha para o podcast foi Dança para Cavalos, de Ana Estaregui. Dois poetas de gerações diferentes, dois poemas num mesmo episódio para fechar um ciclo. Que a poesia siga nos acompanhando e trazendo sentido para nossas vidas. Feliz 2023!
José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922 na aldeia de Azinhaga. Estreou na literatura com “A Viúva”, que por razões editoriais saiu como “Terra do Pecado”. Em 1953 escreveu “Claraboia”, publicado apenas após sua morte em 2010. Em 1998 venceu o Nobel de Literatura, sendo o único autor da língua portuguesa a receber esta honraria.
Saramago lançou apenas três livros de poesia a partir de 1966 ("Os Poemas Possíveis", "Provavelmente Alegria" e "O Ano de 1993"), que ganharam um único volume intitulado “Poesia Completa” pela editora Assírio & Alvim. A vasta produção do escritor é caracterizada por temáticas sociais e políticas, construção de alegorias e críticas religiosas. Um legado único que soma 40 livros. Por aqui, vamos de poesia para eternizá-lo.
Caio F, como era conhecido, era um contista e cronista de mão cheia. Jornalista cultural de um tempo onde o bom repertório fazia diferença, ainda que nem sempre valorizado (como descobrimos no livro "Cartas", editora Aeroplano, que está esgotado). Ele foi amigo de Hilda Hilst e vencedor de três prêmios Jabuti. Nasceu em 12 de setembro de 1948, em Santiago do Boqueirão, no Rio Grande do Sul, e morreu em 25 de fevereiro de 1996 em Porto Alegre. Recentemente, a casa onde viveu teve a demolição interrompida. Num país como o Brasil onde o apagamento artístico é regra, a gente brinda as pequenas vitórias e atravessa os agostos. Mas esse é um podcast de poesia e, por mais que a produção de Caio Fernando Abreu não fosse centrada no gênero, pinçamos um poema publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais nos anos de 1970.
Não tem sido fácil achar boas notícias diante de tantas violações. Direitos históricos sendo derrubados no âmbito mundial, os absurdos que não se cansam de nos aniquilar, a perversidade da juíza, do jornalista, da influencer, do médico...Viver essa realidade é sufocante. O Brasil é o "polishop da desgraça". Não acabou! Tem mais! A fome, o desemprego, o subemprego, a brutalidade policial, a permanente tristeza, a profunda vergonha e uma vaga sensação, esperança ou não sei o quê de que um dia tem que parar de doer. Por aqui, fico com o "O Grito", de Renata Pallottini, poeta, ensaísta, professora e premiada dramaturga paulistana, que nasceu em 1931 e morreu em 2021.
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