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  • USP Especiais #11 - José Afonso: Os cantares do andarilho
    Em 25 de abril de 1974, a cidade de Lisboa viu o povo português sair às ruas atônito e incrédulo no que estava acontecendo. A violenta ditadura salazarista havia caído pelo movimento das forças armadas. Eram militares que não suportavam mais as condições nas guerras de independência das colônias portuguesas na África. A economia, dependente dessas colônias, vinha mostrando sinais de forte desgaste. O movimento liderado pelos capitães do exército, articulando-se desde 1973, representava os anseios de liberdade da maior parte do povo português. Artistas e intelectuais já pensavam na resistência desde os anos 50, e um desses artistas foi José Afonso.
    Na madrugada do golpe que derrubou a ditadura salazarista em 1974, uma música de José Afonso foi tocada no rádio como sinal para que os revoltosos saíssem às ruas e mudassem a história de Portugal.
    A repressão, forte e violenta, utilizava-se rotineiramente de tortura para produzir acusações de assassinatos. Os militantes resistentes ao regime precisavam se esconder e fugir constantemente. Mas, mesmo integrando esse cenário de terror como militante, a música de José Afonso floresceu no espírito da luta e da esperança por meio de uma poesia sensível.
    Em sua obra também estão presentes a natureza e a cultura africanas, fluindo pelas memórias da criança e do adulto que passou parte da vida em Moçambique. O afeto de uma África mítica e dos aspectos políticos nunca se dissociaram em José Afonso, o que se mostra explicitamente na sua música, na sua voz intensa, expressiva e no seu timbre particular. Revelam uma realidade que faz desviar os olhos, mas que está ali também e pode ser encontrada em todo lugar – num bairro da África que pode bem ser um de Portugal: eis seu engajamento.
    No fado encontrou a nostalgia e a melancolia de uma infância distante do colo dos pais, uma espécie de solidão equidistante das coisas, que o fez capaz de observar e criar sua música.
    José Afonso procurou sempre atender à convocação do mundo: na sua atuação docente, com os lugares e as pessoas que trouxeram para mais próximo a necessidade de luta, expressando as realidades sofridas, contando-as sem disfarce, na consciência de uma guerra justa que nunca mais foi largada pelo compositor.
    Sensível aos jovens, José Afonso enxergou o caráter do sistema que os oprime e interpretou esse cenário como destinatário de uma única atitude: a recusa frontal, inteligente e insubordinada, “subversiva do modelo de sociedade que está a ser oferecida”.
    Uma vida dedicada a um ideal democrático é o que podemos ouvir neste USP Especiais. Na distância continental – tanto mar nos divide – de uma irmandade política de um tempo paralelamente obscuro ao nosso, ouvimos um poeta de sensibilidade coletiva, sentindo o que todos sentimos para que todos possam ouvir.
     
    Créditos do programa
    Pesquisa, roteiro e apresentação: Fabio Cintra
    Edição, montagem e voz adicional: Gustavo Xavier
    1 hr 1 min
  • USP Especiais #10 – “Radamés Gnattali – Valsas e Retratos”
    Apesar de sua formação erudita, Radamés Gnattali envolveu-se desde cedo com a música popular, desenvolvendo neste ambiente uma significativa carreira como instrumentista, compositor e arranjador. Sua atuação durante 30 anos na Rádio Nacional do Rio de Janeiro é considerada um marco na história da música popular brasileira, por enriquecer os arranjos populares, marcados pela espontaneidade, articulando-os com as estruturas formais da música de concerto.
    Em 2012, Radamés Gnattali foi homenageado pelo grupo de choro paulista Izaías & Seus Chorões que, ao lado do quinteto de cordas Quintal Brasileiro, gravou o CD Radamés Gnattali – Valsas e Retratos. O repertório inclui uma de suas mais inspiradas composições, a Suíte Retratos, lançada em 1964 e formada por quatro movimentos que homenageiam grandes mestres do choro: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.
    Este programa é um deleite musical que traz o lirismo e a elegância da escrita de Radamés Gnattali. Com a interpretação de grandes músicos em uma primorosa produção musical, este episódio nos oferece um retrato da música brasileira de uma época valiosa, prestigiando e perpetuando a arte de um dos seus mais destacados representantes.
     
    Créditos do programa:
    Apresentação: Cido Tavares
    Pesquisa, roteiro e locução adicional: Amanda Ferraresi
    58 min
  • USP Especiais #10 – “Radamés Gnattali – Valsas e Retratos”
    Apesar de sua formação erudita, Radamés Gnattali envolveu-se desde cedo com a música popular, desenvolvendo neste ambiente uma significativa carreira como instrumentista, compositor e arranjador. Sua atuação durante 30 anos na Rádio Nacional do Rio de Janeiro é considerada um marco na história da música popular brasileira, por enriquecer os arranjos populares, marcados pela espontaneidade, articulando-os com as estruturas formais da música de concerto.
    Em 2012, Radamés Gnattali foi homenageado pelo grupo de choro paulista Izaías & Seus Chorões que, ao lado do quinteto de cordas Quintal Brasileiro, gravou o CD Radamés Gnattali – Valsas e Retratos. O repertório inclui uma de suas mais inspiradas composições, a Suíte Retratos, lançada em 1964 e formada por quatro movimentos que homenageiam grandes mestres do choro: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.
    Este programa é um deleite musical que traz o lirismo e a elegância da escrita de Radamés Gnattali. Com a interpretação de grandes músicos em uma primorosa produção musical, este episódio nos oferece um retrato da música brasileira de uma época valiosa, prestigiando e perpetuando a arte de um dos seus mais destacados representantes.
     
    Créditos do programa:
    Apresentação: Cido Tavares
    Pesquisa, roteiro e locução adicional: Amanda Ferraresi
    58 min
  • USP Especiais #10 – "Radamés Gnattali - Valsas e Retratos"
    Apesar de sua formação erudita, Radamés Gnattali envolveu-se desde cedo com a música popular, desenvolvendo neste ambiente uma significativa carreira como instrumentista, compositor e arranjador. Sua atuação durante 30 anos na Rádio Nacional do Rio de Janeiro é considerada um marco na história da música popular brasileira, por enriquecer os arranjos populares, marcados pela espontaneidade, articulando-os com as estruturas formais da música de concerto.
    Em 2012, Radamés Gnattali foi homenageado pelo grupo de choro paulista Izaías & Seus Chorões que, ao lado do quinteto de cordas Quintal Brasileiro, gravou o CD Radamés Gnattali – Valsas e Retratos. O repertório inclui uma de suas mais inspiradas composições, a Suíte Retratos, lançada em 1964 e formada por quatro movimentos que homenageiam grandes mestres do choro: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.
    Este programa é um deleite musical que traz o lirismo e a elegância da escrita de Radamés Gnattali. Com a interpretação de grandes músicos em uma primorosa produção musical, este episódio nos oferece um retrato da música brasileira de uma época valiosa, prestigiando e perpetuando a arte de um dos seus mais destacados representantes.
     
    Créditos do programa:
    Apresentação: Cido Tavares
    Pesquisa, roteiro e locução adicional: Amanda Ferraresi
    58 min
  • USP Especiais #9 – Que ritmo é esse? Sons da América Latina: Cuba
    Viver e desfrutar está na essência do povo cubano. Essa maneira de se colocar na vida torna muito fácil compreendermos a relação e o amor do cubano pela música e como isso é parte dele.
    Em época passada, em que os veículos midiáticos praticamente não existiam em Cuba, as pessoas se reuniam às portas das casas para tocar, cantar e dançar. Dificilmente havia alguém na ilha que não manejasse algum instrumento musical ou que se furtasse de entoar cantos. Não saber dançar, então, era uma verdadeira vergonha.
    Por terem sidos dizimados durante a colonização, os índios tiveram sua herança apagada da música cubana, restando um material muito escasso e reduzido. Por isso, as marcas que restaram são europeias e africanas nos genes da sua música. Numa visão simplista, a música cubana é uma mistura de ritmos afro-cubanos e euro-cubanos.
    A simbiose música e dança em Cuba incorporou um caráter particular, que permitiu ao corpo uma sintonia coesa, por meio de um ritmo complexo e ao mesmo tempo orgânico, natural.
    No programa são abordados vários ritmos cubanos, seus percursos históricos, suas características, bem como as relações políticas e estéticas dos seus artesãos. Tem a rumba trazida pelos escravos de Angola e Guiné, com seus movimentos inspirados em animais como o galo, nos rituais dos orixás e nas situações do cotidiano. A habanera, derivada da contradança espanhola e largamente associada às influências rítmicas dos africanos escravizados, com seu canto em ritmo lento, porém carregado de fantasia romântica. Tem também a salsa cubana, que muitos dizem ser apenas um fenômeno comercial, nascido em Nova York, nos anos 70; o mambo, que influenciou a salsa, e a curiosa origem do nome vindo da gíria dos negros: “Estás mambo?”. E o cha-cha-cha, um ritmo derivado do mambo, cujo nome vem do arrastar dos pés durante a dança.
    Nos anos 40, o jazz afro-cubano em terras norte-americanas sofreu com o apartheid. Com o racismo da época, os donos das casas de jazz pediam para que tirassem o rótulo de grupos afro-cubanos. Contudo, demonstrando resistência, os músicos mantiveram o respeito a suas origens.
    E, por último, o programa aborda o movimento musical da nova trova cubana, que surgiu entre os anos 60 e 70 depois da consolidação da Revolução Cubana, caracterizado pelo seu conteúdo político e, principalmente, pelas críticas anti-imperialistas.
    Aproveite a riqueza da música cubana em todos os seus entrelaçamentos históricos, estéticos e políticos, muitas vezes escondidos pelos estereótipos criados.
     
    Créditos do programa:
    Produção, roteiro e apresentação: Sebastian Díaz Canto (Itza)
    Supervisão: Ivan Vilela
    1 hr
  • USP Especiais #9 – Que ritmo é esse? Sons da América Latina: Cuba
    Viver e desfrutar está na essência do povo cubano. Essa maneira de se colocar na vida torna muito fácil compreendermos a relação e o amor do cubano pela música e como isso é parte dele.
    Em época passada, em que os veículos midiáticos praticamente não existiam em Cuba, as pessoas se reuniam às portas das casas para tocar, cantar e dançar. Dificilmente havia alguém na ilha que não manejasse algum instrumento musical ou que se furtasse de entoar cantos. Não saber dançar, então, era uma verdadeira vergonha.
    Por terem sidos dizimados durante a colonização, os índios tiveram sua herança apagada da música cubana, restando um material muito escasso e reduzido. Por isso, as marcas que restaram são europeias e africanas nos genes da sua música. Numa visão simplista, a música cubana é uma mistura de ritmos afro-cubanos e euro-cubanos.
    A simbiose música e dança em Cuba incorporou um caráter particular, que permitiu ao corpo uma sintonia coesa, por meio de um ritmo complexo e ao mesmo tempo orgânico, natural.
    No programa são abordados vários ritmos cubanos, seus percursos históricos, suas características, bem como as relações políticas e estéticas dos seus artesãos. Tem a rumba trazida pelos escravos de Angola e Guiné, com seus movimentos inspirados em animais como o galo, nos rituais dos orixás e nas situações do cotidiano. A habanera, derivada da contradança espanhola e largamente associada às influências rítmicas dos africanos escravizados, com seu canto em ritmo lento, porém carregado de fantasia romântica. Tem também a salsa cubana, que muitos dizem ser apenas um fenômeno comercial, nascido em Nova York, nos anos 70; o mambo, que influenciou a salsa, e a curiosa origem do nome vindo da gíria dos negros: “Estás mambo?”. E o cha-cha-cha, um ritmo derivado do mambo, cujo nome vem do arrastar dos pés durante a dança.
    Nos anos 40, o jazz afro-cubano em terras norte-americanas sofreu com o apartheid. Com o racismo da época, os donos das casas de jazz pediam para que tirassem o rótulo de grupos afro-cubanos. Contudo, demonstrando resistência, os músicos mantiveram o respeito a suas origens.
    E, por último, o programa aborda o movimento musical da nova trova cubana, que surgiu entre os anos 60 e 70 depois da consolidação da Revolução Cubana, caracterizado pelo seu conteúdo político e, principalmente, pelas críticas anti-imperialistas.
    Aproveite a riqueza da música cubana em todos os seus entrelaçamentos históricos, estéticos e políticos, muitas vezes escondidos pelos estereótipos criados.
     
    Créditos do programa:
    Produção, roteiro e apresentação: Sebastian Díaz Canto (Itza)
    Supervisão: Ivan Vilela
    1 hr

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