África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Ossufo Momade reconduzido como presidente da RENAMO
    Ossufo Momade está a caminho de um segundo mandato. O atual líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) foi esta madrugada reconduzido no congresso na Zambézia como presidente do maior partido da oposição do país.Ossufo Momade foi declarado vencedor da eleição com 383 votos, de acordo com dados divulgados pelo partido esta madrugada, num congresso em que foram aceites nove candidaturas à liderança para o novo mandato de cinco anos.
    Elias Dhlakama, irmão do líder histórico Afonso Dhlakama, obteve 147 votos e Ivone Soares, deputada e antiga chefe de bancada parlamentar, conseguiu 78 votos.
    Alfredo Magumisse, membro da comissão política, obteve 42 votos, André Magibire, antigo secretário-geral, outros 15 votos e Pedro Salvador apenas 2 votos
    Ossufo Momade, de 63 anos, foi eleito pela primeira vez após a morte de Afonso Dhlakama e lidera a RENAMO desde 2019.
    Agora, a RENAMO terá ainda de clarificar que candidato irá apoiar ao cargo de Presidente da República nas eleições de 9 de outubro, que normalmente é o líder do partido.
    Três desistências
    Na quinta-feira (16.05) à noite, três dos candidatos, Hermínio Morais, membro da comissão política, Juliano Picardo, presidente do conselho provincial de Tete, e Anselmo Vitor, chefe do departamento de formação, acabaram por desistir da corrida, anunciando o apoio a Ossufo Momade.
    O congresso ficou marcado pela exclusão da candidatura à liderança de Venâncio Mondlane, deputado e candidato do partido nas eleições autárquicas de outubro de 2023 ao município de Maputo, por não cumprir os requisitos do perfil definido pelos órgãos do partido.
    Mondlane ainda recorreu aos tribunais para forçar a inclusão da sua candidatura, mas, apesar de uma providência cautelar que foi aceite pelo tribunal, o congresso não alterou a lista de candidatos submetidos à votação nem permitiu a sua entrada na reunião magna.
    Tensão e tumultos
    A Unidade de Intervenção Rápida da Polícia de Moçambique (PRM) bloqueou ontem as ruas que dão acesso ao local onde decorre o congresso em Alto Molócuè. O objetivo seria impedir a passagem de Venâncio Mondlane e dos seus apoiantes para o recinto.
    Segundo a imprensa local, também o edil da Quelimane, Manuel de Araújo, teve de furar uma barreira montada pela polícia em Alto Molócuè para aceder ao congresso, depois de minutos sem autorização para aceder ao local, onde se registaram tumultos e violência à entrada.
    Também jornalistas foram expulsos por elementos do partido do recinto do evento e à entrada registaram-se agressões entre apoiantes.
    3 min
  • Oposição são-tomense quer esclarecimentos sobre acordo com a Rússia
    O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP/PSD) quer que o governo vá ao Parlamento esclarecer que tipo de acordo militar assinou com a Rússia. Porquê tanto secretismo, pergunta o maior partido da oposição.O acordo militar assinado entre o Governo de São Tomé e Príncipe com a Rússia - que inclui formação e utilização de armas e equipamentos militar - está a aquecer o debate político no arquipélago. Segundo a agência de notícias oficial russa Sputnik, o acordo "por tempo indeterminado" foi assinado em São Petersburgo no dia 24 de abril e já começou a ser implementado em 5 de maio,.
    Em entrevista à DW África, Raul Cardoso, deputado e porta-voz do maior partido da oposição são-tomense, critica o secretismo do Governo em torno do assunto e diz que os órgãos de soberania não foram informados.
    DW África: O que é que a oposição sabe sobre o tal acordo assinado entre o Governo são-tomense e a Rússia?
    Raul Cardoso: O grande problema hoje em São Tomé e Príncipe é que não conhecemos o teor do acordo. Só vimos uma versão que está a circular nas redes sociais. Mas não nos podemos fiar nesta versão e estamos a tentar conhecer o teor do acordo. O grupo parlamentar do MLSTP/PSD já deu entrada na mesa da Assembleia Nacional de com um pedido do texto do acordo, para efetivamente nos inteiramos sobre o conteúdo do acordo.
    DW África: Acha que o Governo assina um acordo sem passar pelo Parlamento? A oposição acredita que existe mesmo este acordo?
    RC: Nós, hoje, acreditamos que existe um acordo, porque quando o próprio Presidente da República vem dizer que teve conhecimento da assinatura do acordo, um jornalista perguntou se ele já teria falado com o primeiro-ministro. Disse que ainda não. Então, nós ficamos assim, meio confusos. O que é que o Presidente sabia e como é que passados todos esses dias, quando a questão do acordo levantou uma grande polémica, não só a nível do país, como também a nível internacional, como é que o Presidente não falou com o primeiro-ministro sobre toda esta confusão que se instalou por causa do acordo?
    O nosso problema é a forma como as coisas foram feitas. Portanto, um acordo que tem vários vícios. Um dos vícios é a forma, a elaboração deste acordo. Quem são os órgãos de soberania que participaram na elaboração deste acordo? Por outro lado, porquê tanto secretismo à volta do acordo? Estamos perante uma situação de falta de transparência. E depois há outra coisa: a entrada em vigor do acordo. O acordo, segundo aquilo que se conhece, foi assinado no dia 24 de abril. Data de entrada em vigor, portanto, foi o dia 5 de maio, quando internamente os deputados da nação, nós, não conhecemos o conteúdo do acordo.
    DW África: E vão pedir ao Governo para denunciar este acordo?
    RC: Estamos à espera porque já solicitamos o acordo. Estamos à espera que ele nos chegue às mãos. Porque há vários aspetos do que se diz que está no acordo - eu digo que se diz, porque estamos ainda a trabalhar no campo da especulação. Diz-se que é um acordo válido por tempo indeterminado. Isto não existe. São Tomé e Príncipe não vai assinar um acordo, seja com que país for, por tempo indeterminado. Este é que é o grande problema. Essa é a nossa maior preocupação.
    DW África: E como é que vê esta preocupação tanto da União Europeia, de Portugal, da NATO e até dos Estados Unidos da América?
    RC: Os países que cooperam connosco na área da defesa e na e na área da segurança têm alguma razão de estar preocupados porque se o acordo existe, ele interfere na área em que esses Estados estão a cooperar connosco. Nomeadamente os Estados Unidos da América, Portugal, que tem cá uma presença de militares, o Brasil que tem também instrutores militares. Também nós temos alguma cooperação já com países membros da África Central, portanto, o nosso grande problema é certamente a preocupação em que medida não haverá uma colisão de tarefas, ou seja, de ações que podem até certo ponto pôr em causa a credibilidade do Estado São-tomense. Lamentavelmente nós já estamos habituados com este atual primeiro-ministro a situações desse género.
    DW África: Mas também o primeiro-ministro disse que São Tomé é um país soberano e independente que pode assinar acordos com quem quiser.
    RC: Atualmente, eu tenho as minhas reservas sobre o que é que é a soberania dos Estados. Nós estamos numa época de um novo conceito de soberania. É que há uma interdependência entre os Estados e havendo essa interdependência entre os Estados, mesmo os grandes Estados não podem vir dizer que eu tenho a minha soberania. Esta soberania sempre é relativa, tendo em conta a necessidade que eu tenho de olhar para os meus amigos e muitas vezes quero fazer algumas coisas, mas não consigo fazer porquê? Porque eu tenho de ver os interesses de cada um dos meus também.
    5 min
  • FRELIMO precisa de um "candidato sem máculas"
    A FRELIMO prepara-se para definir o seu candidato às presidenciais de 9 de outubro. Em entrevista à DW, o politólogo Ricardo Raboco diz que o sucessor de Filipe Nyusi deve ser alguém "sem máculas" e mais próximo do povo.Está marcada para esta sexta-feira (03.05) a sessão extraordinária do Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder em Moçambique. Nesta reunião do órgão máximo entre congressos, deverá ser definido o candidato às eleições presidenciais de 9 de outubro.
    É grande a expetativa relativamente à escolha dos candidatos presidenciais da FRELIMO. E uma pergunta que se faz é se o fator popularidade será suficiente para avançar com uma candidatura?
    A questão do perfil é "crucial", responde o politólogo Ricardo Raboco em entrevista à DW. Sobretudo tendo conta o "desgaste" no partido e os mais recentes resultados eleitorais, o sucessor de Filipe Nyusi deverá ser um "candidato sem máculas", não manchado pela corrupção, mas que seja também mais próximo do povo. Alguém que volte a colocar o partido e o país "nos carris", defende o analista, que considera que esta "disputa renhida" nos diversos setores internos pode até ser benéfica para o partido.
    DW África: A popularidade será um fator suficiente para avançar com uma candidatura na FRELIMO? Esta questão do perfil, que é uma questão problemática, até que ponto é essencial?
    Ricardo Raboco (RR): Penso que é crucial, porque num momento de um desgaste quase que jamais visto do próprio partido, tendo conta os resultados das últimas eleições autárquicas - não aqueles resultados que foram, digamos assim, "fabricados" em sede dos gabinetes dos órgãos de organização e administração litoral, mas o resultado que de facto deveria sair da vontade popular - e também olhando pelo nível de contestação que houve em quase todas as autarquias, com a excepção de algumas onde a própria FRELIMO tem um grau de aceitação muito acima da média. A FRELIMO tinha de pautar por um candidato, digamos assim, popular; um candidato sem máculas, quer com o passado histórico, quer com o contexto recente e, principalmente, em termos de gestão da coisa pública.
    DW África: O candidato que será escolhido pela FRELIMO deve ter em conta não só os interesses do próprio partido, mas também deve olhar para os interesses de Moçambique, do próprio país…
    RR: Há duas questões candentes na sociedade. A primeira é a corrupção. Os níveis de corrupção hoje são bastante elevados, de tal maneira que muitos de nossos dirigentes estão direta ou indiretamente associados a casos de corrupção. Isto desgasta naturalmente a imagem não só do partido, mas também do próprio Governo, no sentido do termo que é [a imagem de] Moçambique.
    Então, se a escolha recair para uma figura com um passado recheado de máculas, e com um presente - porque há de ser naturalmente alguém que já esteve a dirigir alguma instituição, algum ministério do Estado moçambicano. Então, se esta pessoa, no contexto da sua gestão, foi associada a escândalos de corrupção, por exemplo, isto pode ser fatal para os resultados.
    DW África: Já correm nas redes sociais até apelos de membros para que não aceitem a compra de consciência. Isto não é uma prova de que, de facto, existe corrupção interna no partido?
    RR: Se há esses apelos e isto foi tornado público por figuras proeminentes dentro do partido, em sede dos congressos e dos comités centrais passados, de que havia um claro exercício de compra de consciência… É um sinal claro que, de facto, algo não vai bem dentro do partido. Portanto, se se compra consciência para almejar posições cimeiras do partido e por via daí chegar a posições cimeiras do Estado, então isso tem consequências no futuro.
    DW África: Isto só confirma que há aqui uma guerra muito renhida entre diversos setores internos do próprio partido. Temos, por exemplo, a chamada "linha da frente"...
    RR: Eu penso que esta guerra, salvo se for uma guerra por questões de quem "é a vez de comer" - como é muito comum não só em Moçambique, como em toda África -, mas se for justamente por um sentimento de que as lideranças atuais estão muito aquém dos reais desafios do país, dos reais anseios da população, estão cada vez mais distantes do povo - e que isto pode a médio ou curto prazo custar caro para a FRELIMO -, então estas guerras internas são de salutar.
    DW África: Um apelo de, por exemplo, Graça Machel. Ela falou precisamente disto, de acabar com a complacência dos quadros, quer que o partido volte a olhar para o bem-estar da população.
    RR: Claramente, mas a questão é, até que ponto este grupo que defende esta linha que defende este posicionamento tem poderes para influenciar os delegados ao Comité Central, ao ponto de a escolha recair justamente para um candidato que reúna essas capacidades e competências? Portanto, ser alguém que vai novamente voltar a colocar o partido, voltar a colocar o país nos carris.
    DW África: Quem é que acha que poderia ter este perfil?
    RR: Em termos de perfil, e ao olhar pelo passado, pelo histórico e as propostas que se vaticinam, penso que Jaime Basílio Monteiro é uma das figuras do setor securitário, é alguém que conhece os meandros do setor. O país hoje enfrenta um segundo grande desafio. Falámos da corrupção, mas há outro desafio que é a questão da segurança, não só na perspetiva da segurança humana, mas também nas questões militares - a olhar, por exemplo, para Cabo Delgado e também o crescimento dos raptos.
    Então, Jaime Basílio Monteiro - é verdade que é alguém da zona centro e não quero discutir aqui a questão do regionalismo - parece-me um indivíduo que pode estar, portanto, à altura destes desafios: a purificação do partido, do Governo e do próprio Estado, mas também a segurança nacional.
    DW África: O MDM também vai escolher os seus candidatos este fim de semana. E daqui a alguns dias, a meio de maio, será a vez da RENAMO. Acha que há uma pressão grande sobre a FRELIMO para escolher agora um candidato que também seja um candidato, de certa forma, mediático? Já sabemos que Venâncio Mondlane, que é uma figura mediática, está disponível para essa candidatura.
    RR: Esta é uma possibilidade a não deixar de lado. Estas incertezas podem-nos remeter, portanto, para esse lado, sobretudo dentro da RENAMO. Mas o MDM não vejo que possa ter um potencial de intimidação ao partido FRELIMO. A RENAMO, sim, porque foi notório que a marca RENAMO esteve em alta nas eleições autárquicas.
    Voltando para o MDM, há de ser uma questão curiosa, porque o candidato do MDM foi sempre o presidente do Conselho Autárquico da Beira, que já não está entre nós, e tem um presidente de Conselho Autárquico que é mais carismático. Então, vamos ver se desta vez teremos uma lógica contrária. Portanto, se teremos o presidente do partido como candidato ou teremos o edil atual da Beira candidato, ou se poderá eventualmente aparecer uma outra figura dentro do partido, mas que tenha esse mediatismo.
    7 min
  • A causa de Moreira Chonguiça pelos jovens de Cabo Delgado
    O saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça desenvolve projetos musicais em Cabo Delgado que visam afastar os jovens das abordagens terroristas. E o músico diz: "Não podemos esperar só iniciativas do Ocidente".O saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça revela uma outra faceta relevante para o país: a sua responsabilidade pessoal para com os jovens de Cabo Delgado, província desestabilizada pelo terrorismo há mais de seis anos.
    O conceituado músico já fala em resultados tangíveis, que acredita estarem a alimentar mais esperança. Em entrevista à DW África, Moreira Chonguiça conta algumas dessas conquistas e também explica como tem sido a aposta num intercâmbio cultural local que começou muito antes da insurgência.
    DW África: Há anos que desenvolve projetos musicais de investigação em Moçambique, principalmente em lugares recônditos. Quais são os resultados?
    Moreira Chonguiça (MC): Os resultados são muito simples. Agora estamos a trabalhar extensivamente na província de Cabo Delgado, através da Fundação Moreira Chonguiça e com a Embaixada dos Estados Unidos da América. Estamos a conhecer e a colaborar com jovens músicos - não só músicos, mas também com poetas, etc. - para passar um bocado da minha humilde experiência, no ramo não só na música, mas também da indústria criativa, para que eles possam reunir algumas ferramentas para os proteger e criar sustentabilidade para o futuro.
    A província de Cabo Delgado está a ser assolada pelo terrorismo, desastres naturais... Então, aqueles jovens não têm as mesmas oportunidades que os outros jovens do país. Não estou a dizer de alguma maneira que os outros têm mais oportunidades. Estamos a olhar para um caso muito particular. E enquanto fazemos isso, também fazemos a nossa investigação. O meu mais recente álbum, "Sounds of Peace", que ganhou dois prémios no ano passado, é resultado também dessa investigação, da colaboração.
    DW África: Como tem contribuído com a sua música para travar a ascensão do terrorismo?
    MC: Na Fundação Moreira Chonguiça trabalhamos com jovens porque essa questão do terrorismo afeta mais os jovens. As pessoas que são recrutadas são jovens, recrutadas para fazer aquelas coisas que a gente não gosta de ver. Então, nós, humildemente, através da nossa arte, e através da minha experiência de vida, transferimos os valores, contribuímos - nunca impondo, mas respeitando os valores locais onde eles estão. E lembramos que eles são pessoas relevantes e são os verdadeiros campeões que podem influenciar outros jovens. Mas isso não é coisa de falar, é coisa de mostrar, é coisa de fazer, porque falar qualquer um pode falar.
    DW África: E em termos práticos?
    MC: Vou dar-lhe um exemplo. Criámos três associações em Cabo Delgado: a Associação dos Músicos de Mecúfi, agora também há uma nova associação de músicos em Pemba e temos a associação dos dançarinos chamada Lipili, num universo de 60 jovens no qual que estamos a criar estratégias de efeito multiplicador para influenciar outros. São coisas práticas. Eu faço publicidade dos meus produtos, disso não faço publicidade. É um trabalho da minha responsabilidade pessoal, não social, onde eu trago parceiros - neste caso, estou a trabalhar com a Embaixada dos Estados Unidos. Destes 60 jovens, escolhemos dez que vieram a Maputo há três meses, vieram colher mais experiências, conhecer outros artistas e instituições, recolher ferramentas para que possamos influenciar ainda mais.
    DW África: E sente que os seus projetos estão a impulsionar mais esperança de um futuro melhor para Cabo Delgado?
    MC: Claro, definitivamente. Nós não podemos esperar só iniciativas do Ocidente. Nós temos de ter as nossas próprias iniciativas e convidar o Ocidente para se juntar às nossas iniciativas. Porque em África está na moda: é a organização X que vem da Europa, a organização X vem da América ou do Japão, como se nós não tivéssemos iniciativas e não tivéssemos cabeça para pensar, como se nós não tivéssemos gosto de proteger as nossas próprias comunidades. Então, sinto-me orgulhoso, estamos a fazer e temos parceiros internacionais super fortes que estão a apoiar, porque eles também estão a ver resultados tangíveis.
    Estamos a usar a música como terapia ocupacional, emocional e também para criar e trazer ferramentas para que esses jovens não desistam dos seus sonhos, para que esses jovens não sejam aliciados pelas forças do mal. Mas isso é um exercício psicológico, é preciso sujar as mãos, é preciso estar lá. No meio disto tudo, temos a questão do terrorismo, a questão da cólera, a questão da conjuntivite e um conjunto de de situações de desafios que já não são só desafios de Cabo Delgado, são desafios do país.
    4 min
  • Bundesliga: Bayern adia a festa do título do Leverkusen para domingo
    Com o título praticamente atribuído ao Bayer Leverkusen – será campeão se vencer no domingo o Bremen –, os bávaros, agora a 13 pontos dos ‘farmacêuticos’, tentam agora segurar o segundo lugar. Estugarda também venceu.O defesa Raphael Guerreiro, do Bayern de Munique, marcou um golo brilhante no segundo tempo e Thomas Mueller marcou no final para vencer o Colónia por 2 a 0 no sábado (13.04), adiando a festa do título da Bundesliga do Bayer Leverkusen para domingo, no mínimo.
    A vitória do Bayern significa que o Leverkusen de Xabi Alonso, que tem 13 pontos de vantagem sobre os bávaros, precisa de vencer o Werder Bremen em casa no domingo para levantar o troféu da Bundesliga pela primeira vez.
    O treinador do Bayern, Thomas Tuchel, fez sete alterações na sua equipa antes da segunda mão dos quartos de final, na quarta-feira, contra o Arsenal, com Harry Kane e Mathys Tel a acertarem na trave na primeira parte.
    Guerreiro, antigo jogador do Borussia Dortmund e titular na lateral esquerda no lugar de Alphonso Davies, desferiu um remate em arco de fora da área que abriu o marcador aos 65 minutos.
    Mueller fez o segundo golo no terceiro minuto dos descontos.
    A vitória teve um custo, com o extremo do Bayern Kingsley Coman a sair lesionado aos cinco minutos da segunda parte, o que o deixa em dúvida para a visita ao Arsenal na próxima semana.
    O Bayern tem os mesmos 63 pontos do Estugarda, que venceu o Eintracht Frankfurt por 3-0. Serhou Guirassy abriu o marcador aos 11 minutos de jogo, rematando por cima do guarda-redes à entrada da área.
    Guirassy marcou nos seus últimos seis jogos e tem 25 golos em 23 jogos esta época - o maior número numa só campanha na história do Estugarda.
    O companheiro de ataque de Guirassy, Deniz Undav, acrescentou outro golo apenas seis minutos depois, o seu 16º golo da época desde que chegou por empréstimo do Brighton.
    Jamie Leweling, emprestado pelo Union Berlin, acrescentou mais um no final do primeiro tempo para colocar o Estugarda no caminho certo para voltar à Liga dos Campeões pela primeira vez desde 2009-10.
    Luta pelo quarto lugar
    O Dortmund e o RB Leipzig continuaram a lutar pelo quarto lugar - a última vaga garantida na Liga dos Campeões - e ambos venceram para ficarem empatados em pontos antes do confronto na Saxónia no final de abril.
    O Dortmund ficou reduzido a 10 homens e teve de aguentar a vitória por 2-1 sobre o Borussia Moenchengladbach, depois de Karim Adeyemi ter sido expulso após ter recebido o segundo amarelo a 35 minutos do fim.
    O Dortmund estava a controlar a partida depois de Marcel Sabitzer ter marcado dois golos na primeira parte, o segundo de grande penalidade, aos 28 minutos.
    O Gladbach recuperou um golo no final da primeira parte, quando Maximilian Woeber aproveitou uma defesa adormecida do Dortmund na sequência de um canto.
    Adeyemi, que ganhou uma grande penalidade aos 48 minutos, mas que foi anulada pelo VAR depois de ter sido marcada por Sabitzer, foi expulso sete minutos mais tarde, depois de ter feito uma rasteira a Stefan Lainer.
    O Leipzig, que está à frente do Dortmund na diferença de golos, venceu em casa o Wolfsburg por 3-0, graças aos golos de Dani Olmo, Benjamin Sesko e Lois Openda.
    A vitória aconteceu poucos dias depois da surpreendente contratação do diretor desportivo do Wolfsburg, Marcel Schaefer, que conquistou o título com os Lobos em 2009.
    O Mainz aumentou suas chances de escapar da queda, vencendo o Hoffenheim por 4 a 1 com quatro gols no segundo tempo e ficando um ponto atrás do Bochum, que empatou em casa com o Heidenheim em 1 a 1.
    O Bochum está em 15º lugar, a última posição segura, depois de Keven Schlotterbeck ter marcado um golo contra, mas depois ter cabeceado para o golo do empate dos anfitriões no último minuto.
    2 hr 20 min
  • Corpo Africano criado pela Rússia é concorrência à AFRICOM?
    Novo grupo militar russo Corpo Africano é visto como concorrência à AFRICOM dos EUA por José Milhazes. Especialista acredita que África pode tirar vantagens dessa disputa, se as lideranças se distanciarem da corrupção.A recente criação russa Corpo Africano já está a substituir o Grupo Wagner no continente africano. E a concorrência com a AFRICOM dos Estados Unidos da América "não é de agora", explica José Milhazes em entrevista à DW África.
    O especialista em relações Rússia-África considera que a disputa geopolítica entre os dois gigantes mundiais no continente pode ser vantajosa para os países africanos, alargando-lhes o leque de escolhas de parceiros, se as lideranças locais souberem distanciar-se da corrupção.
    Segundo Milhazes, essa fragilidade é um atrativo para países como a Rússia que não privilegiam valores, mas sim os seus próprios interesses.
    DW África: Há concorrência entre os dois grupos em África?
    José Milhazes (JM): Claro, essa concorrência já não é de agora e esse corpo militar não passa, no fim de contas, de um nome novo que é dado à Wagner, porque a Wagner foi proibida na Rússia, mas continua a existir, principalmente como força, desta vez já controlada pelas autoridades russas em África. E nos últimos anos, esse corpo tem alargado as suas operações a várias regiões da África subsariana. E, no fundo, esse corpo é uma tentativa da Rússia se impor no chamado sul, ou seja, em África neste caso, por enquanto, aproveitando o facto de França se estar a retirar devido à pressão de alguns dirigentes africanos. E sempre que aparece uma oportunidade em África, esse corpo militar vai intervir, ou intervém já, para que não fique o lugar vazio.
    DW África: O alargamento deste leque de opções representa uma vantagem para os africanos, na medida em que eles podem escolher os parceiros com quem é conveniente trabalhar?
    JM: Em princípio, é assim e os africanos ficam com poder de escolha. Eu até diria principalmente, que nestes casos, com grupos deste tipo, venha o diabo e escolha, porque nós sabemos que esta gente é fundamentalmente mercenária, que não tem em conta os interesses dos Estados, tem em conta os seus interesses. E daí que às vezes seja perigoso trazer esta gente para dentro do país, porque esta gente depois também se vai envolver fortemente na luta política interna dentro desse próprio país.
    DW África: Mas não tem sido prática da Rússia envolver-se em assuntos internos de outros países, como, por exemplo, faz o Ocidente.
    JM: A Rússia digamos que faz essa política, pode é não fazê-la de forma aberta.
    DW África: E não na mesma dimensão.
    JM: Claro que não. Porque primeiro, a Rússia está com uma guerra em casa e um dos principais objetivos é derrotar a Ucrânia. Digamos que a Rússia está a regressar a África, no fim de contas. Agora, claro que a dimensão da interferência russa em África ainda não é a francesa ou, por exemplo, a norte-americana, porque tem uma história muito mais recente. E esses países africanos, muitos deles subsarianos, por exemplo, estavam historicamente ligados à França.
    DW África: África vai assumindo um lugar privilegiado neste contexto de disputa geopolítica entre as grandes potências mundiais. Como tirar vantagens dessa posição?
    JM: A diversificação é importantíssima. Mas o problema que se coloca é que estamos novamente na Guerra Fria, em que países poderosos tentam resolver os seus problemas internacionais, e alguns até nacionais, como a procura de matérias-primas, em terceiros países. O importante para os países africanos é que se forme uma elite nacional não corrupta ou menos corrupta do que atualmente, pois sabemos que uma das razões da ida destes grupos para países africanos é, sem dúvida, a corrupção.
    4 min
  • Cimeira Itália-África: Gás "força" Nyusi a ir a Roma
    Primeira-ministra italiana quer trocar investimentos em energia por esforços para travar imigração africana. Analista diz que Moçambique foi "forçado" a estar presente pelas circunstâncias no norte do país.O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, foi um dos representantes de mais de 25 países que participaram esta segunda-feira (29.01) na cimeira Itália-África, realizada no Senado italiano e denominada "Uma ponte para o crescimento comum".
    O plano apresentado pela primeira-ministra Giorgia Meloni para o continente consiste, resumidamente, em trocar investimentos em energia por esforços para travar a migração. A líder da extrema-direita, que chegou ao poder em 2022 com um discurso anti-migração, prometeu reformular as relações com os países africanos, adotando uma abordagem "não predatória" inspirada em Enrico Mattei, fundador da ENI, a gigante energética estatal italiana.
    O chamado "Plano Mattei" destina-se a colocar Itália como uma ponte fundamental entre África e a Europa, canalizando a energia para o norte e trocando investimentos no sul por acordos destinados a reduzir as partidas de migrantes através do Mar Mediterrâneo. Meloni disse que o plano seria inicialmente financiado com 5,5 mil milhões de euros, em parte empréstimos, com investimentos centrados na energia, agricultura, água, saúde e educação.
    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e representantes das agências das Nações Unidas e do Banco Mundial também marcaram presença na apresentação.
    Von der Leyen descreveu o plano como "complementar" ao próprio pacote da União Europeia (UE) para África, apresentado em 2022 e no valor de 150 mil milhões de euros. Já a União Africana (UA) diz estar disposta a "discutir o conteúdo e implementação do plano", mas o líder da Comissão do bloco, Moussa Faki Mahamat, deixou claro: "Gostaríamos de ter sido consultados previamente".
    Roma assume este ano a presidência do G7 e prometeu fazer do desenvolvimento africano um tema central, em parte para aumentar a sua influência num continente onde potências como a China, a Rússia, a Índia, o Japão e a Turquia têm vindo a aumentar o seu peso político.
    Em entrevista à DW, o analista Fernando Lima lembra que a Itália é o principal ponto de chegada dos fluxos migratórios e procura agora pontes africanas para encontrar soluções para o problema. Quanto à presença de Moçambique na cimeira, o jornalista diz que Moçambique foi "forçado" a participar devido às circunstâncias no norte do país e aos interesses no setor do gás.
    DW África: Giorgia Meloni procura convencer os líderes africanos das virtudes do "Plano Mattei", a nova estratégia de cooperação de Itália com África, mas na verdade quer acima de tudo controlar a questão migratória. Como vê a presença de Moçambique nesta cimeira, convocada por uma primeira-ministra que tem tido uma posição xenófoba contra a imigração africana?
    Fernando Lima (FL): O Presidente de Moçambique está em Itália porque a senhora Meloni fez questão de vir a Moçambique propositadamente para convidar o Presidente Nyusi a estar presente nesta cimeira. Em segundo lugar, a Itália não é um país qualquer em relação a Moçambique. Em terceiro, Moçambique tem neste momento alguma dificuldade em movimentar-se em países grandes europeus, como um grande parceiro, portanto, isto significa que Moçambique tem que aproveitar todas as oportunidades que tiver para se afirmar num contexto de cooperação europeia.
    DW África: E nesta viagem a Itália, Filipe Nyusi leva também certamente na bagagem o tema da exploração de gás no norte de Moçambique, que tem sido abalado por problemas de segurança...
    FL: A Itália é a sede da ENI, que também está a explorar uma das poucas plataformas de gás em Moçambique e, putativamente, pode vir a explorar um dos maiores campos de gás no norte de Moçambique, numa altura em que há muitas reticências, não só sobre a exploração de gás dentro do debate da transição energética, como também em relação ao próprio contexto de segurança no norte de Moçambique. Logo, não obstante ser temerária esta presença, por causa da controvérsia em torno do que representa a primeira-ministra de Itália, digamos que Moçambique foi um bocadinho forçado pelas circunstâncias a estar presente nesta cimeira.
    DW África: Nyusi também faz esta viagem numa altura em que está quase no fim do mandato.
    FL: Ele quer sair bem do seu mandato e mostrar que, quando um país como a Itália convida Moçambique a vir a uma cimeira europeia, ele vem. Aliás, eu estava a ver as fotografias e só vi Nyusi e [Denis] Sassou Nguesso, [Presidente] do Congo, exatamente o país que tem das melhores relações com a ENI - ou seja, dois providenciadores de gás para a ENI, que são as principais figuras dessa cimeira Itália-África.
    DW África: Não é irónico que uma primeira-ministra populista e anti-migração queira agora fazer de Itália uma ponte entre a Europa e África?
    FL: Claro que é, mas a Itália - não sei se a expressão é correta - é um dos países mais afetados pela imigração "descontrolada" através do Mediterrâneo e procura pontes africanas para encontrar soluções para este problema. Na Europa, existem respostas muito limitadas em relação a esta questão: ou fazemos a "fortaleza europeia" para resistir à chamada "invasão africana" ou simplesmente abrimos as fronteiras e, portanto, em nome da solidariedade internacional, temos que abrir os braços a esta "invasão africana". Quando eu digo "invasão africana", não estou a falar de pessoas que são alvo de perseguições políticas, mas que, sobretudo, estão envolvidas na chamada imigração económica, ou seja, procurando melhores oportunidades na Europa, que não têm em África.
    DW África: Do lado europeu, há um grande interesse nas matérias-primas do continente africano. A União Europeia sabe que tem de combater, de alguma forma, a forte concorrência da China e da Rússia, por exemplo, e reduzir também a dependência do gás russo...
    FL: Absolutamente, mas, para isso, existe uma fórmula que tem sido ensaiada e que nestes dias que correm é quase já um lugar comum: se se quer estancar a imigração económica África-Europa, é preciso criar as condições em África para que os africanos tenham alternativas de emprego, de formação e de estabilidade nos seus próprios países, para não tentarem desesperadamente chegar à Europa, inclusive, tornando-se vítimas de redes mafiosas que fazem da migração para a Europa um negócio, nomeadamente aquilo que hoje se define como escravatura moderna.
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  • Remodelações em Angola: Instituições continuam "partidarizadas"
    O Presidente angolano, João Lourenço, voltou a fazer mudanças no seu Governo e extinguiu o Ministério da Economia. Mudanças estruturais no Governo são positivas, mas o problema mantém-se, diz analista.Das várias alterações estruturais efetuadas pelo Presidente João Lourenço, salta à vista a extinção do Ministério da Economia, "cujas funções passam para o Ministério da Indústria e Comércio".
    Já no campo das exonerações e consequentes nomeações, o destaque vai para a nomeação do ex-deputado do MPLA João Manuel Pinto para o cargo de Inspetor Geral da Administração do Estado, que, segundo o analista Carlos Rosado de Carvalho, mostra que as "instituições continuam partidarizadas".
    Nesta entrevista à DW África, o jornalista e economista angolano começa por explicar a que se devem estas mudanças governativas, na sua opinião.
    DW África: A que se devem estas modificações?
    Carlos Rosado de Carvalho (CRC): Aparentemente as alterações na equipa económica, e mais do que pessoas, na orgânica das pastas económicas do Governo, segundo justificação do próprio Governo, tem que ver com algumas inconsistências, com alguns conflitos entre o Ministério da Economia e o Ministério da Indústria e Comércio. Há ali algumas áreas sobrepostas, áreas de menos conflitos, mas áreas de sobreposição em que não se sabia se era economia ou indústria e comércio. Portanto, a parte do Ministério da Economia e Planeamento, aquela que visa promover o investimento privado e melhorar o ambiente de negócios, que era a parte da economia, agora foi integrada na indústria e comércio.
    DW África: Portanto, passa a haver o Ministério do Planeamento e o Ministério da Economia deixa de existir. Não é algo incomum?
    CRC: Mas as funções do Ministério da Economia passam para o Ministério da Indústria e Comércio. É uma questão de nomenclatura. Eu vi um draft do decreto e nesse draft chamava-se Ministério da Economia. Era isso que estava inicialmente previsto, não sei o que mudou à última hora. Mas não há grandes alterações em termos de nomes, há, de facto, em termos de estrutura do Governo. Acredito que a estrutura ficou melhor do que era, embora tenha algumas dúvidas. Preferia ter o planeamento com as finanças e preferia que o Ministério se chamasse de Economia e que englobasse também o turismo.
    DW África: Ou seja, estas mudanças são mais estruturais e não estão a ser vistas como mudanças na sequência de estratégias falhadas, por exemplo, em plena crise que o país atravessa?
    CRC: Isso é outra coisa. Eu acho que essas mudanças na orgânica do Governo, de facto, facilitam e agilizam sobretudo esta questão da indústria e comércio, mas o problema de Angola não é a estrutura do Governo. O problema são as políticas. E desse ponto de vista, não vejo muitas alterações nas políticas económicas. Acho que a estrutura orgânica do Governo ficou melhor, mas se o Governo não mudar as políticas e o centro das políticas, não me parece que isto possa conduzir a uma melhoria da situação. O problema fundamentalmente está nas políticas. Está também na instabilidade governativa: muitas mudanças e com muita frequência. Temos o caso concreto do Ministério da Economia, que teve quatro ou cinco ministros em muito pouco tempo.
    DW África: A Inspeção Geral da Administração do Estado também muda de mãos e passa a ser dirigida por João Pinto Manuel Francisco, ex-deputado do MPLA. Como olha para esta nomeação?
    CRC: Acho que é um bocadinho mais do mesmo. João Pinto é um político, era deputado, é membro do Comité Central do MPLA. Aliás, já Ângelo Tavares era do Comité Central do MPLA. Enfim, acho que isto é uma partidarização do Estado e desse ponto de vista não há mudanças.
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  • Adriano Nuvunga na corrida às presidenciais em Moçambique?
    Adriano Nuvunga rejeita, por enquanto, a possibilidade de concorrer às eleições presidenciais em 2024, preferindo ter um papel na sociedade civil. Especialistas veem sociedade civil como alternativa à oposição.Adriano Nuvunga candidato às presidenciais em Moçambique? Uma possibilidade que o destacado ativista descarta, pelo menos para 2024. Mas Nuvunga não descarta a possibilidade de o fazer futuramente se o nível de descrédito entre a população persistir. O ativista acha que por enquanto é mais útil na sociedade civil a fazer o contraponto à governação.
    Enquanto os principaís partidos moçambicanos estão em querelas por mudanças internas, ganha consistência a ideia de uma substituição da oposição moribunda por uma sociedade civil pujante na cena política. Andre Thomashausen, especialista em direito internacional, avança inclusivamente o nome de uma das proeminentes figuras da sociedade civil como provável candidato às presidenciais de outubro próximo:
    "O académico moçambicano Adriano Vuvunga, pessoa com perfil público muito, muito forte, não se quer alinhar nem com um e nem com outro partido, mas representa moçambicanos de idade mais ou menos jovem, com boa força intelectual, com integridade e que poderão fazer melhor. E vamos ver se nas próximas eleições poderá haver uma subida a responsabilidade política dessa liderança da sociedade civil", disse.
    Trabalho de destaque
    Para além do engajamento no ativismo, Adriano Nuvunga, através da sua ONG Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), é visitado regularmente por ilustres figuras de Governos e destacadas organizações ocidentais. O seu trabalho granjeia simpatias de diversos setores, porém Nuvunga garante à DW que não pretende concorrer a Presidente.
    "Eu sou ativista, estaria a desvirtuar o sentido do meu trabalho. As condições em que o país e o continente se encontram neste momento necessitam de vozes críticas que mostrem a direção. Então, eu faço parte desse grupo que está orientado para a manutenção da bússola do caminho da justiça, dos direitos humanos e do progresso para o nosso povo, faço isso melhor nesta posição de ativista", revelou.
    Do outro lado da trincheira
    Objetivos igualmente perseguidos por um estadista, a princípio, que apenas o faz numa categoria diferente. Mas Nuvunga insiste que o nível de destruição do Estado e o desespero coletivo requer ainda a sua continuidade do outro lado da trincheira para manter acesa a chama da esperança de mudança. Contudo, concorda com Thomashausen que a sociedade civil deve substituir a oposição há muito mergulhada na letargia.
    "Por aquilo que se vê onde as forças políticas da oposição, aquelas que ocupam esses lugares parecem estar no bolso da FRELIMO. E aFRELIMO cada vez mais se militariza, acredita e usa a força das armas para se manter no poder. Cada vez mais a sociedade civil tem de desempenhar esse papel [de oposição]."
    Talvez no futuro?
    E é nessa senda que, depois de alguma insistência da DW, Nuvunga assume que não descarta a possibildade futura de vir a concorrer à liderança do país.
    "Mas claro, quem sabe no futuro dado o nível de descrédito em que o país se encontra talvez, mas no momento atual o foco é mesmo este", confessou.
    Uma saída de Nuvunga, ou de outra destacada figura da sociedade civil para a governação, não amputaria o setor e desiquilibraria a luta por melhores condições para o povo? O ativista usa o argumento renovação para responder:
    "Há cada vez mais jovens a ocupar as posições. Nós também temos de nos preparar para deixar esses lugares para os jovens. A democracia só se desenvolve quando há essa consciência de missão cumprida."
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  • Elias Dhlakama vai candidatar-se à liderança da RENAMO
    Em entrevista à DW, Elias Dhlakama assume que será candidato à liderança da RENAMO. O irmão do antigo líder Afonso Dhlakama diz ter apoio dos seus correligionários e não teme disputa interna com figuras "mediáticas".Há mais um nome na corrida à liderança do maior partido da oposição em Moçambique: Elias Dhlakama. Em entrevista exclusiva à DW África, o irmão de Afonso Dhlakama assume a intenção de concorrer ao cargo e fala dos seus planos para "ressuscitar" a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), caso seja eleito.
    Elias Dhlakama diz ainda que não receia a disputa interna da RENAMO e confia na máxima que diz "o meu currículo fala por si".
    Esta quarta-feira (17.01) expira o mandato do atual líder, Ossufo Momade. A expetativa é de que em breve o partido marque datas para eleger o novo líder e futuro candidato às presidenciais de outubro próximo.
    DW África: Vai candidatar-se à liderança da RENAMO?
    Elias Dhlakama (ED): Sim, vou-me candidatar.
    DW África: Reúne apoio dos seus correlegionários para avançar com o seu objetivo?
    ED: Reúno muito bem. Tenho o contacto das bases, tenho o apoio das bases da RENAMO e dos membros séniores da RENAMO.
    DW África: Tarda o anúncio por parte do Conselho Nacional da RENAMO da data do congresso, que, entre outras coisas, deverá escolher o líder do partido e candidato às presidenciais...
    ED: É do nosso conhecimento e é do domínio público que o mandato dos órgãos do partido termina no dia 17. Passa à invalidade, estarão fora do prazo. Por isso é que há uma necessidade, antes de mais nada, de convocar-se a Comissão Política Nacional, que vai preparar as decisões. É preciso que se faça o balanço das eleições municipais, onde a RENAMO perdeu. Perdemos porque, de facto, ganha quem marca. Se nós não marcarmos, significa perdemos. Sabemos que nós ganhamos e fomos roubados, apenas nos foram dados municípios insignificantes como forma de fazer calar a RENAMO. Então, este caso de facto deve ser debatido no Conselho Nacional.
    DW África: Que mecanismos são ativados para que os regulamentos da RENAMO sejam respeitados nessas circunstâncias?
    ED: De princípio, aquele que é membro da RENAMO sabe muito bem que os estatutos da RENAMO são a Bíblia, a Constituição da RENAMO. Qualquer um para ser membro, primeiro, antes de mais nada, tem de respeitar este princípio. E chegando, normalmente, tem de existir um congresso para eleger. Há quem pense que o Congresso é apenas para eleger a figura do presidente. Não. Há muita gente que deve ser eleita. Há muitos membros da RENAMO que esperam ser eleitos para o Conselho Nacional. Há muitos membros da RENAMO que estão à espera de estar lá no Conselho Jurisdicional do partido.
    DW África: O senhor Elias Dhlakama ambiciona um cargo que também é desejado por outras figuras bastante mediatizadas no cenário político moçambicano, como é o caso de Venâncio Mondlane, que também já assumiu que se quer candidatar. Estamos a falar de uma luta renhida em que, em termos de visibilidade, leva relativa desvantagem.
    ED: Pelo contrário. Algumas imagens aparecem na opinião pública porque foram cabeças de lista, gritaram muito, andaram atrás da Justiça para defender os votos da RENAMO. Por isso é que eles falaram muito. Não é um cidadão comum que vai votar no congresso da RENAMO, que será convidado no Conselho Nacional da RENAMO. São membros séniores do partido. E eu sou um membro sénior da RENAMO. Talvez dissesse que eu tenho poucos adversários diretos, porque eu conheço bem. Agora, outra coisa é a opinião pública.
    DW África: Caso chegue à liderança do partido, quais seriam os seus planos para revigorar a RENAMO, que há muito tempo anda mergulhada numa letargia?
    ED: Eu conheço melhor o partido RENAMO. O que eu quero na RENAMO é a inclusão, eu serei aglutinador. Há muitas situações e é preciso ser conhecedor, porque a RENAMO anda com muitos problemas. Veja só que a RENAMO sai do processo de DDR [Desarmamento, Desmobilização e Reintegração], que foi muito mal feito e se possível [deve haver] uma renegociação, porque os militares que beneficiaram deste processo todos eles estão a murmurar, nós queremos uma RENAMO mais conjugada, uma RENAMO para ganhar eleições, para dirigir o país.
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