Este programa é uma reflexão sobre a complexidade das crenças humanas na política.
Uma conversa sobre a complexidade das questões políticas e a importância de entender diferentes perspetivas. Abordamos as limitações humanas e como elas mudaram ao longo do tempo, além de destacar a importância da diversidade e do respeito no debate político. A conversa também destaca os desafios da comunicação política em tempos de redes sociais e a importância de evitar a distorção da realidade. Em resumo, o episódio oferece importantes reflexões sobre a política e a comunicação em nossa sociedade atual.
Falámos também sobre como muitas pessoas se estão a afastar da política - com é o caso de Adolfo Mesquita Nunes - e de como os indivíduos são frequentemente categorizados em caixas ideológicas. Também abordamos questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo, barrigas de aluguer, aborto e a eutanásia.
Oportunidade de enfatizar a complexidade das crenças humanas e a necessidade de ir além das categorizações ideológicas simplistas. Discutimos a relevância do espectro político esquerda-direita na sociedade atual e como a dicotomia entre as duas não captura totalmente a principal dicotomia do nosso tempo. Em vez disso, a principal questão é como gerir a mudança e a velocidade, com duas tendências a emergir: a abertura à mudança e diversidade, e medo e protecionismo em relação ao novo e diferente.
Também discutimos o desafio que as democracias enfrentam em atender às expectativas de uma sociedade que valoriza a velocidade e o mediatismo, bem como os perigos do autoritarismo e a necessidade de as democracias competirem com as soluções tentadoras oferecidas por líderes autoritários.
Ao longo da conversa, destacamos a importância da comunicação eficaz e do entendimento de diferentes perspetivas na política. Também discutimos o papel das redes sociais na política e como elas podem distorcer a realidade.
No geral, este episódio foi uma reflexão fascinante sobre as complexidades da política e os desafios que as democracias enfrentam. Como disse um dos nossos convidados, "a democracia é um trabalho em andamento".
Celebrar a Liberdade
Estamos no mês da liberdade.
No mês em que celebramos a liberdade.
Em que celebramos a democracia.
É um bom tempo para pensar sobre a maneira como estamos a estimar, desenvolver ou desgastar a nossa democracia.
Os tempos são de grande desafio.
A velocidade, a expectativa e a exigência dos cidadãos coloca sob pressão os políticos que tem de decidir a melhor forma de nos governarem.
Este é um episódio sobre liberdade para pensar.
E sobre uma guerra em curso.
Não, não a guerra que se vive na Ucrânia.
Mas a guerra entre os que querem acolher, que aceitam a diversidade e tratam os que pensam de forma diferente como parte integrante de uma democracia saudável.
É de novo um tempo de resistência.
E os outros que querem construir muros, fechar portas e olhar para o outro lado como se estivessem perante um inimigo.
Pode não parecer, mas é.
A democracia pode estar a enfrentar um dos seus maiores desafios: sobreviver a si própria.
A aceleração do tempo, a rapidez da exigência das respostas e a ilusão de que uma solução populista pode resolver todos os problemas do mundo de forma imediata, coloca a democracia em cheque.
O ambiente geral de comunicação é cada vez mais agressivo.
Mais impaciente. Mais intolerante.
E a comunicação política, entre eleitos e eleitores, fica cada vez menos suave.
O dia-a-dia está cheio de discussões públicas de factoides sem interesse nenhum. Que são substituídos amanhã por outros factoides irrelevantes, mas ruidosos.
E disparam uma espiral de palavras atiradas entre todos.
Enquanto as coisas verdadeiramente importantes ficam suspensas num universo congelado.
Quis ouvir uma das vozes mais livres e modernas que conheço na reflexão que faz sobre o estado das coisas.
Adolfo Mesquita Nunes é advogado, é, ouvi foi político, mas principalmente é uma espécie de grilo falante do meio do nevoeiro dos dias.
Com ele falei de comunicação política, das contradições humanas e do seu mais forte impulso para criar uma sociedade mais livre e inclusiva.
E há áreas onde ser de esquerda ou de direita conta muito pouco.
É o caso das chamadas causa fraturantes. Aquelas que tem a ver com o início e o fim de vida, por exemplo. Mas não só.
Aborto, eutanásia, adoção, barrigas de aluguer, casamento entre pessoas do mesmo sexo.
No fundo, causas de direitos humanos onde chocam vários mundos.
Causas que Adolfo Mesquita Nunes recusa serem apenas propriedade da esquerda.
Jorge [00:00:13] - ora viva, bem vindos ao pergunta sim, pelas novas públicas sobre a comunicação. Estamos no meio da liberdade do mês em que celebramos a liberdade em que celebramos a democracia. É um bom tempo para pensar sobre a maneira como estamos a estimar a e a desenvolver a nossa democracia. Pelo contrário, da maneira como estamos a desgastar, os tempos são de grande desafio. A velocidade, a expectativa e a exigência dos cidadãos estão a colocar pressão sobre os políticos que têm decidir a melhor forma de nos governarem no fundo de recriarem o nosso futuro comum. Este é um episódio sobre liberdade para pensar e sobre uma guerra em curso. Não, não é a guerra que se vive na Ucrânia, embora essa também seja preocupante. Mas a guerra entre os que querem acolher, que aceitam a diversidade e tratam os que pensam de forma diferente, como parte integrante de si e de uma democracia saudável.
Jorge [00:01:06] - E os outros, aqueles que querem construir muros, fechar portas e olhar para o outro lado como se tivessem perante um inimigo. Este é um tempo de resistência. Pode não parecer, mas é a democracia. Pode estar enfrentaram um dos seus maiores desafios sobreviver a si própria. Aceleração do tempo a rapidez da exigência das respostas, a ilusão de que uma solução populista pode resolver todos os problemas do mundo de uma forma imediata está a colocar a democracia em checa. O ambiente geral de comunicação é cada vez mais agressivo, mais impaciente, mais intolerante e comunicação política entre eleitos e eleitores está a ficar cada vez menos suave, para dizer o mínimo o dia a dia está cheio de discussões públicas de factoides, sem interesse nenhum que serão substituídos amanhã para outros factoides irrelevantes, mas ruidosos, e disparam numa espiral de palavras atiradas entre todas. Enquanto as coisas verdadeiramente importantes vão ficando suspensas no universo congelado, quis ouvir uma das vozes mais livres e mais modernas que conheço na reflexão que faz sobre o estado das coisas.
Jorge [00:02:22] - Adolfo Mesquita Nunes é advogado, foi político, mas principalmente, é uma espécie de grilo falante no meio do nevoeiro dos dias. Com ele, falei da comunicação política, das contradições humanas e do seu mais forte impulso para criar uma sociedade mais livre e inclusiva. E há áreas onde ser de esquerda ou de direita conta muito pouco. É o caso das chamadas causas fratura. Antes aquelas que têm a ver com o início ou fim da vida, por exemplo, mas não só aborto, eutanásia, adoção, barrigas de aluguel, o casamento de pessoas do mesmo sexo no fundo, causas de direitos humanos, onde choca com vários mundos. Causas que Adolfo Mesquita não vamos recusar serem apenas propriedade da esquerda.
Adolfo [00:03:05] - Não acho que essa categorização faça muito sentido. Isto é, o conservadorismo não tem necessariamente, que traduzir posições contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, até pode ser traduzir se num uma defesa dos valores da família e de poder alargar essa possibilidade contratual ou outros. Há muitos conservadores a fazer bons textos, argumentando o conservadorismo nessa matéria.
Jorge [00:03:37] - Nesse caso, Eu porque nós somos as pessoas em caixas.
Adolfo [00:03:40] - Todos nós fomos as pessoas em caixas e é um viés cognitivo que todos nós temos. Não houve esta da atribuição. Nós atribuímos às pessoas de acordo com a sua imagem, de acordo com aquilo que pensamos delas. Atribuímos de comportamentos de uma determinada a caixa, porque o nosso cérebro precisa de organizar muito rapidamente informação para
Jorge [00:04:01] - identificar Esta. É assim que ele é sabido. A vítima identificada não citou ela é do Benfica, não, ele fala morena.
Adolfo [00:04:07] - achar que somos imunes esses vieses porque todos nós os temos. O ideal é que vamos identificar e poder poder reagir contra eles. Não é podermos mitigar o seu, mitigar o seu efeito. Quando dizem muitas vezes que eu sou um político de direita que mais parece de esquerda, eu acho que ia ser por vias cognitivo de achar que a esquerda tem o monopólio das causas boas e, portanto, como acham que eu posso defender algumas causas boas, Dizem que eu sou de esquerda, mas essas causas boas também são de direita. Aliás, há muito à esquerda que defende coisas contrárias a um exemplo que eu acho que muito corrente atual e que eu acho que ajuda a traduzir isto. As barrigas de aluguel que são colocadas em Espanha e o podemos Partido de Esquerda Radical é contra as barrigas de aluguel e o Partido Socialista Espanhol também. Por que porque entendem que pensou se vai crescer os seus argumentos que há uma utilização do corpo da mulher, uma mercantilização do corpo da mulher e, portanto, são
Jorge [00:05:07] - conservadores. Na realidade,
Adolfo [00:05:08] - neste caso, não se são conservadores. O que sei é que o seu patrimônio biológico, forma como lei lhes dar uma resposta ao problema da maternidade. Substituição diferente daquela que dizer nada que eventualmente em Portugal isso não faz deles menos de esquerda, não são podemos, não é o partido de extrema esquerda radical, mais à direita de que nós conhecemos. O ponto é que
Jorge [00:05:34] - não sabemos, por exemplo, para Portugal também o PCP votou contra a eutanásia também. Aparentemente, não é que nós podemos olhar,